sexta-feira, 26 de junho de 2015

Terapia de casal


É frequente que algumas pessoas solicitem ajuda para o relacionamento amoroso, sendo a terapia de casal uma alternativa. Recentemente, estudantes de psicologia me perguntaram no que exatamente consiste esse modelo de atendimento psicoterápico. Imediatamente lembrei-me do Soneto de Fidelidade, escrito por Vinícius de Moraes, cujo trecho mais famoso (sobre o amor) é: “que não seja imortal, posto que é chama, mas que seja infinito enquanto dure.”

Pois bem, embora os casais que procuram ajuda queiram continuar juntos, não é possível garantir o sucesso dessa expectativa. Muitas vezes, o desgaste excessivo de um relacionamento gera tanto sofrimento familiar que a separação é benvinda. Outras vezes não, a questão é mais simples, solicitando apenas novos ajustes e negociações. Há ainda os casais que se separam mas continuam brigando e se ofendendo.

Em qualquer uma destas situações, o papel do terapeuta implica numa mediação entre as pessoas envolvidas, buscando instaurar o diálogo civilizado. Para isso, é preciso “desarmar” os parceiros, auxiliando-os a olhar e assumir a própria fragilidade, bem como a responsabilidade pelo “astral” do relacionamento.

Em geral não existe a percepção de que “eu machuco o outro”, normalmente é “o outro me machuca”. Construir, portanto, uma nova perspectiva de relação, na qual seja possível inverter os papéis, um aprendendo a se colocar no lugar do outro, é o grande desafio. Sair de si mesmo em direção a quem se deseja e supostamente se ama, rompendo com o egocentrismo que orienta toda nossa conduta, é justamente a chance que temos para criar e partilhar uma vida mais plena, feliz e saudável.

"Ah se pelo menos 
eu te amasse menos
tudo era mais fácil
os dias mais amenos
folhas de dentro da alface

mas não 
tinha que ser entre nós
esse fogo esse ferro essa pedreira
extremos chamando extremos na distância."

Paulo Leminski 
Poema escrito em 1976 e publicado no livro Toda Poesia.

sexta-feira, 12 de junho de 2015

Não à homofobia!



Andrew Solomon, em seu livro Longe da Árvore - Pais, Filhos e a Busca da Identidade, conta, no primeiro capítulo, sua própria história de sofrimento ao perceber-se gay, condição inaceitável para sua família e para sua escola. Atualmente, já adulto, Solomon afirma sentir-se bem consigo mesmo.

"Mesmo que eu lide adequadamente com minha dívida privada de melancolia, há um mundo exterior de homofobia e preconceito a consertar. Espero que algum dia essa identidade possa transformar-se em um fato simples, livre tanto de partidarismo como de culpa, mas isso está longe."

E por estar tão longe é que neste dia dos namorados, 12 de junho, convido todos os leitores a questionarem os preconceitos de gênero e sexualidade, difundidos amplamente por alguns setores da sociedade. O vídeo da ONU, acima, merece nosso respeito.


"Manter a homossexualidade trancada dentro de mim quase me destruiu, 
e revelá-la quase me salvou."