quinta-feira, 23 de julho de 2015

A palavra que falta

Quando faltam as palavras para nomear a dor
Quando faltam as palavras para soletrar o absurdo.

Quando as palavras se ausentam da escuridão no anoitecer
Quando as palavras se ausentam dos nossos tristes pensamentos.

Quando as palavras perdem seus sentidos
Quando as palavras tornam-se um engodo.

As palavras se foram
As palavras nos desabitaram.

Sem elas o que somos nós?
Órfãos da história, clichês de pseudo intelectuais a manipular mentes e corações.

Recuperemos a palavra mãe que nos nomeia: o OUTRO.
Sem o OUTRO não podemos existir
Sem o OUTRO não há palavra alguma.

Porque é o OUTRO que nos ensina a palavra
É com ele que aprendemos a pronunciar o EU.

Renunciemos ao esvaziamento e à simplificação cruel das palavras
E proclamemos a alteridade: EU – OUTRO.

Para que haja alguma redenção humana
Para que haja algum sobrevivente.



Museu da Língua Portuguesa - SP

sexta-feira, 10 de julho de 2015

Poesia: resistência ao ódio

Para enfrentar tamanho cenário de ódio e intolerância, a nos deixar perplexos e por vezes impotentes, criemos novas palavras, novos poemas e novas pessoas.





Obra de arte Mulher Chorando
Picasso - 1937













Meu poema sobre o ódio:

Esse ódio pronunciado por bocas desalmadas
a habitar tão temidas estações.

Esse ódio incontido de palavras gestos atos desumanos
que nem Deus saberia existir.

Esse ódio des-razão adjetivando seres pobres
que se pensam grandiosos.

Esse ódio triste palidez anunciando
dolorosas e insanas tempestades.

A ele resistir, a ele subjugar!
Não há que ancorar em nossos corações!