sexta-feira, 24 de março de 2017

Educação na Finlândia: um outro olhar



"Tentamos ensinar-lhes a serem pessoas felizes, a serem... respeitarem-se uns aos outros e a si próprios."

A educação da Finlândia é considerada um exemplo para todo o mundo, pois concebe o ser humano, a sociedade e a infância/adolescência de outra maneira. O vídeo acima é um trecho do documentário de Michael Morre, chamado Where to Invade Next, no qual ele apresenta o que considera as melhores ideias e práticas de diversos países, em áreas e temas diferenciados.
No tocante à educação, a Finlândia foi a eleita, corroborando o entendimento de inúmeros especialistas e instituições educacionais sobre o sucesso deste país no campo da educação (e em muitos outros, diga-se de passagem).

Em meio a tantas discussões a respeito do que é melhor para nossos alunos, assistir esse testemunho da educação na Finlândia nos faz pensar que a grande maioria dos países ocidentais caminha na direção errada. Ao mesmo tempo, ficamos sabendo que outras formas de construir a sociedade são possíveis.


sexta-feira, 10 de março de 2017

Dia Internacional da Mulher: a importância das escritoras

Foi apenas em meados do século XX que as mulheres conquistaram, com muita luta, espaços públicos e privados fora da instituição familiar. Obviamente, nos séculos anteriores, mulheres também foram escritoras, musicistas, artistas plásticas, empresárias e médicas, embora não tenham tido nenhum reconhecimento e visibilidade.
Para marcar a data de 8 de março, Dia Internacional da Mulher, destaco algumas personalidades do universo artístico intelectual feminino que, para mim e muitos outros leitores, foram de extrema importância.


1. Clarice Lispector
Uma das biografias mais interessantes dessa grande escritora judia foi escrita por Benjamin Moser. Para quem é apaixonado por ela, trata-se de uma obra imprescindível.
Os romances A Hora da Estrela e Perto do Coração Selvagem, bastante conhecidos, continuam necessários para trazer à humanidade alguma luz.

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2. Maria Carolina de Jesus
Seu livro Quarto de Despejo - Diário de uma favelada, é um clássico da literatura documental. Escrito em meados dos anos 50, revela o dia-a-dia de mulheres pobres da periferia, oferecendo aos leitores a oportunidade de se tornarem pessoas mais solidárias, empáticas e menos preconceituosas.
A experiência desta leitura é tão difícil quanto necessária, pois a grande mulher e escritora Carolina de Jesus nos conduz pelas dores da fome, da pobreza e das privações materiais básicas para a sobrevivência.

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3. Virginia Woolf
Importante escritora inglesa, muitíssimo reconhecida, retratada em filmes e biografias. Como todos sabem, Virginia se suicidou, deixando obras de riqueza literária inquestionável, como As Ondas, Orlando e Ao Farol. Momentos de Vida, no entanto, é o livro que reúne textos autobiográficos e memórias da escritora. Para conhecer sua subjetividade de uma forma singular, vale a pena a leitura.

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4. Silvia Plath
Escritora e poetisa norte americana que também se suicidou, Silvia Plath escreveu poemas belíssimos e romances inesquecíveis, como A Redoma de Vidro, no qual relata sua angústia diante da vida, de maneira intensa e dilacerante.

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5. Hilda Hislt
Tantas foram as obras de Hilda Hilst, escritora e poetisa brasileira, mulher de encanto, fascínio e transgressão, que fica difícil citá-las. Por isso, registro o site oficial de Hilda, aberto a visitas fascinantes e sedutoras: http://www.angelfire.com/ri/casadosol/hhilst.html

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6. Simone de Beauvoir
Filósofa francesa de grande destaque, Simone de Beauvoir teve um importantíssimo papel na revolução feminista do século XX. Escreveu romances e obras teóricas, com ênfase para O Segundo Sexo, considerado um clássico do feminismo. Cerimônia do Adeus e A Convidada, dentre muitos outros livros da escritora, contêm narrativas de sua própria vida.

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7. Hannah Arendt 
Um dos livros mais estudados e comentados desta filósofa judia alemã, que morou e morreu nos EUA, é Eichmann em Jerusalém, no qual ela relata o julgamento de Adolf Eichmann, um nazista que dirigia caminhões com judeus para os campos de extermínio. Hannah Arent discutiu e refletiu, neste e em outros livros, a questão do totalitarismo e do nazismo. Seu conceito sobre banalidade do mal até hoje inspira reflexões acerca do mundo contemporâneo em que vivemos.

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8. Nise da Silveira
Uma psiquiatra alagoana do início do século XX, revolucionando a medicina! Nise viveu até 1999, foi homenageada recentemente com o filme brasileiro Nise, O Coração da Loucura. Sua biografia, escrita por Luis Carlos Mello, chama-se Nise da Silveira - Caminhos de uma psiquiatra rebelde.
Nise foi pioneira em pesquisas e práticas que utilizam as artes plásticas como terapia para doentes mentais, fundamentando-se em Carl Jung, criador da psicologia analítica.
Para atuar e inovar a medicina, no entanto, Nise foi guerreira em um tempo no qual as mulheres ainda não tinham o direito de existir profissionalmente. Enfrentou muita resistência dos colegas médicos para tornar-se uma personalidade respeitável e admirável.
Um dos livros mais importantes de Nise é Imagens do Inconsciente.

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sábado, 4 de março de 2017

CFP: Proteção de Crianças e Adolescentes


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Conselho Federal de Psicologia informa: 

"A luta em defesa do bem-estar de crianças e adolescentes ganhou mais um reforço com a aprovação pelo Plenário da Câmara Federal, no dia 21/2, do Projeto de Lei nº 3.792/2015, que institui um sistema de garantia de direitos das vítimas ou testemunhas de atos de violência.
Com importantes contribuições das entidades que representam os profissionais da Psicologia e Serviço Social, o texto final do PL trouxe avanços em relação à escuta especializada e ao depoimento especial de forma a diferenciar esses dois instrumentos e preservar crianças e adolescentes de reviver a situação de violência a cada novo relato."  

No site:

quinta-feira, 2 de março de 2017

Moonlight: sensibilidade e delicadeza




Moonlight recebeu, merecidamente, o prêmio de melhor filme no Oscar 2017. Trata-se de uma película delicada, poética, algo melancólica e violenta ao mesmo tempo.

O diretor Barry Jenkins foi extremamente competente e sensível ao realizar uma obra de arte que aborda, de maneira peculiar, diversas temáticas importantíssimas de nossa era: a homofobia e o machismo, o racismo e a divisão de classes sociais, o tráfico e a dependência de drogas, as relações familiares, o indivíduo que resiste e simultaneamente é absorvido pela perversão da sociedade em que vivemos.

Um belíssimo filme que nos faz compartilhar nossa própria humanidade com os personagens, especialmente o protagonista em sua trágica narrativa de vida. 

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

A Náusea: uma reflexão sobre os nossos tempos

Há cerca de um ano, na passagem de 2015 para 2016, me aventurei na leitura do romance A Náusea, de Jean-Paul Sartre, livro que estava em posição de espera há décadas. Para um período festivo, não foi uma escolha muito adequada. Trata-se de uma obra existencialista inesquecível, de difícil assimilação e, como o próprio nome anuncia, nauseante.

Sartre, como é sabido, foi um dos maiores filósofos existencialistas franceses do século XX. Autor e escritor importante, destacou-se tanto no cenário literário quanto intelectual e político, além de ter sido companheiro de outra filósofa não menos importante, Simone de Beauvoir.

A Náusea teve sua publicação merecida em 1938, porém foi escrita por Sartre durante toda a década de 30, época em que o nazismo crescia e se expandia. Conta a história de um homem solitário, que depois de viajar por diversos lugares decide se instalar em uma cidade, na qual não consegue se relacionar com as pessoas ao redor. Integrante, ao mesmo tempo em que observador crítico da sociedade e dos costumes, sente-se constantemente mal, com náuseas que nunca se acabam. O romance foi narrado em primeira pessoa, possibilitando que os leitores partilhem com profundidade dos pensamentos e sensações de Roquentin.

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Muitas foram e ainda são as interpretações sobre este livro de Sartre. Obviamente, enquanto filósofo existencialista, Sartre estava discorrendo sobre a ausência de sentido da vida, sobre o tédio e a necessidade dos seres humanos de se reinventarem o tempo todo para se sentirem razoavelmente vivos. Esta visão de mundo foi configurada de maneira peculiar por diversos pensadores da era do fascismo e do nazismo, refletindo o horror e o desespero da época.

Nos anos 30, assim como hoje, o ódio era o “espírito do tempo”. Por isso pode-se considerar A Náusea como uma narrativa absolutamente contemporânea. Quem é que não se sente nauseado, aflito e enjoado com as palavras, as manifestações e as propostas carregadas de xenofobia, racismo, rancor e ignorância que estão cada vez mais em ascensão, tanto nas redes sociais quanto nas relações concretas do dia-a-dia? Quem é que não se incomoda com essas agressões permanentes a destruir vidas, projetos e o futuro da civilização?

Talvez ainda não esteja claro o suficiente que uma sociedade pautada pelo ódio é uma sociedade decadente e doente, do ponto de vista físico e mental. Tanto assim que as estatísticas sobre a depressão e o suicídio crescem assustadoramente, em especial entre os jovens e as crianças do mundo todo. A morte por problemas de coração e outras enfermidades que se relacionam ao contexto sócio emocional também está aumentando.

Em um primeiro momento, não é fácil perceber a conexão entre o ódio e as enfermidades. Para entender este vínculo, consideremos: o ódio é um afeto, um sentimento, uma emoção que faz parte do repertório sensível dos seres humanos. Ele está sempre presente, bem como os outros afetos, tais como carinho, ternura, inveja, medo. Todos esses afetos constituem e se articulam na subjetividade das pessoas e nas relações entre elas. Quando um destes afetos é estimulado demasiadamente e com irracionalidade, seja no campo social da família, da escola, do trabalho ou da mídia, resulta em patologia, implicando sofrimentos e dores.

Atualmente o sofrimento de todos nós, seres da modernidade, relaciona-se a este afeto abjeto: o ódio. Entre pais e filhos, entre casais, entre irmãos, entre amigos, colegas de trabalho, cidadãos de nacionalidades diferentes, de orientações sexuais diversas, de ideologias políticas distintas, de culturas divergentes ou iguais, entre todos nós e também na relação que temos conosco (eu comigo mesmo), habita um ódio que precisa ser contido, revisto, reavaliado, desestimulado, criticado, enfraquecido ou, como diria Freud, sublimado.

A náusea que sentimos é apenas um sinal de que algo não vai bem no "reino da humanidade". Busquemos a reinvenção, um outro destino para nós mesmos, como profere Alberto Caeiro, heterônimo de Fernando Pessoa:

“Tenho náusea carnal do meu destino.
Quase me cansa me cansar.
E vou, anônimo, menino,
Por meu ser fora à busca de quem sou.”

Verso do poema Carnaval.

sábado, 11 de fevereiro de 2017

Filosofia: Foucault por Quem Somos Nós?



O programa Quem Somos Nós dialoga com grandes pensadores da história ocidental. 
Neste vídeo, o filósofo e professor Oswaldo Giacoia Júnior fala sobre Michel Foucault, um dos maiores e mais importantes filósofos do século XX, psicólogo e historiador também.
Enquanto estudiosa da obra de Foucault, apresento este excelente programa a todos os interessados que desejam ampliar seu repertório de conhecimento.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

Heteronormatividade: gênero, ódio e sexualidade

Atualmente, uma das discussões importantes que pauta a agenda educacional, midiática e clínica, diz respeito às transexualidades e gêneros. Há tanta desinformação e preconceito que vale a pena colocar em questão, sempre que possível, esse tema. Infelizmente muitos educadores, agentes de saúde, políticos, religiosos e comunicadores contribuem com a intolerância em relação à diversidade sexual.

Nós, psicólogos, temos uma ética a ser seguida, de acordo com o sistema Conselhos de Psicologia. Algumas informações e materiais interessantes podem ser acessados através do link http://www.crpsp.org.br/comissex/publicacoes.aspx.



Diariamente, pela mídia, acompanhamos o fato de que pessoas são mortas ou violentadas, no mundo todo e principalmente no Brasil, devido a sua orientação sexual ou a sua identidade de gênero, caracterizando, portanto, crime de ódio. Como é possível isso ocorrer em pleno século XXI?

Aprendemos a acreditar que a história da humanidade segue uma linha contínua de evolução, porém se analisarmos com sabedoria, não é o que constatamos. A história é descontínua, há períodos de muita violência que se alternam a outros, mais lúcidos e tolerantes. Hoje vivemos tempos de excessiva discriminação, convivendo em permanente tensão com expressões inovadoras de identidade, de pensamento e de posicionamento político existencial.

Os jovens e adolescentes, em grande parte, se permitem experiências que parecem assustadoras para muitos adultos, embora não se possa afirmar que tais experiências sejam exclusivas da juventude. Desde os anos 60, contudo, em função dos movimentos feministas, as gerações mais novas e as mulheres se encarregaram de propor rupturas aos padrões heteronormativos da sociedade. Também por isso é que, no momento atual, a diversidade se anuncia e se renova continuamente, mesmo com a hostilidade se ampliando no dia-a-dia.

Os próprios conceitos, nas ciências médicas, humanas e sociais, encontram-se em revisão, diga-se de passagem. Será que a identidade de uma pessoa precisa ser fixa e imutável? O fato de alguém mudar de sexo ou de gênero significa possuir um transtorno mental? Por que a homossexualidade ainda gera tanta perseguição?

A construção de uma sociedade mais livre, diversa, justa e responsável depende da nossa disponibilidade e capacidade para questionar a ordem heteronormativa, que nos instiga a ser preconceituosos e rígidos com os modos de viver que não partilhamos, que julgamos estranhos aos nossos. Podemos ser eternos em nossas próprias escolhas - se é que isso é possível -, podemos tentar manter nossos valores morais e religiosos a vida toda, mas não temos o direito de impedir a existência de outras individualidades, outras formas de ser, diferentes das nossas.

E se o ódio por acaso nos invadir, não tenhamos medo nem vergonha, procuremos ajuda para que não nos tornemos seres desprezíveis.