quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

Jogos Eletrônicos, Psicodrama e Imaginação



Na Revista Brasileira de Psicodrama, vol. 21, no.2, 2013, foi publicado o artigo JOGOS ELETRÔNICOS, PSICODRAMA e IMAGINAÇÃO.

RESUMO: As crianças e os adolescentes, bem como muitos adultos, tornaram-se usuários de uma forma de entretenimento polêmica, embora atualmente banalizada: são os jogos eletrônicos. O presente artigo propõe uma reflexão que articula conceitos do Psicodrama ao universo da imaginação nos jogos eletrônicos. Será que os jogos podem propiciar exercícios de criação ou não, são apenas mecânicos, estimulando a rigidez no desempenho de papéis sociais e imaginários? Como podemos conceber a experiência das crianças que, fascinadas pelo prazer de simular uma realidade outra, a virtual, criam personagens e histórias todos os dias nas telas do computador? Seria possível nos aproximarmos dessa linguagem de comunicação, de forma a compreender qual o seu sentido para os jogadores?


PESQUISA e AUTORIA: Andrea R. Martins Corrêa

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terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

Em busca de nós mesmos: olhando para o passado

Esta belíssima declamação poética de vida foi escrita por Raul Pompéia, no século XIX, em seu famoso livro O Ateneu. Para quem não conhece a obra, Ateneu é o nome do Colégio interno, glorioso e magnífico, no qual a elite matriculava seus “varões”.

O livro é um mergulho no tempo, pois é narrado pelo próprio personagem principal, Sérgio, contando sua vida de menino dentro do Colégio. Sãos os olhos de Sérgio adulto, acompanhando e resgatando o passado, que constituem o romance, com suas peripécias, sofrimentos e magias.

Enquanto leitores, somos convidados a partilhar com ele o universo deste Colégio austero, rígido, quase militar, comandado por um insano diretor, Aristarco, megalomaníaco ultra conservador. As relações entre professores e alunos são absolutamente verticais, autoritárias, promovendo o medo e a repressão que herdamos no século XX.

Trata-se de uma obra de arte tão magnífica que poderia suscitar diversas reflexões, inclusive sobre o modelo educacional no qual até hoje estamos inseridos. Mas o que eu gostaria de frisar aqui é a possibilidade de todos nós olharmos para o passado, exercício que o próprio Raul Pompéia realizou através deste livro, considerado auto biográfico.

A nossa história também é constituída pelo “tempo do pretérito”, acontecimentos, situações e emoções que ocorreram em nossas vidas e que, de algum modo, foram importantes. Nem sempre temos consciência dessa importância, as vezes nem nos lembramos dos fatos. Por isso, é frequente sofrermos sem saber exatamente o motivo: percebemos que algo do momento presente nos incomoda, mas não justifica tanto sofrimento. Falta-nos, portanto, compreender que o presente carrega consigo o passado e que o passado, enfim, está vivo e nem sempre passou dentro de nós...

Ressignificar o próprio passado e buscar novos sentidos para nossa biografia é um exercício que pode resultar em maior autonomia, responsabilidade e amor pela vida. Em alguns casos, pode até ser redentor, salvando-nos da morte. A arte em geral, a literatura, a escrita, o teatro e a psicoterapia são caminhos possíveis a nos guiar por essa trilha em direção a nós mesmos.

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014