sábado, 22 de abril de 2017

Adolescência e suicídio: uma discussão necessária

Nessas últimas semanas, um dos assuntos mais discutidos e comentados, no que diz respeito a educação, foi o jogo da baleia azul e a série do Netflix, 13 Reasons Why. Não sei se há muito mais a polemizar ou escrever, já que surgiu uma vasta literatura sobre a questão, muitos textos, análises e considerações.

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Conversando com os adolescentes, percebo que a série tem conquistado os corações, embora haja diversos problemas no tocante à forma e à estética pela qual os produtores optaram. Confesso publicamente que só assisti aos dois primeiros episódios e não prossegui, e que me senti um tanto aliviada pelo fato do meu filho de 17 anos não se interessar. 
Para o meu repertório pessoal, a série lembra um filme de suspense no estilo americano. Concordo com as críticas afirmando que 13 Reasons Why expõe demasiadamente o suicídio, de maneira até irresponsável, na medida em que estiliza com detalhes a cena fatal, podendo ainda incentivar a vingança nos adolescentes. 
Ao mesmo tempo, no entanto, fico me perguntando se as imagens do filme não seriam apenas mais uma das imagens, das cenas e dos textos horrorosos que nossas crianças e jovens são obrigados a ver e consumir todos os dias, pela televisão, pela internet, na escola e em casa, nos shoppings e espaços públicos. Isso não quer dizer que um programa que se propõe a tratar de temáticas tão importantes não poderia ter sido mais cuidadoso, pois há muitos formatos artísticos visuais para se criar uma determinada narrativa. A produção optou claramente por um estilo comercial, garantindo a venda de seu produto. Filmes como o nacional ELENA (2012), por exemplo, que abordam de maneira delicada o suicídio, jamais se tornariam populares no contexto sócio cultural em que vivemos.

Críticas e considerações à parte, o fato é que os adolescentes estão assistindo a série. Portanto, não há nada melhor a ser feito senão discutir e conversar sobre a cruel problemática do bullying e do suicídio. É preciso que nosso papel como educador seja criativo e pró ativo. De nada irá adiantar nossa visão, quem sabe arrogante, sobre o que é mais ou menos adequado para eles. Precisamos estar por perto, disponíveis e atentos, não para invadir quartos e espaços individuais ou emocionais, mas para ajudar nossos tão queridos amados sujeitos a se construírem enquanto seres íntegros, humanizados, transformadores e razoavelmente felizes. 
Essa é uma difícil "missão" que também cabe a escola e a sociedade, não somente aos pais. Por que não aproveitar a oportunidade para realizar debates com os alunos e professores sobre o bullying, frequentemente motivo de tristeza, adoecimento físico/mental, linchamento moral e também suicídio? Por que não discutir esta violência que persegue principalmente as meninas, justamente nos ambientes educacionais? Por que não criar novos espaços institucionais e grupais de escuta para as crianças e adolescentes? Afinal, sabemos que os casos de suicídio estão aumentando ano a ano, no mundo todo.

O tal jogo da baleia é apenas mais um terrível sintoma do quanto insana vive nossa sociedade, penalizando jovens vítimas que se encontram em um estado afetivo mais vulnerável. Evidentemente, um jogo criminoso e assassino. Tão chocante quanto cruel, mas não surpreendente, pois acompanhamos o surgimento cada vez mais veloz de tecnologias que promovem a violência, de si mesmo ou dos outros. O seriado BLACK MIRROR da Netflix (2011), este sim um programa inteligente e louvável, merece ser contemplado para que possamos nos situar neste universo tecnológico do qual fazemos parte. 

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