quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Diálogo eletrônico: Melancolia


Alguns filmes nos tocam em profundidade, outros nem tanto. Melancolia, de Lars Von Trier, um diretor polêmico, merece ser contemplado.  E discutido!
Sentimentos, percepções, relações, reflexões de pessoas diferentes: abaixo, o registro de alguns trechos de um diálogo eletrônico acerca do filme.
J: Eu confesso que, quando assisti ao filme no cinema e saí da sala, fiquei com uma sensação estranha, não saberia responder à pergunta "Você gostou do filme?" Parecia que antes precisava digerir. Eu tinha o receio de ser daqueles filmes pesados, com uma história triste, de uma pessoa que sofre e vai piorando, argumentando que a vida é assim e ponto final. Mas não foi desse jeito que eu fiquei.

A: Eu fiquei “tomada”, emudecida. Fiquei mal, não gostaria de assistir ao filme novamente. É lindo e impressionante, mas difícil demais.

J: É interessante como a tristeza e a beleza costumam andar juntas, né? As imagens do filme e da protagonista Justine são brilhantes. A fotografia, por exemplo: na primeira parte, a da festa, as cores são marcadas por tons quentes, amarelados. Na segunda parte as cores ficam frias, azuladas. Isso foi me passando uma sensação muito forte de sonho, de noite, de morte. Em harmonia com esses tons de cores, as imagens da mansão, dos campos enormes, da solidão dos personagens, tudo isso foi construindo um clima de emoção inexplicável, fazendo a gente viver um fim do mundo único - não apocalíptico, de desastres e multidões desesperadas -, mas uma morte existencial individual, uma entrega, um lindo choque com o Melancolia...

A: O planeta Melancolia e nossa própria melancolia, não é mesmo?  Neste sentido, fiquei pensando: será que Justine é mesmo doente? Para o apocalipse anunciado, ela era muito mais sã do que todos os outros personagens! Talvez o que consideramos ou não doença dependa do contexto.

J: Sim. Imagino que o pensamento de Justine e do diretor pudesse ser: "Por que se desesperar com o fim do mundo, já que a vida sempre acaba sem nenhum sentido mesmo? A tristeza do fim do mundo já está anunciada desde que sabemos que a vida é finita."

A: É, mas a maioria de nós não quer morrer, mesmo sabendo que a morte é inevitável.  Não podemos esquecer que o vazio apontado no filme, essa falta de sentido, tem um contexto, que é o nosso, da modernidade, recheada de onipotências: o dinheiro, o poder, a ciência. Nem toda tecnologia produzida por uma humanidade desvairada e arrogante é capaz de conter a natureza, ou seja, o fim do planeta Terra e o nosso próprio fim. Interessante pra repensar o que estamos produzindo. Acho que muito do que produzimos não tem mesmo sentido e é revelado na festa, ou melhor, na hipocrisia dela, em contraponto ao desgosto de Justine.


J: Estranho em como a "evolução" da humanidade parece estar tomando um rumo acelerado ao vazio, principalmente nas últimas décadas. Tudo parece estar se banalizando. As tecnologias estão mais preocupadas em desenvolver celulares com recursos inúteis, que nos dêem a impressão de ganhar tempo com alguma coisa que nunca precisamos. Essa aceleração de tudo e do tempo nos faz fugir do ritmo da natureza, evitando as dores da reflexão sobre a existência.


A: E nos desumanizando...

J: Afora a arte, que se não nos salva, pelo menos engana muito bem!

A: Ainda aposto que nos salva, pelo menos por enquanto!  


J: João Paulo Paterniani
A: Andrea Martins Corrêa


Filme: Melancolia ( Melancholia )
Direção: Lars Von Trier
Lançamento: 2011

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

O mito do consumo

Todo ano que se encerra traz consigo a comemoração do Natal, época marcada muito mais por peregrinações consumistas do que por rituais religiosos.
No interior das lojas, o ser humano da modernidade, embora não perceba, é mais consumido do que consome. É devorado pela imposição de desejos que não são seus, mas que são necessários para alimentar o mundo capitalista. Vagando de vitrine em vitrine, o “ser objeto”, posto que não é dono de si mesmo, constrói mitos: será eternamente feliz se puder comprar aquela bolsa, quem sabe o tão sonhado perfume... Descobre-se, contudo, infeliz, mesmo possuindo o produto desejado.
Há inúmeros relatos sobre crianças que não pedem mais presentes, simplesmente porque não têm o que pedir: já ganharam tudo, correm agora o risco de achar que a vida também não tem mais nada a oferecer. Muitas vezes pedem carros e outros objetos do universo adulto.
No outro extremo, como é do conhecimento de todos, há crianças e famílias que não têm nem o que comer. Esta é a história que estamos produzindo agora, coletivamente. Seria importante começar a revê-la, desde já, no início do ano?

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Memória, Cidade e Educação das Sensibilidades

Evento importante ocorrerá na Unicamp nos dias 13, 14 e 15 de fevereiro/2012. É o VII Seminário Nacional do Centro de Memória, que visa promover uma discussão abrangente envolvendo as relações entre memória, educação e o espaço que ocupamos diariamente: nossa própria cidade.