sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Memória e transformação

O ser humano, segundo os pressupostos da ciência moderna, ampliados pela tecnologia do século XXI, é visto como uma máquina comandada pelo cérebro. Pesquisas e investigações sobre o funcionamento do cérebro estão na linha de frente de todos os cientistas interessados em conhecer o que é o homem.

Em função disso, quando se fala em memória, imediatamente se discutem as capacidades do cérebro para armazenar informações. Não se leva em conta, em geral, as possibilidades da memória como um campo afetivo de experiências, individuais e coletivas.

Memória é também lugar de sentimentos e histórias, não apenas para serem catalogadas, mas também para serem transformadas. É através da memória que criamos vínculos uns com os outros, realizando conexões de tempo-espaço e ampliando as perspectivas de ações transformadoras, no presente e no futuro.

Ao relacionar nosso passado com nossa vida atual, por exemplo, abrimos possibilidades de ressignificar experiências, emoções e relacionamentos, buscando sentidos que podem redimensionar nossa existência ou pelo menos nos ajudar a compreender alguma situação dolorosa.

Da mesma maneira, preservar a memória coletiva de um grupo significa cultivar alternativas de mudar sua própria história, alterando uma rota que nem sempre é a desejada.


quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

A necessidade do vazio


Para contrapor à euforia
Fazer frente à violência
tão presente em nosso dia-a-dia...


Um pouco do nada
algum vazio
uma lacuna.


A nos dizer - o tal vazio -
que existimos
que perguntamos
que não sabemos.


Tendemos a expulsá-lo - sim, o vazio -, dissimulando as angústias e boicotando as perguntas. Mas elas persistem e nos perseguem. É Jorge Larrosa, autor do belíssimo Pedagogia Profana ( Ed. Autêntica, 2010 ), quem provoca todos os nossos sentidos ao questionar as verdades que acabamos por tornar dogmáticas.
Para o autor, o que importa são as lacunas, o que vale é a abertura: conhecer significa assumir-se como um ser errante e inseguro, que nunca chegará às respostas proclamadas pela ciência e pela pedagogia positivista.
Quem somos nós? A cada dia, uma mesma e nova descoberta.