sexta-feira, 11 de setembro de 2015

Suicídio: sintoma da sociedade?


"Só há um problema filosófico verdadeiramente sério: o suicídio", escreveu Albert Camus em sua obra O Mito de Sísifo. Camus, grande escritor existencialista francês do século XX, abordou o paradoxo da relação vida e morte em todos os seus livros, tais como: A Peste, O Estrangeiro, O Homem Revoltado, A Morte Feliz.

Assim como outros autores e filósofos, Camus compreendia a vida humana no plano do absurdo, ou seja, não há um sentido para a vida a não ser aquele que possa ser construído pelo próprio homem; não há Deus nem destino, pelo contrário, há acasos e absurdos. Enfrentar essa condição inexorável de ser e estar no mundo, com a angústia e a lucidez que dela fazem parte, é o que nos possibilitaria viver com mais intensidade, segundo os existencialistas. Portanto, é para afirmar a vida em sua plenitude, não para destruí-la, que a consciência do absurdo da existência se faz necessária. O suicídio, nesta visão, não seria uma saída. 

Os dados acerca do número de suicídios no mundo, porém, apontam para o que tem sido descrito como um grave problema de saúde pública, incluindo o Brasil. A OMS (Organização Mundial de Saúde), inclusive, alerta para o crescimento do suicídio, especialmente entre jovens na faixa de 15 a 29 anos. 

Não é difícil testemunhar, como psicoterapeuta, a realidade desta situação. Adolescentes que se cortam ou sofrem bullying, crianças em depressão, jovens dependentes de drogas e também adultos com problemas de saúde física, emocional ou financeira encontram-se vulneráveis ao potencial do suicídio. Populações segregadas, como os índios brasileiros, estão entre as que mais se matam no planeta. 

Com certeza não estamos vivendo a terceira guerra mundial - tal como a primeira e a segunda, contextos de violência típica a facilitar o suicídio em massa -, mas talvez estejamos vivendo um mal estar civilizatório cujo único precedente foi justamente o nazismo. O sofrimento em larga escala que entranha-se por todas as classes sociais e produz vítimas indefesas, cuja saída é a própria morte, pode ser o sintoma mais eloquente de uma sociedade em decadência, concebida sob a ótica da máxima performance, que gera por sua vez narcisismo, futilidades, ódio, intolerância e perversões infindáveis. Obviamente, essas são perspectivas que não têm propiciado sentido às nossas vidas.

Nada mais urgente para ser tratado, discutido e revelado. "Que as coisas continuem como antes, eis a catástrofe." - Walter Benjamin.

Um comentário:

  1. Querida amiga Andrea

    Triste ver tantos
    desistirem da vida.
    Talvez estejamos todos necessitando,
    mais que possuir,
    rediscutir o amor
    que dá sentido a vida.

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    Desejo que desejes ser feliz.
    Toda felicidade do mundo
    começa com um simples desejo de alegria.

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