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Barbárie e civilização: quem somos nós?

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Nesta semana eu morri um pouco... Não, eu não morri porque a cada dia que passa fico mais velha e próxima da morte, naturalmente. Eu não morri porque estou vivendo intensamente todos os instantes, Não é este o meu morrer. Nesta semana eu estou morrendo um pouco a cada minuto... Morro de tristeza ao ver tanta gente insana, pessoas queridas e amadas, tomadas pelo mais sórdido dos afetos: o ódio. Morro de desesperança ao constatar que a mais bárbara das ideologias se apodera de tantos corpos e mentes: o fascismo. Morro de desalento ao perceber que seres humanos frágeis e ressentidos são manipulados por líderes incautos, despossuídos de sabedoria e armados pelo totalitarismo. Quem sobreviverá? A crueldade é uma marca histórica da humanidade, basta consultar os livros e olhar para as ruínas que habitam nossa alma. Mas eu morro porque insisto em alguma fé, Uma certa ternura diante da precariedade do outro, Da diferença que exclui e violenta. Muitos clamam pe...

Um Poema para os Jovens

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Voa. Voa para o mundo Que a vida a ti concede amor. Caminha. Caminha sem o tempo Que o medo nunca te abraçará. Espera. Espera por si mesmo Que a aurora há de te habitar. Divaga. Divaga na beleza das formas e das cores do universo, Infinito finito. Com a graça do alvorecer e Com a angústia da noite, Vai Segue Sonha Cria Inventa. Cá estaremos eternamente, Sempre a seu alcance. Para Luan

Poema - Qual será nosso futuro?

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Corpos fraturados almas degradadas. Qual será nosso futuro? Lágrimas vermelhas  dores invisíveis. Qual será nosso futuro? Seres decompostos infâncias destruídas. Qual será nosso futuro? Qual será nosso futuro? NOTA: Fotos realizadas em oficinas de fotografia que participei, a partir das quais surgiu este pequeno poema.

Imagens da Cidade

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Calçadas esfoladas ruas machucadas Brancas faixas abandonadas. Esgoto em córregos sombrios Erva daninha sob pés insistentes na caminhada. À caça das árvores nada se comemora: quase todas arrebatadas por mãos cruéis do humano capital. Cimento pedra restos de gente. Abaixo dos viadutos ou em praças repelidas, o cheiro da morte: eis a dor dos “indignos de vida”. Nas quebradas, algum pó. Gritos apavorantes tiros estrondosos. Quadras depois, muros cercas elétricas vigias da noite. Lágrimas escorrem pela cidade cor de sangue. Solidão, palavra evocação. Desigualdade, palavra fundamento. Indiferença, signo da pós-modernidade. NOTA: Este poema nasceu das caminhadas que realizo pela cidade onde resido. 

A palavra que falta

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Quando faltam as palavras para nomear a dor Quando faltam as palavras para soletrar o absurdo. Quando as palavras se ausentam da escuridão no anoitecer Quando as palavras se ausentam dos nossos tristes pensamentos. Quando as palavras perdem seus sentidos Quando as palavras tornam-se um engodo. As palavras se foram As palavras nos desabitaram. Sem elas o que somos nós? Órfãos da história, clichês de pseudo intelectuais a manipular mentes e corações. Recuperemos a palavra mãe que nos nomeia: o OUTRO. Sem o OUTRO não podemos existir Sem o OUTRO não há palavra alguma. Porque é o OUTRO que nos ensina a palavra É com ele que aprendemos a pronunciar o EU. Renunciemos ao esvaziamento e à simplificação cruel das palavras E proclamemos a alteridade: EU – OUTRO. Para que haja alguma redenção humana Para que haja algum sobrevivente. Museu da Língua Portuguesa - SP