quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

Malala - Uma menina entre muitas



Nesta semana tão importante em que se comemorou o Dia Internacional dos Direitos Humanos - 10 de Dezembro -, este vídeo circula o mundo para proclamar o direito de nossas meninas à educação.
Em homenagem à Malala Yousafzai, vencedora do Prêmio Nobel da Paz 2014, mais de 40 meninas reproduziram um dos seus discursos.


quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

A Felicidade não se engole


A Felicidade não se engole...
Não se engole, não se consome, não se compra? Será mesmo?
Tem certeza que a felicidade não está no seu carro novo, na sua roupa de marca, no antidepressivo que o médico receitou, no açúcar que você tanto adora, no celular do momento, na nota da prova, na viagem do ano? Será mesmo?
Todos dizem que está!

Ah, a felicidade... o que será isso?
É um sentimento, é um “estado de alma”, um elogio a si mesmo, uma euforia partilhada com os outros, ou uma coisa que se possui e se adquire, uma espécie de poder que precisa ser exercitado e exibido?
Sim, como no facebook! Falar com todo mundo o tempo todo, estar conectado, mostrar o quanto "sou lindo e tudo o que conquisto”. Será isso a felicidade? Se estou no facebook estou feliz?

As vezes nem tanto. Além do facebook, para "ficar feliz”, de vez em quando “preciso de uns comprimidos que eliminam aquele vazio, uma coisa estranha, meio deprê, um negócio que acaba com a autoestima, com minha vontade de ficar ligado”. Mas a tecnologia já não “venceu” a angústia humana? Não, sim, será?!

Um surpreendente grupo de adolescentes do ensino fundamental II de Piracicaba (Escola COOPEP), na Mostra Estudantil de Teatro apresentada em novembro/2014, compartilhou com o público esses questionamentos filosóficos existenciais, absolutamente contemporâneos. O próprio nome do grupo já é revelador: O Grito, dirigido por Rodrigo Polla.

Pois bem, O Grito nos coloca frente a frente com a realidade que estamos vivendo, concreta e virtualmente. Através de uma estética muito interessante, com cenas de intensidade dramática que o próprio grupo criou, convoca-nos para uma reflexão pertinente e criativa, muito além daquela que normalmente se espera dos adolescentes de 12 a 14 anos.

Em um mundo onde reinam os clichês, os artifícios rasos de quem não lê quase nada e pensa que sabe alguma coisa; um mundo composto de tecnologias móveis que não auxiliam no desenvolvimento da reflexão mais aprofundada; neste mundo onde é proibido sentir angústia e frustração, encontramos jovens, educadores e escolas empenhadas em transformar a sociedade.

Para dizer o mínimo, emocionante, animador e esperançoso.
Mais do que isso, a peça nos motiva a ler obras de grandes pensadores, como Walter Benjamin, Michel Foucault e Aldous Huxley (Admirável Mundo Novo), bem como a assistir belíssimos filmes, como por exemplo Gattaca - A Experiência Genética (Andrew Niccol EUA/1997). Que tal?


NOTA: A felicidade, a meu ver, por vezes pode ser apenas isso: arte e reflexão de pessoas tão jovens questionando a vida, porque a vida merece!


sexta-feira, 28 de novembro de 2014

Um diálogo sobre infância, ética e amor



Instituto Alana, Humberto Maturana (importante pesquisador chileno) 
e Ximena Davila. 3 minutos que valem a pena!

quinta-feira, 20 de novembro de 2014

Consciência Negra: juventude, violência e alteridade


Alteridade diz respeito à capacidade humana de reconhecer a existência do outro e se colocar no lugar dele, um exercício muito complexo para os habitantes desse nosso planeta Terra, especialmente nos últimos cinco séculos, que marcam o que denominamos Modernidade.

Desde quando os europeus invadiram a América - posto que a versão sobre a "descoberta" não mais se sustenta -, iniciou-se um período de dominação e escravidão que poucos brasileiros se dispõem a estudar e compreender. Tanto os índios de todo o continente americano quanto os negros trazidos da África não tiveram a possibilidade de viver como pessoas. Ao contrário, foram massacrados e utilizados como força de trabalho, enquanto os senhores brancos europeus lucravam, enriqueciam e matavam.

Darci Ribeiro, no seu brilhante livro O Povo Brasileiro, discorre sobre o que chamou de genocídio contra índios e negros, praticados pelo cultos e letrados europeus. Os filmes 12 Anos de Escravidão (Oscar em 2014) e A Missão (1986) nos oferecem a oportunidade de imaginar como ocorreu este genocídio. Até a Igreja Católica considerava que índios e negros não tinham alma, embora ao mesmo tempo tenha tentado protegê-los. 

Tenho a impressão de que, mesmo hoje, vivendo numa democracia em que todos são considerados iguais, algo dessa história, não tão distante assim, permanece. Apesar dos negros terem sido justamente o povo que construiu o Brasil, com seus músculos, suor e sangue, o preconceito racista ainda predomina nas atitudes e posicionamentos, cada dia mais chocantes, de uma certa parcela da população (não tenho coragem de reproduzir neste espaço os xingamentos absurdos dos que humilham e degradam não só os negros, como também os índios e os nordestinos). Apesar de ter havido uma inegável ascensão sócio econômica da sociedade brasileira na última década, incluindo os afrodescendentes, é fato comprovado que a pobreza é uma condição estrutural da população negra, mais do que da branca. E por último, a associação perversa entre criminalidade e juventude negra, promovida cotidianamente pela mídia, tem levado à morte um número elevadíssimo de jovens negros, muitíssimo maior do que de brancos.

O Mapa da Violência 2014 (http://www.mapadaviolencia.org.br/mapa2014_jovens.php) registrou que do total de homicídios ocorridos no país em 2012, 57,6% tiveram como vítimas jovens na faixa etária de 15 a 29 anos. Destes, 93,3% eram homens e 77% negros. Em função disso, a Anistia Internacional lançou a Campanha Jovem Negro Vivo, propondo discutir a questão com a sociedade e os governos. 

Sabemos que a violência no Brasil é antiga e historicamente estimulada, fazendo parte de um contexto muito mais amplo, que inclui as estratégias de dominação da Europa sobre o mundo ocidental. Basta lembrarmos do genocídio mencionado anteriormente neste texto. Por isso é necessário refletir e buscar conhecimento em fontes mais críticas, já que ainda são perpetuados valores racistas na sociedade, que contribuem com a manutenção de preconceitos. Um desses preconceitos arraigados propõe justamente a ideia de que todos os que residem em áreas pobres das grandes cidades são bandidos e traficantes, principalmente se forem negros, homens e jovens. 

Tamanho equívoco permite que se instale uma guerra permanente, ceifando vidas a cada dez minutos em todo o país. Será que algum dia seremos criativos o suficiente para interromper este ciclo de tragédia, aprendendo, mesmo que a partir da dor, a considerar o valor da vida uns dos outros, independente da classe social, da cor da pele, do nível de escolaridade e do local de residência?

A ver, a sonhar e a lutar!

domingo, 16 de novembro de 2014

O Ódio no Brasil

  


O conhecimento pode ser um instrumento para combater a violência e o ódio. 
Por isso esta aula de história é tão importante.
Leandro Karnal, historiador, doutor professor e escritor.

quinta-feira, 30 de outubro de 2014

A insanidade e incivilidade do ódio

Posso estar enganada, mas tenho percebido que todas as pessoas que têm o mínimo de bom senso estão assustadas com o nível de ódio que os brasileiros estão demonstrando nas redes sociais e no trato cotidiano com seus pares, especialmente se estes forem diferentes do esperado. Caso o parente tenha votado em um candidato que não é o escolhido pela família, caso o colega de trabalho pense de maneira distinta dos outros ou seja nordestino, encontra-se em posição de vulnerabilidade a insultos de toda a ordem. Ou seja, apenas por não se encaixar em um determinado padrão de pensamento ou de origem étnico geográfica, digamos assim, uma pessoa pode ser ofendida e literalmente xingada nas timelines da internet ou no supermercado da esquina.

Por esse motivo, eu, que há dois anos participava do facebook, já não participo mais (a não ser pela Clínica Recriando Vínculos Psicoterapia). Ouço relatos sobre as outras redes sociais, que parecem estar ainda mais odiosas, contaminadas por discursos racistas e xenófobos proferidos pelos pseudo jornalistas de plantão, que lucram com a guerra diária de um povo como o nosso. Entendo que, neste momento histórico tão delicado, a mídia é, de fato, a grande responsável por produzir estas situações de incivilidade social.

Não quero dizer que o ódio seja inumano, que as revistas e os jornais do país estejam fabricando os sentimentos das pessoas.  Não se trata disso. Nós, seres humanos, somos excelências em odiar. É do ódio que criamos guerras, que matamos uns aos outros, que nos violentamos todos os dias, que aprisionamos os animais, que desprezamos os mais fracos.

Sabemos que o ódio faz parte do espectro de emoções de toda pessoa, assim como o amor. Uma mãe pode odiar seu filho, um aluno sua professora e vice versa. Os casais muitas vezes vivem uma relação de ódio, mais do que de ternura, e a tragédia se anuncia quando o tal ódio torna-se a tônica de um casamento ou a inspiração para as atitudes de uma nação. Exemplos não faltam, creio não ser necessário citar a primeira e a segunda guerra mundiais, frutos de disputas territoriais e da xenofobia em relação ao povo judeu e a muitos outros povos. Infelizmente, o ódio é uma das marcas da nossa humanidade, desde seus primórdios.

Acreditávamos que, na medida em que nos tornássemos seres civilizados, poderíamos aprender a lidar melhor com o ódio, de modo a nos destruirmos menos. Não foi o que se viu no século XX, não é isso que estamos vendo agora.

Com grande contribuição de uma boa parcela da mídia, que estimula o ódio nos cidadãos, estamos adoecendo. Porque para mim, sinceramente, a intensidade deste ódio já está no limite da sanidade possível de um ser humano. Em algum momento dos últimos dias, lendo frases e comentários absurdos na internet, imaginei que estamos todos fazendo parte de um enorme sanatório, povoado de loucos que ficam gritando, sem conseguir qualquer comunicação um com o outro. Por isso acho necessário parar e refletir, olhar “de fora” as situações nas quais as pessoas (ou nós mesmos) gritam, xingam e brigam. Tenho certeza que, se fizermos isso, sentiremos vergonha, posto que já tivemos alguma experiência de civilidade, de convivência e educação decentes. Além disso, nunca é demais retomar a leitura dos filósofos que nos ajudam a pensar a modernidade, como Walter Benjamin, Hannah Arendt e Michel Foucault.

quarta-feira, 15 de outubro de 2014

Dia dos Professores


Em comemoração ao Dia 15 de Outubro, 
data que homenageia nossos queridos professores e educadores.
Ou ainda, nossos insistentes sonhadores!

sexta-feira, 10 de outubro de 2014

Um novo olhar para a infância


Um dos livros mais belos que já li em toda a minha vida foi A Desumanização (2014), escrito por Valter Hugo Mãe, grande autor português reconhecido internacionalmente. É a história de uma menina de 11 anos que vive na Islândia e perdeu a irmã gêmea. Toda sua família sofre com a morte desta criança, chamada Sigridur, “a criança plantada” que “não podia voltar”. A narrativa do livro é tão épica quanto trágica e lírica, encantando os leitores que amam poesia.

Halla, a irmã sobrevivente que conta a história (o romance foi escrito em primeira pessoa), é a heroína deste mundo desumano em que vivemos. Sua redenção, se é que existe, são as palavras, os poemas do pai, os livros e a possibilidade de fugir do lugar onde vive.

O sofrimento e a solidão de Halla nos toca profundamente, a menos que não sejamos mais humanos. Halla representa ao mesmo tempo a dor da humanidade e a busca pela vida. Impossível não nos identificarmos com essa magnífica personagem, impossível não pensarmos na infância como um período trágico e no ser humano como um ser cruel.

Há décadas trabalhando e acompanhado crianças, como terapeuta e educadora, de várias classes sociais, sinto-me privilegiada por estar com elas. Infelizmente, o sofrimento que as oprime, em geral não é considerado nem valorizado, a não ser sob a ótica da medicalização, que visa rotulá-las para poupar os adultos de suas responsabilidades, além de inflar os lucros da indústria farmacêutica.

Apesar disso, as crianças resistem, rebelam-se, as vezes gritam e esperneiam, outrora se calam para dizer o que precisam, como o menino Tochtli, personagem principal do livro de Juan Pablo Villalobos, Festa no Covil (2010). Lembro-me da frase de uma menina de 9 anos, pronunciando-se em segredo e em prantos: “os adultos pensam que ser criança é fácil, mas eles não sabem como a gente sofre.”

Não sabemos, não queremos saber, não lembramos de nossa própria infância? O que fizemos dela? É certo que cada um de nós fez da infância e faz da vida adulta o que é possível, mas como seria bom se fôssemos mais sensíveis à visão das crianças, às suas necessidades afetivas e às suas ações! Seria ainda melhor se parássemos de idealizar essa fase da vida e agíssemos de maneira mais adequada, permitindo que nossas crianças sejam apenas crianças.

Penso que assim seríamos adultos muito mais humanos e teríamos crianças muito mais felizes.

terça-feira, 30 de setembro de 2014

Roda de Conversa: Sexualidade e Infância

Em uma das poucas noites chuvosas do mês de setembro, participei da Roda de Conversa do Dom Bosco São Mário - Piracicaba, discutindo o tema Sexualidade e Infância, com famílias interessadas nesta questão. As perguntas das crianças, as brincadeiras sexuais, o papel da mídia e dos pais na educação dos filhos foram os principais temas abordados.

























Mais informações:
http://recriandovinculos.blogspot.com.br/2014/03/sexualidade-infantil-orientacao.html


quarta-feira, 17 de setembro de 2014

Infância, Mídia e Erotização

Um dos assuntos mais discutidos nestes últimos dias foi a recente publicação da Revista Vogue Kids, exibindo meninas erotizadas em um ensaio fotográfico denominado Sombra e Água Fresca. O Ministério Público já determinou, inclusive, que esta edição da revista seja retirada de circulação.

As fotos escandalizaram uma parte da sociedade, que está se manifestando pelas redes sociais e também judicialmente. Creio que este seja um momento interessante, portanto, para discutir esta questão complexa.

Fiquei me perguntando, ao ler diversos artigos sobre o tema, porque estas fotos estão causando tanto furor, já que imagens desse tipo, expondo crianças eroticamente ao olhar adulto, circulam o tempo todo na mídia. Alguém discorda?

O roteiro de vida das nossas crianças está organizado em função do mundo adulto, por isso a infância é uma etapa de desenvolvimento em vias de extinção. No campo da sexualidade, não é diferente, principalmente em relação às meninas.

Com 4 anos de idade, por exemplo, meninas já usam salto e maquiagem, incentivadas pela moda que a mídia impõe e as vezes pela própria família, com grande dificuldade, atualmente, em distinguir quais são os valores adequados para educar os filhos, em cada etapa da vida.

Na televisão, tanto em novelas e propagandas quanto em programas voltados para o público infantil, não existe limites à exploração do corpo da criança. Todas são exibidas de maneira artificial e erótica, como se já fossem mulheres e homens, lindos, magros e perfeitos, prontos para o consumo do desejo sexual de jovens ou adultos sedentos.

Infelizmente, não é difícil constatar que nossa sociedade é pedófila, na medida em que, de certa forma, provoca/convoca o desejo para o sexo com crianças - mesmo que seja só na fantasia -, ao expor eroticamente corpos infantis como se fossem adultos. Fico muito feliz ao perceber que, através deste ensaio da Revista Vogue, talvez seja possível que um número maior de pessoas comecem a estranhar tal situação, perversa e irresponsável para com nossas crianças. 

domingo, 7 de setembro de 2014

7 de Setembro


Foto publicada pela Fundação Abrinq: http://www.fundabrinq.org.br/
"Construímos um Brasil melhor a cada dia com nosso compromisso
com a infância e adolescência. Juntos, podemos mudar o país!"

sábado, 30 de agosto de 2014

Sexualidade e adolescência na era virtual: desafios para a educação

São muitas as situações desafiadoras para os educadores, envolvendo a sexualidade dos adolescentes. Em função das múltiplas tecnologias que surgem diariamente, principalmente dos aplicativos móveis, “brincar de sexo” através da rede virtual está se tornando algo comum e frequente.

Se em décadas passadas éramos capazes de controlar o acesso dos nossos filhos ao computador e ao celular, hoje já não somos. Sabemos que não é possível impedi-los de usar a tecnologia, por isso ficamos aflitos e muitas vezes impotentes diante deles. Vamos inclusive percebendo que muito do que aprendemos sobre educação, valores e relacionamentos sexuais está em “desuso”, ou seja, não serve mais, não se adequa à geração net.

Pornografia virtual acessível a crianças, prática de sexo pela rede, vídeos e fotos de corpos nus compartilhados entre os colegas, provocando até suicídio em alguns casos, devido ao ciberbullying, são algumas das cenas com as quais todos nós adultos, em casa e na escola, temos nos deparado. O assunto está em pauta e não há respostas nem receitas sobre o que fazer. É preciso refletir, pesquisar, ouvir e estar aberto. De nada resolverá nosso conservadorismo, nossas ideias preconcebidas ou nossas “lições de moral”.

Uma das primeiras questões a levarmos em consideração é o apelo à exposição do corpo. Vivemos uma era de “culto ao corpo”, somos estimulados o tempo todo a exibi-lo, a mostrá-lo e a nele investir de diversas formas, seja através de atividades físicas, de suplementos ou de cirurgias plásticas. Não há limites, o que importa é a performance do corpo, a beleza que precisa desesperadamente ser adquirida, custe o que custar, segundo os padrões que a mídia impõe.

Como será que esta cultura impacta os adolescentes, que estão experimentando a própria sexualidade, buscando auto afirmação e identidade sexual? Se o mundo nos ensina que para existir temos que exibir nossos corpos, porque recusaríamos, se fôssemos adolescentes no século XXI?

Para nos tornarmos homens ou mulheres interessantes sexualmente, é necessário mostrar a todos nosso “potencial”. As tecnologias nos disponibilizam tal acesso, são abundantes e convidativas. Qual o problema então, se o corpo é consumo, mercado e visibilidade?

Pois bem, os problemas são muitos, mesmo que não sejam tão evidentes. Por exemplo, os adolescentes são obrigados a conviver, ao mesmo tempo, com esse culto ao corpo e sua consequente punição, contraditoriamente. Tanto assim que, quando os colegas de uma garota descobrem que ela envia fotos nuas para alguém, imediatamente se afastam, passam a odiá-la e a difamá-la, embora já possam ter feito algo parecido.

No que diz respeito a afetividade e ao exercício da intimidade, é visível a falta de habilidade para encarar o outro e construir com ele um vínculo de crescimento mútuo. A ênfase no excessivo consumo do corpo e da sexualidade propicia que as relações sejam efêmeras, pouco estáveis e com um nível de comprometimento mínimo.

Essas são apenas algumas das questões que fazem parte deste tema complexo que estamos discutindo. Com muito empenho, precisamos criar alternativas para conhecer e decifrar algo que não nos pertence, visto que nascemos em outro tempo: o finado século XX.

quarta-feira, 27 de agosto de 2014

Dia do(a) Psicólogo(a)



Neste dia 27 de agosto, conheça a cartilha Medicalizar Não é a Solução, 
publicada pelo Conselho Regional de Psicologia. "Ela mostra o quão importante é conhecer as subjetividades e o meio em que as pessoas estão inseridas. Antes mesmo de qualquer diagnóstico."

quinta-feira, 14 de agosto de 2014

Dialogando com a juventude: literatura e psicodrama


Quase sempre me surpreendo com a capacidade e a criatividade dos adolescentes. Numa manhã fria deste agosto/2014, participei de um feliz Encontro de Literatura, realizado em uma escola pública, com alunos do ensino fundamental II e ensino médio.
O objetivo do evento, idealizado pelos competentes educadores da escola, foi estimular a descoberta do prazer da leitura. Feira e troca de livros, bate papo com escritores e oficinas de literatura entraram na programação. Um dia diferente para todos, com arte e imaginação.
Seria possível despertar nos estudantes alguma paixão por Fernando Pessoa? Esse era o meu desejo e a minha proposta. Álvaro de Campos, heterônimo de Fernando Pessoa, escreveu: “Tenho as vezes o tédio de ser eu com esta forma de hoje e estas maneiras... Gasto inúteis horas inteiras a descobrir quem sou, e nunca deu resultado a pesquisa.” Não poderia estar ele se pronunciando aos adolescentes? Claro que sim! E por que não?!
Através do Psicodrama, uma teoria e um método de trabalho que privilegia a ação e a criatividade, nossa imaginação se amplia, propiciando condições para que se formulem novas reflexões e se experimentem novas emoções. Qual o adolescente que não deseja viver isso?
Fernando Pessoa foi muitos e muitos personagens, tantos quantos pôde imaginar. Os estudantes que participaram deste encontro conheceram um pouco mais de si mesmos através dos poemas deste grande poeta. Criaram cenas tristes e alegres a partir das palavras de Fernando Pessoa e, quem sabe, tenham se apaixonado, senão pelo poeta, pela vida, pela arte ou pelo sonho!
“Não sou nada, nunca serei nada. Não posso querer ser nada. À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.” Tabacaria, Álvaro de Campos – Fernando Pessoa.

segunda-feira, 4 de agosto de 2014

Quantos "eus" nos habitam?





Quantos "eus" nos habitam? Ninguém melhor do que Fernando Pessoa para nos falar sobre isso!

Um poeta que criou tantos heterônimos: 127! Dos quais 3 ou 4 são os mais conhecidos: Álvaro de Campos, Ricardo Reis, Alberto Caeiro e o polêmico Bernardo Soares, que nem sempre é considerado heterônimo.

Cada um deles teve vida própria, personalidade distinta, data de nascimento e morte, vivendo na imaginação de Fernando Pessoa e podendo viver na de seus leitores também, até hoje.

Com este grande poeta português, tão apaixonante, compreendemos que muitos personagens, muitos desejos e muitas vidas fazem parte de nós e de nossas relações. Nem por isso nos tornamos esquizofrênicos! É possível expressar nossos diversos "eus" através da arte, em qualquer linguagem: música, poesia, literatura, teatro, dança. Desta forma, nos sentimos mais vivos, mais criativos e espontâneos.

E para quem quiser conhecer de perto Fernando Pessoa, além de ler suas poesias, fica o convite para a deliciosa leitura do livro de José Paulo Cavalcanti Filho: FERNANDO PESSOA: UMA QUASE AUTOBIOGRAFIA.

quarta-feira, 23 de julho de 2014

Aprender com a dor: por que não?



Atualmente temos compartilhado uma visão de mundo na qual a euforia tornou-se um estado emocional cultuado e dignificado, considerado como um conceito ou um critério que define a felicidade. Estar feliz é estar eufórico, combater a tristeza e a melancolia a todo custo, como se fosse possível vivermos nesse universo delirantemente cor de rosa, sem dores, sem perdas, fracassos e sofrimentos por vezes terríveis.

Aprendemos, e muito bem, a negar tudo o que possa nos fazer sofrer, desde uma simples angústia que não conseguimos nomear até um insuportável luto pela morte de alguém que amamos muito. Somos, dessa maneira, levados a viver uma espécie de "anestesia geral" dos nossos próprios sentimentos, especialmente frente à dor do outro e à nossa. Vamos nos transformando em seres indiferentes, conosco e com as pessoas ao redor, quase não distinguindo mais as diversas possibilidades que temos para sentir a vida: ora amiga e acolhedora, quem sabe feliz, ora triste e lamentável. 

O sofrimento também faz parte da vida, bem como a morte. Compreender isso não como sacrifício e expiação, mas como aprendizagem, nos ajudaria a encontrar perspectivas mais criativas para lidar com situações adversas, que muitas vezes não escolhemos.

  

quarta-feira, 16 de julho de 2014

Lei Menino Bernardo



Já está em vigor a lei que proíbe castigos físicos na educação de nossas crianças e adolescentes, denominada Lei Menino Bernardo. 

"A lei determina que crianças e adolescentes sejam educados sem o uso de castigos físicos ou tratamento cruel ou degradante (que humilha, ameaça gravemente ou ridiculariza), como formas de correção, disciplina ou educação." Conselho Regional de Psicologia.

Após grande polêmica, a Lei número 13.010 foi aprovada e sancionada pela presidenta, alterando inclusive um artigo do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). Diversos profissionais e instituições de direitos humanos comemoraram a decisão, considerando-a um grande avanço. 
Simultaneamente a esta nova legislação, mais civilizada, é preciso criar condições para o desenvolvimento de uma outra cultura, que não a cultura da violência na qual estamos inseridos. Isto sim é um enorme desafio em um mundo que escolhe frequentemente resolver conflitos através de armas e guerras!


Confira a lei na íntegra:  

sexta-feira, 4 de julho de 2014

Indicações de leitura sobre Adolescência


Para pais e educadores, alguns livros interessantes, dentre muitos outros!



- Adolescentes na Era Digital - Lidia Aratangy - Ed. Benvirá.

- Doces Venenos: Conversas e Desconversas sobre Drogas - Lidia Aratangy - Ed. Olho d água.

- O que é Adolescência - Daniel Becker - Primeiros passo - Ed. Brasiliense.

- E aí? Cartas aos adolescentes e a seus pais - Rubem Alves - Ed. Papirus.

- Comportamento Sexual em Debate - Org. Marcia Kupstas - Ed. Moderna.

- Conversando sobre Sexo - Marta Suplicy - Ed. Vozes.

- Conversando com seu filho adolescente sobre sexo - Marcos Ribeiro - Ed. Planeta.


terça-feira, 1 de julho de 2014

domingo, 15 de junho de 2014

O amor não precisa ser heterossexual

Após tantos séculos de opressão sexual, é possível que estejamos começando a compreender que a homossexualidade não é depravação nem doença, é simplesmente amor por alguém do mesmo sexo. Nesse sentido, o filme nacional Praia do Futuro, de Karim Aïnous, lançado recentemente e polemizado por setores conservadores da sociedade, pode efetivamente contribuir para que as pessoas encarem essa questão de maneira mais tranquila e saudável.

Praia do Futuro é um dos melhores filmes brasileiros dos últimos anos, abordando vários temas, dentre eles o afeto e a sexualidade entre dois jovens rapazes de nacionalidades diferentes, Brasil e Alemanha. O filme provavelmente não encanta os espectadores acomodados a uma linguagem comercial de cinema, pois todo o seu movimento é lírico, poético, silencioso.

A interpretação dos atores principais impressiona pela qualidade afetiva expressa em cada gesto e cada olhar, a compor frases que não são ditas por palavras, mas comunicadas nesse intenso silêncio que habita os relacionamentos. Saímos da sala com a certeza de que as pessoas podem se amar, sejam elas hetero ou homossexuais, isso é o que menos importa!


quinta-feira, 29 de maio de 2014

Adolescência: pais e filhos

Ao contrário do que imaginamos, a adolescência não é um momento tão agradável como estamos habituados a idealizar. Ser adolescente significa estar em permanente conflito com o mundo e consigo mesmo, experimentando sentimentos de vazio, tristeza, inadequação social e raiva. 

Em geral, os adolescentes se sentem incompreendidos pelos pais e professores, frequentemente com razão. Os adultos dificilmente se dispõem a olhar o mundo com os olhos destas “criaturas errantes”, que um dia também já foram. Este exercício de trocar de papel poderia contribuir para que as relações fossem mais tranquilas e menos dolorosas, porém, não é o que ocorre.

Na lida diária com famílias, percebemos o quanto é complicado conviver com as expectativas que cada um tem em relação ao outro. Espera-se dos filhos adolescentes, por exemplo, que se mantenham próximos dos adultos, que continuem a ter os mesmos comportamentos que tinham na infância. Para crescer, no entanto, os filhos se afastam de nós, formam grupos que nos excluem, nos quais não somos convidados a participar. Sentimos medo, muito medo com esse distanciamento e criamos estratégias de controle, fadadas ao fracasso.

Por isso é que, na maior parte das situações conflituosas, agressivas e sintomáticas que envolvem a adolescência, são os pais que precisam de ajuda, por vezes mais do que os próprios filhos. Todos sofrem, é claro, aprisionados um no outro e em si mesmos.    
  
Nosso querido escritor e psicanalista Rubem Alves apresenta essas questões em um livro chamado E AÍ? CARTAS AOS ADOLESCENTES E AOS SEUS PAIS. Vale a pena conhecê-lo!


sexta-feira, 16 de maio de 2014

Sonhos Roubados: ficção, realidade e poesia

Para participar da discussão sobre a violência sexual infantil neste dia 18 de maio, data que marca a Campanha Nacional de Combate ao abuso e exploração sexual de crianças e adolescentes, o Conselho Regional de Psicologia de SP exibiu, em Piracicaba, o filme Sonhos Roubados, de Sandra Werneck (2009).
Baseado no livro As Meninas da Esquina – Diários dos Sonhos, Dores e Aventuras de Seis Adolescentes do Brasil, da jornalista Eliane Trindade, o filme nos aproxima da realidade vivida por famílias e jovens que moram na periferia das grandes cidades.
Através de uma linguagem delicada e poética, a diretora nos propõe acompanhar especialmente o drama de três amigas adolescentes, que começam a se prostituir. Descobrindo a própria sexualidade, numa sociedade que valoriza excessivamente o corpo, elas encontram um caminho de sobrevivência e “apoderamento” na prostituição, com muito preconceito e sofrimento.
Não há espaço, porém, para severos julgamentos moralistas neste belíssimo filme, pois os estereótipos, a meu ver, vão sendo paulatinamente desconstruídos: com excelentes interpretações, todos os atores nos oferecem a subjetividade dos personagens que representam, de maneira que a polaridade bem e mal é rompida. O que vemos são pessoas inteiras, imersas no paradoxo que é a própria vida. Muita tristeza e alguma felicidade ao mesmo tempo, violência e resiliência, denúncia e resignação.
Vale lembrar ainda que a situação de prostituição abordada no filme não é exclusiva das periferias. Sabemos que muitas meninas, inclusive de classe média e alta, também se prostituem. Os motivos são diferentes, os contextos sociais também. E os sonhos, como ampará-los?


Trilha sonora
Música Sonhos Roubados
João Nabuco, Antonio Villeroy e Eugenio Dale
Cantora: Maria Gadu

Eu não sei onde eu deixei
ou se alguém veio roubar
aquele sonho que sonhei
já não sei onde andará.
Prefiro nem dormir
me esquecer de sonhar
eu quero quero muito 
quero agora sem demora
o meu desejo ninguém vai roubar.
(...)



Comitê Nacional de Enfrentamento da Violência Sexual contra Crianças e Adolescentes: http://www.comitenacional.org.br/o-que-e-18-maio-000.php#

Sobre o filme: http://filmesonhosroubados.blogspot.com.br/

quinta-feira, 8 de maio de 2014

Dia das Mães com o Filme Pais e Filhos

Vencedor do Prêmio do Júri no Festival de Cannes 2013, o filme japonês Pais e Filhos, de Hirokazu Kore-Eda, delicadamente nos propõe acompanhar o drama de duas famílias que têm seus filhos trocados na maternidade. Quando as crianças estão com aproximadamente seis anos é que os pais são comunicados deste erro que, a princípio, anuncia-se como uma tragédia. Será?

O filme pode ser considerado um testemunho sobre o quanto a maternidade e a paternidade são construções relacionais, independente da consanguinidade. Se nosso sangue corresponde ou não ao sangue de nossos pais biológicos, assim como nossa genética, isso nada tem a ver com maternidade e paternidade. Pai e mãe definitivamente são aqueles que se responsabilizam pelos cuidados de uma criança, seja esta filho biológico, adotado, parente próximo ou distante.

Obviamente, o que importa na relação pais e filhos é a articulação dos papéis: os pais têm a função primordial de prover cuidados para seus filhos, tanto afetivos quanto sócio educacionais. Os filhos, por sua vez, recebem e aprendem com a dedicação ou a rejeição de seus pais. No filme, essa reciprocidade já está estabelecida entre pais e filhos adotados, sem que ambos saibam, no entanto, que biologicamente não são pais e filhos.

Os filhos identificam seus pais adotivos como “pais verdadeiros” e não querem se separar deles. Os pais, por outro lado, a princípio requerem seus direitos biológicos, clamando pela consanguinidade. A história toda constitui uma belíssima narrativa que vale pelo prazer da emoção, da reflexão e da aprendizagem sobre os relacionamentos parentais. Fica a dica para o Dia das Mães!

segunda-feira, 28 de abril de 2014

Congresso Brasileiro de Psicodrama


Sempre uma oportunidade para reencontrar os amigos, 
conhecer novos trabalhos e participar da produção científica na área da Psicologia/Psicodrama. 
Como afirmou Guilherme Gutman em sua resenha sobre o livro
O que é Loucura, de Darian Leader, na Revista Ciência Hoje (abril 2014),
"todos os que transitam pela psiquiatria, pela psicologia ou pela psicanálise sabem que uma trajetória de formação é sempre bastante longa - de certo modo, interminável." 
Acrescentemos o Psicodrama.

Mais informações:  http://www.cbpfebrap.com.br/
Sobre Psicodrama: http://www.febrap.org.br/

quinta-feira, 17 de abril de 2014

Memória, subjetividade e história

Para compreender nossa própria humanidade, nossa forma de viver, nossos relacionamentos, valores e sentimentos, precisamos aprender a refletir sobre nossa memória individual e coletiva. No momento, este é um dos temas mais discutidos aqui no Brasil, em função dos 50 anos do golpe civil militar.

Algumas pessoas têm dificuldade para entender qual a importância do resgate da memória histórica de um povo. Do mesmo modo, é comum ouvirmos familiares, amigos e clientes dizerem que “é melhor esquecer o que passou de ruim”, como se isso fosse realmente possível. Em geral, muitos acham que vão sofrer menos se esquecerem as dores do passado, sem avaliar os impactos, por vezes danosos, que tais sofrimentos causaram. Não estou afirmando que seja interessante passar a vida toda lamentando os dramas inevitáveis, mas também não parece saudável tentar negá-los.

A memória da nossa própria história e do nosso povo, tanto individual quanto coletiva, pode ser redentora, levando-se em conta que não sobrevivemos sem ela: não seríamos o que somos sem esta capacidade de pensar, voltar no tempo e no espaço, senti-lo novamente e rememorar para criar novas formas de estar no mundo.

Walter Benjamin, um grande filósofo do século passado, legou-nos uma obra magnífica na qual argumenta a concepção de memória como construção social e subjetiva, ou seja, nós nos tornamos sujeitos na medida em que podemos dar sentido a nossa vida, ressignificando os acontecimentos que dela fazem parte, através de um processo chamado rememoração. Rememorar implica em articular os diversos tempos, passado, presente e futuro para, quem sabe, alterar o rumo que a história aparentemente nos impõe.

Para onde vamos? Qual o percurso a seguir? Que possibilidades de escolhas temos, individualmente e coletivamente? Esses questionamentos existenciais que fazemos no dia-a-dia exigem acesso à nossa memória, consciente ou inconscientemente. Podemos não perceber tais movimentos dentro e fora de nós mesmos, em nossas relações, mas estamos constantemente rememorando.

E como somos seres sociais, constituídos nas relações que criamos e reproduzimos em um dado tempo histórico, não podemos nos compreender separadamente uns dos outros. Nossa forma de sentir e pensar é individual e coletiva ao mesmo tempo, bem como nossa memória. Não existe indivíduo sem relações, nem subjetividade sem alteridade. É por isso que a história importa, porque toda história individual faz parte da vivência coletiva de um grupo e vice-versa, a história do grupo também compõe cada pessoa individualmente, embora de maneiras diferentes. Portanto, resgatar a memória coletiva do Brasil é conhecer a nós mesmos, subjetivamente inclusive. 

Haveria algum motivo para tanto medo? Sim, é possível que algumas pessoas se assustem com a própria imagem refletida no espelho. Talvez elas precisem de ajuda.

sexta-feira, 4 de abril de 2014

A arte do cinema fazendo história: olhares possíveis



Nesta importante semana sobre memória e história no Brasil, alguns filmes belíssimos podem ser lembrados e revistos. Em especial, Infância Clandestina, Machuca e O Ano em que meus Pais saíram de Férias apresentam o olhar das crianças em situações limites, como as ditaduras da América Latina. Esses filmes são narrados a partir deste olhar, que coloca nossos filhos menores como protagonistas da história.
A lista abaixo contempla também outras obras muito interessantes.
  • MACHUCA (2004 – Andrés Wood / Chile )
  • INFÂNCIA CLANDESTINA ( 2011 - Benjamín Ávila – Argentina )
  • O  ANO EM QUE MEUS PAIS SAÍRAM DE FÉRIAS (2006 – Cao Hamburger / Brasil)
  • CARA OU COROA (2012 – Ugo Giorgetti / Brasil )
  • O QUE É ISSO COMPANHEIRO? (1997 - Bruno Barreto / Brasil )
  • CABRA CEGA (2005 - Toni Ventura / Brasil )
  • PRA FRENTE BRASIL (1982 – Roberto Farias / Brasil )
  • NO ( 2012 – Pablo Larrain / Chile )
  • HOJE (2012 -Tata Amaral / Brasil )
  • O DIA QUE DUROU 21 ANOS (2013 - Camilo Tavares / Brasil - documentário )

segunda-feira, 31 de março de 2014

Pelo resgate da memória e da história




Nunca se falou tanto sobre o golpe civil militar de 1964. Portanto, estamos vivendo um momento ímpar, no qual o resgate da nossa própria história e memória é de extrema importância. Somos sujeitos históricos, nossa subjetividade é construída socialmente. 
Nas palavras de Pilar Calveiro, sobrevivente da ditadura argentina e autora do livro Poder e Desaparecimento - os campos de concentração na Argentina (Boitempo Editorial):

"As sociedades têm uma enorme capacidade de memória que está aflorando de diferentes maneiras. É uma memória das dores e das violências vividas, mas também é das resistências e dos medos. Se lhe damos um lugar, essa memória traz consigo um aprendizado político muito grande. É uma bobagem ter medo dela, porque o que foi vivido, na medida em que se transmite e se converte em experiência, dá a possibilidade de elaborá-lo coletivamente para construir outra coisa. Nossas democracias necessitam das práticas de memória."

Essas "práticas de memória", que se arranjam e se configuram principalmente em grupos, em movimentos sociais ou em narrativas familiares, são as possibilidades criativas que temos para construir uma vida mais saudável e menos autoritária.

sexta-feira, 28 de março de 2014

Sexualidade Infantil: indicações para leitura


Em função da palestra realizada para pais e professores da Escola COOPEP Piracicaba, em março, apresento uma pequena bibliografia sobre sexualidade infantil, que pode contribuir com todos aqueles que se interessam pelo assunto.



  •  Guia de Orientação Sexual – Diretrizes e metodologias. Vários autores. Ed. Casa do Psicólogo. 
  • As Crianças Querem Saber, e Agora? Moacir Costa, Maria das Graças F. Augusto e Sandra M. Paladino. Ed. Casa do Psicólogo.
  • Papai, Mamãe e Eu. Marta Suplicy. Ed. FTD.
  • Infância & Educação: era uma vez... quer que conte outra vez? S. M. Corazza. Ed. Vozes.
  • O Planeta Eu – Conversando Sobre Sexo. Liliana Iacocca. Ed. Ática.
  • Mamãe, como eu nasci? Marcos Ribeiro. Ed. Moderna. 
  • De Onde Vêm os Bebês? Andrew Andry. Ed. José Olympio.
  • http://revista.hupe.uerj.br/detalhe_artigo.asp?id=105 Geração Digital: Riscos das Novas Tecnologias para Crianças. Eisenstein e Estefenon.
  • www.kaplan.org.br


Boa leitura!

segunda-feira, 17 de março de 2014

Sexualidade Infantil - Orientação


Essas são considerações que objetivam responder algumas dúvidas de pais e educadores.

AS PERGUNTAS DAS CRIANÇAS

  · A curiosidade sexual infantil é absolutamente natural e faz parte do interesse da criança por seu próprio corpo e pelas coisas do mundo: uma criança saudável pergunta sobre tudo, pode achar graça em qualquer coisa e em geral gosta muito de aprender.
  · Com 3 ou 4 anos as crianças começam a ficar curiosas sobre o próprio corpo: percebem as diferenças entre os sexos e fazem perguntas que podem nos deixar constrangidos.
   ·   Ao responder as perguntas das crianças sobre sexualidade estamos lhes oferecendo segurança e carinho, diminuindo assim a angústia que sentem com aquilo que ainda não conhecem e não compreendem.
  · Não é preciso fazer discursos para orientar adequadamente uma criança: o que importa na educação sexual é o acolhimento, a afetividade, o modelo dos pais, o carinho que têm entre si, a forma como se falam e se comunicam.
  · Desde pequenina a criança possui certa intuição sobre o sexo: é como se “soubesse de tudo” sem saber exatamente de nada... Responder às suas curiosidades com bom senso, amor e respeito, paulatinamente, no dia-a-dia da convivência é o caminho mais recomendado.

AS BRINCADEIRAS SEXUAIS
·   Muitos pais ficam assustados ao observar algumas brincadeiras sexuais que os filhos fazem: tocar o próprio genital ou o do colega, exibir o sexo para os amigos, espiar a nudez de outras pessoas. Dependendo da idade da criança e do tipo da brincadeira, a preocupação dos pais pode proceder ou não. Uma criança pequena que manipula o próprio sexo, por exemplo, está desenvolvendo uma atitude saudável e não deve ser censurada, tampouco estimulada continuamente.
·   As brincadeiras sexuais infantis sempre existiram, mas em cada época elas se manifestam de formas diferentes. Atualmente as crianças gostam muito de imitar o que veem na TV e nos sites da Internet, mesmo que ainda não compreendam o que se passa. Outras brincadeiras, no entanto, aprendidas e desenvolvidas no contato entre as próprias crianças, são mais criativas e interessantes (brincar de casinha, de médico e de cavalinho, por exemplo).
· Uma brincadeira sexual entre crianças é saudável quando é motivada pela curiosidade e possibilita a descoberta do próprio corpo, sem oferecer riscos ou ameaças que geram constrangimentos e exposição da criança.
·   Entre crianças e adultos e crianças de faixa etária diferente não deve haver brincadeira sexual. 

A RESPONSABILIDADE DOS PAIS
·   A educação sexual da criança é algo que compete aos pais em primeiro lugar: é preciso orientar os filhos, através do próprio exemplo, sobre como desenvolver atitudes positivas e responsáveis em relação à sexualidade.
·   A sexualidade faz parte da intimidade, portanto é o exercício da intimidade dos pais que ensina a criança a ter respeito por si mesma e pelos outros.
·   Evitar a exposição excessiva das crianças à programas de TV e Internet, com apelo sexual, é uma responsabilidade de todos os pais, pois protege os filhos de estímulos eróticos que podem comprometer o desenvolvimento infantil saudável.