Postagens

Despedida

Imagem
  Para alguém que hoje se foi, alguém tão importante neste mundo estranho. Um dos mais criativos psicodramatistas do Brasil e da América Latina, Moysés Aguiar. Nossa despedida com lágrimas e poesia! Hilda Hilst, Da Morte, Odes Mínimas: Não me procures ali Onde os vivos visitam Os chamados mortos. Procura-me dentro das grandes águas Nas praças Num fogo coração Entre cavalos,cães, Nos arrozais, no arroio Ou junto aos pássaros Ou espelhada Num outro alguém, Subindo um duro caminho. Pedra, semente, sal Passos da vida. Procura-me ali. Viva.

O papel da psicoterapia

Imagem
Francis Bacon: 1909 - 1992 Auto retrato Muitas são as formas de conceber o papel da psicoterapia na vida de uma pessoa, um casal ou uma família, sendo que o sofrimento é a questão principal na condução tanto daquele que busca ajuda quanto do próprio terapeuta. Em geral as pessoas procuram psicoterapia na perspectiva de obter um alívio imediato para a dor, o que só é possível através de medicamentos, dependendo do quadro clínico. Numa sociedade pragmática e imediatista como a nossa, não poderíamos esperar outra coisa: um tratamento psicológico deveria “curar” rapidamente o sujeito que sofre. Ah, quem me dera ter esse poder! Apesar da mídia divulgar cotidianamente feitos maravilhosos no campo da saúde mental, não é esta a realidade que vivemos. Infelizmente as frases de autoajuda, tão em voga no momento, não têm a capacidade de produzir um ser humano feliz (“pense positivamente todos os dias que seus problemas serão resolvidos”, “ame-s...

Por uma nova ética

Imagem
Encantamento não é uma palavra tão usual nos dias de hoje. Talvez o que mais temos ouvido ultimamente sejam palavras e frases que expressam o sentido contrário: desânimo, medo, intolerância, ódio. Vivemos tempos muito difíceis, não tenho dúvida, mas isso não significa que não possamos criar novas maneiras de agir, de pensar e de nos relacionar uns com os outros. Um dos mais recentes livros da filósofa americana Judith Butler (reconhecida internacionalmente pela formulação da Teoria Queer), que esteve no Brasil em setembro, aponta para esta direção e por isso é uma obra de arte rara, a meu ver, encantando profundamente as pessoas mais reflexivas, que estão discutindo o Homem na contemporaneidade. Relatar a si mesmo – Crítica da violência ética é um livro absolutamente necessário, nesse momento em que o Outro, enquanto pessoa dotada de humanidade tanto quanto o Eu, não tem mais existência. As relações que experimentamos no nosso cotidiano carecem de reconhecimento: não vejo ...

O fim da experiência? Ou a criação?

Imagem
Muitos são os autores e filósofos que discutem ou especulam sobre o “fim da experiência”. Walter Benjamin (século XX) foi um destes investigadores do homem na modernidade, discorrendo sobre a importância das narrativas que nos constituem. Conforme desaparecem os narradores, que são os contadores das pequenas histórias, pessoais e coletivas, familiares e sociais, desaparece também a nossa própria história e, com isso, a possibilidade da experiência. Quando nos esquecemos do passado, demarcados pelo cotidiano massacrante e caótico em que vivemos, também abortamos nossos laços históricos e nossa memória, tanto individual quanto grupal. Dessa maneira, mesmo sem perceber, as possibilidades de atribuir sentidos para nossas vidas diminuem significativamente. Eric Hobsbawm, no livro a Era dos Extremos – O breve século XX, escreveu: “A destruição do passado – ou melhor, dos mecanismos sociais que vinculam nossa experiência pessoal à das gerações passadas – é um dos fenômenos mais carac...

Zygmunt Bauman no Brasil

Imagem
Em setembro, o importante pensador contemporâneo Zygmunt Bauman, autor do conceito de "sociedade líquida", esteve no Brasil. Nesta entrevista, embora simplificada demais, ele apresenta sua visão sobre educação, escola, internet e tecnologia. Vale a pena conhecê-lo, principalmente através da leitura de seus livros: Medo Líquido, Vida Líquida, Modernidade Líquida, apenas para citar alguns.

Suicídio: sintoma da sociedade?

Imagem
"Só há um problema filosófico verdadeiramente sério: o suicídio", escreveu Albert Camus em sua obra O Mito de Sísifo. Camus, grande escritor existencialista francês do século XX, abordou o paradoxo da relação vida e morte em todos os seus livros, tais como: A Peste, O Estrangeiro, O Homem Revoltado, A Morte Feliz. Assim como outros autores e filósofos, Camus compreendia a vida humana no plano do absurdo, ou seja, não há um sentido para a vida a não ser aquele que possa ser construído pelo próprio homem; não há Deus nem destino, pelo contrário, há acasos e absurdos. Enfrentar essa condição inexorável de ser e estar no mundo, com a angústia e a lucidez que dela fazem parte, é o que nos possibilitaria viver com mais intensidade, segundo os existencialistas. Portanto, é para afirmar a vida em sua plenitude, não para destruí-la, que a consciência do absurdo da existência se faz necessária. O suicídio, nesta visão, não seria uma saída.  Os dados acerca do número de suic...

Seminário Internacional sobre Medicalização

Imagem
Entre 1 e 4 de setembro, em Salvador BA, ocorrerá o IV Seminário Internacional sobre Educação Medicalizada. Frente à epidemia de ritalina que assola nosso país ( bem como os EUA ), grupos de profissionais da área de saúde e educação vêm se organizando, cada vez mais, para questionar, discutir, informar e resistir à era da medicalização. Diariamente, na prática de atendimento à crianças e adolescentes, acompanhamos situações abusivas no que diz respeito à medicalização. Para ensinar um aluno que tem dificuldade de ler, para acalmar um filho muito agitado, para calar a voz de alguém mais frágil e conter o sintoma incômodo aos olhos dos adultos, usam-se remédios sem critério. Desta forma, impõe-se um rótulo qualquer, garante-se os lucros da indústria farmacêutica e impede-se a reflexão por parte das instituições responsáveis pelos cuidados da infância e adolescência. As pessoas têm modos de aprender diferentes, têm maneiras de ser distintas, têm olhares pa...