sábado, 30 de agosto de 2014

Sexualidade e adolescência na era virtual: desafios para a educação

São muitas as situações desafiadoras para os educadores, envolvendo a sexualidade dos adolescentes. Em função das múltiplas tecnologias que surgem diariamente, principalmente dos aplicativos móveis, “brincar de sexo” através da rede virtual está se tornando algo comum e frequente.

Se em décadas passadas éramos capazes de controlar o acesso dos nossos filhos ao computador e ao celular, hoje já não somos. Sabemos que não é possível impedi-los de usar a tecnologia, por isso ficamos aflitos e muitas vezes impotentes diante deles. Vamos inclusive percebendo que muito do que aprendemos sobre educação, valores e relacionamentos sexuais está em “desuso”, ou seja, não serve mais, não se adequa à geração net.

Pornografia virtual acessível a crianças, prática de sexo pela rede, vídeos e fotos de corpos nus compartilhados entre os colegas, provocando até suicídio em alguns casos, devido ao ciberbullying, são algumas das cenas com as quais todos nós adultos, em casa e na escola, temos nos deparado. O assunto está em pauta e não há respostas nem receitas sobre o que fazer. É preciso refletir, pesquisar, ouvir e estar aberto. De nada resolverá nosso conservadorismo, nossas ideias preconcebidas ou nossas “lições de moral”.

Uma das primeiras questões a levarmos em consideração é o apelo à exposição do corpo. Vivemos uma era de “culto ao corpo”, somos estimulados o tempo todo a exibi-lo, a mostrá-lo e a nele investir de diversas formas, seja através de atividades físicas, de suplementos ou de cirurgias plásticas. Não há limites, o que importa é a performance do corpo, a beleza que precisa desesperadamente ser adquirida, custe o que custar, segundo os padrões que a mídia impõe.

Como será que esta cultura impacta os adolescentes, que estão experimentando a própria sexualidade, buscando auto afirmação e identidade sexual? Se o mundo nos ensina que para existir temos que exibir nossos corpos, porque recusaríamos, se fôssemos adolescentes no século XXI?

Para nos tornarmos homens ou mulheres interessantes sexualmente, é necessário mostrar a todos nosso “potencial”. As tecnologias nos disponibilizam tal acesso, são abundantes e convidativas. Qual o problema então, se o corpo é consumo, mercado e visibilidade?

Pois bem, os problemas são muitos, mesmo que não sejam tão evidentes. Por exemplo, os adolescentes são obrigados a conviver, ao mesmo tempo, com esse culto ao corpo e sua consequente punição, contraditoriamente. Tanto assim que, quando os colegas de uma garota descobrem que ela envia fotos nuas para alguém, imediatamente se afastam, passam a odiá-la e a difamá-la, embora já possam ter feito algo parecido.

No que diz respeito a afetividade e ao exercício da intimidade, é visível a falta de habilidade para encarar o outro e construir com ele um vínculo de crescimento mútuo. A ênfase no excessivo consumo do corpo e da sexualidade propicia que as relações sejam efêmeras, pouco estáveis e com um nível de comprometimento mínimo.

Essas são apenas algumas das questões que fazem parte deste tema complexo que estamos discutindo. Com muito empenho, precisamos criar alternativas para conhecer e decifrar algo que não nos pertence, visto que nascemos em outro tempo: o finado século XX.

quarta-feira, 27 de agosto de 2014

Dia do(a) Psicólogo(a)



Neste dia 27 de agosto, conheça a cartilha Medicalizar Não é a Solução, 
publicada pelo Conselho Regional de Psicologia. "Ela mostra o quão importante é conhecer as subjetividades e o meio em que as pessoas estão inseridas. Antes mesmo de qualquer diagnóstico."

quinta-feira, 14 de agosto de 2014

Dialogando com a juventude: literatura e psicodrama


Quase sempre me surpreendo com a capacidade e a criatividade dos adolescentes. Numa manhã fria deste agosto/2014, participei de um feliz Encontro de Literatura, realizado em uma escola pública, com alunos do ensino fundamental II e ensino médio.
O objetivo do evento, idealizado pelos competentes educadores da escola, foi estimular a descoberta do prazer da leitura. Feira e troca de livros, bate papo com escritores e oficinas de literatura entraram na programação. Um dia diferente para todos, com arte e imaginação.
Seria possível despertar nos estudantes alguma paixão por Fernando Pessoa? Esse era o meu desejo e a minha proposta. Álvaro de Campos, heterônimo de Fernando Pessoa, escreveu: “Tenho as vezes o tédio de ser eu com esta forma de hoje e estas maneiras... Gasto inúteis horas inteiras a descobrir quem sou, e nunca deu resultado a pesquisa.” Não poderia estar ele se pronunciando aos adolescentes? Claro que sim! E por que não?!
Através do Psicodrama, uma teoria e um método de trabalho que privilegia a ação e a criatividade, nossa imaginação se amplia, propiciando condições para que se formulem novas reflexões e se experimentem novas emoções. Qual o adolescente que não deseja viver isso?
Fernando Pessoa foi muitos e muitos personagens, tantos quantos pôde imaginar. Os estudantes que participaram deste encontro conheceram um pouco mais de si mesmos através dos poemas deste grande poeta. Criaram cenas tristes e alegres a partir das palavras de Fernando Pessoa e, quem sabe, tenham se apaixonado, senão pelo poeta, pela vida, pela arte ou pelo sonho!
“Não sou nada, nunca serei nada. Não posso querer ser nada. À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.” Tabacaria, Álvaro de Campos – Fernando Pessoa.

segunda-feira, 4 de agosto de 2014

Quantos "eus" nos habitam?





Quantos "eus" nos habitam? Ninguém melhor do que Fernando Pessoa para nos falar sobre isso!

Um poeta que criou tantos heterônimos: 127! Dos quais 3 ou 4 são os mais conhecidos: Álvaro de Campos, Ricardo Reis, Alberto Caeiro e o polêmico Bernardo Soares, que nem sempre é considerado heterônimo.

Cada um deles teve vida própria, personalidade distinta, data de nascimento e morte, vivendo na imaginação de Fernando Pessoa e podendo viver na de seus leitores também, até hoje.

Com este grande poeta português, tão apaixonante, compreendemos que muitos personagens, muitos desejos e muitas vidas fazem parte de nós e de nossas relações. Nem por isso nos tornamos esquizofrênicos! É possível expressar nossos diversos "eus" através da arte, em qualquer linguagem: música, poesia, literatura, teatro, dança. Desta forma, nos sentimos mais vivos, mais criativos e espontâneos.

E para quem quiser conhecer de perto Fernando Pessoa, além de ler suas poesias, fica o convite para a deliciosa leitura do livro de José Paulo Cavalcanti Filho: FERNANDO PESSOA: UMA QUASE AUTOBIOGRAFIA.