quinta-feira, 4 de junho de 2009

Relatos: a escola e seus alunos


Um grupo de adolescentes diz que não quer mais ir à escola. Estão cansados da rotina, dos conflitos e dos estudos. Preferiam que a escola não existisse.
Outro grupo, de crianças, afirma gostar muito de ir à escola para ver os amigos, mas não para estudar. Sentem-se exaustos com tantas lições e avaliações permanentes.
Os relatos sobre a escola são diversos, e podemos ouvi-los dos próprios estudantes quando estamos disponíveis. Relatos sobre brigas, dificuldades de relacionamentos, problemas com professores, exigências disciplinares e provas são constantes. Através deles é possível investigar representações e imagens acerca da escola.
Muitos alunos, tanto do ensino público quanto privado, gostariam que houvesse um número maior de atividades esportivas, recreativas e artísticas no cotidiano escolar. Ressentem-se com o excesso de aulas e matérias, principalmente nos colégios particulares que, em geral, optam por uma aprendizagem mecânica e enciclopédica, privilegiando exigências do vestibular desde as primeiras séries.
O vazio e a ausência de sentido na relação de muitos estudantes com a escola é algo que pode ser constatado. Seja no colégio privado ou público, a desmotivação é a mesma: no primeiro, pelo excesso de lições e avaliações, que chega a deprimir o aluno; no segundo, pelo abandono em que se encontra, de fato, a maioria das escolas públicas.
Como se não bastasse, agora os pequeninos de 5 anos também estão sendo obrigados a ler e escrever precocemente ( quando não antes ), correndo o risco de perder o sabor da infância, ao não exercitar a fantasia, fundamental nessa fase da vida.
Felizmente algumas alternativas têm sido criadas por instituições e educadores sensíveis, que questionam os valores em voga na sociedade.
O site Aprendiz ( http://aprendiz.uol.com.br/ ) é uma ferramenta de pesquisa interessante, que discute problemas da escola pública e busca dar visibilidade a projetos importantes desenvolvidos na educação.
Também venho acompanhando, pessoalmente, o crescimento de uma escola cooperativa, que partilha de outra ótica em relação ao ensino. Escolas como esta têm o mérito de sentir, diariamente, a alegria nos olhinhos brilhantes dos seus alunos.

Andrea R. Martins Corrêa

Um comentário:

  1. Olá Andrea.
    Concordo com você. Em meio às imensas dificuldades vividas pelas instituições educativas, existem projetos que tentam escapar da lógica desse modelo tão perverso fundamentado no marketing.
    Gostei dos seus textos.
    Um beijo.
    Áurea M. Guimarães

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