sexta-feira, 12 de janeiro de 2018

Saúde Mental: uma reflexão necessária

Terminamos 2017 e iniciamos 2018 com muitos temas sendo debatidos nacionalmente. Um destes temas, de extrema importância, é o da saúde mental.
A primeira questão diz respeito às mudanças que o Ministério da Saúde e o Governo Federal estão impondo à sociedade brasileira, caracterizando amplo retrocesso na área, frente às conquistas que foram realizadas desde o início dos anos 2000, quando ocorreu a Reforma Psiquiátrica.

A Reforma Psiquiátrica teve o grande mérito de modificar a visão sobre o doente mental e, a partir disso, privilegiar o tratamento anti-manicomial, investindo em ambulatórios de saúde mental que promovem a integração do sujeito na sociedade, com atividades e medicação apropriadas. A internação é o último recurso a ser utilizado, posto que favorece a segregação e o isolamento.
Este modelo de atendimento em saúde mental tornou-se referência mundial, é recomendado pela OMS (Organização Mundial da Saúde) e tem sido exportado para outros países. Por questões políticas, neste momento tal modelo encontra-se ameaçado e nós corremos o risco de retroceder décadas ou séculos na história, infelizmente.

O posicionamento do Conselho Federal de Psicologia pode ser visto através do link:


Com o intuito de ampliar a discussão sobre o assunto, gostaria de lembrar e recomendar a visita à Ocupação Nise da Silveira, que permanece até o dia 28/01 no Itaú Cultural de São Paulo. 
Nise da Silveira foi uma distinta e magnífica psiquiatra, investigadora da alma, precursora da abordagem junguiana no Brasil. Destacou-se no século XX pelo fato de ser mulher em ambiente masculino, como mostra a foto abaixo, registrando sua formatura em medicina no ano de 1926.


Felizmente o trabalho dela vem sendo cada vez mais reconhecido. Sua vasta obra orienta profissionais da saúde mental no caminho da liberdade e da arte, com a finalidade de cuidar dos pacientes que demandam atenção especializada, sem discriminá-los. Nise se insurgiu contra os absurdos da internação psiquiátrica e criou um método de atendimento focado no afeto, na expressão artística plástica e no contato com os animais.
Creio que se esta grande e admirável pessoa, mulher e profissional estivesse viva, teria a oportunidade, mais uma vez, de se rebelar contra retrocessos absurdos que estão ocorrendo no Brasil. Lutemos como ela lutou, criemos como ela criou!

Site da Ocupação:

Fotos da exposição, apresentando obras de arte dos pacientes de Nise da Silveira:




Para encerrar o texto, divulgo a belíssima Campanha Janeiro Branco, que estimula todos a refletirem sobre a própria saúde mental e priorizarem a qualidade das relações humanas, da afetividade e da alteridade. Vale a pena conhecer o site da Campanha:



sábado, 30 de dezembro de 2017

sexta-feira, 22 de dezembro de 2017

Aos que estão nascendo, sejam bem-vindos!

Desejar Feliz Natal e um Novo Ano de Paz é tarefa árdua se optarmos pela sinceridade e pela honestidade. Não pela falta de desejo, mas pelo vazio do significado.

Ao terminar um ano tão difícil e doloroso como 2017, faltam-nos palavras e energias para expressar nossa fé no futuro. Estou errada?

Proponho-me então esse enorme desafio, que implica em dar uma chance a mim mesma e aos outros seres humanos, próximos e distantes, de viver numa sociedade mais solidária, compreensiva e acolhedora, já que somente nesta é que será possível realizar-se algo que temos denominado felicidade. Sim, parto desse pressuposto, de que a paz e a felicidade não são "estados de espírito" apenas individuais, são "modos de ser" coletivos.

Com esse propósito, escrevo uma pequena carta aos que nascerão em 2018, incluindo especialmente meu sobrinho ou sobrinha que se encontra a caminho.



Para você que está chegando
Não se espante: seja bem-vindo!

Por aqui há misérias de toda ordem,
Mas há também amor, coragem e perseverança.

Há cores de matizes infinitas
E pessoas de todos os jeitos, formas e expressões.

Há belíssimas árvores com flores magníficas
E fascinantes obras de arte criadas pelos humanos.

Tenho certeza, você vai se encantar!

Há tanta beleza para ser apreciada e descoberta,
Que nós, habitantes deste planeta água e terra, 
Muitas vezes nos esquecemos.


Precisamos de novos seres para nos lembrar que existimos!

Existir é cuidar, é estar presente no mundo em relação com o outro,
É acolher, escutar e dialogar.

Existir é criar, inventar o que for preciso
E desistir daquilo que não serve mais.

Tenho absoluta convicção,
A sua presença em nosso mundo é um ato de resistência:
resistência ao ódio desmedido, resistência ao fracasso humanitário.

Não quero cultivar expectativas sem limites,
Mas não posso deixar de comemorar sua vinda e sua vida.

Estarei aguardando, com carinho e alegria.


 Para Letícia e Guilherme.

quinta-feira, 7 de dezembro de 2017

A Lua e Cidade Colorida: animações preciosas

Duas animações maravilhosas e delicadas, a encantar nossos corações e alegrar nossas vidas no período natalino.
Vale a pena contemplá-las! 



A LUA





CIDADE COLORIDA

quinta-feira, 30 de novembro de 2017

Poema - Qual será nosso futuro?


Corpos fraturados

almas degradadas.

Qual será nosso futuro?


Lágrimas vermelhas 

dores invisíveis.

Qual será nosso futuro?





Seres decompostos

infâncias destruídas.

Qual será nosso futuro?





Qual será nosso futuro?




NOTA: Fotos realizadas em oficinas de fotografia que participei, a partir das quais surgiu este pequeno poema.

segunda-feira, 20 de novembro de 2017

A arte que nos reabilita: indicações para a dignidade

Para resgatar a dignidade de todos nós, para cultivar a possibilidade de nos entendermos a todos como seres iguais em humanidade, sem demérito de raças, crenças ou condição sócio econômica; para reconquistar nossa potência de sentir, compartilhar e buscar algo próximo à felicidade, registro duas importantes obras: uma cinematográfica e outra literária.



Eu Não Sou Seu Negro é um documentário avassalador, concorrente ao Oscar deste ano. Apresenta ao público a história dos negros americanos narrada pelos próprios negros. Um filme absolutamente crítico, portanto de difícil digestão, a nos propor questionamentos, incômodos e reflexões.
Creio que as questões tratadas neste documentário são pertinentes ao Brasil também.

Sob um outro prisma, magnificamente lírico, o escritor apaixonante Valter Hugo Mãe nos auxilia a reabilitar uma certa fé no mundo, por intermédio da afetividade nas relações pessoais. Seu romance O filho de mil homens, como tantos outros, toca profundamente nossa sensibilidade, com beleza, poesia, dor e redenção. O nome do protagonista de O filho de mil homens já indica do que se trata: Crisóstomo.
Boa leitura!



"Em poucos dias, todos o conheciam na vila. Era o pescador de filhos. Diziam que andava pelas casas à pesca de filhos e alguns, para brincarem com ele ou para o magoarem, mandavam-no ao mar, que um pescador era bicho para a água e lá era que havia peixe."