quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

Sexualidade, Gênero e Intolerância

Atualmente, uma das discussões importantes que pauta a agenda educacional, midiática e clínica, diz respeito às transexualidades e gêneros. Há tanta desinformação e preconceito que vale a pena colocar em questão, sempre que possível, esse tema. Infelizmente muitos educadores, agentes de saúde, políticos, religiosos e comunicadores contribuem com a intolerância em relação à diversidade sexual.

Nós, psicólogos, temos uma ética a ser seguida, de acordo com o sistema Conselhos de Psicologia. Algumas informações e materiais interessantes podem ser acessados através do link http://www.crpsp.org.br/comissex/publicacoes.aspx.



Diariamente, pela mídia, acompanhamos o fato de que pessoas são mortas ou violentadas, no mundo todo e principalmente no Brasil, devido a sua orientação sexual ou a sua identidade de gênero, caracterizando, portanto, crime de ódio. Como é possível isso ocorrer em pleno século XXI?

Aprendemos a acreditar que a história da humanidade segue uma linha contínua de evolução, porém se analisarmos com sabedoria, não é o que constatamos. A história é descontínua, há períodos de muita violência que se alternam a outros, mais lúcidos e tolerantes. Hoje vivemos tempos de excessiva discriminação, convivendo em permanente tensão com expressões inovadoras de identidade, de pensamento e de posicionamento político existencial.

Os jovens e adolescentes, em grande parte, se permitem experiências que parecem assustadoras para muitos adultos, embora não se possa afirmar que tais experiências sejam exclusivas da juventude. Desde os anos 60, contudo, em função dos movimentos feministas, as gerações mais novas e as mulheres se encarregaram de propor rupturas aos padrões heteronormativos da sociedade. Também por isso é que, no momento atual, a diversidade se anuncia e se renova continuamente, mesmo com a hostilidade se ampliando no dia-a-dia.

Os próprios conceitos, nas ciências médicas, humanas e sociais, encontram-se em revisão, diga-se de passagem. Será que a identidade de uma pessoa precisa ser fixa e imutável? O fato de alguém mudar de sexo ou de gênero significa possuir um transtorno mental? Por que a homossexualidade ainda gera tanta perseguição?

A construção de uma sociedade mais livre, diversa, justa e responsável depende da nossa disponibilidade e capacidade para questionar a ordem heteronormativa, que nos instiga a ser preconceituosos e rígidos com os modos de viver que não partilhamos, que julgamos estranhos aos nossos. Podemos ser eternos em nossas próprias escolhas - se é que isso é possível -, podemos tentar manter nossos valores morais e religiosos a vida toda, mas não temos o direito de impedir a existência de outras individualidades, outras formas de ser, diferentes das nossas.

E se o ódio por acaso nos invadir, não tenhamos medo nem vergonha, procuremos ajuda para que não nos tornemos seres desprezíveis. 

sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

CFP: A Psicologia na Construção de Novos Possíveis

Evento importante do Conselho Federal de Psicologia, que em 2017 inicia nova gestão. 

O Conselho Federal de Psicologia (CFP) promove, neste sábado  dia 21/01, o Seminário “A Psicologia na Construção de Novos Possíveis”. A atividade, que acontece em Brasília, vai apresentar publicamente as (os) novas (os) conselheiras (os) do XVII plenário do CFP, eleito em agosto do ano passado e recentemente empossado, além de promover uma análise da conjuntura política nacional – apontando desafios e potencialidades para a Psicologia nesse contexto.
Participam integrantes das entidades que compõem o Fórum de Entidades Nacionais da Psicologia Brasileira (FENPB), representantes dos conselhos regionais e convidados (as).
Já confirmaram participação, na mesa de debates, o ex-ministro da Justiça e procurador da República Eugênio Aragão e as psicólogas e professoras Ana Bock e Maria Cláudia Santos Lopes de Oliveira.

O seminário para convidadas (os) terá início às 14h, com transmissão ao vivo, no link:

Informações - http://site.cfp.org.br/evento-debatera-o-atual-momento-politico-do-pais-e-apresentara-nova-gestao-do-cfp/

#PsisNovosPossíveis


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sábado, 7 de janeiro de 2017

Saudade: Mia Couto


"Os poemas de Mia Couto são, antes de tudo, reflexivos e filosóficos."
"Abordam o ser e a incompreensível dor de existir."
"Mia prefere se instalar naquele momento anterior ao fruto, no qual tudo o que temos é um conjunto indefinido, mas potente, de possibilidades."

José Castello - Apresentação: A palavra e a semente
Livro Mia Couto [poemas escolhidos]


Se a arte não pode mudar o destino do mundo (ou pode?), ao menos pode cultivar, ampliar, sensibilizar e alertar seus habitantes sobre o percurso a ser seguido durante a caminhada.
2017 se inicia e é preciso novas tentativas de nascimento, novos ensaios de amorosidade, novos olhares para o outro que supomos nos ameaçar (lembrando que esse exercício de renascer é um convite para todos os dias do ano, evidentemente). Por isso escolhi este fascinante escritor e poeta moçambicano, símbolo da alteridade possível entre continentes distintos. 
No livro citado estão reunidos vários de seus mais belos poemas, selecionados por ele mesmo. Todos têm a delicadeza de tocar nossa alma.


Saudade

Que saudade tenho de nascer.
Nostalgia de esperar por um nome
como quem volta 
à casa que nunca ninguém habitou.

Não precisas da vida, poeta.
Assim falava a avó.

Deus vive por nós, sentenciava.

E regressava às orações.

A casa voltava ao ventre do silêncio
e dava vontade de nascer.

Que saudade tenho de Deus.


Eu também! E você?