quarta-feira, 23 de julho de 2014

Aprender com a dor: por que não?



Atualmente temos compartilhado uma visão de mundo na qual a euforia tornou-se um estado emocional cultuado e dignificado, considerado como um conceito ou um critério que define a felicidade. Estar feliz é estar eufórico, combater a tristeza e a melancolia a todo custo, como se fosse possível vivermos nesse universo delirantemente cor de rosa, sem dores, sem perdas, fracassos e sofrimentos por vezes terríveis.

Aprendemos, e muito bem, a negar tudo o que possa nos fazer sofrer, desde uma simples angústia que não conseguimos nomear até um insuportável luto pela morte de alguém que amamos muito. Somos, dessa maneira, levados a viver uma espécie de "anestesia geral" dos nossos próprios sentimentos, especialmente frente à dor do outro e à nossa. Vamos nos transformando em seres indiferentes, conosco e com as pessoas ao redor, quase não distinguindo mais as diversas possibilidades que temos para sentir a vida: ora amiga e acolhedora, quem sabe feliz, ora triste e lamentável. 

O sofrimento também faz parte da vida, bem como a morte. Compreender isso não como sacrifício e expiação, mas como aprendizagem, nos ajudaria a encontrar perspectivas mais criativas para lidar com situações adversas, que muitas vezes não escolhemos.

  

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