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O amor não precisa ser heterossexual

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Após tantos séculos de opressão sexual, é possível que estejamos começando a compreender que a homossexualidade não é depravação nem doença, é simplesmente amor por alguém do mesmo sexo. Nesse sentido, o filme nacional Praia do Futuro, de Karim Aïnous, lançado recentemente e polemizado por setores conservadores da sociedade, pode efetivamente contribuir para que as pessoas encarem essa questão de maneira mais tranquila e saudável. Praia do Futuro é um dos melhores filmes brasileiros dos últimos anos, abordando vários temas, dentre eles o afeto e a sexualidade entre dois jovens rapazes de nacionalidades diferentes, Brasil e Alemanha. O filme provavelmente não encanta os espectadores acomodados a uma linguagem comercial de cinema, pois todo o seu movimento é lírico, poético, silencioso. A interpretação dos atores principais impressiona pela qualidade afetiva expressa em cada gesto e cada olhar, a compor frases que não são ditas por palavras, mas comunicadas nesse intenso silên...

Adolescência: pais e filhos

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Ao contrário do que imaginamos, a adolescência não é um momento tão agradável como estamos habituados a idealizar. Ser adolescente significa estar em permanente conflito com o mundo e consigo mesmo, experimentando sentimentos de vazio, tristeza, inadequação social e raiva.  Em geral, os adolescentes se sentem incompreendidos pelos pais e professores, frequentemente com razão. Os adultos dificilmente se dispõem a olhar o mundo com os olhos destas “criaturas errantes”, que um dia também já foram. Este exercício de trocar de papel poderia contribuir para que as relações fossem mais tranquilas e menos dolorosas, porém, não é o que ocorre. N a lida diária com famílias, percebemos o quanto é complicado conviver com as expectativas que cada um tem em relação ao outro. Espera-se dos filhos adolescentes, por exemplo, que se mantenham próximos dos adultos, que continuem a ter os mesmos comportamentos que tinham na infância. Para crescer, no entanto, os filhos se afastam de nós, form...

Sonhos Roubados: ficção, realidade e poesia

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Para participar da discussão sobre a violência sexual infantil neste dia 18 de maio, data que marca a Campanha Nacional de Combate ao abuso e exploração sexual de crianças e adolescentes, o Conselho Regional de Psicologia de SP exibiu, em Piracicaba, o filme Sonhos Roubados, de Sandra Werneck (2009). Baseado no livro As Meninas da Esquina – Diários dos Sonhos, Dores e Aventuras de Seis Adolescentes do Brasil, da jornalista Eliane Trindade, o filme nos aproxima da realidade vivida por famílias e jovens que moram na periferia das grandes cidades. Através de uma linguagem delicada e poética, a diretora nos propõe acompanhar especialmente o drama de três amigas adolescentes, que começam a se prostituir. Descobrindo a própria sexualidade, numa sociedade que valoriza excessivamente o corpo, elas encontram um caminho de sobrevivência e “apoderamento” na prostituição, com muito preconceito e sofrimento. Não há espaço, porém, para severos julgamentos moralistas neste belíssimo filme, poi...

Dia das Mães com o Filme Pais e Filhos

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Vencedor do Prêmio do Júri no Festival de Cannes 2013, o filme japonês Pais e Filhos, de Hirokazu Kore-Eda, delicadamente nos propõe acompanhar o drama de duas famílias que têm seus filhos trocados na maternidade. Quando as crianças estão com aproximadamente seis anos é que os pais são comunicados deste erro que, a princípio, anuncia-se como uma tragédia. Será? O filme pode ser considerado um testemunho sobre o quanto a maternidade e a paternidade são construções relacionais, independente da consanguinidade. Se nosso sangue corresponde ou não ao sangue de nossos pais biológicos, assim como nossa genética, isso nada tem a ver com maternidade e paternidade. Pai e mãe definitivamente são aqueles que se responsabilizam pelos cuidados de uma criança, seja esta filho biológico, adotado, parente próximo ou distante. Obviamente, o que importa na relação pais e filhos é a articulação dos papéis: os pais têm a função primordial de prover cuidados para seus filhos, tanto afetivos quant...

Congresso Brasileiro de Psicodrama

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Sempre uma oportunidade para reencontrar os amigos,  conhecer novos trabalhos e participar da produção científica na área da Psicologia/Psicodrama.  Como afirmou Guilherme Gutman em sua resenha sobre o livro O que é Loucura, de Darian Leader, na Revista Ciência Hoje (abril 2014), "todos os que transitam pela psiquiatria, pela psicologia ou pela psicanálise sabem que uma trajetória de formação é sempre bastante longa - de certo modo, interminável."  Acrescentemos o Psicodrama. Mais informações:  http://www.cbpfebrap.com.br/ Sobre Psicodrama: http://www.febrap.org.br/

Memória, subjetividade e história

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Para compreender nossa própria humanidade, nossa forma de viver, nossos relacionamentos, valores e sentimentos, precisamos aprender a refletir sobre nossa memória individual e coletiva. No momento, este é um dos temas mais discutidos aqui no Brasil, em função dos 50 anos do golpe civil militar. Algumas pessoas têm dificuldade para entender qual a importância do resgate da memória histórica de um povo. Do mesmo modo, é comum ouvirmos familiares, amigos e clientes dizerem que “é melhor esquecer o que passou de ruim”, como se isso fosse realmente possível. Em geral, muitos acham que vão sofrer menos se esquecerem as dores do passado, sem avaliar os impactos, por vezes danosos, que tais sofrimentos causaram. Não estou afirmando que seja interessante passar a vida toda lamentando os dramas inevitáveis, mas também não parece saudável tentar negá-los. A memória da nossa própria história e do nosso povo, tanto individual quanto coletiva, pode ser redentora, levando-se em conta que n...

A arte do cinema fazendo história: olhares possíveis

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Nesta importante semana sobre memória e história no Brasil, alguns filmes belíssimos podem ser lembrados e revistos. Em especial, Infância Clandestina, Machuca e O Ano em que meus Pais saíram de Férias apresentam o olhar das crianças em situações limites, como as ditaduras da América Latina. Esses filmes são narrados a partir deste olhar, que coloca nossos filhos menores como protagonistas da história. A lista abaixo contempla também outras obras muito interessantes. MACHUCA (2004 – Andrés Wood / Chile ) INFÂNCIA CLANDESTINA ( 2011 - Benjamín Ávila – Argentina ) O  ANO EM QUE MEUS PAIS SAÍRAM DE FÉRIAS (2006 – Cao Hamburger / Brasil) CARA OU COROA (2012 – Ugo Giorgetti / Brasil ) O QUE É ISSO COMPANHEIRO? (1997 - Bruno Barreto / Brasil ) CABRA CEGA (2005 - Toni Ventura / Brasil ) PRA FRENTE BRASIL (1982 – Roberto Farias / Brasil ) NO (  2012 – Pablo Larrain / Chile ) HOJE (2012 -Tata Amaral / Brasil ) O DIA QUE DUROU 21 ANOS (2013 - Camilo Tavares / Br...