quinta-feira, 21 de fevereiro de 2019

Tito e os Pássaros: pureza e redenção



A animação nacional Tito e os Pássaros (2019) é surpreendente. Dirigida por Gustavo Steinberg e Gabriel Bitar, trata-se de uma narrativa para crianças que emociona jovens e adultos, promovendo uma importante reflexão.

Tito é um menino inteligente, cujo pai cientista está construindo uma máquina para descobrir o segredo dos pássaros, a fim de curar os habitantes da cidade da "doença do medo". Essa doença é contagiosa e se espalha entre as pessoas, transformando-as em pedra. 

O filme me fez recordar o romance de Camus, A Peste, uma metáfora do nazismo ou do fascismo, se quisermos. Mas longe disso, a poética de Tito e os Pássaros, embora de caráter expressionista - portanto carregando tintas brutas e sombrias -, apresenta ao público possibilidades de redenção.

Pássaros e crianças são símbolos de pureza e liberdade, enquanto pedras representam ausência de sentimentos e indiferença. Será que nós, nesses tempos pós modernos regados a ódio, já estamos acometidos da "doença do medo"? E qual o caminho para a cura?

A cura é possível se rememorarmos o passado e compartilharmos nossas histórias, esta é uma das lições do filme. Mais do que isso, não vale a pena contar.

Com uma trilha sonora de fazer inveja a qualquer outra grande obra de arte cinematográfica, Tito e os Pássaros proporciona uma nova viagem ao imaginário empobrecido que experimentamos hoje, contribuindo com algo que parece estar se perdendo: nossa capacidade de sonhar.

Porque precisamos reaprender a sonhar, este é um filme necessário.

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2019

Indicação de leitura: Tudo o que nunca contei


Este é um livro que eu daria de presente a todas as mães e a todos os pais, se pudesse. Como isso não é possível, faço aqui a indicação de leitura, registrando algumas palavras sobre esta bela e instigante obra. 

Escrito por Celeste NG, americana filha de imigrantes chineses, narra a história também de uma família de imigrantes chineses nos EUA dos anos 70. O texto é acessível e empolgante, pois cada capítulo incita o desejo de saber mais.

A protagonista da tragédia familiar é uma adolescente de 16 anos, cuja morte é anunciada nas primeiras linhas do livro. A partir de sua morte é que a história se desenvolve, para o passado, o presente e o futuro. 
Como ela morreu? Teria se matado ou não? Quais os motivos do suposto suicídio?
Quem são seus pais, seus irmãos e seus avôs? De onde vieram? O que conquistaram e o que perderam?

A obra é uma profunda investigação sobre as relações familiares e a influência da cultura nos processos de subjetivação individual, abordando questões relacionadas à classe social, ao casamento entre etnias diferentes, ao papel da mulher na sociedade dos anos 50 e 60 e ao impacto de expectativas inter-geracionais.  

Como se sente uma menina que carrega em suas entranhas o desejo irrealizado de sua mãe, vivendo por ele a ponto de não ter existência própria? Como se sente um menino humilhado por ser asiático numa escola que só tem brancos? Por que ninguém conversa abertamente nesta família, por que não há diálogo franco e redentor? 

Lydia é a filha escolhida de ambos os pais, que desdenham os outros filhos para ampará-la incessantemente. Um projeto de vida foi criado em seu nome, com o objetivo inconsciente de consolar as frustrações, dores e sofrimentos do casal. Um projeto, no entanto, que não inclui a pessoa de Lydia, seus desejos irreconhecíveis e seu self desprezado. Lydia não sabe quem é, ninguém sabe; todos vivem muito, muito sozinhos na mesma casa, perto de um lago situado em um bairro no qual residem famílias tradicionais irretocáveis, supostamente felizes. Felizes? Nem tanto assim.

O drama dos Lee é revelador da sociedade ocidentalizada que hoje vivemos, pautada no narcisismo, na hiper competição, na desigualdade, no consumo e sucesso egoico a todo custo, na superficialidade das relações e na mais absoluta pobreza afetiva. Tal sociedade, infelizmente, tem levado muitos jovens à morte e muitas famílias ao desespero, basta consultar as estatísticas.

"Quando o corpo de Lydia é encontrado no fundo de um lago, o delicado equilíbrio que parecia manter a família unida se acaba, mergulhando todos no caos."

segunda-feira, 28 de janeiro de 2019

A tragédia da ganância

Em nome do lucro, a devastação.
Em nome do progresso, a destruição.
Em nome da paz, a guerra.

Em nome de deus, o fundamentalismo.
Em nome do amor, o ódio.
Em nome da vida, a morte.

Em nome da segurança, o extermínio.
Em nome da riqueza, a desigualdade.
Em nome da Terra, o inferno.



Em nome do presente, o sacrifício do futuro.



sexta-feira, 25 de janeiro de 2019

Grupo de Estudos Gênero e Diversidade




Este grupo de estudos, na realidade, já funciona na Clínica Recriando Vínculos Psicoterapia há cerca de dois anos. É um grupo interdisciplinar, constituído por pessoas de áreas diversas no campo das ciências humanas e artes. Até agora, no entanto, estudávamos temas variados na interface Psicologia/Sociologia.

Frente ao enorme retrocesso que estamos vivendo em relação à sexualidade, gênero e diversidade, decidimos concentrar nossos estudos nessa matéria, buscando a troca de conhecimento científico, algum nível de esclarecimento e lucidez.

O grupo está aberto, não há custo. É necessário, no entanto, tempo, desejo e disponibilidade para construir e compartilhar saberes.

sábado, 12 de janeiro de 2019

2019: Clínica Recriando Vínculos Psicoterapia






2018 foi um ano de ampliação da Clínica Recriando Vínculos Psicoterapia. Uma nova sala, mais ampla, aconchegante e iluminada. Novos espaços, outros jardins.





Em 2019, dez anos de existência.
Todos serão muito bem vindos!

Grupos de estudo, psicoterapia de casal e família (incluindo crianças), orientação profissional, atendimento psicológico individual. 















"parem
eu confesso sou poeta
cada manhã que nasce me nasce uma rosa na face

parem
eu confesso sou poeta
só meu amor é meu deus
eu sou o seu profeta"

Paulo Leminski

quinta-feira, 10 de janeiro de 2019

Publicação Revista Portuguesa de Psicodrama: Comoção, Ética e Psicodrama - Um Diálogo com Judith Butler

A Sociedade Portuguesa de Psicodrama lançou, em novembro de 2018, mais uma edição da Revista Portuguesa de Psicodrama. Nesta edição de número 9, ISSN 0874-1700-9, foi publicado um artigo de minha autoria, denominado Comoção, Ética e Psicodrama: Um Diálogo com Judith Butler.

É com imensa alegria e satisfação que divulgo a publicação da Revista e dos artigos nela contidos,  cujo acesso para leitura online só é possível em formato pdf, tendo em vista que a edição é apenas impressa. No link abaixo, é possível conhecê-la e acessá-la:

https://tatadramablog.files.wordpress.com/2018/12/2018-novembro-revista-de-psicodrama-nc2ba9-da-sociedade-portuguesa-de-psicodrama.pdf


 Além do Editorial, no Sumário são apresentados os seis artigos com os respectivos autores, incluindo outros colegas brasileiros. O texto Comoção, Ética e Psicodrama é o último da edição, a partir da página 77.

Segue o Resumo:
O texto que se apresenta consiste em uma reflexão acerca da ausência de comoção na sociedade, especificamente em relação às populações consideradas como minorias, violentadas cotidianamente pela mídia e por políticas de Estado que perpetuam o extermínio. Quais são os mecanismos que promovem a indiferença para com os meninos negros, mortos repetidamente pela polícia nas periferias brasileiras? O Psicodrama tem condições de contribuir com esta discussão? Trata-se de uma questão ética? Para problematizar tal temática, o trabalho se fundamenta nos argumentos da filósofa Judith Butler, propondo um diálogo com o Psicodrama, no tocante a alguns de seus princípios e possibilidades de criação.




https://sociedadeportuguesapsicodrama.com/