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Relato sobre um filme perturbador: Filho de Saul

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Na sala escura do cinema onde assistíamos Filho de Saul (concorrente ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro/2016 e premiado em Cannes/2015), nenhum som se torna audível além dos gritos e gemidos das pessoas que estão sendo mortas durante a II Guerra Mundial. Não há movimento algum do público, ninguém fala nem come, quase nem se respira! Filho de Saul é um daqueles filmes que emudece nossa alma, inibe nossa sede e fome, cala nossa voz e impede nossas lágrimas. O choro fica preso na garganta diante de tanta crueldade. Não aquela crueldade dos filmes americanos de grande sucesso comercial, no qual as cenas sádicas provocam êxtase no público. Absolutamente, não se trata disso. O diretor húngaro László Nemes optou por falar sobre as atrocidades cometidas contra os judeus de uma outra maneira: através dos olhos de Saul - o personagem principal - adentramos em um campo de concentração nazista. A câmera insiste em se posicionar atrás da cabeça de Sa...

Tomboy: gênero e sexualidade

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Neste 29 de Janeiro, Dia Nacional da Visibilidade Trans, diversas são as listas compartilhadas na internet sugerindo filmes que abordam o assunto. Tomboy, filme francês de 2011, sem dúvida alguma é uma das melhores indicações.  Delicado, belo e triste ao mesmo tempo, a película apresenta para o público uma menina que deseja ser menino e o drama de sua família ao lidar com essa questão.  Assunto difícil, ainda tabu, mas que precisa ser discutido com coragem, informação e arte! Conselho Federal de Psicologia

Contra a banalidade do mal, reflexão e conhecimento

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  É possível que a passagem de um século para o outro, como foi do século XX para o século XXI, tenha cultivado vãs esperanças em muitos de nós, seres humanos mortais desse planeta. É possível ainda que, movidos por certo encantamento pela vida ou ilusão necessária para levantar da cama com energia, acreditemos que o início de um ano aponte sempre para novos olhares, novas relações, conquistas, sonhos e todo o bem que a humanidade precisa fazer valer. De minha parte, mantenho esse ritual do Ano Novo, não por ingenuidade, mas por pura necessidade de criação e uma espécie de redenção acerca do que já aconteceu e não pode ser mudado. 2015 foi um ano atípico? Não tenho muita certeza se foi tão diferente de 2013 e 2014, mas o sentimento generalizado das pessoas indica que sim, que o descontentamento sócio econômico aumentou, as manifestações no campo político continuaram e o ódio no mundo todo, tão preocupante, cresceu. Pois bem, eis o cenário que permanecerá agora, em 2016. Não há...

2016: alvorecer

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O inominável 2015 já se despede desses habitantes terrestres sem rumo,  que somos nós. Que nessa despedida 2015 possa levar consigo todas as tragédias da qual foi palco,  todos os horrores dos quais foi testemunha,  todos os sofrimentos da existência humana absurda que teimamos em perpetuar. 

Os estudantes que precisamos ser

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As imagens são chocantes. Pra que tanta violência, homens de farda? Pra cumprir leis que sabotam direitos adquiridos? Meninas e meninos do século XXI  - aquele que esperávamos pacífico - Eis que se insurgem contra o autoritarismo! Nas ruas, nas praças, nas escolas Olhos, mãos e cérebros pensantes Para além da imaginação colonizada. Que alegria neste momento estar viva  E testemunhar tamanha criação! Novos afetos e novas ações  - aquelas que nós, covardes ou velhos que somos,  já não inventamos mais. 

Despedida

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  Para alguém que hoje se foi, alguém tão importante neste mundo estranho. Um dos mais criativos psicodramatistas do Brasil e da América Latina, Moysés Aguiar. Nossa despedida com lágrimas e poesia! Hilda Hilst, Da Morte, Odes Mínimas: Não me procures ali Onde os vivos visitam Os chamados mortos. Procura-me dentro das grandes águas Nas praças Num fogo coração Entre cavalos,cães, Nos arrozais, no arroio Ou junto aos pássaros Ou espelhada Num outro alguém, Subindo um duro caminho. Pedra, semente, sal Passos da vida. Procura-me ali. Viva.

O papel da psicoterapia

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Francis Bacon: 1909 - 1992 Auto retrato Muitas são as formas de conceber o papel da psicoterapia na vida de uma pessoa, um casal ou uma família, sendo que o sofrimento é a questão principal na condução tanto daquele que busca ajuda quanto do próprio terapeuta. Em geral as pessoas procuram psicoterapia na perspectiva de obter um alívio imediato para a dor, o que só é possível através de medicamentos, dependendo do quadro clínico. Numa sociedade pragmática e imediatista como a nossa, não poderíamos esperar outra coisa: um tratamento psicológico deveria “curar” rapidamente o sujeito que sofre. Ah, quem me dera ter esse poder! Apesar da mídia divulgar cotidianamente feitos maravilhosos no campo da saúde mental, não é esta a realidade que vivemos. Infelizmente as frases de autoajuda, tão em voga no momento, não têm a capacidade de produzir um ser humano feliz (“pense positivamente todos os dias que seus problemas serão resolvidos”, “ame-s...