sábado, 9 de maio de 2009

Artigo: O Fim da Infância

A infância, bem como a adolescência, foi uma criação da modernidade, a partir de 1750, aproximadamente. Neste período, nasceu a Ciência - tal como a conhecemos hoje - e as idéias iluministas. A adolescência teve seu apogeu mais tarde, somente no século XX.
Isto significa que tanto a infância quanto a adolescência são construções históricas, podendo ser situadas no processo de desenvolvimento da sociedade. Antes da Idade Moderna, a infância não existia e a criança era reconhecida como um adulto.
Considerações específicas acerca da infância, conceitos sobre desenvolvimento infantil, estudos e medidas enfocando as crianças, são invenções recentes da humanidade. É curioso notar, porém, que estas conquistas vêm se perdendo.
Não é difícil constatar o mais absoluto desprezo pelas necessidades das crianças, por parte dos adultos e das instituições. Mais uma vez na história, elas estão sendo concebidas como adultas.
Basta olharmos os comerciais, as roupas e os sapatos fabricados para as meninas. Não são pequenas mulheres? Basta repararmos com mais atenção em todo esse movimento pedagógico que alfabetiza precocemente crianças pequenas, impedindo-as de brincar. Aliás, brincar tornou-se uma “ferramenta de aprendizagem”, em um contexto utilitarista que não acolhe a criatividade infantil. E o que dizer das crianças mais pobres? Evidentemente, para elas a infância nunca existiu.
Sinto-me um tanto incomodada quando, freqüentemente, trabalhando com pais, sou indagada a respeito do comportamento das crianças pequenas, que querem brincar e não estudar, querem pular ao invés de assistir televisão. Os pais não têm tempo para a infância e a escola também não.
Sendo assim, as fantasias e as brincadeiras próprias dessa idade têm sido interpretadas de maneira equivocada: espera-se que uma criança de 3 anos saiba repartir os brinquedos, saiba desenhar “bonito”, fique quieta e tenha raciocínio abstrato. Em muitas situações, se a criança não responde de acordo com estas expectativas, é considerada hiperativa e tratada com medicamentos.
Infelizmente, parece estar longe da realidade a compreensão de que não são as crianças que estão doentes, mas os adultos é que se tornaram insensíveis à infância, tão alucinados com suas próprias tarefas e demandas.


Texto escrito por Andrea Raquel e publicado no blog http://agendaculturalpiracicabana.blogspot.com/

Um comentário:

  1. Leio seus textos e ouvindo no UOL as músicas

    que o Arnaldo Antunes fez para crianças.

    Uma delícia.

    Duas delícias.

    O seu texto e as músicas dele.

    Sorte das cças.

    ResponderExcluir