terça-feira, 30 de junho de 2009

Gestação - Criação


Um Momento Especial
A gestação pode ser vivida como uma fase de crescimento, transformação e criatividade, preparando os pais no desempenho dos papéis de pai e mãe.
Muitas expectativas acompanham esse momento diferenciado, gerando alegria e tristeza ao mesmo tempo, angústia e êxtase, medo e liberdade.
É importante compreender e acolher os diversos sentimentos, fantasias e emoções que participam da gravidez, modificando a vida e as relações entre as pessoas.

A Conquista Partilhada
Inicialmente o bebê e a mãe formam um só ser, que permanece junto e inseparável. Mas é preciso incluir o pai, com seus direitos, deveres e afetos para com o próprio filho.
O filho em gestação merece ser amparado por uma rede social adequada, que ofereça suporte afetivo aos pais, a fim de que estes possam desenvolver a maternidade e a paternidade da melhor forma possível.
Ser pai e ser mãe é uma tarefa de grande responsabilidade, mas também de muita ousadia e coragem quando representa crescimento, amor e aceitação para todos os envolvidos.

Vale lembrar
Gestação não é somente a criação de um ser humano dentro de nós. Podemos gestar e criar projetos de vida, obras de arte, amores, dores. Sendo assim, também somos pais e mães de diversas maneiras.
E quando nossos "filhos" nascem, sejam eles textos, pinturas, relacionamentos ou sentimentos, ficamos estranhamente felizes...


Andrea R. Martins Corrêa

terça-feira, 23 de junho de 2009

Convite - Lançamento de Livro


Editora Ágora e Livraria Cultura convidam para o lançamento do livro
Psicodrama e Emancipação
A Escola de Tietê
Organizado por Moysés Aguiar
Dia 2 de julho de 2009, quinta-feira,
das 18:00 às 21:30,
na Livraria Cultura,
Bourbon Shopping Pompeia -
Piso Perdizes
São Paulo
Autores: Albor Vives Reñones, Alexandre Aguiar, Ana Cristina Benevides Pinto, Andrea Raquel Martins Corrêa, Angela Reñones, Antonia Polli de Arruda, Antônio Ramos da Silva, Áurea M. Guimarães, Carla Maria Vieira, Carolina Andaló Fava, Cecilia Masselli, Devanir Merengué, Gelse Beatriz Monteiro, Jamil Aidar, Lisette Laubi Contatore, Marcia Castagna Molina, Maria Elena Garavelli, Maria Eliza Suman de Godoi, Mari Martins, Marisol Watanabe, Miriam Tassinari, Norma Silvia Trindade de Lima, Pedro Mascarenhas, Ralmer N. Rigoletto, Raquel Pastana T. Lima, Regiane Bataglini Michelsohn, Thaís Helena Couto, Vera Aparecida Cunha, Viviane Giombelli.
Nota: O Psicodrama é um método de trabalho que envolve uma filosofia de vida e uma teoria acerca das relações humanas, abrangendo inúmeras técnicas derivadas do teatro. Foi criado pelo médico Jacob Levi Moreno, a partir de experiências realizadas nas ruas e nas praças de Viena, no início do século XX.
A origem do Psicodrama privilegia o trabalho em grupo, possibilitando que as pessoas envolvidas se comuniquem mais adequadamente e se tornem mais espontâneas. Tanto empresas quanto escolas, clínicas, hospitais e comunidades vêm utilizando o potencial do Psicodrama no desenvolvimento da saúde e da educação integral.
O site da FEBRAP ( www.febrap.org.br/) disponibiliza mais informações.

quarta-feira, 17 de junho de 2009

Morte, Perda e Dor

Atualmente, através dos meios de comunicação, acompanhamos diversas discussões sobre como é possível prolongar a vida humana na Terra. Muitos recursos financeiros são investidos em pesquisas científicas, criando tecnologias que possibilitam o aumento da expectativa de vida.
É fato que estamos interessados em viver mais e melhor, mas não podemos nos esquecer de nossa mortalidade, ou seja, somos seres mortais cuja condição existencial de vida é a própria morte.
Falar sobre isso é ainda muito difícil, apesar das constantes notícias sobre guerras, homicídios, acidentes, doenças e outras formas de morrer.
Todos nós vivemos experiências de morte, sejam elas reais ou simbólicas. Muitas vezes nos separamos, por algum motivo, de alguém que gostamos; nossos filhos, ao crescerem, vão embora e sentimos uma grande perda. Planejamos trabalhos que nem sempre conseguimos realizar e acabamos fazendo outras coisas.
Em todas essas situações há um sentimento de morte presente, pois algo foi perdido e, evidentemente, algo pode ter sido conquistado também.
Quando uma morte real ocorre, quando perdemos alguém que amamos muito, o sofrimento é muito mais intenso. O vínculo com o outro é rompido definitivamente e isso é, de todo modo, assustador, pois demasiadamente doloroso.
A dor pela perda de um ente querido é tão insuportável que, pelo menos em nossa cultura ocidental, somos incentivados a não pensar no assunto, a “esquecer” o sofrimento e “viver o presente”, conselhos que, na maior parte das vezes, não contribuem com o processo de luto.
Enfrentar a morte não é negar a dor que ela nos traz, muito pelo contrário, é aceitar essa dor, é poder falar sobre ela, senti-la, acolhê-la, ficar deprimido ou revoltado, chorar, angustiar-se e entristecer-se.
Dessa maneira conseguiremos encontrar novas possibilidades para organizar nossa vida afetiva emocional, adaptando-nos a uma realidade que não escolhemos: o fato imutável e inexorável da morte, parte integrante da vida.

Andrea R. Martins Corrêa

quarta-feira, 10 de junho de 2009

Homens e Mulheres: o encontro possível

Apesar de ainda existirem muitos preconceitos relativos aos papéis masculinos e femininos, atualmente ambos os sexos desempenham funções muito semelhantes na sociedade: trabalham fora, responsabilizam-se conjuntamente pela educação dos filhos e são sexualmente ativos. Tradicionalmente, porém, quando um homem expressa seus sentimentos é taxado de homossexual. Já as mulheres, mesmo trabalhando fora, ganham salários menores do que os homens, pois “foram feitas para a maternidade”. Não necessitam, assim, da inteligência: são “pura sensibilidade e intuição”.

Mesmo considerando a permanência desses estereótipos no imaginário brasileiro, tanto os homens quanto as mulheres estão buscando novos caminhos para as relações entre si. Ambos são frágeis, mesmo que não admitam.


É nesta capacidade de reconhecer que somos todos frágeis, enquanto seres humanos, que reside a possibilidade do encontro.

Admitir e assumir as próprias carências e necessidades afetivas, buscando nisso a conexão com o outro para, assim, falar uma mesma linguagem, que comunique os valores realmente importantes, as semelhantes ou diferentes angústias, as difíceis e pequenas batalhas do dia-a-dia: tal é a trilha que, seguida em comum, pode efetivamente criar relações amorosas mais dignas e saudáveis.

A partir da compreensão que um pode ter do outro como ser humano que sente, que sofre, que ama e odeia, que inveja, mata ou se alegra, se inspira, se arrepende, nem se entende como gente... é deste ponto enfim, obscuro no seu limite, que a vivência de uma relação que se busca amorosa pode ser transformadora, apontando para a criação de uma vida em comum que tenha sentido e valha a pena.


Mais do que a cena da miséria afetiva de um casal, onde ambos se humilham e se atacam, se agridem e se ferem, a cena mais temida pelo ser humano pode ser a cena da paz: proibida, conquanto desconhecida, sabemos bem, por todos os sistemas, todos os valores e toda a história.
Quase sem registro essa relação que revela, que acolhe, que abarca, que aconchega e se identifica na dor e na felicidade do ser frágil, por vezes abandonado. Essa, talvez, a tão temida relação de amor, onde não cabem mais mentiras e proibições.
É então uma relação de corpos e almas nus, inteiros, entregues um ao outro dentro deste micro universo terrestre.

Andrea R. Martins Corrêa

quinta-feira, 4 de junho de 2009

Relatos: a escola e seus alunos


Um grupo de adolescentes diz que não quer mais ir à escola. Estão cansados da rotina, dos conflitos e dos estudos. Preferiam que a escola não existisse.
Outro grupo, de crianças, afirma gostar muito de ir à escola para ver os amigos, mas não para estudar. Sentem-se exaustos com tantas lições e avaliações permanentes.
Os relatos sobre a escola são diversos, e podemos ouvi-los dos próprios estudantes quando estamos disponíveis. Relatos sobre brigas, dificuldades de relacionamentos, problemas com professores, exigências disciplinares e provas são constantes. Através deles é possível investigar representações e imagens acerca da escola.
Muitos alunos, tanto do ensino público quanto privado, gostariam que houvesse um número maior de atividades esportivas, recreativas e artísticas no cotidiano escolar. Ressentem-se com o excesso de aulas e matérias, principalmente nos colégios particulares que, em geral, optam por uma aprendizagem mecânica e enciclopédica, privilegiando exigências do vestibular desde as primeiras séries.
O vazio e a ausência de sentido na relação de muitos estudantes com a escola é algo que pode ser constatado. Seja no colégio privado ou público, a desmotivação é a mesma: no primeiro, pelo excesso de lições e avaliações, que chega a deprimir o aluno; no segundo, pelo abandono em que se encontra, de fato, a maioria das escolas públicas.
Como se não bastasse, agora os pequeninos de 5 anos também estão sendo obrigados a ler e escrever precocemente ( quando não antes ), correndo o risco de perder o sabor da infância, ao não exercitar a fantasia, fundamental nessa fase da vida.
Felizmente algumas alternativas têm sido criadas por instituições e educadores sensíveis, que questionam os valores em voga na sociedade.
O site Aprendiz ( http://aprendiz.uol.com.br/ ) é uma ferramenta de pesquisa interessante, que discute problemas da escola pública e busca dar visibilidade a projetos importantes desenvolvidos na educação.
Também venho acompanhando, pessoalmente, o crescimento de uma escola cooperativa, que partilha de outra ótica em relação ao ensino. Escolas como esta têm o mérito de sentir, diariamente, a alegria nos olhinhos brilhantes dos seus alunos.

Andrea R. Martins Corrêa