sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Homossexualidade: retrocesso na Câmara

Vivemos um momento curioso - ou nem tanto assim, segundo alguns historiadores - de retrocesso nas conquistas da humanidade. No que diz respeito às liberdades individuais e à luta contra o preconceito, compreendemos que muitos avanços já foram realizados.

Há cerca de 20 anos, por exemplo, a OMS ( Organização Mundial da Saúde ) excluiu a homossexualidade de seu manual de classificação de doenças mentais. Isso significa uma grande abertura para conceber e aceitar a sexualidade em suas mais variadas expressões, orientações e diversidade. Homossexualidade, portanto, não implica "homossexualismo", pois o sufixo "ismo" caracteriza uma doença. 

Embora digna de registro, esta grande mudança nos parâmetros da medicina e da ciência não foi suficiente  para eliminar o preconceito social, obviamente. Tanto que, na nossa conjuntura brasileira, um grupo de deputados ultra conservadores busca, na Câmara, através de um decreto, sustar resolução do Conselho Federal de Psicologia, que desautoriza psicólogos a tentarem "curar" a homossexualidade. 

Não existe cura para algo que não é considerado doença. Os Conselhos de Psicologia, responsáveis pela  legislação e fiscalização da atuação profissional do psicólogo, não permitem o atendimento psicológico voltado para a mudança da orientação sexual de uma pessoa, até porque isso é um engodo, posto que situa-se no terreno do impossível. 

O desejo de amar e se relacionar sexualmente com alguém, seja de outro sexo ou do mesmo sexo, não é uma "opção sexual", conforme se afirmava antigamente. Trata-se, de outro modo, da orientação sexual de cada sujeito, individualmente e inexplicavelmente. Apenas isso.

Pautar novamente a heterossexualidade como norma de atuação no campo da psicologia, permitindo a farsa de que é possível transformar uma pessoa homossexual em heterossexual, caracteriza-se como um desrespeito para com todos aqueles que buscam atendimento. Lamentável uma discussão tão antiquada, promovendo o preconceito que ainda vigora e o retrocesso de posições já conquistadas.



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