segunda-feira, 20 de novembro de 2017

A arte que nos reabilita: indicações para a dignidade

Para resgatar a dignidade de todos nós, para cultivar a possibilidade de nos entendermos a todos como seres iguais em humanidade, sem demérito de raças, crenças ou condição sócio econômica; para reconquistar nossa potência de sentir, compartilhar e buscar algo próximo à felicidade, registro duas importantes obras: uma cinematográfica e outra literária.



Eu Não Sou Seu Negro é um documentário avassalador, concorrente ao Oscar deste ano. Apresenta ao público a história dos negros americanos narrada pelos próprios negros. Um filme absolutamente crítico, portanto de difícil digestão, a nos propor questionamentos, incômodos e reflexões.
Creio que as questões tratadas neste documentário são pertinentes ao Brasil também.

Sob um outro prisma, magnificamente lírico, o escritor apaixonante Valter Hugo Mãe nos auxilia a reabilitar uma certa fé no mundo, por intermédio da afetividade nas relações pessoais. Seu romance O filho de mil homens, como tantos outros, toca profundamente nossa sensibilidade, com beleza, poesia, dor e redenção. O nome do protagonista de O filho de mil homens já indica do que se trata: Crisóstomo.
Boa leitura!



"Em poucos dias, todos o conheciam na vila. Era o pescador de filhos. Diziam que andava pelas casas à pesca de filhos e alguns, para brincarem com ele ou para o magoarem, mandavam-no ao mar, que um pescador era bicho para a água e lá era que havia peixe."

quarta-feira, 15 de novembro de 2017

Ética e comoção: diálogos com Judith Butler p.2




















Dando continuidade à proposta da postagem anterior, segue o texto-diálogo com Judith Butler, escrito por mim em 2016 para o Congresso Brasileiro de Psicodrama, sobre ética, luto e ausência de comoção social.

Ética, Luto e Comoção: um diálogo com Judith Butler - Segunda parte


Nossos Mortos Têm Voz: Um Grito Por Justiça
Atualmente, com expressão internacional, o Movimento Mães de Maio (SP) conclama que "Os Nossos Mortos têm Voz". Formado por mulheres cujos filhos foram assassinados por policiais militares a partir de 2006, o grupo vem conseguindo criar uma outra narrativa para a morte de seus filhos, na luta por reconhecimento da vida que eles perderam. Trata-se de uma luta política, mobilizada pela indignação e pela dor de perda irreparável, buscando sensibilizar a sociedade para que se importe, para que não permaneça indiferente. 
Através da internet e de apoios de outros grupos, as Mães de Maio constituem uma frente de resistência, promovendo um novo enquadramento em relação à morte e à vida de seus filhos assassinados, desestabilizando, pois, o enquadramento dominante feito pela mídia impressa e televisiva. Falar sobre os seus mortos, nomeá-los, narrar a vida deles e a dor por perdê-los é uma forma de instaurar certo luto público, obstruído pelo Estado e pelos meios de comunicação. Assim, essas mulheres guerreiras vêm conseguindo indignar e comover uma parte da sociedade, que vive sob o controle das políticas de comoção regulando os afetos.

      Conforme já explicitado, a comoção é seletiva e tal seletividade ocorre por meio dos enquadramentos. Por isso sentimo-nos tocados com certas tragédias e não com outras; antes, muitas vezes achamos justo que certas pessoas morram. Nossas respostas afetivas e morais, portanto, estão subordinadas a normas de poder e controle. Se quisermos modificar estas respostas, precisamos entender quais são os esquemas interpretativos que nos condicionam a sentir comoção por determinados povos e pessoas e indiferença por outros. O fato de nos sentirmos ameaçados, por exemplo, é um dos fatores que viabiliza a indiferença e o ódio.
 Em função dos enquadramentos propostos pelas imagens elegerem, em geral, bons e maus, mocinhos e bandidos, estabelece-se uma lógica binária, mortífera e excludente sobre o direito à vida, aos grupos e à sociedade. Se os pobres da periferia são bandidos, devem mesmo morrer, posto que ameaçam nossas vidas! Se os muçulmanos são terroristas, é justo que os EUA os assassinem! Estas são justificativas a criar sentidos legitimadores para assassinatos e genocídios que estão sendo cometidos diariamente por agentes do Estado. A partir destes sentidos, certas populações perdem o reconhecimento da própria vida por uma grande parcela da sociedade, enquanto se fortalecem no interior da comunidade que habitam, amparadas entre si por uma solidariedade resiliente. Afinal, essas pessoas não estão mortas, existem criativamente. Por estarem vivas, sentem-se indignadas ao terem negadas suas condições de sobrevivência e seus direitos básicos.
Não obstante, o ciclo interminável da guerra vem alimentando, indiscriminadamente, violência para todas as vidas, mesmo as nossas, reconhecidas. Somos todos vulneráveis à destruição, estejamos em qualquer lugar do mundo. Há uma relação de interdependência entre os povos, algo que não tem sido problematizado. Julgar-se impermeável e invulnerável é um erro estratégico das nações imperialistas, porém é baseado neste erro que políticas de Estado são desenvolvidas e implementadas. Faz-se necessário, no presente momento, reconsiderar: somos todos vidas precárias porque dependemos uns dos outros tanto para viver quanto para morrer. Temos o poder de garantir a vida um ao outro, tanto quanto temos o poder de destruir a vida um do outro. 
Promover essa compreensão que reconhece a condição generalizada de precariedade para todos os humanos é um passo importante na construção de uma ética global mais responsável. Romper a cisão entre vidas enlutáveis e não enlutáveis, propondo e criando enquadramentos nessa direção é uma tarefa de todos nós, cidadãos de qualquer país. Para essa empreitada é preciso conhecer e valorizar a função dos nossos sentidos. Os enquadramentos aos quais estamos sujeitos impactam principalmente nossos aparelhos perceptivos inconscientes. Somos absorvidos por uma determinada imagem que nos causa comoção ou repulsa, dependendo da narrativa que se produz dentro do enquadramento imposto. Sendo assim, é também através dos sentidos que se podem criar outros referenciais de entendimento acerca do mundo que nos rodeia. Daí a importância da linguagem artística.

Arte e Resistência
Muitas fotografias e poesias são responsáveis por despertar o sentimento de comoção em relação às populações cujas vidas são as mais precárias e vulneráveis do planeta. Há constantes polêmicas sobre imagens chocantes que circulam o mundo, especialmente através da internet, revelando as condições de subumanidade em que grupos de pessoas vivem e morrem. Essas fotos criam uma capacidade de resposta afetiva/moral ou não? Podem nos comover e nos instigar a responder de outra maneira? O que dizer das imagens recentes sobre os refugiados morrendo no mar ou dos moradores de rua sucumbindo ao frio em SP? E dos prisioneiros nas penitenciárias brasileiras? As fotos dos detentos da Baia de Guantánamo, publicadas desde 2004, criaram comoção? O livro recém lançado, Diário de Guantánamo (2015), fez grande sucesso nos EUA, denunciando mais uma vez a injustiça do estado de exceção lá estabelecido.
No início deste século, o Pentágono americano justificou a censura aos poemas escritos pelos prisioneiros de Guantánamo - divulgados através das redes de ativistas de direitos  humanos -, declarando que a poesia é um risco para a segurança do país devido ao conteúdo e à forma em que se apresenta. Por que? Será que os poemas revelam atrocidades e barbáries cometidas pelos arautos da democracia? Para Butler, sem dúvida alguma os poemas exaltam as possibilidades de resistência:  

Como uma rede de comoções transitivas, os poemas – na sua criação e na sua disseminação – são atos críticos de resistência, interpretações insurgentes, atos incendiários que, de algum modo e inacreditavelmente, vivem através da violência à qual se opõem, mesmo que ainda não saibamos em que circunstâncias essas vidas sobreviverão. (Butler, 2015, p. 97)

No Brasil, muitas têm sido as formas de apresentar modelos diferenciados de interpretação da realidade, que confrontem as narrativas dominantes, sendo que a internet é o veículo principal para a difusão desses novos olhares. Poderíamos citar também a literatura marginal, uma produção artística de autores que vêm da periferia, tal como Sérgio Vaz, poeta reconhecido por organizar saraus em SP e Ferréz, escritor consagrado de romances que contam as trágicas histórias das “quebradas”.

Um dia o menino não tem o que comer, é faminto. Noutro, não tem onde morar, é de rua. Outro dia lhe falta família, é órfão. Adiante trabalha numa usina de carvão, é escravo. Agora pouco, com revólver na mão, era príncipe pé na bola, rei. Um dia inteiro de uma vida cabe dentro da eternidade do menino. Num dia nasce, vive e morre. Depois vira filme nas mãos de um outro menino que o socorre. (VAZ, 2006, p. 32)

Todas essas expressões formam circuitos de interação que se articulam em redes, buscando reivindicar a vida ao amplificar a comoção, sentimento que nos mobiliza no acolhimento para com a dor do outro. É preciso, cada vez mais, estimular e ampliar a participação dos cidadãos nestas redes de alteridade. 

Finalizando
No contexto da pós modernidade, o desafio de conceber uma ética global, que reformule o conceito de responsabilidade frente às condições precárias das populações sacrificadas é urgente. Para isso, contudo, há que se criar novos mecanismos de percepção e sentido, questionando e perturbando as narrativas dominantes. O potencial das linguagens artísticas e das novas mídias pode incentivar enquadramentos outros, voltados para o enfrentamento dos sistemas de poder da sociedade. A criação incessante de alternativas, direcionadas à construção de um projeto ético capaz de contemplar todas as vidas precárias e assim confrontar a barbárie, necessita ser proclamada como uma incumbência e um dever de todos nós, cidadãos e políticos, seres humanos enfim, que partilham a vida em comum neste planeta Terra.  


domingo, 5 de novembro de 2017

Ética e comoção: diálogos com Judith Butler p.1




















Em função da histeria nas redes sociais, promovida por grupos ignorantes que tentam impedir a participação de uma importante filósofa americana no Evento do SESC Pompéia a partir do dia 7/11, denominado Os Fins da Democracia, publico o texto que escrevi em 2016 para o Congresso Brasileiro de Psicodrama, sobre ética, luto e ausência de comoção social. A publicação será realizada em 2 postagens. 

Judith Butler, é imprescindível esclarecer para quem não conhece sua obra, foi uma das filósofas que discutiu as teorias de gênero e sexualidade nos anos 80 e 90, propondo novos conceitos e abordagens sobre o tema. No século XXI, Butler vem se debruçando acerca de outras questões, especificamente sobre ética, populações em condições precárias de sobrevivência, ausência de luto e comoção. No evento do SESC, a filósofa estará lançando os livros Caminhos Divergentes: Judaicidade e Crítica do Sionismo e A Vida Psíquica do Poder: Teorias da Sujeição. 


Ética, Luto e Comoção: um diálogo com Judith Butler - Primeira parte


           Do Princípio: Alguém Se Importa?
Há uma guerra permanente e invisível ocorrendo em diversos espaços urbanos praticamente militarizados, de países como o Brasil, EUA, França e muitos outros. O tema deste texto busca dar visibilidade e colocar em discussão a violência que incide notadamente sobre os habitantes desses espaços periféricos, a saber, as minorias negadas do submundo desumanizado, das “quebradas” assassinas que a sociedade criou e perversamente mantém. Qual seria o percurso necessário para viabilizar um debate tão urgente? Discutir a ética, refletindo sobre qual a nossa responsabilidade frente ao mundo?
Primeiramente é preciso que nos perguntemos se ficamos ou não comovidos diante do que alguns filósofos, como Giorgio Agamben (2004), denominam “estado de exceção permanente”, confirmado pela Anistia Internacional Brasil, que vem alertando para a grave situação das periferias, nas quais ocorre um genocídio de populações marginalizadas e pobres. As vítimas deste genocídio são especialmente jovens meninos negros, assassinados pelos agentes do Estado policial brasileiro. Em um dos informes divulgados pela Anistia, Átila Roque, diretor da organização, conclama a sociedade para que se posicione. Afirma ele que não há comoção alguma por parte dos cidadãos a respeito das diárias mortes desses meninos pobres. Predomina a indiferença absoluta, o que acaba por autorizar os assassinatos.
A pergunta é inquietante: por que não nos comovemos? Quais são os mecanismos que garantem a indiferença e quais as estratégias que poderiam estimular uma outra percepção desta violência, abrindo perspectivas para a comoção? Seria necessário um posicionamento político-ideológico dos cidadãos, a fim de construir uma nova ética?

Dialogando: Enquadramento, Luto e Comoção
Judith Butler, filósofa americana, autora de diversos livros importantes sobre o assunto em pauta, problematiza questões relacionadas à ética e à ausência de luto público acerca das mortes cujas vidas não têm valor na sociedade ocidental, portanto não comovem. Butler (2015), especialmente em Quadros de Guerra: quando a vida é passível de luto?, discute os enquadramentos que impossibilitam a sensibilidade para com tais mortes, propondo novos olhares e apresentando outras possibilidades de compor a percepção, que não desprezem o que chama de “vidas precárias”.
 A discussão proposta pela filósofa contribui sobremaneira com a temática, na medida em que advoga por uma ética que não seja excludente, mas ao contrário, que venha garantir a proteção das vidas mais precárias, reconhecendo-as como vidas. Esta ética implica no princípio de que toda vida é precária e para mantê-la faz-se necessário criar permanentemente condições sócio políticas de sustentação, manutenção e proteção. Por que tais condições inexistem em relação a determinadas populações?
Dialogar com Butler propicia refletir se é possível promover novos enquadramentos, que amplifiquem a comoção social diante das mortes daqueles considerados indignos de vida. Para isso, apreender o conceito de enquadramento que ela preconiza é algo imprescindível. O que significam tais enquadramentos e como funcionam? Judith Butler se filia à obra de Michel Foucault, logo toda sua filosofia tem por base a concepção de normatividade. Sendo assim, enquadramentos são entendidos como molduras sócio culturais que direcionam nossa interpretação sobre o mundo, a partir de normas definidas antecipadamente.
Os mais potentes enquadramentos a formar e definir molduras que delimitam nossos afetos e valores, sobre a vida e sobre a morte na sociedade, se dão através da imagem. As imagens são potências interpretativas e narrativas, contendo normas das quais nem sempre nos damos conta. Vejamos o exemplo do telejornalismo brasileiro: qual a narrativa produzida pelos jornais de televisão a respeito dos moradores da periferia?
Em geral, nos jornais da TV brasileira os negros e pobres são literalmente enquadrados pela polícia, como se fossem todos bandidos. Se a priori são publicamente enquadrados como bandidos, passam a representar para a sociedade uma ameaça à vida humana, o que justifica e legitima, portanto, a perseguição e o assassinato frequente pela polícia. As imagens diárias transmitidas pela TV emolduram/enquadram essa população como constituindo vidas que não são exatamente vidas, que não têm o reconhecimento de “vivíveis”, que podem/devem ser destruídas. Trata-se, assim, da construção social e imaginária de uma população que deve morrer: suas vidas não valem como vidas, não têm consentimento de “vida a ser vivível”.
Segundo Butler (2015), este é o enquadramento produzido para diversas populações civis do globo terrestre. Ela denomina “populações sacrificadas” - os muçulmanos, os refugiados, os homossexuais e transexuais, imigrantes, indígenas, doentes mentais. Tais enquadramentos são guiados pela normatividade da lógica do extermínio, que inclui a negação do luto como estratégia de dominação.

 Essas populações são “perdíveis”, ou podem ser sacrificadas, precisamente porque foram enquadradas como já tendo sido perdidas ou sacrificadas; são consideradas como ameaças à vida humana como a conhecemos, e não como populações vivas que necessitam de proteção contra a violência ilegítima do Estado, a fome e as pandemias. Consequentemente, quando essas vidas são perdidas, não são objeto de lamentação, uma vez que, na lógica distorcida que racionaliza sua morte, a perda dessas populações é considerada necessária para proteger a vida dos “vivos”. (BUTLER, 2015, p. 53)

A guerra diária com a qual não nos comovemos é sustentada e legitimada por estes enquadramentos, que regulam nossa percepção e nossa interpretação da realidade. Frente à tal moldura, não nos importa a morte dessas pessoas: por elas não nos responsabilizamos nem nos interessamos, posto que não as reconhecemos como vidas.
Butler nos ajuda a questionar, porém, a cisão entre estas vidas – que não devem ser vividas e carecem de luto quando são perdidas – e as vidas que podem ser vividas, merecendo luto público. Sua reflexão discute a condição da mortalidade como um vetor de força a agir pela preservação da vida.

 É exatamente porque um ser vivo pode morrer que é necessário cuidar dele para que possa viver. Apenas em   condições  nas quais a perda tem importância, o valor da vida aparece efetivamente. Portanto, a possibilidade de ser  enlutada é um pressuposto para toda vida que importa. (BUTLER, 2015, p. 32)

As populações sacrificadas, por estarem destinadas à morte, por não terem suas vidas reconhecidas como vidas, tornam-se não passíveis de luto. Isto significa que no consenso geral da sociedade, entende-se que existem vidas cujo pressuposto é de que, quando se acabarem, serão lamentadas justamente porque foram vividas, tiveram importância, e por outro lado existem vidas que não contêm esse mesmo pressuposto, vidas que não serão enlutadas quando perdidas porque nem são, a priori, consideradas como vidas vivíveis. 
Pode-se afirmar, nesse sentido, que há uma regulação do luto através de enquadramentos realizados cotidianamente pela mídia, o que implica na grande responsabilidade desta em promover ou impedir a comoção social. As vidas passíveis de luto são nomeadas, narradas e noticiadas. Por outro lado, as vidas pelas quais não devemos nos comover e lamentar são desprezadas, esquecidas ou investidas de ódio pelas narrativas cotidianas da tv.

   A distribuição desigual do luto público é uma questão política de imensa importância. Tem sido assim desde, pelo menos, a época de Antígona, quando ela decidiu chorar publicamente pela morte de um de seus irmãos, embora isso fosse contra a lei soberana. Por que os governos procuram com tanta frequência regular e controlar quem será e quem não será lamentado publicamente? (BUTLER, 2015, p. 65)

Os exemplos dessa distribuição desigual do luto são infindáveis! As populações da África são massacradas todos os dias pela guerra, mas não têm nome nem rosto. Os palestinos também, os refugiados, os transexuais, os presos de Guantánamo, sequestrados sem julgamento e os muçulmanos assassinados pelos drones americanos. Os encarcerados brasileiros, os insanos mentalmente e os jovens negros da periferia, nenhum deles comove. Não há indignação porque não há luto público. O luto se relaciona diretamente com a comoção, abrindo a possibilidade de outras respostas afetivas que não a indiferença. Vale ressaltar: quando um atentado terrorista ocorre na Europa, como foi o caso de Paris em 2015, a comoção é generalizada, pois há uma cobertura da mídia favorecendo tal disposição de sentimentos. Esta mesma cobertura não é realizada em outras situações e países.


NOTA: 
1. Todas as citações referem-se ao livro de Butler, Quadros de Guerra: quando a vida é passível de luto?
2. O texto seguirá na próxima postagem.        

domingo, 22 de outubro de 2017

Filme Doc: a construção da masculinidade



Encontra-se no Netflix este reflexivo e necessário documentário sobre a construção da masculinidade, que em última instância acaba propiciando os altos índices de violência em que vivemos.

O documentário é norte americano e os números apresentados referem-se aos EUA, porém, podem ser extrapolados ao Brasil, em que aproximadamente mais de 20 jovens por dia são mortos, na faixa de 12 a 26 anos, especialmente homens e negros.

A relação entre os meninos e seus pais - não mães - é destacada, bem como a cultura da violência, em que estes meninos são incentivados a resolver os problemas através da agressão aos próprios amigos e familiares. Um filme que merece nossa atenção e discussão.

sexta-feira, 13 de outubro de 2017

O amanhã da infância

Hoje eu gostaria muito de comemorar a infância de todas as crianças com olhos brilhantes de alegria. Gostaria de distribuir abraços calorosos, plenos de esperança em um futuro mais decente.

Hoje eu gostaria muito de pronunciar as mais belas palavras, repletas de sol e doçura, para aqueles que nasceram depois de mim. Gostaria de acolhê-los partilhando sonhos e força no amanhã.

Hoje eu gostaria muito que as lágrimas de todos nós fossem de amor e não de solidão, de ternura e não de ódio. Gostaria que nos dispuséssemos a nos comover com nossos pequenos e, quem sabe, aprender esse difícil exercício de se colocar no lugar do outro.

Hoje eu gostaria muito de contemplar crianças e adolescentes cujas existências significam mais do que os sentidos fúteis e consumistas que os shoppings proporcionam. Gostaria de encontrá-los em baladas artísticas e educativas, apoiadas por adultos, para criar maneiras novas de questionar o mundo.

Hoje eu gostaria muito de poder dormir sabendo que nenhuma criança passa fome no planeta, que ninguém dorme na rua nem fica sem escola, que meninas podem andar por onde quiserem sem o perigo de serem estupradas, que os pais não abusam de seus filhos, porque enfim, todos entenderam que o deus dinheiro, o deus destruição, o deus perversão não valem a pena.

Eu gostaria muito, ainda, de terminar este pequeno texto com algum alento... para mim e para os leitores. Neste contexto neoliberal e pós moderno de destruição absoluta dos direitos básicos humanos, no qual se estimula em nível máximo a ignorância e a pós verdade, tão somente o que nos resta é a coragem de tentar, de inventar, de criar e não desistir.

Para isso, claro, as crianças e os jovens sensíveis, amorosos, preocupados com a dor humana, são sempre bem vindos: mais inteligentes, vitalizados e entusiasmados do que qualquer adulto! 
Fiquemos juntos.


quinta-feira, 5 de outubro de 2017

Ciclo de Debates Opressões

Teve início neste dia 4/10, o Ciclo de Debates Opressões, no SESC Piracicaba. 












“Infelizmente, ainda vivemos em uma sociedade estruturada pelas opressões que perpetuam desigualdades e ceifam sonhos. Como diria Manoel de Barros: “é preciso TRANSVER o mundo”, superar as mazelas que assolam as relações dos homens e mulheres e descortinar o horizonte em esperança, dedicação e mudança. 

Para contribuir nesse incessante desafio, o Sesc traz em sua programação o Ciclo de Debates Opressões. Por meio da arte e debates provocaremos os presentes a refletirem sobre racismo, LGBTfobia, questão indígena, machismo e a crise dos refugiados.
Estás preparad@ para a reflexão?

O ciclo de debates, organizado por professores estaduais de Piracicaba, acontecerá ao longo dos meses de outubro, novembro e dezembro, durante cinco noites não consecutivas, em cada noite abordando um tema específico
Não dê bobeira e fique de olho nas datas e temas!

- 04/10: Questão Indígena
- 25/10: Violência e Discriminação contra a comunidade LGBT
- 26/10: Gênero e feminismo
- 23/11: Negritude
- Refugiados contemporâneos (dia não confirmado - 1ª quinzena de dezembro)

Em todas as noites o evento acontecerá das 19h30 às 21h30, gratuitamente, no teatro do SESC Piracicaba.”