quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

Ensaio Sobre A Cegueira: uma parábola sobre a realidade


Não conheço obra mais emblemática sobre os nossos tempos do que Ensaio sobre a Cegueira. José Saramago escreveu o livro e Fernando Meirelles o filme. Vale a pena conhecer tanto um quanto outro, afinal, quem sabe esteja chegando a hora de aprendermos que a vida merece uma chance e a arte pode contribuir com essa descoberta.

Estamos cegos ou não para nossas próprias ações e para o mundo que nos cerca? Qual seria nossa cegueira e quais são as consequências dela? O aquecimento global e a crise da água, por exemplo? Há décadas os cientistas nos alertam sobre o que está ocorrendo de destruição no planeta, mas talvez nossa paixão pelo dinheiro e nossa perspectiva imediatista de vida tenha cegado todos os nossos sentidos.

Resta-nos agora começar a refletir, sofrendo as consequências do que não semeamos. Ou melhor, do que plantamos equivocadamente.

sábado, 24 de janeiro de 2015

Os livros e a vida: um relato

Não é por acaso que os estudantes que estão se destacando no ENEM são ávidos leitores, apaixonados por livros e escritores. Para pensar sobre si mesmo, sobre as relações humanas e sobre o mundo ao redor é preciso ler livros, não apenas ler textos na internet. Somente eles nos possibilitam uma profundidade de reflexão, permitindo que façamos articulações entre diversas questões da vida.

As obras de grandes escritores da literatura, por exemplo, além de nos propiciar o conhecimento e o prazer de descobrir certa linguagem, constituem também documentos históricos de uma determinada época. Podemos imaginar como foi o século XIX na Europa, principalmente no que diz respeito ao relacionamento entre homens e mulheres, lendo Madame Bovary de Gustave Flaubert, um romance arrebatador. Ou podemos estudar como foi o suicídio de Getúlio Vargas através de Agosto, romance policial de Rubem Fonseca.

Na minha história de vida, graças ao meu pai, os livros sempre estiveram presentes. Creio que aprendi a amá-los pelo incentivo dele. Nos anos 70, quando eu era criança, não me lembro de ir a livrarias, pois as coleções de autores clássicos da literatura nacional eram compradas através de representantes comerciais, pelo menos na cidade onde eu morava, interior de SP. Recordo-me com prazer das grandes caixas que chegavam em casa, contendo a obra inteira de Monteiro Lobato, Machado de Assis, José de Alencar, Jorge Amado e outros. Meu pai gostava muito de adquiri-los e colocá-los na prateleira, mas não sei se gostava tanto assim de lê-los. Ele não era um leitor inquieto nem um intelectual aflito, mas foi o que eu acabei me tornando, de certo modo. Talvez esse fosse o desejo dele, que uma das filhas gostasse muito de ler e estudar.

Os primeiros livros que me marcaram foram as obras infantis de Monteiro Lobato, O Sítio do Picapau Amarelo. Elas também estavam na televisão e eu amava assisti-las. Mais tarde, quando fiquei adolescente, nunca me esqueci do pavor de ler Eu, Christiane F., 13 Anos, Drogada Prostituída. Fiquei apavorada, mas depois apaixonei-me por Lucíola, de José de Alencar, um romance trágico solicitado pela escola. Se não me engano a paixão era o tema daquele momento e eu estava apaixonada por um garoto!

Não é preciso dizer que os livros sempre me salvaram, no sentido de terem me ajudado a lidar com problemas afetivos. Clarice Lispector foi quem me despertou sentimentos desconhecidos e significativos em sua magnífica obra Perto do Coração Selvagem. “Não se preocupe em entender, viver ultrapassa qualquer entendimento”, frase inesquecível desta mulher encantadora e enigmática.

Em algum dia que suponho ter sido especial, cheguei a Herman Hesse. Seus livros eram uma viagem indescritível para mim, beirando a loucura. Demian, Sidarta, O Lobo da Estepe narram um mundo onírico que em geral vivemos somente no sono, mas com Hesse podemos experimentar esse universo conscientemente. Depois vieram outros seres maravilhosos para enriquecer minha imaginação e contribuir com o meu crescimento pessoal, como Nelson Rodrigues, José Saramago, Albert Camus e Josef Kafka. Com Nelson compreendemos a instituição familiar em suas entranhas mais dolorosas e com Kafka descobrimos a nós mesmos nessa modernidade cruel e controladora. O Processo e A Metamorfose são obras emblemáticas da nossa época.

Nesses últimos anos, além da paixão por Fernando Pessoa e Manoel de Barros, poetas de humanidade ímpar, conheci o trabalho de Muriel Barbery, uma escritora francesa e professora de filosofia, autora de diversos livros que podem ser lidos por adolescentes, dentre eles A Elegância do Ouriço, uma narrativa comovente. E para não perder o encanto da lida diária, em uma época difícil como a nossa, tive a sorte de encontrar Valter Hugo Mãe em um de seus últimos livros, A Desumanização. Sua prosa poética emociona e, como o próprio nome diz, humaniza.

Todo este relato tem o objetivo de compartilhar o prazer e a felicidade da leitura, não de ostentá-la. A delicadeza, o amor, a doçura e a solidão que as vezes nos fazem falta estão nos livros. Quem sabe com eles possamos aprender não somente a ser mais crítico e inteligente, mas também mais tolerante, mais amoroso e apaixonado pela vida.

Meu sincero perdão aos escritores que não pude citar e minha pergunta a você, caro leitor deste texto: quais os livros e escritores da sua vida? 

sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

Convite à reflexão


Arte, poesia, literatura, educação, cinema, sociedade e psicologia: temas constantemente presentes neste blog, que desde 2009 é publicado com muita satisfação. 
Buscando contribuir com o crescimento individual e coletivo dos leitores, a reflexão e a crítica, novas cores e configurações se apresentam hoje, reforçando o convite à leitura.
Sejam todos bem vindos!

quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

2014: Da Despedida e Do Amanhã


Quando chega o fim de ano, normalmente estamos cansados e ansiosos por algumas semanas de férias. Participamos de confraternizações e encontros que muitas vezes não significam mais do que obrigações a cumprir. No entanto, podemos também ser tomados pelo encantamento ao participar de certos rituais que, ao contrário da mesmice, revelam e promovem a espontaneidade e a criatividade. Foi esta a minha experiência com a festa de formatura do 9° ano da Escola Cooperativa de Piracicaba (COOPEP), em dezembro/2014.

Imagino que todas as pessoas que estiveram presentes compartilham das mesmas percepções, pelo menos parcialmente. O que nós adultos, educadores e pais partilhamos com nossos adolescentes, nesse evento tão significativo, foi muito mais do que uma cerimônia oficial de encerramento do ensino fundamental.

Tivemos a oportunidade de apreciar e nos emocionar com a simplicidade, a arte e o choro belíssimo de despedida do grupo de formandos. Embora o protocolo em geral seja rígido nessas ocasiões, a emoção predominou e “deu o tom” inesquecível e singular a um evento que poderia ser apenas mais uma formalidade, concluindo o ano e o ciclo escolar. Não, não foi nada disso. Reafirmo portanto, minha costumeira tese de que, as vezes, os seres humanos são surpreendentes, tanto para o bem quanto para o mal.

No decorrer das homenagens para os educadores e para os pais, vozes embargadas e olhos vermelhos se apresentavam com imensa beleza nas faces de nossos estudantes que, ademais, também desvelaram seus próprios talentos musicais, de forma singela, doce e cativante, sem aquela artificialidade exibicionista tão ao gosto do mundo atual.

Alguém poderia pensar que uma despedida como essa, de intensidade ímpar, difunde a tristeza. Nada mais equivocado, pois a despedida, quando bem vivida, com toda a dor, o amor, a fragilidade e a felicidade que merece, nos fortalece para um novo amanhecer. Que venha a vida do amanhã, tão somente, para todos nós!