terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Para não esquecer


Muitas são as tragédias que não podemos esquecer, além de Sta. Maria. 
Todos os anos, morros despencam, tempestades previstas destroem casas e barracos Brasil afora.
Todos os anos, incêndios criminosos ocorrem nas favelas de SP, tirando a vida de pessoas pobres que lutam arduamente pela sobrevivência.
Todos os anos, o Brasil é recordista mundial em mortes no trânsito, agora também em atropelamentos.
Todos os anos, o número de homicídios que levam embora os filhos desse país é maior do que nas famosas zonas de guerra de Israel, Palestina, Iraque.

Poderíamos continuar essa lista infame de dor e perdas calculáveis, mas algo sinaliza dentro de mim que não é possível, não faz sentido.
Neste momento, talvez a única coisa a fazer sentido seja o clamor pela vida,
a gritar que não podemos esquecer, não podemos esquecer...

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Um poema para refletir


Neste poema de Fernando Pessoa, talvez possamos refletir a possibilidade de viver com mais intensidade nossas tão breves vidas!

Não tenho pressa. Pressa de quê?
Não têm pressa o sol e a lua: estão certos.
Ter pressa é crer que a gente passa adiante das pernas,
Ou que, dando um pulo, salta por cima da sombra.

Não; não sei ter pressa.
Se estendo o braço, chego exactamente aonde o meu braço chega -
Nem um centímetro mais longe.
Toco só onde toco, não aonde penso.
Só me posso sentar aonde estou.
E isto faz rir como todas as verdades absolutamente verdadeiras,
Mas o que faz rir a valer é que nós pensamos sempre noutra coisa,
E vivemos vadios da nossa realidade.
E estamos sempre fora dela porque estamos aqui.

Alberto Caeiro, in "Poemas Inconjuntos" - Heterônimo de Fernando Pessoa
Blog Agenda Cultural Piracicabana - www.agendaculturalpiracicabana.blogspot.com.br

terça-feira, 8 de janeiro de 2013

A arte que nos alimenta


A literatura e o cinema são expressões artísticas apaixonantes, com grandes possibilidades de diálogo entre si, as vezes enriquecedores ou não.  Através destas linguagens, qualquer ser humano que se disponha a sentir e a pensar algo novo pode crescer, ampliando seus próprios horizontes de percepção, ação e emoção.

Muitos livros, poemas e obras cinematográficas nos possibilitam importantes experiências existenciais, na medida em que criam narrativas questionadoras do mundo, da vida e das pessoas.

 No romance de Ismael Caneppele - Os famosos e os duendes da morte -, que também se transformou em filme ( Esmir Filho – 2009 - foto acima ), um adolescente sofre calado com o tédio da pequena cidade onde reside. Não há o que fazer, não há para onde ir e muitos amigos já se suicidaram jogando-se da ponte que atravessa o rio.

“O rio escondido sob a fumaça branca do dia quase nascendo guardava no silêncio profundo das suas águas todas as partidas e todas as chegadas.”

Mas nosso querido protagonista escolhe a vida, a incerteza, o risco de tentar existir. Não sabe o que encontrará depois da ponte, sabe que pode ser também a morte. Mesmo assim, não desiste.

Suas últimas palavras: “Os nossos olhares estão todos perdidos, mas nunca desencontrados. O meu. O teu. E o dele. Todos nós temos muito mais perguntas do que respostas.”

As vezes não sabemos como compreender nossos adolescentes. Mais do que a ciência, a arte pode nos libertar.