quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

2014 com Fernando Pessoa


Da mais alta janela de minha casa
Com um lenço branco digo adeus
Aos meus versos que partem para a humanidade.

E não estou alegre nem triste
Este é o destino dos versos.
Escrevi-os e devo mostrá-los a todos
Porque não posso fazer o contrário
Como a flor não pode esconder a cor,
Nem o rio esconder que corre,
Nem a árvore esconder que dá fruto.

Ei-los que vão já longe como que na diligência
E eu sem querer sinto pena
Como uma dor no corpo.

Quem sabe quem os lerá?
Quem sabe a que mãos irão?
(...)
Ide, ide de mim!
Passa a árvore e fica dispersa a Natureza.
Murcha a flor e o seu pó dura sempre.
Corre o rio e entra no mar e a sua água é sempre a que foi sua.

Passo e fico, como o Universo.


Trecho do poema O Guardador de Rebanhos, de Fernando Pessoa, pelo heterônimo Alberto Caeiro.


quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

Livro CRP: Álcool e outras drogas

Publicação do Conselho Regional de Psicologia em 2012, o livro aborda um tema permanentemente em discussão. Crítico e inteligente, constituído por diversos autores, trata-se de uma obra importante e imprescindível para todos os interessados.

Download gratuito disponível em:
http://www.crpsp.org.br/portal/midia/fiquedeolho_ver.aspx?id=488

quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Arte e sensibilidade: uma experiência

Cada pessoa tem uma relação diferente com a arte. Sensações e percepções variam de indivíduo para indivíduo. A obra de arte é aberta, como pronunciou Umberto Eco.

A exposição de fotografias Exodus, de Sebastião Salgado, no Sesc Belenzinho de SP, pode possibilitar uma experiência encantadora ao nos propor o contato com povos de outros lugares do mundo, que vivem de maneiras muito diferentes da nossa, ocidental.

Tão esquecidos que estamos de nossa própria humanidade, podemos encontrar nas fotografias de Sebastião Salgado a rara oportunidade de resgatar algumas de nossas origens e nos emocionar com os corpos e os olhares de seres humanos distintos, que habitam o planeta irmanados com a terra.






terça-feira, 12 de novembro de 2013

Fórum Unicamp



INFORMAÇÕES GERAIS

Data: 22 de Novembro de 2013
Local: Auditório do Centro de Convenções
Horário: das 9h00 às 17h00
ORGANIZAÇÃO
Profa Dra Maria Aparecida Affonso Moysés – Depto Pediatria/ Faculdade de Ciências Médicas Unicamp

SOBRE O EVENTO

Vivemos a Era dos Transtornos, com a crescente a translocação para o campo médico de problemas inerentes à vida e a transformação de questões coletivas, de ordem social e política, em questões individuais, preferencialmente biológicas. Tratar questões sociais como se biológicas iguala o mundo da vida ao mundo da natureza. Isentam-se de responsabilidades todas as instâncias de poder, em cujas entranhas são gerados e perpetuados tais problemas.
O comportamento humano não é biologicamente determinado, mas tramado no tempo e nos espaços geográficos e sociais, histórico enfim. O ser humano é essencialmente um ser cultural; entretecido em um substrato biológico, sim, porém datado e situado.
A naturalização dos padrões de aprendizagem e comportamento, levando à crença generalizada de que se deve agir, viver, pensar, sentir segundo determinados moldes, é um dos elementos fundantes da submissão, do não questionamento, da docilização de corpos e mentes, tão cara e necessária à manutenção da ordem vigente, em todos os tempos.
Quais as consequências para a vida de crianças e adolescentes que vivenciam e sofrem esses processos de patologização do comportamento e da aprendizagem? Quais as consequências para a humanidade se forem banidas as diferenças e impedidos os questionamentos, sonhos, utopias, devaneios, pensamentos divergentes? Corremos o risco de um “genocídio do futuro”?

PROGRAMA

8h30 - Credenciamento

9h00 - Abertura
Prof. Dr. Alvaro Penteado Crósta – Coordenador Geral da Coordenadoria Geral da UNICAMP
Prof. Dr. Mario A. Saad – Diretor da FCM/Unicamp
Prof. Dr. Roberto Teixeira Mendes – Chefe do Departamento de Pediatria – FCM/Unicamp
Profa Dra Maria Aparecida Affonso Moysés – Depto Pediatria/ FCM/ Unicamp
9h20-11h20 - Mesa-redonda: “Medicalização da aprendizagem e do comportamento”
Moderadora: Profa Dra Cecília Collares – FE/Unicamp
1. Profa Dra Carla Biancha Angelucci – ex-Presidenta do CRPSP
2. Profa Dra Gisela Untoiglich – Universidad de Buenos Aires
3. Profa Dra Maria Aparecida Affonso Moysés – DP/ FCM/Unicamp
4. Profa Dra Rosangela Prieto – FE/USP
11h20 -12h00 - Debates
12h00-14h00 - Almoço
14h00 - 14h30 - Conferência: “Ciência e Humanidade”
Moderadora: Rosangela Villar - SADA - Secretária Municipal de Saúde de Campinas
Prof Dr Marcos Nolasco – DP/FCM/Unicamp
14h40-16h40 - Mesa-redonda “Patologização e judicialização da vida e da política”
Moderadora: Profa Dra Maria Ângela Reis Antonio - Depto Pediatria / FCM / Unicp
1. Dra Dora Martins – Juíza da Vara da Família São Paulo/SP
2. Profa Dra Silvia Morici – Universidad de Buenos Aires
3. Prof Dr Ricardo Moebus – Depto Psiquiatria / UFOP
4. Dr Pedro Tourinho – Sanitarista, Vereador em Campinas
16h30-17h00- Debates
17h00 Encerramento

Para realizar sua inscrição, acesse o link: http://foruns.bc.unicamp.br/ e cadastre-se.

domingo, 3 de novembro de 2013

Saudade

Um pouco de poesia para quem partiu, mas ficou em nossos corações.


sexta-feira, 25 de outubro de 2013

Identidade ou identidades?

“Um nome não é mais do que isso: um epitáfio. Convém aos mortos, aos que concluíram. Eu estou vivo e sem conclusão. A vida não tem conclusão – nem consta que saiba de nomes.”

Um Nenhum Cem Mil – Luigi Pirandello


Luigi Pirandello ( 1867-1936 ), escritor italiano, Nobel de Literatura em 1934, foi um autor excepcional, tendo escrito peças, contos, romances, poesias e ensaios. Sua vasta obra propicia inúmeras reflexões absolutamente contemporâneas, sendo que uma delas diz respeito ao conceito de identidade.

Pirandello não era filósofo nem estava interessado em discutir estas questões do ponto de vista acadêmico ou cientifico. Como escritor, no entanto, ele nos apresenta personagens interessantes, em constante conflito consigo mesmo e com a sociedade.

Tanto nos romances Um Nenhum Cem Mil quanto em O Falecido Mattia Pascal, por exemplo, os protagonistas buscam incessantemente novas formas de ser, viver e estar no mundo, colocando-se em confronto com aquilo que os outros esperam deles.

O sofrimento é permanente, já que os seres humanos são seres trágicos: há angústia de todo modo, com a submissão aos valores da sociedade ou, ao contrário, com a revolta. Qualquer posicionamento exige um preço a pagar e é necessário fazer escolhas, que nem sempre são conscientes.

Posso ser uma pessoa para meu filho, posso ser outra pessoa para meu cliente: em mim habitam múltiplos personagens, configurando-se muitas identidades que se expressam ou não, dependendo das relações que participo. Não há uma unidade tão estável assim, como estamos acostumados a pensar, que mantém os indivíduos em um padrão único de comportamento, relacionamento e sentimento.

Pirandello nos convoca, sem querer, a romper com paradigmas da psicologia e de outras ciências. Em pleno século XXI discute-se as diversas identidades sexuais, que podem formar-se e transformar-se de acordo com as experiências. Não somos um, ou somos? Podemos ser vários? E se formos mais de um, como fica o conceito de identidade? Teríamos várias identidades?

Escritores como Pirandello merecem ser lidos eternamente, serão sempre contemporâneos!

quinta-feira, 10 de outubro de 2013

Infância: asas que voam para a imaginação?

“a infância é devir; sem pacto, sem falta, sem fim, sem captura; ela é desequilíbrio, busca; novos territórios; nomadismo; encontro; multiplicidade em processo, diferença, experiência.”
Walter Omar Kohan


Todos fomos crianças um dia e muitos gostariam de voltar a ser. Basta observar as fotos postadas no facebook esta semana: lembranças de infância, memórias de crianças já adultas, perfis com imagens infantis. Se pudéssemos, voltaríamos no tempo?

A imagem idealizada da infância persiste no compartilhamento em redes sociais e na mídia, embora saibamos qual é a realidade das crianças, em diferentes lugares do mundo. É claro que é gostoso lembrar momentos alegres que construíram nossas vidas, propiciando descobertas e trocas afetivas para que nos tornássemos o que somos hoje. Porém, é também óbvio que essas lembranças só estão sendo partilhadas em função do dia da criança, que é uma data de apelo ao consumo. Sem perceber, tudo o que fazemos na internet com nossas postagens faz parte do mundo do consumo, queiramos ou não.

E a infância, é consumo? Se o ser humano transformou-se em artifício que obrigatoriamente deve render lucros, o que resta às crianças? Há alguma outra possibilidade de viver a infância nas cidades, que não seja consumir desesperadamente os aparelhos eletrônicos?

Para criarmos outras infâncias, é possível que precisemos rever nossos conceitos. Walter Kohan, filósofo argentino e pesquisador, nos desafia a criar novas imagens da infância, que considere a experiência de ser criança como uma possibilidade de existência humana, a ser vivida em qualquer idade, independente da ordem cronológica.

“Não nos preocupemos com o que a infância pode ser, mas com o que ela é. Asseveraremos a infância como símbolo da afirmação, figura do novo, espaço de liberdade. A infância será uma metáfora da criação no pensamento; uma imagem de ruptura, de descontinuidade, de quebra do normal e do estabelecido.” Infância – entre Educação e Filosofia. Walter Omar Kohan, Ed. Autêntica, 2003.

Nesta visão, ao contrário do que constatamos diariamente, a infância representaria a novidade, a criatividade, a espontaneidade e a transformação permanente, e seria uma experiência possível para todos, sem importar a idade.

Todos poderíamos nos transformar, criar e aprender a fazer as coisas de formas diferentes. Para isso, no entanto, teríamos que interromper esse processo contínuo e desgastante de reprodução do mesmo, no qual estamos aprisionados. Valores rígidos que não mudam, práticas que se repetem neuroticamente, brinquedos prontos, jogos vazios, palavras mortas.

É fácil notar que em pouquíssimo tempo as crianças percebem que o que ganham é só pra consumir rapidamente, não é para criar, inventar, brincar, perder o controle e voar nas asas da imaginação. Se voassem, seriam mais felizes.

domingo, 29 de setembro de 2013

Palestra

Recriando Vínculos Psicoterapia
Ciclo de Palestras para pais e educadores

Desafios da Convivência Familiar:
amor e conflito entre pais e filhos

03 de Outubro - 5ªfeira - 19:30 horas

Andrea R. Martins Corrêa
Psicóloga e Psicoterapeuta de famílias e crianças
CRP 06/45353-9

Vagas limitadas
Telefones: 3371-9731 ou 9153-4083

Endereço: Rua Aquilino Pacheco, 1517 – Bairro Alto/ Piracicaba


sexta-feira, 6 de setembro de 2013

A insanidade do poder: por um novo 7 de Setembro


As práticas de poder do ser humano remontam séculos, bem sabemos. De uma ou de outra maneira, parece ser marca registrada de nossa espécie usar e abusar de ações que visam dominar o outro, seja este quem for, igual, diferente, racional, irracional. A ciência moderna e os filósofos da Antiguidade sempre buscaram explicar as razões para esta necessidade tão imperiosa que faz parte de todos nós, que por vezes nos consome e nos destrói.

Michel Foucault, um dos grandes pensadores franceses do século XX, produziu uma vasta obra sobre o assunto, discutindo o poder nas instituições, na sexualidade, na ciência e nas relações. Para ele, todas as nossas relações são relações de poder e as possíveis alternativas de desenvolvimento civilizatório situam-se dentro do próprio jogo de poder, no qual ocupamos os dois papéis, dominadores e dominados.

Citar este importante autor, ainda que de forma grosseira, tem o objetivo de fazer compreender que a discussão sobre o poder não exclui ninguém, muito pelo contrário, insere a todos. Se nos assustamos com os excessos dos políticos em seus confortáveis gabinetes, precisamos nos perguntar o que estamos fazendo em relação a isso. E parece que uma parte da população brasileira começou a fazer esta pergunta de forma mais contundente, embora há muito tempo diversos grupos vêm questionando abusos frequentes por parte de certas instituições e figuras públicas. 

É previsível que o nível de tensão aumente quando um determinado jogo de poder é colocado à prova, quando o grupo menos privilegiado, por exemplo, exercita formas de resistência ativa e direta em relação ao grupo mais privilegiado. Isto ocorre tanto nas relações entre os cidadãos e os políticos como entre pais e filhos, alunos e professores, amantes e casais. Com frequência é difícil identificar quem ocupa esta ou aquela posição, pois a trama do poder envolve muitos autores e muitas artimanhas, confusas, provisórias, em permanente movimento. 

Neste momento singular da história do Brasil, que construímos o tempo todo mesmo sem perceber, estamos confrontando os políticos em seus constantes desvarios com o dinheiro público, com o favorecimento ilegal a empresas privadas e com a imoralidade. O confronto gera reações que vão desde o escárnio até as ameaças intimidadoras que se utilizam dos aparelhos repressivos da sociedade, tal como a polícia.

Pois bem, o poder toma ares de insanidade, a meu ver, quando não negocia novas trajetórias para os atores envolvidos, mantendo a prepotência típica dos ditadores que aos montes se fazem de bonzinhos pelo mundo. Encarnado nas entranhas destes que se arrogam direitos que não possuem, o poder não enxerga, não ouve, não fala a língua do outro e assim, cria ainda mais tensão, mais resistência. Vale lembrar que em muitas situações este poder arrogante também somos nós mesmos.

Apesar da dor, do medo e do cansaço, não desanimemos nesta data festiva e indignada do 7 de setembro. Para além das manifestações, olhemos nos olhos uns dos outros e continuemos a tarefa de tentar criar outras relações, com poderes, para todos!

terça-feira, 27 de agosto de 2013

Dia dos Psicólogos




















"Via sem saída via bem


via aqui via além não via o trem

via sem saída via tudo não via a vida

via tudo o que havia não via a vida

a vida havia."

Paulo Leminski, inspiração neste Dia dos Psicólogos. 
Do livro Toda Poesia, recém lançado.



segunda-feira, 19 de agosto de 2013

Terapia em grupo

Pouco se fala em terapia de grupo atualmente, embora seja uma forma de atendimento muito interessante e necessária, em tempos de individualismo exacerbado.

É frequente as pessoas não quererem um tratamento grupal, na área de psicoterapia, por terem participado de experiências ruins ou por não saberem como funciona. Em geral, são os adolescentes que preferem estar em grupo, com os seus pares, seja onde for, na escola, nas ruas e também nos consultórios.

Tanto para trabalhar com adolescentes quanto com adultos e crianças, o Psicodrama é uma teoria e uma prática que facilita intervenções grupais. Por ter uma proposta focada nos indivíduos e seus relacionamentos, a terapia de grupo em Psicodrama cultiva o diálogo, verbal ou através de jogos que estimulam a criatividade e a espontaneidade.

A escolha por este processo de terapia implica na disponibilidade de aprender com o outro, compartilhando afetos, expectativas e ansiedades. Juntos, em grupo, os indivíduos podem se fortalecer para encontrar novas maneiras de lidar com situações difíceis e desafiadoras.

Trata-se de uma experiência que, indubitavelmente, em algum momento da vida pode valer a pena, contribuindo para o crescimento saudável que todos necessitamos.

quinta-feira, 8 de agosto de 2013

Para os pais que partiram, dos filhos que ficaram...

Uma breve oração:

pai, que está dentro de mim, permita-me encontrá-lo algo feliz em sonhos azulados durante a escuridão da noite.
pai, que está dentro de mim, permita-me alguns momentos de doçura, em imagens alegres de possíveis abraços que foram trocados entre nós.
pai, que está dentro de mim, permita-me ficar em paz com a saudade do teu rosto e do teu afeto.
pai, que está dentro de mim, permita-me viver contigo em meu coração, no amor que você sempre mereceu.

Foto do filme As Invasões Bárbaras, de Denys Arcand (2003)


O cinema deixa marcas. 
Este filme inesquecível, que trata, dentre outros temas, da despedida inexorável entre pai e filho, tocou-me profundamente. Repetidamente o assisti, sempre a imaginar que a morte também poderia ser bela e redentora para quem está sofrendo. Não é, nunca será. 

No entanto, Denys Arcand, o diretor do filme, foi capaz de criar uma atmosfera lírica e doce para abordar a dor, a separação e a perda. “Esta é a minha visão de uma morte ideal. É assim que eu gostaria de ir-me”, afirmou ele em uma entrevista.
Para os filhos que ficaram, como eu, uma obra de arte a preencher o vazio da morte, bem como a intensidade da vida.


quarta-feira, 31 de julho de 2013

Por que não falar de Elena?

Elena é um documentário nacional arrebatador, dirigido por Petra Costa ( 2012 ), que aborda a história de sua própria irmã, ambas atrizes. Elena se suicida em Nova York, quando Petra tinha apenas 7 anos.

Embora seja um documentário com uma temática difícil, o filme é leve, sensível, absolutamente afetivo e esteticamente inovador, muito diferente da maioria dos documentários. Aproxima-se da linguagem do cinema de Cao Guimarães, também um artista muito interessante.

O filme tem propiciado muitas discussões sobre o suicídio, um assunto ainda tabu na sociedade consumista em que vivemos. Por que é tão complicado falar sobre isso, tendo em vista que os números de tentativas de suicídio não param de crescer, principalmente entre os jovens?

Todos nós já pensamos na própria morte em algum momento da vida, mas não a consideramos como uma saída, na maioria das vezes. No entanto, a morte pode ser vista dessa maneira, uma forma de resolver problemas insolúveis.

O assunto é amplo e urgente. Registro aqui o site e o blog do filme e das discussões, bastante oportunas.

quarta-feira, 10 de julho de 2013

Revista Brasileira de Psicodrama: nova edição


Mais uma edição da Revista Brasileira de Psicodrama foi lançada em 5 de julho de 2013.
O objetivo da Revista  "é a difusão de pesquisas e estudos relativos ao desenvolvimento teórico-metodológico do Psicodrama. Busca apresentar à comunidade científica textos que reflitam contribuições significativas para a área."

http://www.febrap.org.br/noticias/Default.aspx?id=202

sexta-feira, 21 de junho de 2013

Juventude: potência em ação

Não estava na agenda.
Nossos jovens, que há mais tempo do que imaginávamos estão brigando por uma sociedade digna e justa, conseguiram finalmente uma visibilidade ímpar no cenário contemporâneo do Brasil.

Há algumas semanas atrás, ninguém acreditaria no que está acontecendo agora por aqui. E o mesmo grupo que iniciou as manifestações - Movimento Passe Livre/SP - se retira das ruas hoje, com a finalidade de preservar as próprias ideias e lutas, posto que os protestos estão se tornando fascistas, muito diferente das propostas do MP.

Este momento, para todos nós adultos, poderia estimular uma reflexão a respeito do papel da juventude no mundo, no país, e dos equivocados julgamentos que fazemos sobre ela.

Embora essas manifestações já tenham ocorrido no mundo todo, com a força de jovens dinâmicos e insatisfeitos com a política, no Brasil não esperávamos as mesmas reações. Talvez por sermos muito passivos - nós adultos -, imaginamos que todos são. Talvez por não olharmos com mais atenção para nossos jovens, por não valorizá-los decentemente, por não possibilitar-lhes espaços de atuação interessantes, tornamo-nos incapazes de perceber suas potencialidades.

O que sabemos muito bem fazer, em geral, é criticar a juventude: sua inércia ou violência, seus valores ou comportamentos. Nossa disposição para aprender é sempre pequena. Vale agora a grande lição destes últimos dias.

Mas não podemos nos iludir: assim como o Movimento Passe Livre e tantos outros pelo Brasil afora defendem a liberdade e igualdade de direitos, muitos grupos se organizam pelo preconceito e pelo ideário fascista, assustadoramente. Por que será? Ainda vivemos numa sociedade de cunho fascista, embora não abertamente???

sábado, 8 de junho de 2013

Jogos Eletrônicos e Internet: herói ou vilão?

Recriando Vínculos Psicoterapia
Ciclo de Palestras para pais e educadores

Jogos Eletrônicos e Internet: Herói ou Vilão?

20 de Junho - 5ªfeira - 19:30 horas

Andrea R. Martins Corrêa
Psicóloga e Psicoterapeuta de famílias e crianças
CRP 06/45353-9

Vagas limitadas
Telefones: 3371-9731 ou 9153-4083

Endereço: Rua Aquilino Pacheco, 1517 – Bairro Alto/ Piracicaba

quinta-feira, 23 de maio de 2013

Literatura e educação: indicações para a sensibilidade


Recentemente me perguntaram a respeito de quais livros poderia indicar para pais e educadores  compreenderem melhor seus filhos, crianças e adolescentes. Sem hesitação, indicaria livros de literatura. 

A literatura nos ajuda a desenvolver a sensibilidade e a compreensão, principalmente em um mundo tão pouco imaginativo e absolutamente pragmático como o nosso. Penso que os pais e profissionais de educação deveriam ler obras literárias, narrativas que misturam ficção e depoimento pessoal sobre crianças, adolescentes e famílias. 

Por exemplo, Os Famosos e os Duendes da Morte, de Ismael Caneppele, que também se transformou em filme e trata da vida de um adolescente numa pacata e fria cidade do sul. A Elegância do Ouriço, de Muriel Barbery, um livro mais filosófico, porém belíssimo para quem deseja entender os questionamentos existenciais do adolescente.Precisamos Falar sobre o Kevin, romance de Lione Shriver, no qual a personagem protagonista (mãe) se pergunta no que errou com o filho assassino.

O Barão das Árvores, de Ítalo Calvino, Infância, de J. M. Coetzee, A História do Pranto, de Allan Pauls, Festa no Covil, de J. Pablo Villalobos, todos abordando, entre outras coisas, as infâncias possíveis, de ontem e de hoje. 
Acrescentaria ainda A Metamorfose, de F. Kafka O Filho Eterno, de Cristóvão Tezza, um livro premiadíssimo que relata a experiência de ser pai de uma criança especial. Meu Pé de Laranja Lima, de J. Mauro de Vasconcelos, também uma obra bela e interessante, recente estréia nos cinemas de todo o Brasil.
E por último, as cartas de Rubem Alves aos pais e seus filhos, no livro E aí? Cartas aos adolescentes e a seus pais. 

Para quem quiser ver o mundo pelos olhos da criança pequena, ler as poesias de Manoel de Barros é uma revelação fascinante. Sem receitas e com muita poesia! 


sábado, 4 de maio de 2013

Primaveras Compartilhadas: arte, filosofia e história

Para os todos os profissionais, principalmente da área de ciências humanas, 
tão importante quanto se qualificar na própria especialidade é a capacidade de integrar 
filosofia e arte. Sem esta integração, estamos condenados a uma prática medíocre.
Fica aqui o registro e o convite para iniciar este percurso. 

segunda-feira, 15 de abril de 2013

Amor e conflito entre pais e filhos

Abordar um tema tão complexo, que envolve as relações entre pais e filhos, bem como os sentimentos e as expectativas entre eles, não é tarefa apenas para um texto ou uma palestra. No entanto, é possível tecer algumas considerações que podem fundamentar reflexões sérias acerca do assunto.

Em primeiro lugar, vale a pena esclarecer que amor não é tão somente uma palavra abstrata a enriquecer o vocabulário romântico do século XIX ou a preencher a linguagem vazia das propagandas no dia das mães: amor é ação que se dá ou não nas relações.

Com nossos filhos, principalmente quando pequenos, nós os amamos na medida em que deles cuidamos, tanto afetivamente quanto financeiramente, provendo as necessidades que demandam. A forma como trocamos a fralda do bebê, por exemplo, pode ser amorosa ou não; o colo que providenciamos também, pode ser aconchegante ou desastroso.

É fato que nossos filhos vão crescendo e muitas vezes, no mundo contemporâneo, acabamos por confundir amor com proteção excessiva, privando-os do exercício da autonomia que tanto precisam. Temos a tendência de fazer tudo por eles num momento em que, frequentemente, amar implicaria ajudá-los a “voar”, a aprender caminhar sozinhos e resolver determinadas situações.

Talvez imaginemos, ainda, que o amor é o oposto do conflito, por isso evitamos confrontos, limites e frustrações, para nós mesmos e para nossos filhos. Será que estamos corretos em nossa compreensão? O amor não deveria incluir o conflito, já que este faz parte do ser humano e da vida?

É tão inevitável quanto necessário termos conflitos diários com nossos filhos, sem deixar de amá-los. Obviamente que não estou me referindo às situações patológicas, nas quais domina o ódio, que se perpetua a ponto de criar grandes ou pequenas tragédias, como retrata o filme Precisamos falar sobre o Kevin. Não se trata disso.

Para discutir o tema com mais profundidade é que a palestra abaixo está sendo divulgada,  convidando todos os adultos interessados que possam comparecer.  

Recriando Vínculos Psicoterapia
Ciclo de Palestras para pais e educadores

Desafios da Convivência Familiar:
amor e conflito entre pais e filhos

25 de Abril - 5ªfeira - 19:30 horas

Andrea R. Martins Corrêa
Psicóloga e Psicoterapeuta de famílias e crianças
CRP 06/45353-9

Vagas limitadas
Telefones: 3371-9731 ou 9153-4083
Endereço: Rua Aquilino Pacheco, 1517 – Bairro Alto/ Piracicaba

sexta-feira, 5 de abril de 2013

Exposição Sar@au Literário


Na próxima quarta-feira, dia 10/04,

o grupo do Sar@au Literário Piracicabano fará a abertura da exposição

Mulher: imagens e cores, com ilustrações de Carmelina de Toledo Piza.


O evento é aberto ao público que aprecia arte, música, poesia e encontros.

Local: Recriando Vínculos Psicoterapia
Rua Aquilino Pacheco, 1517
Bairro Alto - Piracicaba/SP 



terça-feira, 26 de março de 2013

Aprendendo com o cinema: notas sobre um filme

O cinema pode proporcionar uma experiência terapêutica? Ou educativa? Alguns estudiosos afirmam que sim. Não é difícil, ao menos, argumentar que certos filmes nos possibilitam reflexões.

A trama amorosa vivida por um casal, no filme Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças, revela conflitos e sentimentos que apontam para nossos próprios relacionamentos, de uma maneira poética. Uma garota solar, que se veste de laranja, impulsiva e ansiosa, em contraste com o namorado lunar, sempre de azul escuro, um tanto quanto melancólico e deprimido.

Algo a comentar? Nossas diferenças são complementares? Ou seja, alguém mais agitado precisa e se nutre de um outro mais calmo? Será este um modelo funcional? Para as relações amorosas, não há respostas definitivas, mas talvez haja especulações interessantes.

Quando estamos apaixonados, é fato que não existe qualquer ponto de discórdia ou diferenciação pessoal. Somos iguais e perfeitos um para o outro. Com o passar do tempo, no entanto, somos obrigados a encarar as diferenças e, assim, lidar com nossos próprios vazios. A paixão dá conta do vazio e o preenche, por isso não precisamos de mais nada, a não ser ver ou falar com nossa paixão.

Naquilo que hoje se denomina "amor maduro", a paixão ocupa muito menos espaço na medida em que aprendemos a preencher nossos vazios de outras formas. Precisamos do outro, mas entendemos quando ele não está disponível. Temos expectativas a seu respeito, mas não cobramos o tempo todo que elas sejam cumpridas. Somos capazes de compreender as fragilidades e carências: nossas e do outro, assumindo-as e respeitando-as, sem depositá-las em “mãos mágicas”.

Algumas cenas do filme são encantadoras, tanto no sentido do desvelamento das relações entre os casais quanto na beleza da fotografia e do inusitado roteiro, criado por Charlie Kaufman como uma história de ficção científica. Valeria a pena apagar inofensivamente a existência de quem amamos, porém não mais desejamos em nossas vidas? Será que não corremos o risco de criar ou repetir o mesmo drama com outra pessoa?  

Não tentarei especular. Talvez valha a pena que cada um faça a sua própria investigação, incluindo a arte e o cinema na busca de relações mais saudáveis.

terça-feira, 12 de março de 2013

Filme Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças

Brilho Eterno de uma Mente Sem Lembranças : poster

Recriando Vínculos Psicoterapia
Construindo vidas saudáveis


Discussão em grupo sobre o filme
Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças

Dia 20/03/2013 – Quarta-feira - 20:00h

Aberta à participação de todos os interessados,
mediante inscrições pelo e-mail:

Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças é um filme dirigido por Michel Gondry (EUA - 2004), que trata do tema das relações amorosas, apresentando o drama de um casal que sofre por não conseguir se separar. Com um roteiro inserido no universo da ficção científica, o filme tem uma linguagem dinâmica que fala aos jovens e adultos. Será possível apagar alguém da nossa memória através de experiências neurocirúrgicas? Isso não seria desumanizar o ser humano? Por que é tão difícil suportar a lembrança de experiências dolorosas?

OBS: O filme não será exibido durante a discussão.

Coordenação: Andrea R. Martins Corrêa
Psicóloga e Psicoterapeuta

End: Rua Aquilino Pacheco, 1517 - Bairro Alto - Piracicaba/SP
Fone: 3371-9731


sexta-feira, 8 de março de 2013

A mulher e a mídia: debate CFP

Neste Dia Internacional da Mulher, o Conselho Federal de Psicologia promove online um importante debate: Mulher na Mídia - Subjetividade e Cidadania.

“O evento é uma promoção do Conselho Federal de Psicologia (CFP) e tem como objetivo discutir a presença feminina nos meios de comunicação social e a produção da subjetividade. A transmissão será feita pelo site do CFP, a partir das 19:00 horas.”



terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Sexualidade contemporânea: transformações

A sexualidade diz respeito às diversas formas de prazer que experimentamos com o nosso corpo. Até hoje, na construção das teorias modernas sobre o tema, pensava-se sexualidade como uma questão de identidade, ou seja, o ser humano tenderia a encontrar uma posição fixa e estável no repertório de possibilidades de desenvolvimento de sua sexualidade.

Tanto o conceito tradicional de identidade como de sexualidade vem sendo questionado, propondo-se então novas concepções, influenciadas pela relação do ser humano com a tecnologia. Edvaldo Souza Couto é um pesquisador interessante (UFBA), a partilhar o conceito de pós-sexualidade: numa cultura como a nossa, onde tudo é sexual e erotizado - a mídia, a publicidade em geral, os hábitos impostos às crianças -, o próprio sexo acaba sofrendo um certo esvaziamento, já que se expressa muito mais nos signos e nas mensagens do que na prática dos relacionamentos. 

Algumas pesquisas indicam estar ocorrendo um declínio da atividade sexual corpo a corpo, em detrimento do avanço do sexo virtual. Tudo pode ser feito pela rede agora, através de imagens e sons: as sexualidades não precisam mais do corpo propriamente dito, estão inscritas nas relações virtuais e podem ser experimentadas também dessa maneira, correndo o risco de tornarem-se apenas um bem de consumo como outro qualquer, a proporcionar gozo instantâneo e sem compromisso.

As fronteiras que estabeleciam “zonas de segurança” para a orientação sexual de cada pessoa (antes denominada “opção sexual”) também estão se desfazendo, posto que a própria identidade começa a ser pensada como algo fluido, em constante mutação, em permanente transformação. Podemos ser qualquer coisa assim que quisermos, pois as tecnologias e o mundo digital estão aí para disponibilizar o que aprendemos a desejar.

O modelo da sexualidade contemporânea, portanto, é o da transexualidade, no sentido de transformar, mas o resultado desse processo, obviamente, ainda é imprevisível.

Artigos publicados - Edvaldo Souza Couto:
Políticas do pós-humano: Interfaces dos corpos, das sexualidades e das tecnologias digitais
O Homem-Satélite: Estética e mutações do corpo na sociedade tecnológica

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

Revista Brasileira de Psicodrama



O Psicodrama é uma teoria e uma prática fundamentada e em constante movimento. Sua produção mais contemporânea, no Brasil, pode ser pesquisada através da Revista Brasileira de Psicodrama, que comemora 20 anos de publicação.

Os artigos publicados nos últimos anos da Revista podem ser acessados online no link http://pepsic.bvsalud.org/ .

O site da FEBRAP ( Federação Brasileira de Psicodrama ) permanece disponível, apresentando informações importantes para todos aqueles que se interessam em conhecer o Psicodrama. 



terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Para não esquecer


Muitas são as tragédias que não podemos esquecer, além de Sta. Maria. 
Todos os anos, morros despencam, tempestades previstas destroem casas e barracos Brasil afora.
Todos os anos, incêndios criminosos ocorrem nas favelas de SP, tirando a vida de pessoas pobres que lutam arduamente pela sobrevivência.
Todos os anos, o Brasil é recordista mundial em mortes no trânsito, agora também em atropelamentos.
Todos os anos, o número de homicídios que levam embora os filhos desse país é maior do que nas famosas zonas de guerra de Israel, Palestina, Iraque.

Poderíamos continuar essa lista infame de dor e perdas calculáveis, mas algo sinaliza dentro de mim que não é possível, não faz sentido.
Neste momento, talvez a única coisa a fazer sentido seja o clamor pela vida,
a gritar que não podemos esquecer, não podemos esquecer...

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Um poema para refletir


Neste poema de Fernando Pessoa, talvez possamos refletir a possibilidade de viver com mais intensidade nossas tão breves vidas!

Não tenho pressa. Pressa de quê?
Não têm pressa o sol e a lua: estão certos.
Ter pressa é crer que a gente passa adiante das pernas,
Ou que, dando um pulo, salta por cima da sombra.

Não; não sei ter pressa.
Se estendo o braço, chego exactamente aonde o meu braço chega -
Nem um centímetro mais longe.
Toco só onde toco, não aonde penso.
Só me posso sentar aonde estou.
E isto faz rir como todas as verdades absolutamente verdadeiras,
Mas o que faz rir a valer é que nós pensamos sempre noutra coisa,
E vivemos vadios da nossa realidade.
E estamos sempre fora dela porque estamos aqui.

Alberto Caeiro, in "Poemas Inconjuntos" - Heterônimo de Fernando Pessoa
Blog Agenda Cultural Piracicabana - www.agendaculturalpiracicabana.blogspot.com.br

terça-feira, 8 de janeiro de 2013

A arte que nos alimenta


A literatura e o cinema são expressões artísticas apaixonantes, com grandes possibilidades de diálogo entre si, as vezes enriquecedores ou não.  Através destas linguagens, qualquer ser humano que se disponha a sentir e a pensar algo novo pode crescer, ampliando seus próprios horizontes de percepção, ação e emoção.

Muitos livros, poemas e obras cinematográficas nos possibilitam importantes experiências existenciais, na medida em que criam narrativas questionadoras do mundo, da vida e das pessoas.

 No romance de Ismael Caneppele - Os famosos e os duendes da morte -, que também se transformou em filme ( Esmir Filho – 2009 - foto acima ), um adolescente sofre calado com o tédio da pequena cidade onde reside. Não há o que fazer, não há para onde ir e muitos amigos já se suicidaram jogando-se da ponte que atravessa o rio.

“O rio escondido sob a fumaça branca do dia quase nascendo guardava no silêncio profundo das suas águas todas as partidas e todas as chegadas.”

Mas nosso querido protagonista escolhe a vida, a incerteza, o risco de tentar existir. Não sabe o que encontrará depois da ponte, sabe que pode ser também a morte. Mesmo assim, não desiste.

Suas últimas palavras: “Os nossos olhares estão todos perdidos, mas nunca desencontrados. O meu. O teu. E o dele. Todos nós temos muito mais perguntas do que respostas.”

As vezes não sabemos como compreender nossos adolescentes. Mais do que a ciência, a arte pode nos libertar.