Postagens

Seminário: Educação Medicalizada

"Notas baixas, dificuldades na leitura e na escrita, desatenção em sala de aula. Situações como essas, comuns entre os escolares, muitas vezes estão associadas equivocadamente a problemas neurológicos ou psicológicos, não considerando, por exemplo, a má qualidade do ensino. Recorre-se, então, à medicalização, entendida como um processo que transforma, artificialmente, questões não médicas em problemas médicos. Para discutir essas e outras considerações afins, especialistas do Brasil e do exterior se reuniram de 11 a 13 de novembro durante o I Seminário Internacional "A Educação Medicalizada: Dislexia, TDAH e outros supostos transtornos", na Unip campus do Paraíso, em São Paulo." O texto continua em http://www.crpsp.org.br/portal/midia/fiquedeolho_ver.aspx?id=292 , site do Conselho Regional de Psicologia. O Jornal Globo News também veiculou matéria interessante: http://video.globo.com/Videos/Player/Noticias/0,,GIM1373771-7823-BRASIL+E+SEGUNDO+MAIOR+CONSUMIDOR+MUNDIA...

A escolha da escola: falso dilema?

Recentemente fui convidada para discutir, em um programa de rádio, uma questão que pode ser angustiante para os pais: a escolha da escola dos filhos. Para fazer esta escolha adequadamente, é necessário considerar, entre outras coisas, os valores familiares, as expectativas da sociedade e a condição financeira dos pais. Vale lembrar, ainda e sempre que, por melhor que seja, a “escola ideal” não existe. No entanto, ao pesquisar o assunto e sistematizar minha própria experiência de atendimento com crianças e adolescentes, percebi que talvez haja poucas opções diferenciadas no “mercado” da educação formal. A maior parte das escolas particulares, que atende famílias de classe média e alta, oferece um ensino totalmente voltado para a qualificação e o brilhantismo nos exames vestibulares ( agora também o ENEM ), safistazendo, desta maneira, os anseios de pais excessivamente preocupados com o futuro profissional dos filhos. No ensino público, por outro lado, os problemas relacionados à aprendi...

Encanto do olhar

Imagem
Quando nada precisa ser dito...

Dia Nacional do Livro: por que ler?

Até os dias de hoje, ler continua sendo uma atividade revolucionária. Lembremos do excelente filme de Truffaut, Fahrenheit 451, de 1966: os livros devem ser queimados em nome de um governo totalitário, que obriga seus cidadãos a pensarem e se comportarem de acordo com leis arbitrárias. No século XXI, obras literárias importantes, incluindo Monteiro Lobato, ainda são alvo de críticas e censuras inconsistentes, diante de um mundo globalizado e teleguiado. Assistir televisão e jogar vídeo game todo dia é uma atividade absolutamente normal no universo da infância. Consumir programas abusivos e propagandas sedutoras a cada dois minutos é tão permitido quanto incentivado. Nos desenhos, nas novelas, nos realities shows ou nos mais absurdos auditórios onde as crianças são indecentemente exploradas, a prática de uma permissividade quase inquestionável deveria ser contida. Mas não é. Os livros são. Os livros, atualmente, são questionados por racismo, pornografia excessiva, estímulo à violência, ...

Criança Consumo

Criança consumo Habitante de um mundo solitário Prisioneira de artifícios do querer. Criança consumo Enredada na vaidade dos adultos Vive deles os desejos mais ocultos. Criança consumo Tanta face sem nome pelo mundo A servir apenas um senhor: O lucro ensandecido do poder. Criança consumo Reino absoluto do vazio Pois que nada há de contemplar Vontade imensa de brincar. Criança consumo Impedida de ser criança E de ter infância. Espelho de um mundo triste, Indigno de tua verdade. Este é meu poema reflexão em homenagem ao Dia da Criança.

Filme A Onda: Democracia x Autocracia

Imagem
Para quem ainda não assistiu, vale a pena conferir este belíssimo filme alemão, produzido em 2008 e dirigido por Dennis Gansel. Baseado em fatos reais que ocorreram nos EUA, em 1967, o filme narra a experiência educacional de um professor com seus alunos, adolescentes. O resultado da tal experiência, infelizmente, é uma tragédia. No cenário atual, lembrar deste grande filme pode fazer muito sentido. Apesar de tantas decepções e desencantos com nossos políticos, a possibilidade e o direito de escolhê-los ainda é a única maneira de garantir um certo nível de liberdade em nossas vidas. É fato que temos optado por abdicar desta liberdade, na medida em que cobramos pouco de nossos eleitos e não assumimos uma série de responsabilidades enquanto cidadãos. Exemplos não faltam nas cenas diárias que acompanhamos, das quais muitas vezes somos os próprios autores. Como ainda somos frutos dos sistemas autoritários e ditatoriais do século XX, é muito mais fácil que alguém faça por nós, ...

Cinema e subjetividade

Refletir sobre a possível função terapêutica do cinema, nos dias de hoje, é algo que considero muito interessante, posto que vivemos em um mundo controlado por imagens. A imagem produzida pelo cinema tem suas especificidades. Quando entramos nesta sala escura, sabemos que, emocionados ou não, sobreviveremos fisicamente. A distância entre nós e o quadro no qual uma narrativa se desenvolve é determinante, bem como confortável. Estamos protegidos dos ataques, das balas, das mortes, do horror, da doença ou da fome. O mesmo não se pode dizer quanto a nossa subjetividade. Penetramos o filme, permitindo que ele se instale em nós e nem sempre dele saímos inteiros. É possível, então, que alguma nova intensidade comece a fazer parte de nossas vidas, nosso olhar para o mundo, nossos relacionamentos. Nessa nova intensidade sonhamos, imaginamos, tocamos o irreal e o tornamos quase real, com freqüência solitariamente, em nossa mais profunda e intocável intimidade. Alguém poderia afirm...