sexta-feira, 27 de março de 2015

Psicologia e Redução da Maioridade Penal


Por que será que todas as entidades de psicologia e organizações de direitos das crianças e adolescentes são absolutamente contra a redução da maioridade penal? 

O Conselho Federal de Psicologia reiterou seu posicionamento contrário à medida e reafirmou que "sua aprovação não reduzirá a violência nem suas causas, mas desviará a atenção do problema real - que depende da adoção de políticas sociais efetivas."

Conheça agora as 10 razões da Psicologia contra a redução da maioridade penal: 

1.
A adolescência é uma das fases do desenvolvimento dos indivíduos e, por ser um período de grandes transformações, deve ser pensada pela perspectiva educativa. O desafio da sociedade é educar seus jovens, permitindo um desenvolvimento adequado tanto do ponto de vista emocional e social quanto físico;
2.
É urgente garantir o tempo social de infância e juventude, com escola de qualidade, visando condições aos jovens para o exercício e vivência de cidadania, que permitirão a construção dos papéis sociais para a constituição da própria sociedade;
3.
A adolescência é momento de passagem da infância para a vida adulta. A inserção do jovem no mundo adulto prevê, em nossa sociedade, ações que assegurem este ingresso, de modo a oferecer – lhe as condições sociais e legais, bem como as capacidades educacionais e emocionais necessárias. É preciso garantir essas condições para todos os adolescentes;
4.
A adolescência é momento importante na construção de um projeto de vida adulta. Toda atuação da sociedade voltada para esta fase deve ser guiada pela perspectiva de orientação. Um projeto de vida não se constrói com segregação e, sim, pela orientação escolar e profissional ao longo da vida no sistema de educação e trabalho;
5.
O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) propõe responsabilização do adolescente que comete ato infracional com aplicação de medidas socioeducativas. O ECA não propõe impunidade. É adequado, do ponto de vista da Psicologia, uma sociedade buscar corrigir a conduta dos seus cidadãos a partir de uma perspectiva educacional, principalmente em se tratando de adolescentes;
6.
O critério de fixação da maioridade penal é social, cultural e político, sendo expressão da forma como uma sociedade lida com os conflitos e questões que caracterizam a juventude; implica a eleição de uma lógica que pode ser repressiva ou educativa. Os psicólogos sabem que a repressão não é uma forma adequada de conduta para a constituição de sujeitos sadios. Reduzir a idade penal reduz a igualdade social e não a violência - ameaça, não previne, e punição não corrige;
7.
As decisões da sociedade, em todos os âmbitos, não devem jamais desviar a atenção, daqueles que nela vivem, das causas reais de seus problemas. Uma das causas da violência está na imensa desigualdade social e, conseqüentemente, nas péssimas condições de vida a que estão submetidos alguns cidadãos. O debate sobre a redução da maioridade penal é um recorte dos problemas sociais brasileiros que reduz e simplifica a questão;
8.
A violência não é solucionada pela culpabilização e pela punição, antes pela ação nas instâncias psíquicas, sociais, políticas e econômicas que a produzem. Agir punindo e sem se preocupar em revelar os mecanismos produtores e mantenedores de violência tem como um de seus efeitos principais aumentar a violência;
9.
Reduzir a maioridade penal é tratar o efeito, não a causa. É encarcerar mais cedo a população pobre jovem, apostando que ela não tem outro destino ou possibilidade;
10.
Reduzir a maioridade penal isenta o Estado do compromisso com a construção de políticas educativas e de atenção para com a juventude. Nossa posição é de reforço a políticas públicas que tenham uma adolescência sadia como meta.

Coloque na agenda: 

Dia 31 de março, debate online Mitos e Verdades sobre a Redução da Maioridade Penal: 

http://site.cfp.org.br/cfp-promove-debate-sobre-reducao-da-maioridade-penal/

Entrevista de Elisa Zaneratto Rosa, presidente do CRP SP:

https://medium.com/@jornalistaslivres/psic%C3%B3logos-manifestam-se-contra-a-redu%C3%A7%C3%A3o-da-maioridade-penal-5b4e37a3cb20

sábado, 14 de março de 2015

Dia da Poesia

Quantos poetas poderíamos hoje citar, em comemoração ao Dia da Poesia!
Poetas que partiram, poetas que estão vivos, poetas romancistas, poetas até fascistas.
Poetas das luzes, poetas das trevas, poetas enfim que habitam cada um de nós.
Poetas amigos, inimigos, amados ou odiados.
Poetas que conhecemos pessoalmente e poetas que nunca veremos.

Quão carentes de poesia estamos hoje,
Jamais estivemos tão distantes da imaginação poética!
Que nos ouçam lá do céu Manoel de Barros, Fernando Pessoa, Paulo Leminski.
Que nos acolham aqui na Terra Valter Hugo Mãe, Adélia Prado, Sérgio Vaz.

E que recebam meu abraço os poetas e amigos piracicabanos:
Ana Marly Jacobino, Carmem Pilotto, Carmelina, Ivana Negri,
Carla Ceres, Ana Lúcia Paterniani.
A todos os outros poetas, muita gratidão!


sexta-feira, 13 de março de 2015

Observatório Cidadão de Piracicaba



Em tempos de incitação midiática ao ódio e de posicionamentos acirrados sobre política, esquecemos de avaliar com clareza as alternativas constantemente criadas por pessoas que resolveram se agrupar e promover a cidadania.
Conheça o Observatório Cidadão de Piracicaba, que trabalha pela participação e pelo controle social. Uma iniciativa que vale a pena!

sexta-feira, 6 de março de 2015

Dia Internacional da Mulher: Violette



Em homenagem ao Dia Internacional da Mulher, 8 de março, um filme encantador: Violette, de Martin Provost (França/Bélgica - 2013). 

Através de Violette Leduc e Simone de Beauvoir, ambas escritoras francesas, acompanhamos a história das mulheres no século XX e o início da revolução feminista. Simone de Beauvoir, reconhecida filósofa, educadora e autora de diversos livros importantes é retratada com maestria nesse grande filme, cuja personagem principal é a amiga Violette.  

De origem pobre e humilde, Violette transforma sua vida através da literatura, com ajuda de Simone. Sua escrita autobiográfica, marcada pelo erotismo, desafia a sociedade conservadora européia dos anos 40 e 50. Mais tarde, internada em um hospital psiquiátrico devido a crises emocionais, Violette encontra em sua própria escrita a possibilidade de redenção e cura.

Um filme delicado e sensível a nos propor reflexões sobre as mulheres, a sociedade e o papel da arte.  

Artigos interessantes: