segunda-feira, 12 de novembro de 2018

V Congresso de Psicologia: Ciência e Profissão




Está chegando o V Congresso Brasileiro Psicologia: Ciência e Profissão, que será realizado em SP, com o tema Psicologia, Direitos Sociais e Políticas Públicas: avanços e retrocessos.


"Lugar para o encontro da ciência e da profissão, o CBP é o espaço para o diálogo da diversidade da Psicologia no Brasil, onde todas as questões, abordagens e construções da Psicologia se apresentam e são debatidas. A programação, que se estende até 18 de novembro, comprova essa diversidade, incluindo desde simpósios magnos, diálogos (im)pertinentes, minicursos, lançamentos de livros e 6 mil trabalhos nas salas."

Confira a programação no site: 

http://www.cienciaeprofissao.com.br/clique-aqui-e-confira-as-atividades-confirmadas-no-v-cbp/

domingo, 4 de novembro de 2018

Indicações cinematográficas: perda e luto


Para refletir sobre a morte e o luto, dois grandes filmes merecem atenção, dentre muitos outros que poderiam ser também indicados:

Para Sempre Alice, película de 2015, americano. 
Narra a história de uma professora universitária que descobre estar com Mal de Alzheimer. Registra o universo familiar e o processo de diagnóstico da doença. Belíssimo.





O Quarto do Filho, película de 2001, dirigido e interpretado pelo italiano Nanni Moretti. 
Narra a dor e o sentimento de culpa da família, especialmente do pai e psicanalista, que perde o filho adolescente. Triste e comovente.


sexta-feira, 19 de outubro de 2018

Campanha dos Conselhos de Psicologia: #ÓdioNão



Todos os psicólogos e psicólogas são inscritos no Sistema Conselhos de Psicologia, que tem a função de orientar, regulamentar e fiscalizar o exercício profissional. Ao se tornar psicólogo e se inscrever no respectivo Conselho, o profissional é convocado a seguir um determinado Código de Ética.



O Código de Ética da Psicologia tem como um dos princípios a defesa dos direitos humanos, baseado na Declaração de 1948. Por esse motivo, o Conselho Federal de Psicologia e os Conselhos Regionais lançaram a Campanha Nacional de Direitos Humanos, nesta quinta-feira 18 de outubro. 



O tema da Campanha deste ano é #ÓdioNão.








A Psicologia é uma ciência e uma profissão regulamentada, que  tem como missão o cuidado, o respeito e a compreensão do sofrimento das pessoas. Não é admissível que um profissional da área de psicologia trate seus clientes, pacientes ou educandos com preconceito e discurso de ódio.



O apoio a esta Campanha é de suma importância no momento que estamos vivendo.

quinta-feira, 11 de outubro de 2018

LGBTFOBIA em Debate



Dia 20 de outubro as 14:00, em Piracicaba, a Associação Ensino Pré Vestibular Alternativo, conhecido como Cursinho Avante, promoverá mais um debate de extrema importância, com o tema LGBTFobia. O evento é aberto ao público, porém está direcionado especialmente aos jovens estudantes do Cursinho e de outras instituições educacionais da cidade. 

Enquanto psicoterapeuta e educadora, estarei participando da Mesa de discussão e abordando o sofrimento motivado pelo preconceito, pela ignorância e pelo fundamentalismo religioso, que atualmente vem se ampliando. Também será abordado o papel dos psicólogos e psicólogas no combate à lgbtfobia e na construção de uma sociedade na qual a diversidade seja o fundamento.

Em tempos de ódio, neo fascismo e fake news disseminada, um dos grupos mais perseguidos, violentados e mortos são os LGBTs, ou seja, pessoas que não se identificam com as normas de gênero e sexualidade. Tanto a psicologia quanto a psiquiatria não compreendem que estas sejam características de transtorno mental, tratando-se apenas de diferenças pessoais. Mas movimentos ultra conservadores vêm promovendo, insistentemente, ondas de ataques aos grupos ou pares LGBTs. 

A realidade da violência em nosso cotidiano solicita combate e posicionamento, além de estudo, pesquisa e conhecimento. Podemos afirmar, sem dúvida alguma, que a chamada ideologia de gênero não tem qualquer evidência científica, carecendo de lógica, critério e razão. Infelizmente, este argumento falacioso contra a diversidade tem provocado inúmeros equívocos que ampliam a violência contínua aos LGBTs. Por isso precisamos de debates, grupos de estudos e discussões.

A participação será benvinda!

quinta-feira, 4 de outubro de 2018

Barbárie e civilização: quem somos nós?


Nesta semana eu morri um pouco...
Não, eu não morri porque a cada dia que passa fico mais velha e próxima da morte, naturalmente.
Eu não morri porque estou vivendo intensamente todos os instantes,
Não é este o meu morrer.

Nesta semana eu estou morrendo um pouco a cada minuto...
Morro de tristeza ao ver tanta gente insana, pessoas queridas e amadas, tomadas pelo mais sórdido dos afetos: o ódio.
Morro de desesperança ao constatar que a mais bárbara das ideologias se apodera de tantos corpos e mentes: o fascismo.
Morro de desalento ao perceber que seres humanos frágeis e ressentidos são manipulados por líderes incautos, despossuídos de sabedoria e armados pelo totalitarismo.

Quem sobreviverá?
A crueldade é uma marca histórica da humanidade, basta consultar os livros e olhar para as ruínas que habitam nossa alma.
Mas eu morro porque insisto em alguma fé,
Uma certa ternura diante da precariedade do outro,
Da diferença que exclui e violenta.

Muitos clamam pela morte dos semelhantes, daqueles de quem nada se sabe.
Muitos clamam pela tortura dos “indignos”, pelo extermínio de povos e pelo fim da civilização.

Quem somos nós neste imenso planeta Terra para advogar por causas tão deploráveis, a destruir qualquer possibilidade de paz e libertação?
Quem somos nós para pretender que a extinção de um suposto outro, diverso, se transforme em uma nova lei ordenando ações e execuções?
Seríamos seres abjetos e egoístas, tanto quanto julgamos que sejam nossos dessemelhantes?
Quem somos nós?

Não sei como terminar esse poema desabafo.

Mesmo sentindo o ocaso, um desespero tão dolorido e impotente, a vida revela-se.
Há crianças nascendo, há flores inaugurando jardins impensados.
Quem sabe seja apenas uma longa tempestade passageira esse fascismo insurgente, 
Essa cólera indomada de pessoas inconsequentes e alteradas.
Quem sabe seja um sonho esquisito esse anúncio da distopia, presente em tantos livros, filmes e séries.
Quem sabe... eu não sei.

Como tantas mulheres, crianças e jovens, eu temo e resisto.


quinta-feira, 27 de setembro de 2018

Esclarecimentos sobre o conceito de fascismo



Este vídeo do Canal Leitura Obrigatória, publicado em fevereiro/2017, explica alguns conceitos do fascismo. Termo que acabou sendo vulgarizado recentemente, mas que merece compreensão ampla. Importante lembrar que um dos elementos das sociedades fascistas é, justamente, o culto à ignorância, o anti-intelectualismo, a destruição do conhecimento. Por isso, façamos o contrário, cultivemos o espírito da sabedoria.   

Boa aula!

quinta-feira, 13 de setembro de 2018

Distopia: o Conto da Aia e Nosso Futuro


Muito tem sido escrito sobre a série The Handmaid's Tale, baseada no romance O Conto da Aia, de Margaret Atwood. Confesso que assisti apenas a primeira temporada e não li o livro. Fiquei encantada com a qualidade artística da obra, incluindo roteiro, interpretação, direção, fotografia, trilha sonora. Não sou fã de séries, mas The Handmaid's Tale me cativou, embora seja de difícil digestão.

A segunda temporada já foi contemplada por muitos fãs e telespectadores, porém eu não tive coragem de me aventurar ainda. Alguns afirmam que a série transformou-se numa espécie de "pornô de tortura misógina", posto que são muitas as cenas de flagelo para com as mulheres. Possivelmente o livro seja uma opção mais interessante, por isso integra a minha listinha interminável de leitura.




Refletir sobre esta obra é fundamental em um momento histórico como o nosso. No Conto da Aia, para quem não conhece, uma parte significativa dos EUA transformou-se em Gileade, sociedade governada por um Estado fundamentalista religioso totalitário, no qual parte das mulheres são escravas sexuais. A taxa de fertilidade encolheu demasiadamente e são pouquíssimas as mulheres férteis, estupradas por comandantes do país em rituais absurdos, com o objetivo de gerar filhos nas castas superiores. Trata-se de uma chocante distopia.

Não se pode ter relações sexuais a não ser para reprodução. Não se pode amar nem paquerar. O controle sobre o corpo e as ações de quase todas as mulheres, com exceção daquelas que fazem parte das classes dirigentes, é absoluto. Qualquer distração leva à morte, tendo em vista que a vigilância militarizada é permanente. 

Os homens que discordam do sistema também são mortos em rituais macabros. Não há qualquer chance de sobrevivência fora da ordem totalitária. As cenas de violência são inúmeras, mas consistentes e reveladoras, a meu ver. 

O que ocorreu no passado para que uma distopia de tamanha proporção se tornasse realidade? Em flashback, vamos sendo informados sobre isso. Tal sociedade fundamentalista totalitária já existiu? Podemos pensar em momentos históricos do Ocidente ou no atual funcionamento das sociedades islâmicas, nas quais as mulheres são legalmente mortas por estudarem ou por se apaixonarem.

E a pergunta mais importante: há condições de que algo parecido aconteça por aqui? A própria escritora e também a produtora/protagonista (Elisabeth Moss) da série afirmaram, em entrevistas, que uma das intenções da obra é denunciar esta possibilidade. Ou seja, assinalar e desvelar os riscos que estamos presenciando no sentido de que a sociedade em que vivemos se transforme em um sistema totalitário. Sinais desse autoritarismo exacerbado podem ser percebidos em inúmeras situações e pronunciamentos de autoridades. Pior: boa parte da população, no Brasil, nos EUA e na Europa, não sabemos se devido à ignorância ou a interesses, aprovam governos e instituições autoritárias.

Sinais de desespero, tristeza e terror, principalmente das mulheres, também crescem dia-a-dia frente à possibilidade da instauração de novas ordens totalitárias. Acompanho crianças e adolescentes muito críticos, quase em estado de pânico devido ao cenário político brasileiro, no qual um dos candidatos a presidente da república, com chances de ganhar a eleição, se pronuncia de forma preconceituosa, racista, misógina e homofóbica, sem qualquer pudor. Meninas de 7 anos de idade estão falando sobre o assunto, indignadas, preocupadas e aflitas.

Felizmente mulheres de diferentes ideologias, etnias, religiões, profissões e classes sociais começaram a reagir e a se organizar contra a barbárie de escolher democraticamente um representante da violência patriarcal machista, cujo romance de Margaret Atwood denuncia. Aguardemos, o futuro permanece aberto.