sexta-feira, 13 de outubro de 2017

O amanhã da infância

Hoje eu gostaria muito de comemorar a infância de todas as crianças com olhos brilhantes de alegria. Gostaria de distribuir abraços calorosos, plenos de esperança em um futuro mais decente.

Hoje eu gostaria muito de pronunciar as mais belas palavras, repletas de sol e doçura, para aqueles que nasceram depois de mim. Gostaria de acolhê-los partilhando sonhos e força no amanhã.

Hoje eu gostaria muito que as lágrimas de todos nós fossem de amor e não de solidão, de ternura e não de ódio. Gostaria que nos dispuséssemos a nos comover com nossos pequenos e, quem sabe, aprender esse difícil exercício de se colocar no lugar do outro.

Hoje eu gostaria muito de contemplar crianças e adolescentes cujas existências significam mais do que os sentidos fúteis e consumistas que os shoppings proporcionam. Gostaria de encontrá-los em baladas artísticas e educativas, apoiadas por adultos, para criar maneiras novas de questionar o mundo.

Hoje eu gostaria muito de poder dormir sabendo que nenhuma criança passa fome no planeta, que ninguém dorme na rua nem fica sem escola, que meninas podem andar por onde quiserem sem o perigo de serem estupradas, que os pais não abusam de seus filhos, porque enfim, todos entenderam que o deus dinheiro, o deus destruição, o deus perversão não valem a pena.

Eu gostaria muito, ainda, de terminar este pequeno texto com algum alento... para mim e para os leitores. Neste contexto neoliberal e pós moderno de destruição absoluta dos direitos básicos humanos, no qual se estimula em nível máximo a ignorância e a pós verdade, tão somente o que nos resta é a coragem de tentar, de inventar, de criar e não desistir.

Para isso, claro, as crianças e os jovens sensíveis, amorosos, preocupados com a dor humana, são sempre bem vindos: mais inteligentes, vitalizados e entusiasmados do que qualquer adulto! 
Fiquemos juntos.


quinta-feira, 5 de outubro de 2017

Ciclo de Debates Opressões

Teve início neste dia 4/10, o Ciclo de Debates Opressões, no SESC Piracicaba. 












“Infelizmente, ainda vivemos em uma sociedade estruturada pelas opressões que perpetuam desigualdades e ceifam sonhos. Como diria Manoel de Barros: “é preciso TRANSVER o mundo”, superar as mazelas que assolam as relações dos homens e mulheres e descortinar o horizonte em esperança, dedicação e mudança. 

Para contribuir nesse incessante desafio, o Sesc traz em sua programação o Ciclo de Debates Opressões. Por meio da arte e debates provocaremos os presentes a refletirem sobre racismo, LGBTfobia, questão indígena, machismo e a crise dos refugiados.
Estás preparad@ para a reflexão?

O ciclo de debates, organizado por professores estaduais de Piracicaba, acontecerá ao longo dos meses de outubro, novembro e dezembro, durante cinco noites não consecutivas, em cada noite abordando um tema específico
Não dê bobeira e fique de olho nas datas e temas!

- 04/10: Questão Indígena
- 25/10: Violência e Discriminação contra a comunidade LGBT
- 26/10: Gênero e feminismo
- 23/11: Negritude
- Refugiados contemporâneos (dia não confirmado - 1ª quinzena de dezembro)

Em todas as noites o evento acontecerá das 19h30 às 21h30, gratuitamente, no teatro do SESC Piracicaba.”

sexta-feira, 22 de setembro de 2017

Homossexualidade e Terapia: a ética profissional



Esta semana, conforme toda a mídia tem divulgado, incluindo os programas de televisão, o assunto da chamada "cura gay" voltou a ser debatido em todo o Brasil. 
Um grupo de psicólogas (os) acionou o Judiciário contra o Conselho Federal de Psicologia, solicitando permissão para realizar "terapias de reversão da sexualidade", um tipo de intervenção que carece de fundamentação científica, produz sofrimento e por isso é proibida no Brasil pelo CFP.

Muitas são as tentativas de esclarecer a população sobre o assunto. Vale a pena seguir o Facebook do Conselho Federal de Psicologia, pois todas as matérias relevantes da mídia estão sendo postadas.

Não é a primeira vez que o CFP é questionado em sua RESOLUÇÃO N° 001/99, que estabelece normas de atuação para os psicólogos em relação à questão da orientação sexual. Seguindo a tendência mundial dos anos 90, no sentido de despatologizar a orientação sexual da homossexualidade, ou seja, de não considerá-la como doença ou perversão, o Conselho, em sua função ética, criou diretrizes para o atendimento psicológico dos indivíduos homossexuais, visando protegê-los do preconceito e da discriminação social que, como estamos testemunhando, também faz parte da categoria dos psicólogos. 
O que isto significa? 

Na prática e no cotidiano da clínica psicológica, é vedado ao psicólogo tratar um paciente homossexual buscando modificar sua sexualidade, "transformando-o" em heterossexual (até porque isso é impossível). Seguir essa conduta clínica é considerado motivo para perder a habilitação do exercício profissional em psicologia.

É importante esclarecer que muitas outras condutas são passíveis de perder a condição do exercício profissional: terapias de vidas passadas, terapias com florais de bach, avaliação psicológica recorrente sem critérios adequados, etc. O motivo do impedimento relaciona-se ao fato do corpo de conhecimento não possuir embasamento científico ou do profissional utilizar de má fé em seu trabalho.
As terapias citadas, bem como a terapia de "reversão da sexualidade", não podem ser incluídas no campo das ciências psicológicas, portanto o psicólogo não tem o direito de praticá-las em nome da psicologia. Este contrato tem o objetivo de proteger os pacientes do exercício inabilitado e inadequado da profissão, o que não significa que outros profissionais, terapeutas não psicólogos, não possam oferecê-la a quem quer que seja.
Exemplo: um pastor ou pastora de uma das igrejas evangélicas propõe "curar" seus discípulos da homossexualidade e para isso desenvolve sessões de aconselhamento e outros tipos de "cura". Nesse caso, não sendo em nome da psicologia, o CFP não tem como interferir, pois trata-se de uma ação no campo da religião. 

A novidade do momento refere-se ao fato do juiz ter acolhido a solicitação deste grupo de psicólogos, abrindo precedentes para alterar a Resolução do CFP, no sentido de permitir e reconhecer a efetividade de uma terapia que não é científica. Os estudos comprovam, em primeiro lugar, que a homossexualidade não é doença, por isso não precisa de tratamento. Tanto na natureza humana quanto na animal existem diferenças de orientação sexual. A Organização Mundial da Saúde -OMS-, bem como as Associações de Psiquiatria no Brasil e no mundo civilizado, excluíram, desde o século passado, a homossexualidade dos manuais de catalogação das doenças mentais. 
É uma pena que não incluíram ainda a Homofobia, esta sim, uma doença que precisa de tratamento!

Felizmente a indignação e a reação contra um retrocesso inacreditável em termos de comportamento humano, ética e sociedade, tem sido gigantesca. A grande maioria dos psicólogos e da sociedade civil encontra-se em estado de choque, posto que esta parecia ser uma questão superada.

Tratar uma pessoa homossexual partindo do pressuposto de que ela é doente e tem que mudar a sua sexualidade implica numa postura anti-ética, indigna e de tamanha falta de lucidez e empatia, principalmente porque pode conduzi-la a um estado depressivo intenso, com ideações suicidas baseadas em sentimentos de culpa, na medida em que a perspectiva de tornar-se heterossexual revelar-se-á um enorme fracasso, que será, evidentemente, atribuído ao próprio indivíduo. 
Um psicólogo de caráter humano, ético e decente não pode pactuar com o aumento do sofrimento de seu paciente, nem com o obscurantismo de uma sociedade que indica estar começando a perder suas conquistas.



Texto muito interessante da BBC Brasil sobre o assunto: http://www.bbc.com/portuguese/brasil-41326931

A tese mais conceituada, na medicina, sobre orientação sexual: https://universoracionalista.org/a-orientacao-sexual-e-determinada-no-utero/

quinta-feira, 14 de setembro de 2017

Uma jornada de saúde mental na Amazônia




Mais um documentário, na área de saúde mental, que merece reconhecimento! Um trabalho inovador, realizado por uma equipe de psicólogos e psicanalistas de SP, junto à escritora e jornalista Eliane Brum. 

A equipe desenvolveu rara intervenção de escuta junto aos Refugiados de Belo Monte - Amazônia -, cidadãos que foram obrigados a se deslocarem das áreas ribeirinhas nas quais habitavam, e por isso acabaram sendo vítimas de diversas patologias. 

O documentário não é uma exposição arbitrária desta população; muito pelo contrário, é o depoimento dos profissionais que tiveram o privilégio de conhecê-los, tratá-los e acompanhá-los por algumas semanas. 

sábado, 2 de setembro de 2017

Leituras educativas: pais e filhos

Muitos pais e educadores sentem-se desorientados em relação às crianças e adolescentes da geração atual. Os livros da psicóloga e escritora Tânia Zagury foram escritos em uma linguagem acessível, sem perda de conteúdo. Por isso, tenho o hábito de indicá-los a todos os interessados.

Temas como falta de limites, disciplina, autoridade, ética, novas tecnologias, escola, cidadania e relacionamento com os filhos são abordados por Tânia Zagury, oferecendo aos leitores novos recursos para lidar com estas situações.
Boa leitura!






http://www.taniazagury.com.br/livros-para-professores/

sábado, 19 de agosto de 2017

Holocausto Brasileiro: um documentário



Holocausto Brasileiro não é um documentário fácil de assistir. Muito pelo contrário, trata-se de uma película de difícil digestão, pois aborda a temática dos manicômios, nos quais as pessoas consideradas doentes mentais eram abandonadas, violentadas e assassinadas por maus tratos.

Baseado no livro de Daniela Arbex, Holocausto Brasileiro investiga e apresenta ao público o terror do Hospital Colônia em Barbacena, MG, uma realidade vivida por muitos outros hospitais de "saúde" mental.

A importância de assistir e divulgar esta obra prima documental reside na possibilidade de criarmos, cada vez mais, recursos críticos e políticos que nos permitam jamais retroceder à práticas bárbaras como essas no atendimento aos portadores de doenças mentais. A reforma psiquiátrica brasileira transformou o modelo de cuidados em saúde mental, mas muitos problemas continuam e outros vêm surgindo. 

Por isso, com a finalidade de manter viva a memória da barbárie para que ela não se repita, Holocausto Brasileiro merece apreciação.