Cotidiano: vida automática?
Vivemos em tempos difíceis, alguns diriam “desumanizados”. Acordamos, trabalhamos, estudamos, vemos TV ou internet, cuidamos dos filhos, da casa, fazemos compras e dormimos. Também adoecemos, morremos jovens ou velhos, crianças ou adultos. Porquanto a única certeza da vida seja a própria morte, evitamos freqüentemente falar sobre ela, esquecendo-nos, assim, de que o humano é provisório, não é eterno. Ou seja, somos seres mortais, temos um tempo a ser vivido, que se esgota a cada dia. Será que vivemos realmente as nossas vidas? O que seria isso? Sentimos e percebemos o que estamos fazendo ou apenas agimos automaticamente, sem refletir ou fazer escolhas? Uma pessoa me disse com franqueza: “nada mais me toca”. Ela estaria viva, ou seria uma espécie de “morta-viva”, cumprindo com todas as obrigações diárias, todas as expectativas alheias, sem nenhum questionamento? Através dos minutos dos relógios que nunca param, somos insistentemente assombrados por um cotidiano cruel, que nos transform...