sexta-feira, 13 de outubro de 2017

O amanhã da infância

Hoje eu gostaria muito de comemorar a infância de todas as crianças com olhos brilhantes de alegria. Gostaria de distribuir abraços calorosos, plenos de esperança em um futuro mais decente.

Hoje eu gostaria muito de pronunciar as mais belas palavras, repletas de sol e doçura, para aqueles que nasceram depois de mim. Gostaria de acolhê-los partilhando sonhos e força no amanhã.

Hoje eu gostaria muito que as lágrimas de todos nós fossem de amor e não de solidão, de ternura e não de ódio. Gostaria que nos dispuséssemos a nos comover com nossos pequenos e, quem sabe, aprender esse difícil exercício de se colocar no lugar do outro.

Hoje eu gostaria muito de contemplar crianças e adolescentes cujas existências significam mais do que os sentidos fúteis e consumistas que os shoppings proporcionam. Gostaria de encontrá-los em baladas artísticas e educativas, apoiadas por adultos, para criar maneiras novas de questionar o mundo.

Hoje eu gostaria muito de poder dormir sabendo que nenhuma criança passa fome no planeta, que ninguém dorme na rua nem fica sem escola, que meninas podem andar por onde quiserem sem o perigo de serem estupradas, que os pais não abusam de seus filhos, porque enfim, todos entenderam que o deus dinheiro, o deus destruição, o deus perversão não valem a pena.

Eu gostaria muito, ainda, de terminar este pequeno texto com algum alento... para mim e para os leitores. Neste contexto neoliberal e pós moderno de destruição absoluta dos direitos básicos humanos, no qual se estimula em nível máximo a ignorância e a pós verdade, tão somente o que nos resta é a coragem de tentar, de inventar, de criar e não desistir.

Para isso, claro, as crianças e os jovens sensíveis, amorosos, preocupados com a dor humana, são sempre bem vindos: mais inteligentes, vitalizados e entusiasmados do que qualquer adulto! 
Fiquemos juntos.


quinta-feira, 5 de outubro de 2017

Ciclo de Debates Opressões

Teve início neste dia 4/10, o Ciclo de Debates Opressões, no SESC Piracicaba. 












“Infelizmente, ainda vivemos em uma sociedade estruturada pelas opressões que perpetuam desigualdades e ceifam sonhos. Como diria Manoel de Barros: “é preciso TRANSVER o mundo”, superar as mazelas que assolam as relações dos homens e mulheres e descortinar o horizonte em esperança, dedicação e mudança. 

Para contribuir nesse incessante desafio, o Sesc traz em sua programação o Ciclo de Debates Opressões. Por meio da arte e debates provocaremos os presentes a refletirem sobre racismo, LGBTfobia, questão indígena, machismo e a crise dos refugiados.
Estás preparad@ para a reflexão?

O ciclo de debates, organizado por professores estaduais de Piracicaba, acontecerá ao longo dos meses de outubro, novembro e dezembro, durante cinco noites não consecutivas, em cada noite abordando um tema específico
Não dê bobeira e fique de olho nas datas e temas!

- 04/10: Questão Indígena
- 25/10: Violência e Discriminação contra a comunidade LGBT
- 26/10: Gênero e feminismo
- 23/11: Negritude
- Refugiados contemporâneos (dia não confirmado - 1ª quinzena de dezembro)

Em todas as noites o evento acontecerá das 19h30 às 21h30, gratuitamente, no teatro do SESC Piracicaba.”

sexta-feira, 22 de setembro de 2017

Homossexualidade e Terapia: a ética profissional



Esta semana, conforme toda a mídia tem divulgado, incluindo os programas de televisão, o assunto da chamada "cura gay" voltou a ser debatido em todo o Brasil. 
Um grupo de psicólogas (os) acionou o Judiciário contra o Conselho Federal de Psicologia, solicitando permissão para realizar "terapias de reversão da sexualidade", um tipo de intervenção que carece de fundamentação científica, produz sofrimento e por isso é proibida no Brasil pelo CFP.

Muitas são as tentativas de esclarecer a população sobre o assunto. Vale a pena seguir o Facebook do Conselho Federal de Psicologia, pois todas as matérias relevantes da mídia estão sendo postadas.

Não é a primeira vez que o CFP é questionado em sua RESOLUÇÃO N° 001/99, que estabelece normas de atuação para os psicólogos em relação à questão da orientação sexual. Seguindo a tendência mundial dos anos 90, no sentido de despatologizar a orientação sexual da homossexualidade, ou seja, de não considerá-la como doença ou perversão, o Conselho, em sua função ética, criou diretrizes para o atendimento psicológico dos indivíduos homossexuais, visando protegê-los do preconceito e da discriminação social que, como estamos testemunhando, também faz parte da categoria dos psicólogos. 
O que isto significa? 

Na prática e no cotidiano da clínica psicológica, é vedado ao psicólogo tratar um paciente homossexual buscando modificar sua sexualidade, "transformando-o" em heterossexual (até porque isso é impossível). Seguir essa conduta clínica é considerado motivo para perder a habilitação do exercício profissional em psicologia.

É importante esclarecer que muitas outras condutas são passíveis de perder a condição do exercício profissional: terapias de vidas passadas, terapias com florais de bach, avaliação psicológica recorrente sem critérios adequados, etc. O motivo do impedimento relaciona-se ao fato do corpo de conhecimento não possuir embasamento científico ou do profissional utilizar de má fé em seu trabalho.
As terapias citadas, bem como a terapia de "reversão da sexualidade", não podem ser incluídas no campo das ciências psicológicas, portanto o psicólogo não tem o direito de praticá-las em nome da psicologia. Este contrato tem o objetivo de proteger os pacientes do exercício inabilitado e inadequado da profissão, o que não significa que outros profissionais, terapeutas não psicólogos, não possam oferecê-la a quem quer que seja.
Exemplo: um pastor ou pastora de uma das igrejas evangélicas propõe "curar" seus discípulos da homossexualidade e para isso desenvolve sessões de aconselhamento e outros tipos de "cura". Nesse caso, não sendo em nome da psicologia, o CFP não tem como interferir, pois trata-se de uma ação no campo da religião. 

A novidade do momento refere-se ao fato do juiz ter acolhido a solicitação deste grupo de psicólogos, abrindo precedentes para alterar a Resolução do CFP, no sentido de permitir e reconhecer a efetividade de uma terapia que não é científica. Os estudos comprovam, em primeiro lugar, que a homossexualidade não é doença, por isso não precisa de tratamento. Tanto na natureza humana quanto na animal existem diferenças de orientação sexual. A Organização Mundial da Saúde -OMS-, bem como as Associações de Psiquiatria no Brasil e no mundo civilizado, excluíram, desde o século passado, a homossexualidade dos manuais de catalogação das doenças mentais. 
É uma pena que não incluíram ainda a Homofobia, esta sim, uma doença que precisa de tratamento!

Felizmente a indignação e a reação contra um retrocesso inacreditável em termos de comportamento humano, ética e sociedade, tem sido gigantesca. A grande maioria dos psicólogos e da sociedade civil encontra-se em estado de choque, posto que esta parecia ser uma questão superada.

Tratar uma pessoa homossexual partindo do pressuposto de que ela é doente e tem que mudar a sua sexualidade implica numa postura anti-ética, indigna e de tamanha falta de lucidez e empatia, principalmente porque pode conduzi-la a um estado depressivo intenso, com ideações suicidas baseadas em sentimentos de culpa, na medida em que a perspectiva de tornar-se heterossexual revelar-se-á um enorme fracasso, que será, evidentemente, atribuído ao próprio indivíduo. 
Um psicólogo de caráter humano, ético e decente não pode pactuar com o aumento do sofrimento de seu paciente, nem com o obscurantismo de uma sociedade que indica estar começando a perder suas conquistas.



Texto muito interessante da BBC Brasil sobre o assunto: http://www.bbc.com/portuguese/brasil-41326931

A tese mais conceituada, na medicina, sobre orientação sexual: https://universoracionalista.org/a-orientacao-sexual-e-determinada-no-utero/

quinta-feira, 14 de setembro de 2017

Uma jornada de saúde mental na Amazônia




Mais um documentário, na área de saúde mental, que merece reconhecimento! Um trabalho inovador, realizado por uma equipe de psicólogos e psicanalistas de SP, junto à escritora e jornalista Eliane Brum. 

A equipe desenvolveu rara intervenção de escuta junto aos Refugiados de Belo Monte - Amazônia -, cidadãos que foram obrigados a se deslocarem das áreas ribeirinhas nas quais habitavam, e por isso acabaram sendo vítimas de diversas patologias. 

O documentário não é uma exposição arbitrária desta população; muito pelo contrário, é o depoimento dos profissionais que tiveram o privilégio de conhecê-los, tratá-los e acompanhá-los por algumas semanas. 

sábado, 2 de setembro de 2017

Leituras educativas: pais e filhos

Muitos pais e educadores sentem-se desorientados em relação às crianças e adolescentes da geração atual. Os livros da psicóloga e escritora Tânia Zagury foram escritos em uma linguagem acessível, sem perda de conteúdo. Por isso, tenho o hábito de indicá-los a todos os interessados.

Temas como falta de limites, disciplina, autoridade, ética, novas tecnologias, escola, cidadania e relacionamento com os filhos são abordados por Tânia Zagury, oferecendo aos leitores novos recursos para lidar com estas situações.
Boa leitura!






http://www.taniazagury.com.br/livros-para-professores/

sábado, 19 de agosto de 2017

Holocausto Brasileiro: um documentário



Holocausto Brasileiro não é um documentário fácil de assistir. Muito pelo contrário, trata-se de uma película de difícil digestão, pois aborda a temática dos manicômios, nos quais as pessoas consideradas doentes mentais eram abandonadas, violentadas e assassinadas por maus tratos.

Baseado no livro de Daniela Arbex, Holocausto Brasileiro investiga e apresenta ao público o terror do Hospital Colônia em Barbacena, MG, uma realidade vivida por muitos outros hospitais de "saúde" mental.

A importância de assistir e divulgar esta obra prima documental reside na possibilidade de criarmos, cada vez mais, recursos críticos e políticos que nos permitam jamais retroceder à práticas bárbaras como essas no atendimento aos portadores de doenças mentais. A reforma psiquiátrica brasileira transformou o modelo de cuidados em saúde mental, mas muitos problemas continuam e outros vêm surgindo. 

Por isso, com a finalidade de manter viva a memória da barbárie para que ela não se repita, Holocausto Brasileiro merece apreciação.

sábado, 12 de agosto de 2017

Caríssimo pai



Sentindo a falta da sua presença, querido pai, fiquei a pensar se as palavras poderiam ter um caminho apaziguador dentro de mim, ainda que provisoriamente. Afinal, para que servem as palavras senão para isso, caríssimo pai?

As palavras do século XXI estão perdendo os sentidos, sabe, estão sendo abandonadas no limbo da história humana. Ninguém entende direito o que está a ocorrer neste mundo que nunca foi lúcido, mas que agora desandou a uma tal enfermidade sem nome. Faltam palavras para nomear quais são os sintomas que nós, habitantes do planeta Terra, estamos produzindo. Nem os psiquiatras dão conta do remédio!

Mesmo assim, mesmo com o nazismo renascendo e o ódio se encarnando novamente nas relações entre as pessoas e entre as nações, eu sei que você preferiria estar vivo, junto a nós, enfrentando a doença da humanidade – não é mesmo, pai?! Sim, porque a sua vitalidade sempre foi algo contagiante!

A morte não lhe seduzia, já a vida... sempre eterna no pensamento e no coração! Devagar, porém não tanto assim, a morte foi anunciando seu sequestro, sua partida mais do que dolorida há quase dez anos.

E nesse tempo que as vezes parece não termos percorrido sem você, as lembranças perseveram e se confortam em minha memória. Imagens de infância, receios de adolescente, sorrisos ternos, olhares meigos ou severos, doces frases inesquecíveis, valores como honestidade, sentimentos de tristeza e alegria.

Não há como esquecer muitos dos minutos compartilhados, do entusiasmo nas conquistas, das dores suportadas e, principalmente, da afetividade no olhar... com aquelas lágrimas à espreita, de todo modo sutilmente reveladas, conclamadas à existência. Eu realmente tenho muito a lhe agradecer, estimado pai, porque tamanha afetividade me fez gente, me fez existir e ser quem sou. É a você, em primeira instância, a quem atribuo um certo lugar nesse universo, um elo com a vida que a transforma em fonte de amor e riqueza.

Por isso tudo, admirado pai, não posso imaginar que você apoiaria qualquer uma dessas manifestações fascistas que hoje empolgam parte da sociedade em franca involução. Lamento sua ausência, por ela choro. Orgulho-me, ao mesmo tempo, em saber que se você estivesse aqui, estaria tecendo diálogos e conciliações.  

Todo meu afeto, minha consideração e dignidade, é a ti que concedo. Obrigada.

sexta-feira, 4 de agosto de 2017

FLIP: uma experiência

A 15ᵃ Edição da Festa Literária Internacional de Paraty ocorreu de 26 a 30 de julho deste ano, 2017. Mesmo com dificuldades financeiras, os amantes da literatura, estudantes e profissionais de ciências humanas e artes, os turistas, os autores e escritores puderam se enriquecer culturalmente e afetivamente neste magnífico Encontro.

O autor homenageado desta FLIP foi Lima Barreto (1881-1922), assinalando o tema do racismo, presente em nossa sociedade desde sempre. Como escritor e jornalista negro do fim do século XIX, Lima Barreto sofreu muitos preconceitos, tornou-se alcoólatra e foi internado em hospícios, morrendo com apenas 41 anos. Suas obras mais conhecidas são O Triste Fim de Policarpo Quaresma e O Homem Que Sabia Javanês.



A questão do racismo foi abordada e debatida apropriadamente em diversas Mesas do Evento. Uma das mais interessantes contou com a presença do ator e apresentador Lázaro Ramos, possivelmente a maior estrela da FLIP.

Lázaro lançou o livro Na Minha Pele, autobiográfico, narrando parte de sua história de vida e abordando temas importantes da contemporaneidade, como diversidade, preconceito racial, empoderamento, redes sociais e empatia.


Muitos foram os escritores e escritoras, inclusive, a apresentar obras de cunho assumidamente autobiográficas, mesmo que em forma de ficção. O livro A Resistência, de Julián Fuks, é um exemplo. Belo e lírico, o texto de Fuks nos coloca em contato com sua família durante a ditadura militar argentina, especialmente com seu irmão adotivo. Fuks compartilhou com o público da FLIP e com seus leitores (nos quais eu me incluo) que escrever sobre o irmão era uma necessidade emocional que sentia, para poder lidar com sua própria angústia. Nem por isso A Resistência deixou de ser um livro de ficção primoroso.















Relatos tocantes envolvendo genocídios também foram objeto de discussão na grande festa da literatura de 2017. Gostaria de destacar a Mesa Em Nome da Mãe, na qual Scholastique Mukasonga dividiu o palco com Noemi Jaffe, ambas filhas de mães que sofreram genocídios.

Scholastique é a única sobrevivente, em sua família, do genocídio de Ruanda ocorrido em 1994. Seu livro A Mulher de Pés Descalços é uma triste homenagem à sua mãe. 

"É da necessidade de realizar o rito do sepultamento e de conferir um rosto àqueles que ficarão eternamente associados a simples dados estatísticos na História oficial que nasce o romance A Mulher de Pés Descalços, relato biográfico daquela que está na origem da própria voz autoral: a mãe." 
Leonardo Tonus, sobre o livro de Scholastique.

Não há como ficar indiferente à dor desta mulher tão sofrida. Já O que os Cegos estão Sonhando? narra a história de Lili Jaffe, sobrevivente de Auschwitz - campo de concentração nazista - e mãe da autora do livro. 


Como se pode perceber, todas estas obras e muitas outras não citadas incluem experiências pessoais dos autores e autoras, levando em conta a memória e a urgência do testemunho, bem como propiciando a criação de uma literatura viva, pulsante e reveladora, que tem algo a dizer para o mundo, para nós leitores e para as gerações futuras.

Evidentemente esse foi um pequenino recorte, bastante seletivo, da minha própria experiência na FLIP. Outros momentos mais descontraídos poderiam ser lembrados, tal como a presença marcante de Pilar del Rio, jornalista que foi esposa de José Saramago, de Natália Borges Polesso, que escreveu o livro de contos Amora e Carol Rodrigues com a obra Sem Vista para o Mar, também um livro de contos peculiar.


Agora, no entanto, só resta aguardar que tenhamos todos uma outra Festa Literária em 2018. A ver!

sábado, 15 de julho de 2017

Literatura e escrita: um exercício de afetividade

Uma mãe precisa contar algo importante, deveras importante, à sua querida filhinha, mas sente um medo paralisante. Um marido necessita revelar certa história para sua atual esposa, sob pena de ocultar um segredo que futuramente poderá encerrar a relação.
Um adolescente deseja se matar porque imagina que, ao expor um fato abominável aos seus pais, será odiado e colocado para fora de casa. Uma mulher não suporta o peso do próprio passado, sofre calada frente ao companheiro, refletindo diariamente sobre qual seria a melhor maneira de dizer-lhe a verdade.
Alguém muito jovem começa a escrever um diário, à moda antiga, com papel e caneta. Nele ficará registrado uma versão de si mesmo. Os temores, as angústias, o vazio, as aflições talvez.
Eis que outro alguém resolve escrever uma carta para contar o indizível necessário, aquele segredo de pai, aquela lembrança torturante de esposa/amante, um ato terrível ou desleal de filho.
São esses, tampouco e somente, alguns fragmentos de histórias, de dores e fragilidades humanas.
  
Por vezes no entanto, nada de especial haveria para narrar ao outro, nenhum ato excepcional, nenhuma ocorrência em particular. Apenas sentimentos pouco amistosos, desejos incomunicáveis, palavras não pronunciadas no momento certo.  
Foi nessa lida que Kafka escreveu Carta ao Pai, uma obra literária e autobiográfica de valor inestimável, em que ele expressa todo seu sofrimento em relação à pessoa do pai. Opressão, terror, raiva, humilhação. Leitura obrigatória para quem trabalha com afetos, mesmo que não ame literatura.

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Em um tom absolutamente mais delicado, lírico e tocante, João Anzanello Carrascoza escreveu a Trilogia do Adeus, ou dos deuses, eu diria, porque tão belo e poético que solicita ser celebrado.
Três pequenos escritos desse autor brasileiro - Caderno de um Ausente, Menina escrevendo com o Pai e A Pele da Terra -, enriquecendo nosso repertório afetivo e imaginário.

No primeiro, um pai de 50 anos relata à sua filha, que acaba de nascer, toda a história do seu nascimento, sua genealogia familiar e, principalmente, de que matéria consiste a vida: de perdas, de desafetos, de poesia embaralhada a alguma alegria. "Eis que, embora viver seja coisa grande, é também a força que lhe contraria, e não há como vencê-la, senão aceitando que a dor desenha em nossa pele, com esmero, um itinerário de pequenos cortes, ora arde um, ora sangra outro, e, as vezes, todos, juntos, nos queimam, em uníssono."

Resultado de imagem para João Carrascoza trilogia

No segundo, a narradora é a filha, continuando a história anterior. A filha fala ao pai, apresentando-nos sua memória afetiva, doce e singela. É mais do que comovente acompanhar tal narrativa, as percepções e desejos da filha com este pai tão querido e importante.
Evidentemente, a esta altura do texto, já estamos inspirados a dizer ou escrever para os nossos também. O que eu não disse ao meu falecido pai? Ainda há tempo de dizer, escrever? Como eu contaria a nossa história?

No terceiro, volume final da trilogia, é o filho mais velho do pai em questão que se torna narrador, dialogando então com seu próprio filho em uma viagem encantadora.
E esta viagem, é claro, nós também a fazemos todos os dias, com grande dificuldade, vivendo as relações familiares que nos pertencem.
Será que poderíamos torná-las mais suaves e menos cruéis? O que não dizemos uns aos outros, o que nos recusamos a escutar?
Quem sabe possamos começar a escrever... e a ler os olhos do outro. Para aprender a sentir e partilhar o afeto que tanto nos faz falta.


Mais informações preciosas:

sábado, 8 de julho de 2017

Flores: inspiração da natureza

A cada ano, novas sementes brotam em nosso ninho, frutificando jardins e flores diferentes para que possamos aquecer os corações em dificuldade.
Não, não é uma floricultura, é uma clínica de saúde e psicologia.
Mas a beleza serve de inspiração para um trabalho que considera o ser humano em sua plenitude.
Confira!






domingo, 25 de junho de 2017

Fronteiras ArtePsicodramaFilosofia: ressonâncias

Conforme já divulgado aqui, o Evento Fronteiras ArtePsicodramaFilosofia ocorreu de 15 a 17 de Junho, em São José do Rio Preto/SP, através do Instituto Rio Pretense de Psicodrama, possibilitando vivências e reflexões importantes sobre a nossa relação com a sociedade e com o espaço urbano no qual circulamos cotidianamente.
O texto que segue foi lido na Abertura, escrito por um dos organizadores do Evento, DEVANIR MERENGUÉ, Psicólogo e Psicodramatista.






"Desde muito cedo aprendemos que existem corpos, substâncias. Que existe algo chamado eu e algo chamado outro, que existe a rua e o vizinho, bairros e cidades. Aprendemos a respeitar e a transgredir: as cercas, as paredes, a linha amarela, a linha vermelha. Parar e ultrapassar marcas fortes e marcas fracas, sinais para se levar a sério e outros nem tanto.
Aprendemos desde muito cedo que na rua acima as pessoas são “boas” e as da rua abaixo, gente “pouco selecionada”. Que certas coisas podem ser feitas em público e outras, não. Que existem regras visíveis e regras invisíveis. Enfim, que existem fronteiras por todo lado... E todas essas linhas, todas essas demarcações nos constituem como sujeitos, como sujeitados. 




Logo aprendemos também que existem conhecimentos que a mãe diz, que o pai diz, que a mãe diz que a avó disse, que a professora diz que o historiador disse citando uma fonte que disse que disse. Que existem disciplinas que disciplinam com nomes como Geografia, Matemática, História e que quem fala delas são pessoas diferentes que sabem coisas diferentes: geografia é diferente de matemática e que uma coisa nada tem a ver com a outra. As fronteiras são claras, marcadas por horários, agendas, livros bem distintos.

Nos descobrimos meninos ou meninas. E que as fronteiras são claríssimas: quando alguém migra com uma cor dissonante, cor errada, sapato errado, cabelo errado... logo será punido severamente. As fronteiras são muito evidentes e elas estão em todos os lugares do mundo. 



E ficamos sabendo, sem ainda saber, um universo simbólico de gestos adequados e gestos inadequados, de olhares, modos de usar o corpo que serão premiados ou punidos.
Logo começaremos a entender que os pensamentos e os sentimentos também poderão ser certos e errados. E que devemos escondê-los, punir a nós mesmos, driblar a culpa, produzir sintomas sofridos o suficiente para equilibrar a economia psíquica. Compreendemos que existe um fora e um dentro. E mais uma fronteira.
E virão as medalhas, os prêmios que produzirão as vaidades. Serão escolhidos entre todos, os melhores, os mais bonitos, os mais inteligentes, os mais capazes. E descobriremos os pódios, as tribunas, os púlpitos. Os ganhadores e os perdedores. Descobriremos também alguém que nem ao menos entram nos concursos, os que não servem para nada, os do fundo da sala, os insignificantes, os invisíveis. Descobriremos que existe o fim do mundo, lá onde não vemos nenhuma fronteira. 




E que jamais, mas jamais mesmo, devemos ser um deles, nem jamais devemos pisar lá, a não ser muito eventualmente como turistas. Depois das fronteiras existem as putas, os bandidos, os desclassificados, as bichas loucas... com quem não devemos nunca nos misturar.
Os lugares proibidos, os lugares sagrados, as zonas cinzentas, os pátios iluminados, o clube dos pretos e o clube dos brancos, a zona do meretrício, as margens, as marcações simbólicas para raças ditas superiores e as ditas inferiores.... Tudo com seu tempo e seu lugar e funcionando conforme as engrenagens, com as devidas manutenções para que nenhum parafuso solte...


Desenhar mapas, escrever tratados, produzir teorias do que é certo e errado para que toda a gente veja. E deixar ameaças veladas no ar para os transgressores, punir vez ou outra um metido à besta que desafie os poderes tão claramente estabelecidos. Por que é preciso dar exemplo e para isso os transgressores são bem-vindos. Para mostrar quem manda...
E para quem servem as fronteiras, os limites, os limiares, as balizas, as marcas, as margens?


Com toda certeza para controlar, identificar, organizar, separar, ordenar, nomear, mas também para sabermos que cerca podemos pular, qual o ponto do muro que apresenta falhas, onde está o furo...
A necessidade de controlar o imaginário humano, de transformar qualquer espaço de liberdade em experiências identificáveis e com o máximo de controle sempre foi possível. E aí estão partidos, fundamentalismos, seitas, teorias, ensinamentos que não me deixam mentir.... Não estão a serviço da libertação humana, mas de mais e mais controles. 




Que fiquem nomeados os continentes, as raças, as pobrezas, as doenças, as culturas. Que fiquem bem claro o bem e o mal, o certo e o errado, quem manda e quem obedece, quem pode e quem não pode. Que sejam levantados muros para separar e que novos tiranos sejam eleitos para assumir estas bandeiras. Não podemos esquecer que, de um modo ou de outro, os tiranos são aprovados, consentidos, desejados. Explicitamente ou não, conscientemente ou não, fazemos pactos, contratos com o autoritarismo.
E isto pode ser naturalizado. Como se a vida fosse isso, como se viver fosse apenas isso.
Mas existe o acaso, assim como a diferença, o vazio, o indeterminado, o imprevisto. Existem os tons não catalogados, o inominado, o inapreensível fora da ordem unida, fora das certezas e dos clichês. 
Entre as fronteiras, híbridos encontrados solitária ou solidariamente, pontos de vida intensa para além dos discursos.



Usando uma metáfora: tentar olhar o mundo com olhos de ave e ver que para além do dia e da noite podemos encontrar manchas de sol e de lua para se inventar a vida.
E quando formos pássaros perseguiremos o nascer e o pôr do sol, o nascer da lua e as brisas do sul, voaremos para além das fronteiras que serão vistas de cima e não terão tanta importância. 
E caminharemos sobre elas, orgulhosos da mestiçagem, porque poderemos estar de qualquer lado, nos vendo transformados em aves com penas de todas as cores."

www.devanirmerengue.com.br

domingo, 11 de junho de 2017

A luz do cinema: memória, emoção e história


Como criar imagens que, intercaladas na montagem, acrescidas de palavras e sons, proporcionam aos cinéfilos/telespectadores uma outra qualidade de emoção, que faz sentir e pensar ao mesmo tempo?
Como narrar poeticamente o sofrimento histórico de um povo sem perder a beleza, articulando-o, sobretudo, às questões fundamentais do ser humano que são: quem somos nós, de onde viemos, para onde vamos? 
Como abordar a importância da memória no tempo e no espaço, a relação da astronomia com a arqueologia, da arte com a ciência, do céu com a terra e o mar, mantendo o fio condutor de toda a trama universal que é o homem?
Como ser o passado, o presente e o futuro, ao mesmo tempo, em uma obra de arte que se realiza como potência tanto da barbárie quanto da esperança?
"Os que têm memória são capazes de viver neste frágil tempo presente. Os que não a têm, não vivem em nenhuma parte."

Patrício Guzmán é um diretor de cinema chileno, com vasta obra de documentários. Estes dois filmes que aqui apresento, Nostalgia da Luz (2010) e O Botão de Pérola (2015) foram premiados e são reconhecidos pelas particularidades estéticas e líricas na narrativa de fatos históricos. 
O objetivo de Guzmán, em todas as suas películas, é discorrer sobre a história do Chile, sobre a barbárie da ditadura de Pinochet e a necessidade de resgatar a memória acerca dos fatos, das mortes cruéis e da dor interminável. A forma com a qual ele realiza tal intento cinematograficamente é magnífica, pois além de bela, revela-se inteligente ao propor argumentações que vinculam memória individual e coletiva, tragédia social e pessoal, conhecimento científico e metafísico, barbárie e humanidade, origem do homem e contemporaneidade.
Não há como não se comover, embora o ritmo do filme possa ser considerado lento pelo público acostumado ao gênero de ação. Não há como se furtar à reflexão, mesmo em épocas empobrecidas como a nossa.
Para que estamos aqui vivendo? O que fazemos de nossas vidas? "Haverá passado o mesmo em outros planetas? A atitude do mais forte terá sido idêntica em todos os lados?" Para muitas perguntas, algumas respostas que nunca se concluem e, muito pelo contrário, geram novas perguntas.

Eis um belíssimo tratado de filosofia que nos indaga a respeito de quem somos e porque nos constituímos uma espécie tirânica, deixando-nos, no entanto e simultaneamente, a possibilidade de uma vereda, uma trilha para a redenção, qual seja a memória e a lembrança que, como recusa do esquecimento, podem nos salvar do abismo.


sexta-feira, 26 de maio de 2017

Psicodrama: Fronteiras


Mais um evento importante de Psicodrama: Fronteiras 2017, desta vez em São José do Rio Preto.
Na busca pela construção de um saber científico que seja crítico, dialogue com outras disciplinas de conhecimento e com a arte, este evento propõe experimentações e reflexões que pautam o debate atual das relações humanas no nosso cotidiano. 
Em um momento de crise generalizada como o nosso, é preciso criar cada vez mais recursos e condições de enfrentamento para um outro porvir.  

"O Psicodrama nasceu no intermédio das ciências e das artes, transitando por mundos e séculos, buscando no espelho, a outridade. Por isso, a proposta dos diálogos com saberes não-fechados."
"A busca pela desnaturalização das coisas traz o inconformismo de discutir o que é tido como certo, óbvio e.… natural. A desmontagem diz respeito ao exame dos afetos aprisionantes que fazem de nós seres pouco espontâneos e criativos."

quinta-feira, 11 de maio de 2017

Esperança, Vida e Poesia

Vivemos tempos de grande desesperança. 
Confirmando esse sentimento predominante, atestamos diariamente o aumento do número de suicídios em todo o mundo, principalmente entre os jovens e também entre os padres, mais recentemente.
Nossas expectativas em relação ao futuro estão sendo dilapidadas por constantes crises econômicas, políticas e humanitárias. Os valores de suma importância para a civilização, construídos após a Segunda Guerra Mundial, com a criação da ONU, não se mostram efetivos, ou seja, não são colocados em prática. Temos guerras, temos violência e barbárie, temos populações inteiras migrando pelo planeta por falta absoluta de condições de sobrevivência. 

Por mais que tentemos nos proteger de tantos fatos e situações destrutivas a compor os rumos da humanidade, não é possível ficarmos alheios, a não ser que sejamos psicóticos ou narcísicos, a não ser que façamos parte de comunidades delirantes isoladas no próprio sofrimento. 
Nossa subjetividade é uma construção que ocorre no interior das relações que partilhamos, por isso sofremos o impacto daquilo que está ao nosso redor. Ainda que tentemos nos separar e nos distanciar das dores dos outros, ainda que sejamos agressivos, egoístas e violentos, muito pouco empáticos, não somos capazes de viver completamente alienados.

Não, não somos seres assim tão solitários.
A solidão, no entanto, pode ser construtiva, principalmente numa época de hiperestimulação, hipermídia e hiperexcitação. É preciso que nos retiremos parcialmente de toda essa parafernália tecnológica, que nos faz eufóricos e deprimidos ao mesmo tempo. Sim, é preciso que exercitemos em nossas vidas tão precárias algo que seja exclusivamente nosso, que nos identifique como seres diferentes uns dos outros e que nos proporcione um sentido peculiar de existência. 
Algumas pessoas amam dançar, outras não conseguem ficar sem escrever e ler um romance. Algumas pessoas necessitam correr ou andar de bike, outras preferem caminhar por espaços fora da cidade. Há ainda indivíduos que sentem imenso prazer em cozinhar, restaurar móveis antigos, plantar flores ou simplesmente fazer crochê. 
Não importa o que seja, pequenas viagens pelo ano quando possível ou programas de lazer e cultura que acrescentam um sabor à nossa relação com a vida. Tudo isso é de extrema importância em períodos históricos como o nosso, prenhes de tragédias que nos obrigam a lutar cotidianamente pela sobrevivência emocional, por algo que nos faça sentir que a vida vale a pena e não se compõe apenas por vazios.  

Espero sinceramente que esse tempo passe... que o desespero e as lágrimas das quais tenho sido testemunha possam se transformar em poesia, como este livro maravilhosamente belo de Valter Hugo Mãe.
Homens imprudentemente poéticos é uma obra prima para quem aprecia romances com lirismo. Cada palavra e cada frase inspiram imagens que tocam profundamente nossos corações. Romance para degustar, para inspirar, para acreditar na possibilidade que a arte nos oferece, evocando parte da história de Édipo, se quisermos.
Não vou fazer resenha, bastam algumas citações de uma narrativa que acontece no Japão, entre aldeões pobres: "O jardim na floresta era uma renda colorida na franja subindo da montanha." Ou ainda: "No escuro, dera conta que se ocupara apenas de sobreviver, como se a cegueira permitisse nenhum descanso, nenhum prazer além do acosso pela vida." "Os cegos imaterializavam-se. Ficavam extensos." 
E eu, sem dúvida alguma, só tenho a exprimir gratidão e emoção por este autor que me faz sentir viva!

Resultado de imagem para valter hugo mãeMae Homens imprudentemente poéticos

segunda-feira, 1 de maio de 2017

1 de Maio: filmes para discutir

Nesta data em que se comemora o Dia do Trabalhador, gostaria de registrar e sugerir dois filmes recentes que abordam o universo do ser humano em relação ao trabalho.



Eu, Daniel Blake (2016) é um filme premiado, muito sensível e absolutamente tocante, que coloca em discussão o desmonte do sistema de bem estar social na Europa, especialmente em relação a aposentadoria. Como a pauta brasileira atual é justamente esta, a película torna-se ainda mais valiosa para refletirmos sobre o assunto.

O outro filme belíssimo, muito diferente do anterior, mas também premiado, é Paterson (2016). Aborda a história de um motorista de ônibus que escreve poesias em meio a enorme monotonia do cotidiano. Filme poético, de grande lirismo, a instigar reflexões sobre o sentido da vida, do trabalho, da arte e das relações amorosas.


sábado, 22 de abril de 2017

Adolescência e suicídio: uma discussão necessária

Nessas últimas semanas, um dos assuntos mais discutidos e comentados, no que diz respeito a educação, foi o jogo da baleia azul e a série do Netflix, 13 Reasons Why. Não sei se há muito mais a polemizar ou escrever, já que surgiu uma vasta literatura sobre a questão, muitos textos, análises e considerações.

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Conversando com os adolescentes, percebo que a série tem conquistado os corações, embora haja diversos problemas no tocante à forma e à estética pela qual os produtores optaram. Confesso publicamente que só assisti aos dois primeiros episódios e não prossegui, e que me senti um tanto aliviada pelo fato do meu filho de 17 anos não se interessar. 
Para o meu repertório pessoal, a série lembra um filme de suspense no estilo americano. Concordo com as críticas afirmando que 13 Reasons Why expõe demasiadamente o suicídio, de maneira até irresponsável, na medida em que estiliza com detalhes a cena fatal, podendo ainda incentivar a vingança nos adolescentes. 
Ao mesmo tempo, no entanto, fico me perguntando se as imagens do filme não seriam apenas mais uma das imagens, das cenas e dos textos horrorosos que nossas crianças e jovens são obrigados a ver e consumir todos os dias, pela televisão, pela internet, na escola e em casa, nos shoppings e espaços públicos. Isso não quer dizer que um programa que se propõe a tratar de temáticas tão importantes não poderia ter sido mais cuidadoso, pois há muitos formatos artísticos visuais para se criar uma determinada narrativa. A produção optou claramente por um estilo comercial, garantindo a venda de seu produto. Filmes como o nacional ELENA (2012), por exemplo, que abordam de maneira delicada o suicídio, jamais se tornariam populares no contexto sócio cultural em que vivemos.

Críticas e considerações à parte, o fato é que os adolescentes estão assistindo a série. Portanto, não há nada melhor a ser feito senão discutir e conversar sobre a cruel problemática do bullying e do suicídio. É preciso que nosso papel como educador seja criativo e pró ativo. De nada irá adiantar nossa visão, quem sabe arrogante, sobre o que é mais ou menos adequado para eles. Precisamos estar por perto, disponíveis e atentos, não para invadir quartos e espaços individuais ou emocionais, mas para ajudar nossos tão queridos amados sujeitos a se construírem enquanto seres íntegros, humanizados, transformadores e razoavelmente felizes. 
Essa é uma difícil "missão" que também cabe a escola e a sociedade, não somente aos pais. Por que não aproveitar a oportunidade para realizar debates com os alunos e professores sobre o bullying, frequentemente motivo de tristeza, adoecimento físico/mental, linchamento moral e também suicídio? Por que não discutir esta violência que persegue principalmente as meninas, justamente nos ambientes educacionais? Por que não criar novos espaços institucionais e grupais de escuta para as crianças e adolescentes? Afinal, sabemos que os casos de suicídio estão aumentando ano a ano, no mundo todo.

O tal jogo da baleia é apenas mais um terrível sintoma do quanto insana vive nossa sociedade, penalizando jovens vítimas que se encontram em um estado afetivo mais vulnerável. Evidentemente, um jogo criminoso e assassino. Tão chocante quanto cruel, mas não surpreendente, pois acompanhamos o surgimento cada vez mais veloz de tecnologias que promovem a violência, de si mesmo ou dos outros. O seriado BLACK MIRROR da Netflix (2011), este sim um programa inteligente e louvável, merece ser contemplado para que possamos nos situar neste universo tecnológico do qual fazemos parte. 

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