quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Sonho de Paz

Um sonho qualquer pode sempre existir,

mesmo que seja o da paz.


No universo da imaginação,

habitamos o Olimpo.

No cotidiano de nossas vidas,

proclamemos a coragem,

encantadamente a nos guiar!

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Para uma nova infância

No contexto atual em que vivemos, da máxima performance, que conjuga produtividade/competitividade, a infância é vista apenas como uma fase a ser vivida rapidamente, uma etapa para chegar adiante, um projeto de futuro que deve caminhar em direção a algo, para algo, satisfazendo anseios e expectativas relacionadas ao universo adulto.

Infelizmente essa concepção de infância, aprisionadora, domina toda a sociedade e as instituições que cuidam das crianças, embora diversos estudiosos nos proponham outros olhares.

Um destes olhares, possível e distinto, concebe a infância como criação e espontaneidade, jogo, faz-de-conta, poesia em qualquer tempo, em qualquer espaço.
As crianças, nessa concepção, são compreendidas como sujeitos, protagonistas do mundo, em condições de falar a si mesmas e aos outros sobre o nascer contínuo, sobre o possível indeterminado das relações e dos afetos, sobre o que ainda não existe e o que existe mas poderia existir de outra maneira. Aqui as crianças são, enfim, existência pura, potencialidade em ação, encontro e processo vital.

Quem dera pudéssemos acolhê-las dessa maneira!
Mas ao contrário, quão custoso é, para todos nós, ser criança com nossas crianças nesta outra infância... Perder o controle e brincar, viver um momento de suspensão do real, junto, sem saber o final da história e aprendendo apenas a existir.

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Divulgação: Aliança pela Infância

"A Aliança pela Infância apoia a divulgação do lançamento do Plano Nacional pela Primeira Infância -PNPI- que será realizado no dia 7 de dezembro de 2010, às 14h30m, na OPAS – Organização Panamericana da Saúde.
O Plano será entregue, posteriormente, ao Governo, pelo CONANDA, acompanhado da RNPI, como proposta de ações e metas na área dos direitos da criança de até seis anos de idade, a serem realizadas até 2022, quando o Brasil celebra o bicentenário da Independência. Ele está coerente com o Plano Decenal dos Direitos de Crianças e Adolescentes, incidindo o olhar na especificidade dos seis primeiros anos de vida – período mais decisivo na formação da pessoa."

Equipe de divulgação
Aliança pela Infância no Brasil
www.aliancapelainfancia.org.br
(11) 5853-8082

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Seminário: Educação Medicalizada

"Notas baixas, dificuldades na leitura e na escrita, desatenção em sala de aula. Situações como essas, comuns entre os escolares, muitas vezes estão associadas equivocadamente a problemas neurológicos ou psicológicos, não considerando, por exemplo, a má qualidade do ensino. Recorre-se, então, à medicalização, entendida como um processo que transforma, artificialmente, questões não médicas em problemas médicos. Para discutir essas e outras considerações afins, especialistas do Brasil e do exterior se reuniram de 11 a 13 de novembro durante o I Seminário Internacional "A Educação Medicalizada: Dislexia, TDAH e outros supostos transtornos", na Unip campus do Paraíso, em São Paulo."

O texto continua em http://www.crpsp.org.br/portal/midia/fiquedeolho_ver.aspx?id=292, site do Conselho Regional de Psicologia.

O Jornal Globo News também veiculou matéria interessante:

Participe desta importante discussão e proteja as crianças!

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

A escolha da escola: falso dilema?

Recentemente fui convidada para discutir, em um programa de rádio, uma questão que pode ser angustiante para os pais: a escolha da escola dos filhos.
Para fazer esta escolha adequadamente, é necessário considerar, entre outras coisas, os valores familiares, as expectativas da sociedade e a condição financeira dos pais. Vale lembrar, ainda e sempre que, por melhor que seja, a “escola ideal” não existe.

No entanto, ao pesquisar o assunto e sistematizar minha própria experiência de atendimento com crianças e adolescentes, percebi que talvez haja poucas opções diferenciadas no “mercado” da educação formal.

A maior parte das escolas particulares, que atende famílias de classe média e alta, oferece um ensino totalmente voltado para a qualificação e o brilhantismo nos exames vestibulares ( agora também o ENEM ), safistazendo, desta maneira, os anseios de pais excessivamente preocupados com o futuro profissional dos filhos.
No ensino público, por outro lado, os problemas relacionados à aprendizagem crescem diariamente, transformando-o numa “não escolha”, ou seja, estuda-se na escola pública, em geral, quando não se tem outra opção.

Do ponto de vista das necessidades do desenvolvimento da criança, do respeito à sua individualidade como ser integral, não apenas como um intelecto, fico a me perguntar quais seriam as diferenças entre o ensino público e privado, por exemplo. Tenho dificuldade para identificá-las.
Poucas são as escolas e as famílias, parece-me, engajadas na valorização da pessoa da criança, no seu potencial de descoberta, crescimento e aprendizagem das relações humanas. O que importa, para todos os efeitos, é o rendimento e o resultado que a criança apresenta, não a vivência de sua própria infância.

Do direito de ser criança, nenhum respeito. Apenas e tão somente, pequenos adultos aprisionados na competição selvagem desta nossa pobre sociedade...

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Encanto do olhar


Quando nada precisa ser dito...

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Dia Nacional do Livro: por que ler?

Até os dias de hoje, ler continua sendo uma atividade revolucionária.
Lembremos do excelente filme de Truffaut, Fahrenheit 451, de 1966: os livros devem ser queimados em nome de um governo totalitário, que obriga seus cidadãos a pensarem e se comportarem de acordo com leis arbitrárias.

No século XXI, obras literárias importantes, incluindo Monteiro Lobato, ainda são alvo de críticas e censuras inconsistentes, diante de um mundo globalizado e teleguiado.
Assistir televisão e jogar vídeo game todo dia é uma atividade absolutamente normal no universo da infância. Consumir programas abusivos e propagandas sedutoras a cada dois minutos é tão permitido quanto incentivado. Nos desenhos, nas novelas, nos realities shows ou nos mais absurdos auditórios onde as crianças são indecentemente exploradas, a prática de uma permissividade quase inquestionável deveria ser contida. Mas não é.
Os livros são.

Os livros, atualmente, são questionados por racismo, pornografia excessiva, estímulo à violência, falsidade ideológica, etc. Na era do “politicamente correto”, grandes obras de arte literária são perseguidas, inacreditavelmente.
Por isso penso que ler é um ato revolucionário, que desafia os ditames do poder e da política, e que possibilita também o exercício de uma imaginação mais livre, distante das máquinas a nos ofertar o controle e a falsa exatidão.
Algo mais revolucionário do que isso, refletir, imaginar, sentir, criar?
Conceitos e palavras que correm em desacordo com o mundo atual...

Boa leitura!

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Criança Consumo

Criança consumo
Habitante de um mundo solitário
Prisioneira de artifícios do querer.

Criança consumo
Enredada na vaidade dos adultos
Vive deles os desejos mais ocultos.

Criança consumo
Tanta face sem nome pelo mundo
A servir apenas um senhor:
O lucro ensandecido do poder.

Criança consumo
Reino absoluto do vazio
Pois que nada há de contemplar
Vontade imensa de brincar.

Criança consumo
Impedida de ser criança
E de ter infância.
Espelho de um mundo triste,
Indigno de tua verdade.

Este é meu poema reflexão em homenagem ao Dia da Criança.

sábado, 2 de outubro de 2010

Filme A Onda: Democracia x Autocracia


Para quem ainda não assistiu, vale a pena conferir este belíssimo filme alemão, produzido em 2008 e dirigido por Dennis Gansel.
Baseado em fatos reais que ocorreram nos EUA, em 1967, o filme narra a experiência educacional de um professor com seus alunos, adolescentes. O resultado da tal experiência, infelizmente, é uma tragédia.

No cenário atual, lembrar deste grande filme pode fazer muito sentido.
Apesar de tantas decepções e desencantos com nossos políticos, a possibilidade e o direito de escolhê-los ainda é a única maneira de garantir um certo nível de liberdade em nossas vidas.
É fato que temos optado por abdicar desta liberdade, na medida em que cobramos pouco de nossos eleitos e não assumimos uma série de responsabilidades enquanto cidadãos. Exemplos não faltam nas cenas diárias que acompanhamos, das quais muitas vezes somos os próprios autores.

Como ainda somos frutos dos sistemas autoritários e ditatoriais do século XX, é muito mais fácil que alguém faça por nós, escolha por nós, decida por nós. Escolher e assumir as responsabilidades das escolhas é algo mais difícil, tanto no plano individual quanto coletivo.
Penso que essa talvez seja uma das questões relevantes na discussão sobre as diferenças entre um sistema democrático e autoritário, ou sobre como o autoritarismo fascista pode, de maneira velada, determinar os rumos da democracia.
Assistindo A Onda, com certeza, criamos uma oportunidade de refletir sobre isso.

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Cinema e subjetividade

Refletir sobre a possível função terapêutica do cinema, nos dias de hoje, é algo que considero muito interessante, posto que vivemos em um mundo controlado por imagens.


A imagem produzida pelo cinema tem suas especificidades. Quando entramos nesta sala escura, sabemos que, emocionados ou não, sobreviveremos fisicamente.
A distância entre nós e o quadro no qual uma narrativa se desenvolve é determinante, bem como confortável. Estamos protegidos dos ataques, das balas, das mortes, do horror, da doença ou da fome.

O mesmo não se pode dizer quanto a nossa subjetividade. Penetramos o filme, permitindo que ele se instale em nós e nem sempre dele saímos inteiros.
É possível, então, que alguma nova intensidade comece a fazer parte de nossas vidas, nosso olhar para o mundo, nossos relacionamentos. Nessa nova intensidade sonhamos, imaginamos, tocamos o irreal e o tornamos quase real, com freqüência solitariamente, em nossa mais profunda e intocável intimidade.


Alguém poderia afirmar nunca ter vivido uma experiência como essa?


Diversos pesquisadores e psicólogos discutem a função psicoterapêutica do cinema.
Na obra A Experiência do Cinema, livro organizado por Ismael Xavier, há um texto de Hugo Mauerhofer, psicólogo alemão, investigando especialmente esta questão, ou seja, se o cinema nos proporciona uma vivência emocional significativa, estimulando a transformação pessoal.


Penso que sim, que um filme pode nos acolher, nos abrigar, nos inquietar, angustiar ou entristecer. Pode promover reflexões e ações, individuais ou coletivas. Pode ser um obra aberta, conforme definição de Umberto Eco, favorecendo múltiplas leituras, olhares e emoções.

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Amizade em poesia

Não é o dia da amizade, mas para comemorar novos encontros e conquistas, publico a tradução da maravilhosa letra da canção L'amitié ( 1965 ), que foi tema do filme As Invasões Bárbaras, digno de ser contemplado.


“Muitos de meus amigos vieram das nuvens,
com o sol e a chuva como bagagem.
Fizeram a estação da amizade sincera,
a mais bela das quatro estações da terra.
Têm a doçura das mais belas paisagens e a fidelidade dos pássaros migradores.

Em seu coração está gravada uma ternura infinita,
Mas, as vezes, uma tristeza aparece em seus olhos.
Então, vêm se aquecer comigo e você também virá.
Poderá retornar às nuvens e sorrir de novo a outros rostos,
Distribuir à sua volta um pouco da sua ternura
Quando alguém quiser esconder sua tristeza.

Como não sabemos o que a vida nos dá,
Talvez eu não seja mais ninguém.
Se me resta um amigo que realmente me compreenda,
Me esquecerei das lágrimas e penas.

Então, talvez eu vá até você aquecer
Meu coração com sua chama."


Vale a pena ouvir a música, pelo site:

http://webcache.googleusercontent.com/search?q=cache:http://letras.terra.com.br/francoise-hardy/57333/traducao.html

domingo, 22 de agosto de 2010

Escola para Pais

Palestra Bullying na Escola

Programa Escola para Pais
Unimed Medicina Preventiva - Piracicaba
25/08 - 19:00 h

Local: Anfiteatro do Hospital Unimed

Rua São João, 267


Palestrante: Andrea R. Martins Corrêa

sábado, 14 de agosto de 2010

Congresso: Tempo para o Tempo

De 3 a 7 de Setembro, em Águas de Lindóia/SP, ocorrerá o
17 Congresso Brasileiro de Psicodrama e 1 Latino Americano de Psicoterapia de Grupo e Processos Grupais.
O tema deste grande encontro - que já vem se realizando virtualmente há cerca de 1 ano e meio - é Tempo para o Tempo,
buscando refletir e discutir questões importantes
do mundo contemporâneo, tais como:
a relação do ser humano com o tempo, os sintomas produzidos pela extrema velocidade do cotidiano, a necessidade urgente de criarmos novas práticas e teorias para lidar com a vida moderna.

quarta-feira, 28 de julho de 2010

A polêmica das "palmadas educativas"

Dividindo opiniões entre especialistas, educadores e pais, a modificação no Estatuto da Criança e do Adolescente, proposta pelo governo federal, visa proteger as crianças daquilo que se convencionou chamar de “palmadas educativas”, incluindo beliscões e tapas leves.

Em função da tradição secular do sistema educacional, que impera na maior parte dos países e das culturas, é considerada natural a conduta de bater nos filhos com a finalidade de educá-los. Tal forma de educação só vem sendo questionada nas últimas décadas, com muita resistência. Mesmo países europeus, mais avançados do que o Brasil, permitem o castigo físico.

Obviamente, é fato constatado que torturas psicológicas, como humilhações, ofensas e xingamentos, diários ou ocasionais, podem ser tão destrutivos quanto a violência física de determinados lares. Mas não se trata, neste momento, de discutir o que é mais ou menos nocivo para o desenvolvimento de uma criança, se é o castigo físico ou emocional. Talvez seja importante tentar compreender como e porque esta questão mobiliza tanta polêmica.

Seria pela intervenção excessiva do Estado nas relações pais e filhos, como afirmam alguns profissionais? Precisamos realmente de novas leis para isso?
Seria pela falta de limites que percebemos nas crianças atualmente, o que leva muitos pais a concluírem que umas “boas palmadas” pode resolver, já que “antigamente resolvia”?
Ou também seria pela dificuldade que temos em criar novas alternativas de educação, mais fundamentadas no diálogo e no exemplo do que na força e na violência do adulto, preservando, porém, o lugar de autoridade que nos é designado?

A realidade do mundo contemporâneo não é a mesma que se configurava há algumas décadas, propondo-nos desafios cada vez maiores, dentre eles o de criar novas maneiras, mais saudáveis e dignas, para educar nossos filhos.
Particularmente, percebo e constato ser possível não utilizar castigos físicos nem chantagens na negociação diária que fazemos com nossos filhos, buscando uma disciplina adequada para a convivência. Muitos pais poderiam testemunhar esse feito, embora as recentes pesquisas feitas pelo Datafolha apontem que a maioria deles seja contra a nova lei. É que as dificuldades para se educar, com ou sem palmadas, permanecem iguais: tarefa complicada, a exigir tempo, paciência, disponibilidade, firmeza e reflexão.

domingo, 18 de julho de 2010

Espaço público: um novo olhar

Basta um pequeno passeio a pé ou de bicicleta, aos arredores do próprio bairro, para quebrar a rotina das janelinhas e descobrir a cidade na qual habitamos. Cidade que não conhecemos, que não sentimos, que pouco vemos.

Habituados que estamos a andar de carro ou ônibus, não desfrutamos da liberdade que existe em, por exemplo, pedalar uma bicicleta, como as crianças naturalmente desejam fazer.

É certo que nos arriscamos quando vamos às ruas, tão pequenos e insignificantes humanos, frente às enormes máquinas de velocidade, fábricas ambulantes de mortes estúpidas e horrorosas.

Mas as ruas precisam de nós, as calçadas precisam de nós, as praças e os pátios, os jardins, as pontes e os rios solicitam o nosso olhar e nossa presença, inteira. São todos personagens de nossas vidas, mesmo que não prestemos atenção.

Quem sabe se nos dispusermos um pouquinho mais, começarmos devagar, experimentando, buscando algum prazer em uma forma diferente de estar, tão somente, no que um dia designamos como espaço público. Ele ainda existe, aguarda nosso reconhecimento para que não morra, não seja violento, sujo, abandonado.

quarta-feira, 7 de julho de 2010

Reflexões sobre o bullying

Um dos temas mais discutidos em nossa sociedade, atualmente, diz respeito à prática de intimidação e perseguição realizada por um grupo de pessoas, contra uma outra pessoa, em geral sozinha e indefesa. Há uma série de estudos desenvolvidos pelo mundo todo acerca do que tem sido denominado o "fenômeno bullying".

Muito interessante perceber que o tal "fenômeno" vem ganhando repercussão na medida em que envolve diretamente a convivência escolar das crianças e adolescentes. Afirma-se que sua maior freqüência ocorre entre os meninos de 11 a 15 anos, não desprezando uma alta incidência entre as meninas também. São situações típicas e comuns, nas quais as humilhações, sutis, são encaradas como brincadeiras e não como agressões.

Apelidos, fofocas, e-mails, fotos em celulares e até violência física são formas de praticar o bullying, gerando constrangimento, vergonha, culpa e medo na vítima, uma pessoa como outra qualquer, que é considerada diferente pelos seus agressores. Seja pelo tom da voz, seja por uma característica física, seja pelas roupas usadas, por um alto ou baixo rendimento escolar, determinados adolescentes são de fato perseguidos por grupos de colegas na convivência diária.

No entanto, esta situação vem sendo apresentada equivocadamente como uma questão da infância e da juventude, quando na realidade é somente um espelho do mundo adulto, da intolerância que temos uns com os outros, da ausência de compreensão e respeito entre nós, da feroz competitividade com a qual nos armamos nos dias de hoje. Basta observarmos, por exemplo, uma festa em que se reúnem grupos de homens e mulheres: sobre o que eles falam e de que maneira? Como os homens, especialmente, costumam se comunicar? Será que nossas crianças não estão testemunhando e apreendendo as "brincadeiras" entre os adultos, por vezes carregadas de preconceitos?

É evidente que chamar a atenção para o bullying tem diversos méritos, dentre eles a possibilidade de começar a entender alguns dos motivos que podem levar uma criança a não querer ir à escola. Muitos meninos adolescentes, rotulados de homossexuais, da rede pública e privada de ensino, abandonam os estudos porque são perseguidos e sofrem, desenvolvendo fobias e outras síndromes. Pois bem, uma nova concepção se anuncia, de que todos são responsáveis pela evasão destes estudantes, não apenas eles mesmos ou seus próprios pais, como é de praxe avaliar.

sexta-feira, 18 de junho de 2010

Adolescência: As Melhores Coisas do Mundo

O filme nacional As Melhores Coisas do Mundo , dirigido por Laís Bodanzky e lançado recentemente nos cinemas (2010), retrata, como nenhum outro, o universo adolescente da classe média brasileira. Através dele podemos reconhecer nossos filhos, nossas escolas e nossas próprias contradições como adultos e educadores.

Para os adolescentes, o filme também é inspirador, na medida em que revela angústias e descobertas, sem os apelos típicos dos programas de TV ou da mídia norte- americana, infelizmente dominante no mercado nacional.

Pelos olhos de Mano, Marcelo, Pedro, Carol e outros personagens, nossos jovens podem se identificar e se perceber como parte de uma realidade comum, que envolve conflitos familiares, sexualidade e bullying, entre outros temas. Além disso, aos pais e adultos em geral, que insistem em criticar ferozmente a juventude atual, sem proceder, da mesma maneira, a uma autocrítica, o filme possibilita algumas reflexões interessantes.

Em primeiro lugar, sabemos que os adolescentes precisam se agrupar, uns com os outros, para desenvolverem o “pertencimento”, aquele sentimento de “fazer parte”, compartilhar valores, emoções e atitudes com os “iguais”. Mas esquecemos que, apesar desta necessidade, eles são, como todos nós, diferentes entre si, com pensamentos e sensibilidade individuais.

Nem todos estão de acordo, por exemplo, que seja correto perseguir um colega homossexual da escola ou uma garota considerada promíscua, por mais sutil que seja essa perseguição. O problema é que oferecemos poucas alternativas a estes adolescentes, sujeitos e senhores da tolerância e da compreensão. A moda que dita os valores, afinal, tanto entre os adultos quanto entre as crianças, é a da extrema competição, vaidade e narcisismo.

Mesmo assim, embora tenhamos dificuldades de acreditar, a geração internet pode ser muito criativa quando propõe discussões, questionamentos e soluções para determinadas situações. Basta haver espaço, um pouco de incentivo, muita paciência e, sem dúvida alguma, interesse por filmes como esse que, entre outras coisas, nos estimula a pensar: será que realmente conhecemos nossos filhos? Estamos próximos e disponíveis o suficiente? Quais os valores que estamos lhes ensinando?

http://www.warnerlab.com.br/asmelhorescoisasdomundo/site/

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Entrevista: valores familiares

O site do Insituto Alana apresenta esta semana uma entrevista muito interessante com a psicóloga Rosely Sayão. Vale a pena conferir!

"Temos criado uma geração de crianças e jovens absolutamente anônimos no sentido de valores familiares".

sexta-feira, 4 de junho de 2010

Mãos Dadas: sonho e poesia

Com tantas notícias sobre violência e guerra a nos bombardear diariamente, precisamos fazer um esforço para não abandonar nossos sonhos que, de alguma forma, por mais individualistas que sejam, fazem parte deste mundo incrivelmente louco em que todos vivemos.
A crueldade humana é um fato indiscutível, bem como incompreensível. Para que e por que o homem mata, destrói e busca incansavelmente o poder?
Nenhuma explicação, seja científica, filosófica ou religiosa, dá conta de responder inteiramente esta questão.
Por isso, vale a pena lembrarmos dos poetas, artistas que não se arrogam explicações sobre o mundo, mas apenas cultivam sonhos, doces palavras que podem encantar alguns corações.

De Carlos Drummonde de Andrade, segue o poema Mãos Dadas, absolutamente contemporâneo...

Não serei o poeta de um mundo caduco.
Também não cantarei o mundo futuro.
Estou preso à vida e olho meus companheiros.
Estão taciturnos mas nutrem grandes esperanças.
Entre eles, considero a enorme realidade.
O presente é tão grande, não nos afastemos.
Não nos afastemos muito, vamos de mãos dadas.

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Violência sexual infanto-juvenil

Impossível passar essa semana sem participar das manifestações contra o abuso e a exploração sexual de crianças e adolescentes.
O Dia 18 de Maio foi a data instituída para dar voz às vítimas da violência sexual, sendo que toda a mídia se envolveu nesta importante discussão.
Destaco dois sites interessantes, dentre muitos outros: www.comitenacional.org.br e www.redeamigadacriança.org.br

Apesar de todas as manifestações, positivas e necessárias, fico a me perguntar o que realmente significa exploração sexual infanto-juvenil. O tema, em geral, remete a crimes de pedofilia, estupro e assassinato.
No entanto, discute-se e divulga-se pouco uma outra forma de abuso e exploração sexual, aceita socialmente, praticada em especial com as meninas, ainda pequenas, antes dos 6 anos de idade.
Vou apenas dar um exemplo: em festas infantis, realizadas por empresas do ramo, são colocadas músicas em um palco dançante e mega barulhento, para que crianças de 3 ou 4 anos de idade dancem e rebolem.
Os adultos presentes, talvez pela ausência de informações sobre desenvolvimento infantil, normalmente acham bonito, engraçado e batem palmas... As crianças parecem estar adorando também, pelo simples motivo de serem crianças e necessitarem da aprovação de seus pais, tios, avós.
Haveria muitos outros exemplos, enfatizando o processo de erotização das meninas, fenômeno um tanto negligenciado pela sociedade e que se relaciona, de alguma maneira, com a pedofilia e o abuso sexual. Ou não?

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Aliança pela Infância

A Aliança pela Infância convida a todos para seu 30o Fórum: Experiências do Brincar, em São Paulo.
O Evento simbolizará a inauguração da
Campanha Nacional para a Semana Mundial do Brincar,
a ser realizada de 23 a 30/05/2010,
As crianças agradecem!

sábado, 8 de maio de 2010

Ser mãe

Ser mãe não significa ter filhos.
Ser mãe é cuidar de alguém, pequeno ou grande, que necessita de atenção e afeto.

Ser mãe não é parir,
É abraçar depois do parto, mesmo que este seja de outra pessoa.

Ser mãe não é sofrer,
É comemorar a vida e deixar crescer.

Ser mãe é tudo o que não se diz...
Porque é impossível dizê-lo, quando realmente nos tornamos mães.

Ser mãe não é ofício exclusivo de mulheres,
Pode muito bem ser de homens.

Ser mãe é muito antigo na história da humanidade
E não precisaria ser comemorado.

Porque ser mãe é simplesmente existir com o outro,
Olhá-lo e desejá-lo por perto.

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Pais e Filhos: tempo de crescer

Proporcionar novas alternativas de diálogo entre pais e filhos adolescentes, através do Psicodrama, foi o objetivo de um Encontro interessante, dirigido aos participantes do Programa de Medicina Preventiva da Unimed Piracicaba. Algumas reflexões, partilhadas entre os pais e os filhos presentes, podem ser registradas neste espaço.

Em primeiro lugar é fato que, no mundo contemporâneo, há uma ausência quase completa de tempo para estarmos com nossos filhos, inteiros, integrados no vínculo e espontaneamente. Tomados pelo excesso de pragmatismo e utilitarismo, criamos poucos espaços verdadeiros e importantes de troca afetiva, de diálogo sincero, de compreensão e prazer.

Perdemos, assim, a oportunidade de nos perceber uns aos outros, de tomar contato com nossas próprias necessidades e as dos nossos filhos. Queremos muito falar e ser ouvidos, tanto quanto eles, mas temos dificuldades para escutá-los em seus desejos e cultivar, desta maneira, uma forma de comunicação mais livre, direta e sensata.

É neste sentido que, muitas vezes, tanto pais quanto filhos acabam por dizer "palavras aos ventos”, magoando-se e acusando-se mutuamente, sem conseguirem comunicar as verdadeiras preocupações, sentimentos e expectativas.
Para isso é preciso tempo: tempo cotidiano, tempo interno, tempo de sonho e construção coletiva!

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Psicodrama: encontros possíveis

O encontro entre as pessoas é ainda a melhor forma de nos sentirmos humanos e vivos. Ou não? Os novos meios de comunicação e tecnologia podem ajudar, mas não promovem tanta sinergia quanto olharmos uns nos olhos dos outros, diretamente.

Creio que seja por isso, pela ausência de encontros, que muitas vezes nos sentimos tão sozinhos e isolados. E é também por isso que, quando participamos de encontros interessantes, sejam eles eventos programados, oficializados ou, ao contrário, reuniões ao acaso, acabamos por nos sentir mais felizes e integrados.

Dedico estas poucas linhas ao V Simpósio das Entidades Filantrópicas de Piracicaba, realizado no dia 8/04, no qual tive a oportunidade de coordenar uma oficina denominada Psicodrama e a Criança Pequena, voltada para educadores.

Junto a estes educadores comprometidos, foi possível experimentar e conhecer mais intensamente o universo da criança pequena para, então, compreendê-la e acolhê-la em suas necessidades, principalmente no que diz respeito ao brincar.
Ponto para elas, e seus cuidadores dedicados!

quinta-feira, 25 de março de 2010

A Criança e a TV

O meio de comunicação de massa mais difundido em nossa sociedade, apesar do avanço da Internet, ainda é a televisão. Mesmo com todas as suas deficiências, é fato que os programas televisivos ampliam o acesso à informação. No entanto, precisamos começar a nos perguntar:

Como nossas crianças têm sido tratadas pelos produtores de televisão? Quais valores humanos, éticos e morais são difundidos e legitimados nas novelas e nos desenhos? A TV respeita o Estatuto da Criança e do Adolescente, que garante o direito à proteção frente aos meios de comunicação?

Atualmente convivemos com crianças pequenas, de 3 ou 4 anos - que deveriam estar vivendo intensamente a fase da fantasia, o desenvolvimento da criatividade -, imitando cenas eróticas de novelas e gestos agressivos de desenhos. Convivemos com crianças maiores que pedem celulares e carros de presente, invadidas por um consumo adulto totalmente inadequado.

Ou não? É bom para uma menina de 6 anos desejar "colorir com tinta" os seus cabelos, tão novinhos ainda? É bom para um menino, ao descobrir seu potencial motor, sua capacidade de chutar uma bola e pular como saci, ficar inerte na frente da televisão, mexendo quando muito os olhos?
Sabemos que nada disso é muito saudável, mas aceitamos a ditadura da TV.

Sem mesmo perceber, permitimos a Sua presença, quase como um ente querido, em todos os ambientes que freqüentamos: desde a academia de ginástica, o restaurante, o consultório, até o interior de nossas casas, nossos quartos e os dos nossos filhos.
Na maior parte das vezes, inclusive, não há mais possibilidade de nos relacionarmos uns com os outros sem a mediação da televisão. As reuniões familiares, por exemplo, em geral são acompanhadas pelos ruídos dos jornais ou das novelas.

Nossas crianças, desta maneira, estão correndo o risco de viver uma infância pobre e sem limites para os próprios caprichos e vontades imediatas, cultivando prazeres egocêntricos que não contribuem para o crescimento nem para o amadurecimento individual. Por isso e tantas outras coisas é que, enquanto educadores, precisamos protegê-las, instaurando o diálogo e a discussão sobre a TV, em casa e na escola.

sábado, 13 de março de 2010

Imagens e Estereótipos Femininos

Refletir sobre o papel da mulher na atualidade exige grande exercício de sensibilidade e honestidade.

Em geral, é muito difícil nos descolarmos dos apelos da mídia, que ora engrandece uma mulher absolutamente idealizada, ora destrói essa mesma mulher. Vale a pena checarmos os Suplementos Femininos dos grandes jornais impressos ou das revistas de moda para constatarmos algumas imagens: a figura feminina reduzida a produtos de beleza, a malhação e calorias, a cabelos sedosos, cintura fina e pele suave.

Obviamente que tal mercantilização do ser humano não se restringe à mulher, estendendo-se também aos homens, crianças e às diversas minorias. Tudo está à venda atualmente, com belas embalagens e muita sedução, algo que somente um marketing competente, por vezes nada ético, poderia criar.

Mas será que temos que nos encaixar nos rótulos e estereótipos propostos por outros? Para que?
Será que percebemos o quanto estamos envolvidos nessa rede de imagens e valores que mais nos aprisiona do que liberta?

Sinto-me bastante afrontada, bem como desestimulada, ao tentar assistir os programas de TV dirigidos ao público feminino. Tenho quase certeza de que tanto eu quanto outras mulheres não se encaixam em nenhum desses formatos “pré-moldados”, que insistentemente nos são impostos.
Por vezes fico indignada com a distância que existe entre nossa realidade, nosso dia-a-dia e a superficialidade ou banalidade desses programas. Nada que acrescente em nossa subjetividade, pelo contrário, pode até nos ferir...

segunda-feira, 8 de março de 2010

Tributo ao Dia da Mulher

Versos livres ao amor
por Ana Marly de Oliveira Jacobino

A mais bonita história de amor
ainda não foi publicada
escrevo em versos livres
a experiência de ser mulher.
Revisito o seu ventre,
dormitório da vida.

E, agora neste mundo,
mágico de criança
os livros companheiros
entretém e ensinam.
Brinco de tudo saber
sem saber que não sei.
Sua imagem amada
interage na minha vida
aplaca os meus temores
reconforta a minha alma.

Mulher de mil e uma orações
dos mil e um benzimentos.
Dos quebrantos e mal olhados.

Mulher camponesa
Mulher esposa
Mulher imigrante.
Sem teto e sem voz
arcada pela lida do campo
Plantando sementes
no solo e no ventre
repleta de amor
fiel depositária
do gérmen da vida.

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Fórum Internacional Criança e Consumo

Ocorrerá em março, entre os dias 16 e 18, o 3° Fórum Internacional Criança e Consumo, no Itaú Cultural, SP. O evento será transmitido pela Internet, posto que as inscrições já estão esgotadas.
No site
http://www.forumcec.org.br/ há informações sobre a programação e os palestrantes.

"Neste ano, o debate propõe uma reflexão mais ampla de como a violação dos direitos da criança e o hiperconsumismo desencadeiam problemas ambientais, econômicos e sociais. Também será contemplada a diminuição das brincadeiras criativas, essenciais ao desenvolvimento humano."

Para todos os que se preocupam com a infância, imperdível a discussão
!

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Relações Familiares: O Casamento de Rachel

Muitas são as obras de arte que discutem o tema família. Poderíamos enumerar diversos filmes absolutamente interessantes e imperdíveis, de nacionalidades diferentes. Porém, O Casamento de Rachel, de Jonathan Demme, americano, lançado em 2008 e exibido nos cinemas brasileiros em 2009, é surpreendente.

Trata-se de um filme que abre várias possibilidades de discussão, desde a dependência das drogas até o significado de um ritual de casamento. É este ritual que organiza toda a ação do filme e propicia o reencontro de uma família, digamos assim, disfuncional e trágica.

As relações entre pai, filhas, mãe, irmãs e outros personagens são marcadas por uma tensão incômoda, que nos faz refletir sobre nossos próprios relacionamentos familiares, sobre coisas que gostaríamos de dizer e não dizemos, sobre sentimentos que temos uns com os outros e não revelamos, sobre a enorme dificuldade de nos comunicar... ouvindo e falando de forma espontânea, por exemplo.

Kim ( Anne Hathaway ) é a irmã e filha que volta ao lar por um período determinado, disparando situações e provocando diálogos reveladores, intensos e verdadeiros, bem como inesperados para uma festa de casamento. É ela também a imagem de nossas contradições, nossa fragilidade e agressividade, força e impotência ao mesmo tempo.

Nada a ver com o filme típico americano, à maneira Hollywood. Bem ao contrário, é cinema apenas humano, digno de tocar profundamente todos aqueles que se interessam pelas pessoas, pela afetividade e pelos conflitos que dela fazem parte.

sábado, 30 de janeiro de 2010

Filhos: desejos e expectativas dos pais

Muito mais do que percebemos, as expectativas formam um grande vetor de força e fragilidade em nossos relacionamentos, participando ativamente de nossas emoções, ações e fantasias.


Um casal que está prestes a receber um filho, por exemplo, pode imaginá-lo loiro ou moreno, de olhos castanhos ou azuis, do sexo feminino ou masculino. Pode ainda fantasiá-lo sendo sapeca ou bem comportado, tornando-se músico ou engenheiro. As fantasias são muitas e revelam expectativas acerca da criança que ainda nem existe concretamente, mas que vai tomando forma e se corporificando no útero materno.


Quando chega ao mundo, portanto, a criança já está inscrita nos valores da sociedade e nos desejos familiares. Porém, para se tornar um indivíduo saudável com o mínimo de autonomia, é preciso que essa mesma criança se diferencie das expectativas de seus pais e cuidadores, trilhando caminhos que nem sempre são esperados.


Em geral, é muito difícil para nós, adultos, separarmos nossos filhos de nossos próprios desejos. Esperamos que eles sejam exatamente aquilo que fantasiamos, satisfazendo nossas ambições e frustrações. Esperamos que façam escolhas assertivas, com poucos erros e muitos acertos. As vezes até esperamos que eles façam as mesmas escolhas que estamos fazendo para eles... ou melhor, queremos escolher por eles, impondo nossas necessidades de forma sutil, nem sempre declarada.


"Os adultos se acham... eles sempre estão certos!” Esta é uma frase típica de crianças e adolescentes, vivendo conflitos que fazem parte do desenvolvimento da própria identidade.
Talvez fosse interessante ouvir com mais consideração esse tipo de fala, pois ela pode estar indicando nossas próprias dificuldades em aceitar nossos filhos como eles são, saudavelmente diferentes do que imaginávamos...

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Nossos projetos: expectativas e frustração

Em geral é nesta época, de início de ano, que traçamos projetos importantes para nossas vidas, a serem realizados ou abortados no decorrer dos meses e dias que vão passando.

Pensamos em estudar mais, em dormir menos, em ganhar mais dinheiro, em investir nisto ou naquilo... Comprar o tal carro, móvel ou casa, fazer aquele curso e aquela viagem, conquistar novas coisas, pessoas ou posições. Mudar enfim o que nos incomoda, tentando organizar a bagunça de nossos desejos, expectativas e ambições.

Sabemos, de antemão, que nunca é possível dar conta: o dinheiro não chega, o curso não acontece, desistimos do carro novo, a viagem fica para o outro ano, não mudamos de emprego... Só com muito humor para agüentar tantas frustrações em nosso dia-a-dia, que foge das nossas mãos, de nosso controle, feito cavalo a galope ou pássaro liberto do cativeiro! Sem contar ainda com a possibilidade de surgirem situações trágicas, que envolvem doença, morte ou desemprego.

Infelizmente talvez tenhamos que aprender a realizar o constante exercício de diminuir nossas expectativas em relação à vida, a nós mesmos e aos outros. Fomos educados e acostumados a esperar muito, sempre estamos esperando, ansiosamente... Somos grandes expectadores de nosso próprio desempenho, do desempenho de nossos filhos, do olhar de nosso chefe ou cliente, do carinho de nosso parceiro.
É dessa forma que, sem perceber, vamos nos transformando em escravos e, do mesmo modo, escravizamos.
Sofremos e fazemos sofrer. Quem sabe valha a pena rever...

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Pensando alto: nosso futuro no planeta Terra

É triste começarmos o ano de 2010 em estado de comoção nacional, motivado por desastres ambientais que poderiam ser evitados, mas não são. Pelo contrário, são recorrentes e vêm aumentando.

Embora um dos assuntos mais discutidos nos dois últimos meses de 2009 tenha sido a 15ª Conferência da ONU sobre o clima, em Copenhague, sabemos do pouquíssimo avanço contemplado nas negociações entre os líderes e chefes de Estado, interessados, pelo que consta, na proteção da espécie humana no planeta.

Polêmicas à parte, é consenso que o aquecimento global é um fenômeno tanto natural quanto humano, ou seja, está inserido em ciclos previsíveis da natureza, que já ocorreram em outros momentos da existência da Terra, e ao mesmo tempo é agravado pela ação do homem, que produz excessiva poluição e destruição.

A questão que muito tem sido levantada por grandes pensadores contemporâneos é: o planeta sobrevive, se sustenta frente às catástrofes, mas o homem talvez não.
Isto posto, significa que somos nós que precisamos da Terra, não ela de nós.
Será que estamos entendendo assim?