domingo, 24 de março de 2019

Saúde Mental: pela dignidade e humanização

No início de 2019, a equipe de saúde mental do governo federal propôs, através de uma polêmica Nota Técnica, uma série de medidas contrárias à Reforma Psiquiátrica, desenvolvida e ampliada desde o início do século XXI. 

A Reforma Psiquiátrica transformou o modelo de atendimento aos doentes mentais e usuários do sistema público e privado, propiciando maior liberdade, autonomia e dignidade a todas essas pessoas. Foram criadas redes de acompanhamento e amparo, com atividades sócio educativas e artísticas, com equipes multidisciplinares e várias formas de terapia. Um dos objetivos principais da Reforma foi o combate ao encarceramento e à manutenção dos trágicos manicômios e seus métodos letais de lidar com o sofrimento.

É justamente este o grande problema da atual Nota Técnica, visto que ela propõe maior investimento em hospitais psiquiátricos, incluindo a compra de aparelhos eletro convulsivos e, por isso mesmo, menos investimento nos CAPS, que são os centros de atendimentos psico sociais.

Uma das grandes pioneiras desse movimento pela humanização na área de saúde mental, Dra. Nise da Silveira, médica psiquiatra brasileira reconhecida (1905-1999), ainda inspira muitos filmes, documentários, livros, métodos de terapia e práticas institucionais no atendimento a esta população excluída e marginalizada. Hotel da Loucura é um belíssimo documentário de 20 minutos, apresentando ao público o passado e o presente de um espaço que atende doentes mentais. 

Vale a pena se emocionar com Hotel da Loucura para compreender que há caminhos muito mais interessantes e criativos de tratamento, substituindo a prisão de seres humanos.





segunda-feira, 18 de março de 2019

Fazer Arte para Criar: Fronteiras Psicodrama



Divulgação do Fronteiras: ArtePsicodramaFilosofia. Encontro de criação e renovação no Psicodrama, com temas pertinentes a contemporaneidade.
Qual a relação da arte com o Psicodrama? E como atuar e potencializar nossas vidas?
Estarei participando através da coordenação de um Sociodrama: corpos em trânsito, novos modos de existência.


domingo, 10 de março de 2019

Divulgação: Diálogo Digital Psicologia e Mulheres


Dia Internacional da Mulher, 8 de Março. O Conselho Federal de Psicologia, em comemoração à data, promoverá o Diálogo Digital Desafios para avançar as lutas das mulheres: interlocuções com a Psicologia. O debate será transmitido ao vivo pelo site e pelas redes sociais, no dia 19 de março, a partir das 16:00. 

Mais informações: http://bit.ly/DDMulher

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2019

Tito e os Pássaros: pureza e redenção



A animação nacional Tito e os Pássaros (2019) é surpreendente. Dirigida por Gustavo Steinberg e Gabriel Bitar, trata-se de uma narrativa para crianças que emociona jovens e adultos, promovendo uma importante reflexão.

Tito é um menino inteligente, cujo pai cientista está construindo uma máquina para descobrir o segredo dos pássaros, a fim de curar os habitantes da cidade da "doença do medo". Essa doença é contagiosa e se espalha entre as pessoas, transformando-as em pedra. 

O filme me fez recordar o romance de Camus, A Peste, uma metáfora do nazismo ou do fascismo, se quisermos. Mas longe disso, a poética de Tito e os Pássaros, embora de caráter expressionista - portanto carregando tintas brutas e sombrias -, apresenta ao público possibilidades de redenção.

Pássaros e crianças são símbolos de pureza e liberdade, enquanto pedras representam ausência de sentimentos e indiferença. Será que nós, nesses tempos pós modernos regados a ódio, já estamos acometidos da "doença do medo"? E qual o caminho para a cura?

A cura é possível se rememorarmos o passado e compartilharmos nossas histórias, esta é uma das lições do filme. Mais do que isso, não vale a pena contar.

Com uma trilha sonora de fazer inveja a qualquer outra grande obra de arte cinematográfica, Tito e os Pássaros proporciona uma nova viagem ao imaginário empobrecido que experimentamos hoje, contribuindo com algo que parece estar se perdendo: nossa capacidade de sonhar.

Porque precisamos reaprender a sonhar, este é um filme necessário.

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2019

Indicação de leitura: Tudo o que nunca contei


Este é um livro que eu daria de presente a todas as mães e a todos os pais, se pudesse. Como isso não é possível, faço aqui a indicação de leitura, registrando algumas palavras sobre esta bela e instigante obra. 

Escrito por Celeste NG, americana filha de imigrantes chineses, narra a história também de uma família de imigrantes chineses nos EUA dos anos 70. O texto é acessível e empolgante, pois cada capítulo incita o desejo de saber mais.

A protagonista da tragédia familiar é uma adolescente de 16 anos, cuja morte é anunciada nas primeiras linhas do livro. A partir de sua morte é que a história se desenvolve, para o passado, o presente e o futuro. 
Como ela morreu? Teria se matado ou não? Quais os motivos do suposto suicídio?
Quem são seus pais, seus irmãos e seus avôs? De onde vieram? O que conquistaram e o que perderam?

A obra é uma profunda investigação sobre as relações familiares e a influência da cultura nos processos de subjetivação individual, abordando questões relacionadas à classe social, ao casamento entre etnias diferentes, ao papel da mulher na sociedade dos anos 50 e 60 e ao impacto de expectativas inter-geracionais.  

Como se sente uma menina que carrega em suas entranhas o desejo irrealizado de sua mãe, vivendo por ele a ponto de não ter existência própria? Como se sente um menino humilhado por ser asiático numa escola que só tem brancos? Por que ninguém conversa abertamente nesta família, por que não há diálogo franco e redentor? 

Lydia é a filha escolhida de ambos os pais, que desdenham os outros filhos para ampará-la incessantemente. Um projeto de vida foi criado em seu nome, com o objetivo inconsciente de consolar as frustrações, dores e sofrimentos do casal. Um projeto, no entanto, que não inclui a pessoa de Lydia, seus desejos irreconhecíveis e seu self desprezado. Lydia não sabe quem é, ninguém sabe; todos vivem muito, muito sozinhos na mesma casa, perto de um lago situado em um bairro no qual residem famílias tradicionais irretocáveis, supostamente felizes. Felizes? Nem tanto assim.

O drama dos Lee é revelador da sociedade ocidentalizada que hoje vivemos, pautada no narcisismo, na hiper competição, na desigualdade, no consumo e sucesso egoico a todo custo, na superficialidade das relações e na mais absoluta pobreza afetiva. Tal sociedade, infelizmente, tem levado muitos jovens à morte e muitas famílias ao desespero, basta consultar as estatísticas.

"Quando o corpo de Lydia é encontrado no fundo de um lago, o delicado equilíbrio que parecia manter a família unida se acaba, mergulhando todos no caos."

segunda-feira, 28 de janeiro de 2019

A tragédia da ganância

Em nome do lucro, a devastação.
Em nome do progresso, a destruição.
Em nome da paz, a guerra.

Em nome de deus, o fundamentalismo.
Em nome do amor, o ódio.
Em nome da vida, a morte.

Em nome da segurança, o extermínio.
Em nome da riqueza, a desigualdade.
Em nome da Terra, o inferno.



Em nome do presente, o sacrifício do futuro.



sexta-feira, 25 de janeiro de 2019

Grupo de Estudos Gênero e Diversidade




Este grupo de estudos, na realidade, já funciona na Clínica Recriando Vínculos Psicoterapia há cerca de dois anos. É um grupo interdisciplinar, constituído por pessoas de áreas diversas no campo das ciências humanas e artes. Até agora, no entanto, estudávamos temas variados na interface Psicologia/Sociologia.

Frente ao enorme retrocesso que estamos vivendo em relação à sexualidade, gênero e diversidade, decidimos concentrar nossos estudos nessa matéria, buscando a troca de conhecimento científico, algum nível de esclarecimento e lucidez.

O grupo está aberto, não há custo. É necessário, no entanto, tempo, desejo e disponibilidade para construir e compartilhar saberes.