sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Adolescência: partilhando a solidão


É preciso olhar com mais cuidado para nossos adolescentes.
Temos muitas informações sobre adolescência: uma fase de mudanças, de novas referências, de grupalização, de enfrentamento e timidez ao mesmo tempo, de encantamento com a sexualidade, de desejos e frustrações intensas. Apesar disso - ou até por isso -, não sabemos como lidar, como escutar ou mesmo falar com os adolescentes.
É urgente a necessidade de se criar canais de comunicação, incentivando os adolescentes a dizerem como vêem o mundo e o que dele esperam, como sentem a vida e o que pensam do futuro, como vivenciam as relações de amizade e de paixão.
Através de diversos tipos de grupos, seja na escola, na academia, na balada ou em família, os adolescentes criam uma forma própria de se comunicar, que não prescinde, no entanto, da atenção e do acompanhamento dos adultos. Podemos e devemos tentar compreendê-los, mantendo-nos perto e longe, firmes e afetivos, fortes e frágeis.
Muitas vezes cobramos dos adolescentes posturas mais maduras diante dos problemas que a vida traz, mas não oferecemos recursos suficientes para que eles aprendam ou se disponham a enfrentar as dificuldades.
Optamos, nem sempre conscientemente, pela solidão, que pode muito bem ser saudável em determinados momentos, mas que torna-se motivo de grande angústia quando impede constantemente o compartilhar. Cada um em um quarto, cada qual no seu mundo.
Estar junto, partilhar as dores e sofrimentos, as alegrias e as vitórias, com palavras ou em silêncio, com gestos e olhares, com dúvidas, medo e vergonha ( muita vergonha! ), é ainda um caminho possível, uma trilha de pedras e cacos que pede nossa presença, paciência e amor.

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Orientação: o papel dos pais

Em nossos tempos, também a educação tornou-se um produto a ser vendido, consumido ou terceirizado. Muitos pais, inclusive, estão confusos frente a ausência de parâmetros para educar seus filhos. É preciso saber, no entanto, que filhos necessitam de pais presentes e disponíveis, desempenhando, tanto quanto possível, o papel que lhes cabe.

· A relação com os filhos deve ser pautada na autoridade: podemos ser amigos, e é desejável que sejamos tolerantes e pacienciosos, mas também devemos ser firmes e assumir o nosso papel de orientador e guia.
· Compete em primeiro lugar aos pais ensinarem as regras básicas de convivência humana: valores como respeito, disciplina, educação e colaboração precisam ser resgatados.
· Todos os pais deveriam refletir sobre o que querem para seus próprios filhos: como desejam que eles se comportem, que valores gostariam que tivessem e em que mundo poderiam viver; a educação deve ser baseada nesses princípios, e não no que diz e oferece a televisão.
· Permitir que os filhos façam tudo o que desejam gera muita insegurança; freqüentemente uma criança ou um adolescente sem limites sofre de carência afetiva e é rejeitado em muitos grupos sociais.
· Buscar certo equilíbrio na relação de autoridade com os filhos: o não e o sim devem conviver juntos.
· Deixar sempre muito claro as regras e os limites da vida em família: o que pode, o que não pode, quando, com quem, onde... com abertura para mudanças, é claro.
· Permitir o questionamento, respondendo os porquês e os “para quês”; evitar a imposição arbitrária, procurando negociar de forma democrática as decisões importantes.
· Ser exemplo de atitudes desejáveis, praticando-as; ser persistente e retomar determinados assuntos tantas vezes quanto for necessário.
· Buscar o diálogo, expressando com franqueza seus próprios valores, angústias e medos; não perder o afeto, valorizando o que a criança tem de bom.
· Reservar o máximo de tempo possível para estar com seu filho: passear, brincar, trocar idéias, curtir a vida, enfim.

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Paternidade e Relações Familiares

Não é tarefa fácil refletir sobre o papel de pai em nossa sociedade. O movimento e a dinâmica da história da humanidade criaram configurações familiares outrora impensáveis. É preciso reconhecer que, nos dias de hoje, há diversas maneiras de ser pai, de cuidar dos filhos e de constituir uma família.
A família tradicional e eterna, que se conserva a todo custo no tempo, não é mais soberana. Temos então muitos pais separados e filhos que habitam pelo menos duas residências. Novos laços amorosos, estáveis ou não, são criados, resultando muitas vezes nas chamadas famílias reconstituídas. São casais que já têm filhos de relações anteriores e por isso mesmo desempenham também o papel de padrastos ou madrastas.
Casais adolescentes de namorados desenham ainda outros formatos de organização familiar, ao morar com seus próprios pais para cuidar dos filhos que vieram sem planejamento. Constatamos aqui a forte presença dos avós na educação das crianças.
Poderíamos incluir, nessa breve descrição, as famílias lideradas por mulheres, nas quais a figura do pai inexiste, e também as famílias homo afetivas, cujo casal é formado por pessoas do mesmo sexo.
O cenário é amplo, revelando a enorme diversidade da instituição familiar contemporânea, na qual se desenvolvem vínculos parentais importantes, dentre eles os vínculos de pais e filhos.
É inquestionável que tais vínculos também vêm se modificando, propiciando maior aproximação afetiva entre os filhos e seus pais, para além das mães. Na medida em que estas desempenham mais papéis do que antigamente, principalmente no mercado de trabalho; na medida em que o universo familiar foi adquirindo novas configurações, abriu-se um novo leque de funções para o homem que desempenha o papel de pai: ele também pode e deve cuidar dos filhos, tanto quanto a mãe.
Paternidade, nesta perspectiva, não significa apenas assumir os filhos como seus, provê-los e sustentá-los, mas inclui o exercício da maternagem, algo que implica em carregar os filhos no colo, fazê-los dormir, acompanhá-los na escola, ajudá-los a comer. Cada pai a seu modo, a partir de sua própria disponibilidade e da rede de relações que participa.
Quando pais e filhos têm a possibilidade de compartilhar essa experiência, a vida torna-se mais colorida. O exercício pleno e espontâneo da paternidade enriquece os vínculos familiares, oferecendo aos filhos, especialmente, outras referências de afetividade, de atitudes e de relacionamentos.
Nosso mundo, tão carente de criatividade, agradece. Nossas crianças também. Afinal, não devemos nos esquecer de que, para elas, os pais continuam a habitar um lugar sagrado no reino da imaginação: o lugar de super-heróis, detentores de super poderes, para fazer o bem ou o mal. A escolha, sabemos, é nossa.