No contexto atual em que vivemos, da máxima performance, que conjuga produtividade/competitividade, a infância é vista apenas como uma fase a ser vivida rapidamente, uma etapa para chegar adiante, um projeto de futuro que deve caminhar em direção a algo, para algo, satisfazendo anseios e expectativas relacionadas ao universo adulto. Infelizmente essa concepção de infância, aprisionadora, domina toda a sociedade e as instituições que cuidam das crianças, embora diversos estudiosos nos proponham outros olhares. Um destes olhares, possível e distinto, concebe a infância como criação e espontaneidade, jogo, faz-de-conta, poesia em qualquer tempo, em qualquer espaço. As crianças, nessa concepção, são compreendidas como sujeitos, protagonistas do mundo, em condições de falar a si mesmas e aos outros sobre o nascer contínuo, sobre o possível indeterminado das relações e dos afetos, sobre o que ainda não existe e o que existe mas poderia existir de outra maneira. Aqui as crianças são, enfim, e...