sexta-feira, 14 de dezembro de 2018

Natal: livros para as crianças

Livros para este Natal ? Por que não?
Em tempos tão obscuros, onde o culto à ignorância parece estar se difundindo, é preciso estimular a inteligência e a sensibilidade. 
Deixo como sugestão algumas indicações de leitura que podem ser feitas junto às crianças.




Todos os livros de Ondjaki, poeta e escritor angolano, são fascinantes! Literatura de primeira qualidade, dialoga com as crianças e também com os adultos que gostam do universo lírico. Histórias belíssimas, inventadas com muita criatividade para cultivar a paz e a solidariedade entre as pessoas.





O menino que brincava de ser é um livro cheio de imaginação, tratando delicadamente as questões de gênero e sexualidade a partir da experiência de uma criança. Aborda a reação e o preconceito dos adultos frente às brincadeiras infantis, que representam tentativas de compreender a realidade e se construir a partir dela.





Diversas histórias sobre o medo, criadas por autores diferentes, eis a proposta do livro acima, muitíssimo interessante. Cada narrador destacou aspectos distintos sobre este sentimento tão básico da humanidade e que por vezes atormenta incessantemente os infantes. Medo de dormir, medo de se separar dos pais, medo dos animais, medos que todos temos! Vale a pena a leitura.



 

Troca de pele, Então você chegou... e a família ficou completa! são obras de arte que tratam de adoção. Livros inspirados, ternos e envolventes para cativar o diálogo entre pais e filhos sobre a origem da vida e a construção da família.




Sérgio Capparelli é um autor infanto juvenil destacado e premiado. Nesta obra ele pesquisou cantos e poemas dos povos nativos, traduzindo-os para o português. Obra rara, de intensa riqueza poética e registro histórico ímpar.   


E para os leitores que desejarem, links de leitura com outras sugestões magníficas:




sexta-feira, 23 de novembro de 2018

Gênero e Sexualidade: um diálogo necessário



Está ocorrendo uma enorme confusão e desinformação a respeito de gênero e sexualidade em nosso país. Setores representativos da sociedade, há algum tempo, estão propagando inverdades sobre essa temática tão importante para a vida de nossas crianças e adolescentes. 

A principal teoria sobre sexualidade infantil foi criada por Freud, há mais de um século, causando certos escândalos que julgávamos ter superado. Freud compreendeu que as crianças também possuem fontes de prazer erótico, por determinação biológica, sendo que a primeira delas é a cavidade bucal, através da qual o bebê experimenta o mundo, suga e se alimenta. Não se assemelha ao erotismo adulto, ao mesmo tempo em que é uma forma de libido.

Ao longo do século XX, muitos outros autores e pesquisadores discutiram o desenvolvimento genético/psíquico do ser humano, produzindo o que até hoje tem sido considerado como conhecimento científico na área. Este conhecimento fundamentado e acumulado ao longo de eras não pode simplesmente ser aniquilado em nome de uma pseudo-ciência, uma religião ou uma política ultra conservadora, que alimenta a ignorância, o fanatismo e o sofrimento mental.

Para nós, psicólogos sérios e educadores dedicados ao conhecimento, é ultrajante a difusão desta tal "ideologia de gênero", porque parte de razões absolutamente não científicas, carecendo de qualquer comprovação no campo das ciências. Uma das falácias dos pregadores supõe que não se deve conversar com uma criança sobre sexualidade e diferenças de gênero, pois esse diálogo a induziria tornar-se o que não é, quer dizer, poderia transformá-la em homossexual ou transgênero. 

Como seria possível mudar a orientação sexual de alguém, tendo em vista que a construção da identidade e da sexualidade ocorre em fases precoces da infância, de maneira inconsciente? É em estado de choque que temos acompanhado um nível de obscurantismo nunca antes previsto. Obviamente que há formas adequadas para abordar determinadas temáticas com crianças e adolescentes, estabelecendo limites e recursos apropriados, tanto na família quanto na escola. 

Interessante observar que os jovens, em tenra idade, já têm acesso a internet e outros dispositivos tecnológicos contendo mensagens que abarcam o corpo e a sexualidade, muitas vezes de forma inadequada, provocativa e erotizada em demasia. Até para que tenham condições emocionais e intelectuais de lidar com essas mensagens, faz-se necessário propiciar e garantir a eles informação e conhecimento, educando-os, não aprisionando-os, reprimindo-os ou perseguindo professores.

Diversas pesquisas revelam justamente o contrário do que está se tentando impor: quando os jovens têm mais informação, iniciam a vida sexual mais tarde e se previnem melhor; quando uma criança conhece o seu próprio corpo, tem menos chance de sofrer abusos e violências. Ademais, imprescindível lembrar que cerca de metade dos abusos infantis ocorrem dentro da própria família, portanto não há justificativa para restringir a educação da sexualidade ao universo familiar. Pode-se afirmar ainda, lamentavelmente, que em algumas situações um professor significa a única opção saudável para a vida de uma criança.

Portanto, caríssimos leitores, cultivemos a sabedoria, o conhecimento, o diálogo e o bom senso. Não nos deixemos seduzir pelo culto à ignorância que reina em nossos dias.

segunda-feira, 12 de novembro de 2018

V Congresso de Psicologia: Ciência e Profissão




Está chegando o V Congresso Brasileiro Psicologia: Ciência e Profissão, que será realizado em SP, com o tema Psicologia, Direitos Sociais e Políticas Públicas: avanços e retrocessos.


"Lugar para o encontro da ciência e da profissão, o CBP é o espaço para o diálogo da diversidade da Psicologia no Brasil, onde todas as questões, abordagens e construções da Psicologia se apresentam e são debatidas. A programação, que se estende até 18 de novembro, comprova essa diversidade, incluindo desde simpósios magnos, diálogos (im)pertinentes, minicursos, lançamentos de livros e 6 mil trabalhos nas salas."

Confira a programação no site: 

http://www.cienciaeprofissao.com.br/clique-aqui-e-confira-as-atividades-confirmadas-no-v-cbp/

domingo, 4 de novembro de 2018

Indicações cinematográficas: perda e luto


Para refletir sobre a morte e o luto, dois grandes filmes merecem atenção, dentre muitos outros que poderiam ser também indicados:

Para Sempre Alice, película de 2015, americano. 
Narra a história de uma professora universitária que descobre estar com Mal de Alzheimer. Registra o universo familiar e o processo de diagnóstico da doença. Belíssimo.





O Quarto do Filho, película de 2001, dirigido e interpretado pelo italiano Nanni Moretti. 
Narra a dor e o sentimento de culpa da família, especialmente do pai e psicanalista, que perde o filho adolescente. Triste e comovente.


sexta-feira, 19 de outubro de 2018

Campanha dos Conselhos de Psicologia: #ÓdioNão



Todos os psicólogos e psicólogas são inscritos no Sistema Conselhos de Psicologia, que tem a função de orientar, regulamentar e fiscalizar o exercício profissional. Ao se tornar psicólogo e se inscrever no respectivo Conselho, o profissional é convocado a seguir um determinado Código de Ética.



O Código de Ética da Psicologia tem como um dos princípios a defesa dos direitos humanos, baseado na Declaração de 1948. Por esse motivo, o Conselho Federal de Psicologia e os Conselhos Regionais lançaram a Campanha Nacional de Direitos Humanos, nesta quinta-feira 18 de outubro. 



O tema da Campanha deste ano é #ÓdioNão.








A Psicologia é uma ciência e uma profissão regulamentada, que  tem como missão o cuidado, o respeito e a compreensão do sofrimento das pessoas. Não é admissível que um profissional da área de psicologia trate seus clientes, pacientes ou educandos com preconceito e discurso de ódio.



O apoio a esta Campanha é de suma importância no momento que estamos vivendo.

quinta-feira, 11 de outubro de 2018

LGBTFOBIA em Debate



Dia 20 de outubro as 14:00, em Piracicaba, a Associação Ensino Pré Vestibular Alternativo, conhecido como Cursinho Avante, promoverá mais um debate de extrema importância, com o tema LGBTFobia. O evento é aberto ao público, porém está direcionado especialmente aos jovens estudantes do Cursinho e de outras instituições educacionais da cidade. 

Enquanto psicoterapeuta e educadora, estarei participando da Mesa de discussão e abordando o sofrimento motivado pelo preconceito, pela ignorância e pelo fundamentalismo religioso, que atualmente vem se ampliando. Também será abordado o papel dos psicólogos e psicólogas no combate à lgbtfobia e na construção de uma sociedade na qual a diversidade seja o fundamento.

Em tempos de ódio, neo fascismo e fake news disseminada, um dos grupos mais perseguidos, violentados e mortos são os LGBTs, ou seja, pessoas que não se identificam com as normas de gênero e sexualidade. Tanto a psicologia quanto a psiquiatria não compreendem que estas sejam características de transtorno mental, tratando-se apenas de diferenças pessoais. Mas movimentos ultra conservadores vêm promovendo, insistentemente, ondas de ataques aos grupos ou pares LGBTs. 

A realidade da violência em nosso cotidiano solicita combate e posicionamento, além de estudo, pesquisa e conhecimento. Podemos afirmar, sem dúvida alguma, que a chamada ideologia de gênero não tem qualquer evidência científica, carecendo de lógica, critério e razão. Infelizmente, este argumento falacioso contra a diversidade tem provocado inúmeros equívocos que ampliam a violência contínua aos LGBTs. Por isso precisamos de debates, grupos de estudos e discussões.

A participação será benvinda!

quinta-feira, 4 de outubro de 2018

Barbárie e civilização: quem somos nós?


Nesta semana eu morri um pouco...
Não, eu não morri porque a cada dia que passa fico mais velha e próxima da morte, naturalmente.
Eu não morri porque estou vivendo intensamente todos os instantes,
Não é este o meu morrer.

Nesta semana eu estou morrendo um pouco a cada minuto...
Morro de tristeza ao ver tanta gente insana, pessoas queridas e amadas, tomadas pelo mais sórdido dos afetos: o ódio.
Morro de desesperança ao constatar que a mais bárbara das ideologias se apodera de tantos corpos e mentes: o fascismo.
Morro de desalento ao perceber que seres humanos frágeis e ressentidos são manipulados por líderes incautos, despossuídos de sabedoria e armados pelo totalitarismo.

Quem sobreviverá?
A crueldade é uma marca histórica da humanidade, basta consultar os livros e olhar para as ruínas que habitam nossa alma.
Mas eu morro porque insisto em alguma fé,
Uma certa ternura diante da precariedade do outro,
Da diferença que exclui e violenta.

Muitos clamam pela morte dos semelhantes, daqueles de quem nada se sabe.
Muitos clamam pela tortura dos “indignos”, pelo extermínio de povos e pelo fim da civilização.

Quem somos nós neste imenso planeta Terra para advogar por causas tão deploráveis, a destruir qualquer possibilidade de paz e libertação?
Quem somos nós para pretender que a extinção de um suposto outro, diverso, se transforme em uma nova lei ordenando ações e execuções?
Seríamos seres abjetos e egoístas, tanto quanto julgamos que sejam nossos dessemelhantes?
Quem somos nós?

Não sei como terminar esse poema desabafo.

Mesmo sentindo o ocaso, um desespero tão dolorido e impotente, a vida revela-se.
Há crianças nascendo, há flores inaugurando jardins impensados.
Quem sabe seja apenas uma longa tempestade passageira esse fascismo insurgente, 
Essa cólera indomada de pessoas inconsequentes e alteradas.
Quem sabe seja um sonho esquisito esse anúncio da distopia, presente em tantos livros, filmes e séries.
Quem sabe... eu não sei.

Como tantas mulheres, crianças e jovens, eu temo e resisto.