domingo, 30 de dezembro de 2012

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Homossexualidade: retrocesso na Câmara

Vivemos um momento curioso - ou nem tanto assim, segundo alguns historiadores - de retrocesso nas conquistas da humanidade. No que diz respeito às liberdades individuais e à luta contra o preconceito, compreendemos que muitos avanços já foram realizados.

Há cerca de 20 anos, por exemplo, a OMS ( Organização Mundial da Saúde ) excluiu a homossexualidade de seu manual de classificação de doenças mentais. Isso significa uma grande abertura para conceber e aceitar a sexualidade em suas mais variadas expressões, orientações e diversidade. Homossexualidade, portanto, não implica "homossexualismo", pois o sufixo "ismo" caracteriza uma doença. 

Embora digna de registro, esta grande mudança nos parâmetros da medicina e da ciência não foi suficiente  para eliminar o preconceito social, obviamente. Tanto que, na nossa conjuntura brasileira, um grupo de deputados ultra conservadores busca, na Câmara, através de um decreto, sustar resolução do Conselho Federal de Psicologia, que desautoriza psicólogos a tentarem "curar" a homossexualidade. 

Não existe cura para algo que não é considerado doença. Os Conselhos de Psicologia, responsáveis pela  legislação e fiscalização da atuação profissional do psicólogo, não permitem o atendimento psicológico voltado para a mudança da orientação sexual de uma pessoa, até porque isso é um engodo, posto que situa-se no terreno do impossível. 

O desejo de amar e se relacionar sexualmente com alguém, seja de outro sexo ou do mesmo sexo, não é uma "opção sexual", conforme se afirmava antigamente. Trata-se, de outro modo, da orientação sexual de cada sujeito, individualmente e inexplicavelmente. Apenas isso.

Pautar novamente a heterossexualidade como norma de atuação no campo da psicologia, permitindo a farsa de que é possível transformar uma pessoa homossexual em heterossexual, caracteriza-se como um desrespeito para com todos aqueles que buscam atendimento. Lamentável uma discussão tão antiquada, promovendo o preconceito que ainda vigora e o retrocesso de posições já conquistadas.



quarta-feira, 14 de novembro de 2012

O Deus da Carnificina

Filme de Polanski, um renomado e polêmico diretor polonês, O Deus da Carnificina provoca riso e questionamento em seus espectadores.

Trata-se de uma película leve e engraçada, enfocando dois casais que tentam, civilizadamente, fazer um acordo a respeito da briga violenta entre seus filhos, ou melhor, do golpe que quebrou os dentes e fraturou a arcada dentária de uma das crianças, desferido pela outra. 

Só há uma cena das crianças: a primeira, que abre o filme, belíssima, na qual vemos, à distância, uma praça  habitada por elas, em grupos, inicialmente brincando. Todo o filme, após essa cena, é uma perversa discussão no apartamento do menino agredido.

Podemos acompanhar e identificar, como em um espelho, nossa própria hipocrisia sendo revelada neste  interessante drama cômico, que expõe as fraturas de uma sociedade buscando-se civilizada. Nem tanto assim... vamos percebendo.

Em uma época como a nossa, em que a infância vem sendo exterminada pelo próprio mundo adulto, o filme faz pensar. A maneira como as crianças resolvem seus problemas, na primeira cena, seria a mesma maneira com que nós resolvemos os nossos, com agressão e violência, embora tentemos disfarçar, dissimular e mentir? Primamos pela estratégia e sutileza, mas será que cultivamos pequenas violências veladas, cotidianamente, em nós mesmos e nas pessoas com quem convivemos?

Pois bem, o filme merece nosso olhar, principalmente se nos dispusermos a vê-lo não apenas como entretenimento.

Trailler: http://www.youtube.com/watch?v=x1A-jBvjSLw


sábado, 10 de novembro de 2012

Medicalização infantil: uma importante discussão


MEDICALIZAÇÃO DA VIDA DE CRIANÇAS E ADOLESCENTES: O MITO DA CIÊNCIA


INFORMAÇÕES GERAIS
Data: 21 de Novembro de 2012
Local: Auditório do Centro de Convenções da Unicamp

ORGANIZAÇÃO
Departamento de  Pediatria / Faculdade de Ciências Médicas UNICAMP
CIPED - Centro de Investigações em Pediatria UNICAMP
Conselho Regional de Psicologia de São Paulo
Fórum sobre Medicalização da Educação e da Sociedade
Profa Dra Maria Aparecida Affonso Moysés – Professora Titular de Pediatria, Unicamp / Fórum Sobre Medicalização da Educação e da Sociedade


PROGRAMA
08h30 - Credenciamento
9h00 – Abertura
Profa Dra Carmem Zink Bolonhini - CGU/Reitoria / Unicamp
Profa Dra Maria Ângela Reis Antonio - Coordenadora da Pediatria Social, Depto Pediatria, Faculdade de Ciências Medicas Unicamp
Profa Dra Maria da Piedade Romeiro de Araújo Melo – CRP-SP
Prof. Dr. José Dirceu Ribeiro – Prof. Associado Pediatria, Unicamp / Coordenador Associado do CIPED
Prof. Dr. Gabriel Hessel – Coordenador do Departamento de Pediatria / Unicamp
Profa Dra Maria Aparecida Affonso Moysés -  Professora Titular de Pediatria, Unicamp / Fórum Sobre Medicalização da Educação e da Sociedade
Profa Dra  Rosa Inês Costa Pereira – Diretora Associada da Faculdade de Ciências Médicas da Unicamp

9h30 – 10h30 – Conferência de Abertura: “O Mito da Ciência”
Prof. Dr. João Wanderley Geraldi – Professor Titular de Linguística, Unicamp

Coordenação: Profa Dra Cecilia Azevedo Lima Collares – Profa Associada Psicologia Educacional Unicamp / Fórum Sobre Medicalização da Educação e da Sociedade
10h45 – 12h45 – Simpósio: “Mitos e Verdades  sobre TDAH”
Profa Dra Maria Aparecida Affonso Moysés – Professora Titular de Pediatria, Unicamp / Fórum Sobre Medicalização da Educação e da Sociedade
Profa Dra Virginia Lopez Casariego – Especialista em Pediatria, Docente da Universidad de La Matanza e Universidad de Buenos Aires / Assessora do Instituto Nacional contra la Discriminación, la Xenofobia Y el Racismo  (INADI)   / Forum Infancias
Dra Ligia Moreiras Sena – Doutora em Neurofarmacologia / Autora do Blog “Cientista que virou mãe”

Coordenação: Rosangela Villar – SADA – Secretaria de Saúde de Campinas / Fórum Sobre Medicalização da Educação e da Sociedade
14h30 – 18h00 - Simpósio: “Medicalização, Política, Dessubjetivação”
Profa Dra Carla Biancha Angelucci – Doutora em Psicologia / Docente da Universidade Mackenzie –SP, Presidente do CRP-SP / Fórum Sobre Medicalização da Educação e da Sociedade
Profa Dra Emerson Elias Merhy – Professor Titular de Saúde Coletiva, UFRJ
Profa Dra Gisela Untoiglich – Doutora em Psicologia, Docente da Universidad de Buenos Aires / Forum Infancias
Profa Dra Lygia Viegas – Doutora em Psicologia, Docente da Universidade Federal da Bahia / Fórum Sobre Medicalização da Educação e da Sociedade

Coordenação: Tácito Carderelli da Silveira – Psicanaliista, Mestre e Doutorando em Educação/USP /  Fórum Sobre Medicalização da Educação e da Sociedade

Para realizar sua inscrição, acesse o link: http://foruns.bc.unicamp.br/ e cadastre-se.

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Arte e criação: potência de vida

Nunca é demais lembrar a potência de criação que nossas crianças e adolescentes guardam em suas mãos, em seus corações e pensamentos. É preciso, desde sempre, cultivar essa potência através da arte, caminho para a imaginação liberta.
Como já disse Bachelard, o grande filósofo e poeta da imaginação, "um ser privado da função do irreal é um neurótico, tanto como o ser privado da função do real". É preciso, portanto, mais do que nunca articular real e imaginário, concreto e abstrato, fantasia e realidade.
Só assim, quem sabe, seja possível encontrar saídas para a difícil tarefa de viver e morrer.

Registro de trabalhos artísticos desenvolvidos por alunos e professores da Escola COOPEP de Piracicaba.


segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Direitos Humanos: o Tecido e o Tear

Importante vídeo sobre direitos humanos e o papel do psicólogo foi realizado pelo CRP.
Sempre vale a pena lembrar que estamos tentando criar um país democrático.

http://www.crpsp.org.br/portal/comunicacao/2012_10_01_dh_tecido_tear/2012_10_01_dh_tecido_tear.html


segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Palestra Adolescência e Sexualidade: novos tempos?

A Palestra Adolescência e Sexualidade: novos tempos?, que consta divulgada no quadro ao lado, visa atender aos anseios de alguns pais e educadores preocupados com esse tema.
Afinal, como compreender a sexualidade da juventude nos dias de hoje, estimulada pelo uso excessivo de medicamentos e outras intervenções para "adornar" o corpo? Existe realmente tanta liberdade sexual como normalmente mencionamos? Que liberdade é esta?

Se, por um lado, como afirma Anthony Giddens, vivemos uma "sexualidade plástica", com mais diversidade de práticas, experiências e conceitos - o que revela uma grande conquista da civilização -, por outro lado também precisamos lidar com uma série de outros problemas.
O que dizer da excessiva exposição erótica que as meninas são obrigadas a tolerar, quando ainda nem pensam em sexo, na definição adulta do termo? Podemos protegê-las? É possível e desejável? Por que, para que?

São muitas as questões que podem ser abordadas, questões vitais e importantes a envolver a saúde emocional de seres humanos em processo de formação da identidade sexual.
Para participar dessa discussão, clique na imagem ou no e-mail ao lado.

domingo, 14 de outubro de 2012

domingo, 7 de outubro de 2012

Dia da Criança: por uma infância livre

Dia 12 de outubro é comemorado o Dia da Criança. Assim como no Natal e em outras datas, em nossa cultura de consumo presenteamos nossos filhos, netos e sobrinhos, mesmo que, atualmente, não tenhamos clareza do que comprar.
Muitos pais comentam esse fato: “não sabemos o que dar.” E algumas crianças, em geral mais velhas - de classe média/alta -, também não sabem o que pedir de presente, posto que já ganharam quase tudo o que o mercado dispõe, embora a inovação dos produtos seja constante.
Chama a atenção, nesse momento, reportagens e artigos, em tvs e jornais, que incentivam a aquisição de aparelhos eletrônicos para crianças a partir de 1 ou 2 anos. Celulares, iPads, smartphones e outros recursos tecnológicos são agora indicados, até por especialistas, para crianças pequenas. As razões, a meu ver, são incompreensíveis cientificamente: a única justificativa para presentearmos nossos filhos pequenos com eletrônicos, é garantir a criação de novas demandas comerciais, que possibilitam o movimento do mercado.
Ao contrário do que nos informam as propagandas, nossas crianças não precisam de carro novo todo ano, nem de celulares ou jogos eletrônicos requintados. Um bebê na faixa etária de 18 meses, por exemplo, está interessado em explorar seus próprios passos, brincar com seu corpo, tocar o chão, os bichos e objetos ao redor. Ele precisa sentir nossas mãos, nosso abraço e compartilhar o mundo com outras crianças.
Quando oferecemos a eles brinquedos muito sofisticados, especialmente antes dos 6 - 7 anos, ao invés de estarmos propiciando uma infância saudável, estamos decretando a impossibilidade mesmo de ser criança.  Sem perceber, corremos o risco de atrapalhar o desenvolvimento da criatividade, da espontaneidade e do mundo de fantasias.
O Instituto Alana e a Aliança pela Infância são organizações da sociedade civil que atuam em defesa da infância livre e saudável - www.alana.org.br e www.aliancapelainfancia.org.br. Trata-se de alguns dos poucos grupos a criticar e propor soluções para os abusos frequentes que a indústria, de modo geral, comete para com as crianças. Neste 2012, conhecer esses trabalhos pode ser um presente para muitas famílias e seus filhos!

sábado, 22 de setembro de 2012

Cultura tecnológica e jogos eletrônicos: algumas questões

Em casa, na escola, nas ruas, no comércio, sozinhos ou em grupos, as crianças e os adolescentes, bem como muitos adultos, tornaram-se usuários de uma forma de entretenimento polêmica, embora atualmente banalizada: são os jogos eletrônicos, também chamados jogos virtuais, conectados à Internet. Compreender minimamente a relação deste tipo de tecnologia com a chamada geração net parece ser algo fundamental.

Qual é a experiência que uma criança ou um jovem vive, ao permanecer horas na frente da tela de um computador, jogando online um determinado jogo que o fascina e conversando com os amigos por uma rede social?  Como podemos entender o prazer de um garoto na simulação de outra realidade - a virtual -, criando personagens que, como ele mesmo, desenvolve ações cotidianas: escolhe roupas para se vestir, se alimentar, faz amigos, namorados e até filhos?

Também fazemos parte desta cultura eletrônica e virtual, nutrindo-nos dela diariamente. Deste modo, temos condições de nos colocar no lugar de nossas crianças, tão encantadas frente à magia dos games. Com muito empenho, precisamos criar alternativas que garantam o desenvolvimento saudável de todos: relacionamentos verdadeiros e reais, prática de esportes, arte, leitura e brincadeiras concretas envolvendo a natureza, os objetos e as pessoas.

Caso contrário, viveremos em uma espécie de “sociedade virtual permanente”, na qual as pessoas só se comunicam através de aparelhos tecnológicos, mantendo excessivo controle sobre as próprias ações. Quando conversamos com alguém frente a frente, sem a mediação das máquinas, aprendemos a nos relacionar afetivamente uns com os outros. Precisamos dessa interação social para crescer, para nos sentirmos humanos e compartilhar nossos sentimentos, dúvidas e solidão.

É a pesquisadora norte-americana Sherry Turkle quem questiona: "em que espécie de pessoas estamos a transformar-nos?" Em seus últimos textos, ela propõe interessantes reflexões sobre o tema, estimulando que o uso da tecnologia seja racional, não absoluto.  



sábado, 15 de setembro de 2012

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Palestra: Jogos eletrônicos e Internet


Recriando Vínculos Psicoterapia
Construindo Vidas Saudáveis

Ciclo de Palestras para pais e educadores

Jogos eletrônicos e Internet: Herói ou Vilão?


12 de Setembro - 4ª feira - 19:30 horas - inscrições esgotadas

19 de Setembro - 4ª feira - 19:30 horas - inscrições abertas


Andrea R. Martins Corrêa
Psicóloga e Psicoterapeuta de famílias e crianças
Psicodramatista - IPPGC
CRP 06/45353-9


Vagas limitadas
Participação gratuita através de inscrições 
Fones: (19) 3371-9731 ou 9153-4083
E-mail: andrea-raquel@bol.com.br  

Endereço: Rua Aquilino Pacheco, 1517 - Bairro Alto - Piracicaba/SP

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Obesidade infantil

Cresce assustadoramente a obesidade entre crianças no Brasil, tanto quanto nos EUA.
Sabemos que inúmeros fatores influenciam este quadro, desde questões genéticas e fisiológicas, até culturais e ambientais. Cada fator tem o seu peso e sua responsabilidade.

A indústria de alimentos e a propaganda veiculada diariamente, sem regulamentação, contribuem para o aumento da obesidade, na medida em que estimulam o consumo excessivo dos alimentos sem nutrição, porém doces e gordurosos.

Muitos pais, como sabemos, estão se mobilizando para pressionar o Congresso na regulamentação de leis que protegem a infância da iniciativa privada sem escrúpulos.
Participe!

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

Da violência, pela paz



Assistir a um filme de violência ou jogar vídeo-games violentos predispõe as pessoas a serem mais agressivas?
Nenhum estudo conclui com exatidão qual a resposta a essa questão. As teses sustentadas são sempre polêmicas e contraditórias: há pesquisas afirmando que sim, somos influenciados diretamente pelas imagens de violência, e outras dizendo que não.

A meu ver, essa não é a principal pergunta que deveria ser feita, pois vivemos em um mundo violento e constatamos que temos potencial tanto para a violência quanto para a criação. Neste sentido é que o jogo Mortal Kombat, por exemplo, ou o filme Batman recém lançado, poderiam ser considerados apenas como mais uma dentre tantas outras expressões do ser humano em nosso cotidiano, no contexto da violência.

Talvez fosse produtivo voltarmos nossa atenção para aqueles que investigam também as possibilidades de "desarmar" as pessoas, externa e internamente, estimulando o desenvolvimento de uma cultura de paz baseada em relações de compreensão, diálogo e afeto.   Pode parecer hipocrisia, bobagem ou utopia. Será? Com certeza, algo difícil,  mas possível, necessário e redentor!

sexta-feira, 13 de julho de 2012

Euforia e depressão

Infelizmente o silêncio não é mais considerado um valor positivo em nosso meio urbano, tão caótico e poluído. Com os jogos de futebol das últimas semanas, além dos ruídos constantes aos quais já nos acostumamos, fomos também obrigados a tentar adaptar nossos ouvidos e nosso humor à euforia dos torcedores.

Euforia, aliás, é a palavra de ordem na sociedade de consumo em que vivemos. Nada contra festas, comemorações, shows e esportes. O problema é o quanto isto tudo vem sendo incentivado e vivido excessivamente: há muita euforia em todos os lugares, nos shoppings, nas compras e nos mercados, nos encontros e nas relações entre as pessoas.

Em contrapartida, como seria de se esperar, há também muita depressão, evidentemente. Os casos de depressão não cessam de crescer ao redor do mundo, acompanhados inclusive do aumento do número de suicídios, principalmente entre jovens.

Euforia e depressão podem ser vistos como sintomas complementares de uma mesma doença, um mesmo mal estar: o sofrimento de todos nós ao tentar preencher, quem sabe, o vazio da ausência de afetos, ausência de trocas emocionais significativas, ausência de um bate papo descompromissado com amigos verdadeiros.

Apelamos, muitas vezes sem perceber, para algo mágico, pré fabricado, como uma "falsa alegria" vestida de carros Zero Km, bebidas e drogas sintéticas, muito barulho e torcida - enfim, a própria euforia. Mas como somos humanos, tão somente, acabamos por nos deprimir quando nos damos conta de que o jogo acaba, a festa também e o carro nem sempre é tudo o que desejamos...

Como seria bom um pouco de silêncio, dentro e fora de nós!

segunda-feira, 2 de julho de 2012

Férias de julho

O período das férias escolares poderia não apenas ser um momento de diversão e brincadeira, como também de inclusão na cultura e na arte da cidade onde vivemos.

Por que não visitar bibliotecas e museus interessantes? 
Registro aqui um endereço local que vale a pena conhecer,
embora haja muitos outros ainda:

sábado, 16 de junho de 2012

Precisamos falar sobre o Kevin: um filme que incomoda


Para quem ainda não assistiu, necessário se faz. Para aqueles que supõem ser a perversão e a psicopatia doenças mentais inatas ou genéticas, vale a pena questionar.

Um filme difícil, a nos deixar estupefatos. Belíssimo, talvez necessário ser apreciado durante o dia, pelo menos para as pessoas que têm alguma dificuldade de dormir.

O filme aborda especialmente o relacionamento entre mãe e filho numa família tradicional norte-americana. É baseado no romance Kevin, da autora Lionel Shriver, também dos EUA. A diretora Lynne Ramsay fez uma brilhante adaptação para o cinema, com atores de primeiríssima qualidade.

Qual a importância da afetividade na vida de um ser humano? Até que ponto sua ausência nos desumaniza e contribui para que nos tornemos “monstros”?

Adultos que trabalham com crianças e adolescentes, bem como pais e educadores, todos nós, sem exceção, lidamos com o tema da afetividade, mesmo que não tenhamos consciência disso. Aliás, em geral, este não é um assunto muito discutido, é pouquíssimo valorizado.

Pois bem, creio que seja mais do que urgente falarmos sobre os possíveis Kevin que estamos criando, percebamos ou não.

domingo, 3 de junho de 2012

Contando histórias: poesia e emoção

Cada um de nós é uma história e todos podemos contá-la. Mas há pessoas carismáticas, que se dedicam a nos encantar, produzindo com gestos e palavras imagens ou alegorias importantes, que fazem lembrar nossa condição de seres humanos em um mundo tão transitório, tão frágil e solitário.


Registro aqui nossa homenagem à Carmelina, singular contadora de histórias, e às outras poetisas e poetas que estão apresentando seus trabalhos no Recriando Vínculos Psicoterapia ou que apenas estiveram presentes para contribuir com a emoção deste momento.

 



quarta-feira, 30 de maio de 2012

Exposição

SARAU LITERÁRIO PIRACICABANO


apresenta a exposição
dos poemas trabalhados artisticamente por

Carmelina de Toledo Pizza

Mulher: a dualidade do Amor


Abertura: 01/06, sexta-feira, 19:30h

Local: Recriando Vínculos Psicoterapia


quarta-feira, 23 de maio de 2012

Psicodrama: contribuições grupais

Contribuir para a reflexão de um grupo acerca de temas que possam ser interessantes e relevantes socialmente é um dos objetivos do Psicodrama. Enquanto prática e teoria acerca das relações humanas, o Psicodrama é uma proposta de investigação interpessoal, que focaliza valores, expectativas, sentimentos e atitudes de um determinado grupo.

Através da criação de um espaço lúdico e acolhedor, no qual as pessoas se comunicam e se expressam com mais liberdade, é possível discutir questões polêmicas, que a todos incomodam, como por exemplo, o preconceito.

Em geral temos a tendência de pensar no preconceito, seja ele qual for, como algo que é do outro, que está fora de nós, localizável à distância. Não reconhecemos que a dificuldade de lidar com as diferenças situa-se entre nós, e também em nós mesmos, pois assim fomos educados: na não aceitação de tudo o que possa dizer daquilo que não somos.

E aquilo que não somos, infelizmente, pode tornar-se alvo de frustrações, ressentimentos e ódio, perpetuando sistemas fascistas de poder. Não é de outra maneira que acompanhamos, diariamente, no mundo todo, notícias sobre ataques a casais homossexuais, a pessoas negras, doentes mentais, moradores de rua, refugiados ou qualquer outra condição que revele... o que? nossa própria fragilidade e vulnerabilidade? nossa desigualdade social permanente? nosso medo? nossa loucura?

Seria muito produtivo se conseguíssemos inverter os papéis, ou seja, se experimentássemos um pouco o lugar do outro, a vida das pessoas que percebemos como diferentes de nós. Como olharíamos o mundo deste ponto de vista? O que sentiríamos?

Esta experiência de possíveis transformações são desenvolvidas no palco psicodramático: nele buscamos o outro para, quem sabe, encontrarmos a nós mesmos e, assim, tornarmo-nos humanos. Pois não é disto que somos feitos, de humanidade???

domingo, 20 de maio de 2012

Semana Mundial do Brincar

A Aliança pela Infância, junto ao Projeto Criança e Consumo, do Instituto Alana, divulgam e participam da 3ª Semana Mundial do Brincar, que começa neste domingo,
dia 20 de maio.

sexta-feira, 4 de maio de 2012

Raul Seixas: um homem, uma história

Assistir ao documentário Raul Seixas: O Início, O Fim e O Meio é uma aventura fascinante. Dirigido por Walter Carvalho e Evaldo Mocarzel ( 2012 ), o filme nos propicia um passeio pelas décadas anteriores do Brasil, resgatando a história e as emoções de uma época.

Raul Seixas, também Raulzito, foi um dos símbolos da geração anos 70. Através de sua poesia musical, mergulhamos em universos particulares de nós mesmos e acompanhamos a manifestação de diversos anseios da sociedade, presentes ainda hoje. No documentário, além de sua música, somos também convidados a conhecer uma história de vida trágica, que nos comove e nos alucina, nos encanta e nos afasta simultaneamente.

Imaginamos, com freqüência, que é maravilhoso tornar-se uma celebridade, mas o que ignoramos, também com freqüência, é o alto custo dessa escolha, ou desse acaso. Ser famoso, na sociedade moderna, muito empobrecida no que diz respeito às relações humanas, implica em aceitar, consciente ou inconscientemente, viver um personagem, transformando a própria vida, muitas vezes, na vida do personagem, o que pode significar a morte. 

O delírio das platéias está no personagem, sempre, nunca na pessoa que o apresenta. Esta é humana, sofre, erra, acerta, ama, odeia. O personagem não: nele há algo de heróico, mítico, sobre-humano, irresistivelmente fora de qualquer alcance ou julgamento. O que o documentário nos oferece, neste sentido, é a possibilidade de vislumbrar Raul Seixas para além do seu personagem: assim como todos nós, apenas um ser humano.



quinta-feira, 26 de abril de 2012

Poeminha: dentro de nós


Eventualmente é possível olhar dentro de nós.

Há vida e noite, eternidade com poesia.

Há força e frio, mistério de criação que se faz todo dia.



segunda-feira, 2 de abril de 2012

Trânsito e espaço público

No dia-a-dia das cidades e dos noticiários, acompanhamos situações corriqueiras ou trágicas envolvendo a circulação pelo espaço público: ruas e calçadas, principalmente. Nelas podemos ser pedestres, motoristas ou passageiros. Independente de um destes papéis que ocupamos, sentimos e participamos do caos, impotentemente, como vítimas e vilões.

Embora existam leis para regular o trânsito e a movimentação pelo espaço público, sabemos que elas não são respeitadas. O que nos resta, muitas vezes, é o sentimento onipresente do medo: nas máquinas cada vez mais potentes há perigo, nos motoristas imprudentes e bêbados também, nos assaltantes ou mendigos, quem sabe!

Somos presas dessa modernidade sem direção, que inova constantemente a tecnologia, mas não é capaz de rever o próprio ser humano, suas condutas, necessidades e afetos. Creio que perdemos a noção do que seja viver em grupo e, mais precisamente, do que seja a convivência em um determinado espaço público.

É fácil constatar que nas ruas imperam as máquinas: as pessoas não existem em relação umas com as outras, só existem para si mesmas, na pressa de cumprir suas demandas e atropelando quem quer que esteja na frente. Eis a norma principal do mundo em que vivemos, cumprindo seu papel: o individualismo.

Muitos países mais desenvolvidos do que o Brasil vêm implantando políticas que privilegiam o transporte público, modificando quantitativa e qualitativamente a circulação das pessoas. Basta entrar na rede e conhecer os ônibus de algumas cidades da Europa: sentimo-nos injuriados, bem como tristes ao perceber que o comando de nosso país está tão atrasado... posto que avidamente comprometido com a indústria automobilística.

segunda-feira, 26 de março de 2012

Consumismo infantil: mobilização

Pais e mães bloggeiros criam movimento contra consumismo na infância


"Um coletivo de pais, mães e cidadãos inconformados com o tipo de comunicação publicitária dirigida às nossas crianças criou um movimento no facebook para divulgar e fortalecer a causa.

Este movimento nasceu da indignação dos participantes do Grupo de Discussão Consumismo e Publicidade Infantil, depois do lançamento da Campanha Somos Todos Responsáveis da ABAP ( Associação Brasileira das Agências de Publicidade )."


sexta-feira, 16 de março de 2012

Drogas e Cidadania: um outro olhar

A divulgada "epidemia do crack" realmente existe? Será isso verdade ou trata-se de mais uma das grandes campanhas mercadológicas, com objetivos que não se relacionam à saúde pública? 
O Conselho Federal de Psicologia dispõe 2 vídeos muito interessantes para a discussão:


http://www.youtube.com/watch?v=nDyWk7BPK2k&noredirect=1

http://www.youtube.com/watch?v=5aPIDEHN-zo



segunda-feira, 5 de março de 2012

Literatura e poesia

SARAU LITERÁRIO PIRACICABANO

TEMA: Mulher, seu nome é poesia

LOCAL: Teatro Municipal Dr. Losso Neto

DATA: 13 de março - 19:30h

Homenagem ao escritor Moacyr Scliar e à escritora Luzia Stocco
Exposição de trabalhos poéticos de escritores piracicabanos,
ilustrados por Carmelina Toledo Piza

http://www.agendaculturalpiracicabana.blogspot.com/

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Memória e transformação

O ser humano, segundo os pressupostos da ciência moderna, ampliados pela tecnologia do século XXI, é visto como uma máquina comandada pelo cérebro. Pesquisas e investigações sobre o funcionamento do cérebro estão na linha de frente de todos os cientistas interessados em conhecer o que é o homem.

Em função disso, quando se fala em memória, imediatamente se discutem as capacidades do cérebro para armazenar informações. Não se leva em conta, em geral, as possibilidades da memória como um campo afetivo de experiências, individuais e coletivas.

Memória é também lugar de sentimentos e histórias, não apenas para serem catalogadas, mas também para serem transformadas. É através da memória que criamos vínculos uns com os outros, realizando conexões de tempo-espaço e ampliando as perspectivas de ações transformadoras, no presente e no futuro.

Ao relacionar nosso passado com nossa vida atual, por exemplo, abrimos possibilidades de ressignificar experiências, emoções e relacionamentos, buscando sentidos que podem redimensionar nossa existência ou pelo menos nos ajudar a compreender alguma situação dolorosa.

Da mesma maneira, preservar a memória coletiva de um grupo significa cultivar alternativas de mudar sua própria história, alterando uma rota que nem sempre é a desejada.


quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

A necessidade do vazio


Para contrapor à euforia
Fazer frente à violência
tão presente em nosso dia-a-dia...


Um pouco do nada
algum vazio
uma lacuna.


A nos dizer - o tal vazio -
que existimos
que perguntamos
que não sabemos.


Tendemos a expulsá-lo - sim, o vazio -, dissimulando as angústias e boicotando as perguntas. Mas elas persistem e nos perseguem. É Jorge Larrosa, autor do belíssimo Pedagogia Profana ( Ed. Autêntica, 2010 ), quem provoca todos os nossos sentidos ao questionar as verdades que acabamos por tornar dogmáticas.
Para o autor, o que importa são as lacunas, o que vale é a abertura: conhecer significa assumir-se como um ser errante e inseguro, que nunca chegará às respostas proclamadas pela ciência e pela pedagogia positivista.
Quem somos nós? A cada dia, uma mesma e nova descoberta.


quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Diálogo eletrônico: Melancolia


Alguns filmes nos tocam em profundidade, outros nem tanto. Melancolia, de Lars Von Trier, um diretor polêmico, merece ser contemplado.  E discutido!
Sentimentos, percepções, relações, reflexões de pessoas diferentes: abaixo, o registro de alguns trechos de um diálogo eletrônico acerca do filme.
J: Eu confesso que, quando assisti ao filme no cinema e saí da sala, fiquei com uma sensação estranha, não saberia responder à pergunta "Você gostou do filme?" Parecia que antes precisava digerir. Eu tinha o receio de ser daqueles filmes pesados, com uma história triste, de uma pessoa que sofre e vai piorando, argumentando que a vida é assim e ponto final. Mas não foi desse jeito que eu fiquei.

A: Eu fiquei “tomada”, emudecida. Fiquei mal, não gostaria de assistir ao filme novamente. É lindo e impressionante, mas difícil demais.

J: É interessante como a tristeza e a beleza costumam andar juntas, né? As imagens do filme e da protagonista Justine são brilhantes. A fotografia, por exemplo: na primeira parte, a da festa, as cores são marcadas por tons quentes, amarelados. Na segunda parte as cores ficam frias, azuladas. Isso foi me passando uma sensação muito forte de sonho, de noite, de morte. Em harmonia com esses tons de cores, as imagens da mansão, dos campos enormes, da solidão dos personagens, tudo isso foi construindo um clima de emoção inexplicável, fazendo a gente viver um fim do mundo único - não apocalíptico, de desastres e multidões desesperadas -, mas uma morte existencial individual, uma entrega, um lindo choque com o Melancolia...

A: O planeta Melancolia e nossa própria melancolia, não é mesmo?  Neste sentido, fiquei pensando: será que Justine é mesmo doente? Para o apocalipse anunciado, ela era muito mais sã do que todos os outros personagens! Talvez o que consideramos ou não doença dependa do contexto.

J: Sim. Imagino que o pensamento de Justine e do diretor pudesse ser: "Por que se desesperar com o fim do mundo, já que a vida sempre acaba sem nenhum sentido mesmo? A tristeza do fim do mundo já está anunciada desde que sabemos que a vida é finita."

A: É, mas a maioria de nós não quer morrer, mesmo sabendo que a morte é inevitável.  Não podemos esquecer que o vazio apontado no filme, essa falta de sentido, tem um contexto, que é o nosso, da modernidade, recheada de onipotências: o dinheiro, o poder, a ciência. Nem toda tecnologia produzida por uma humanidade desvairada e arrogante é capaz de conter a natureza, ou seja, o fim do planeta Terra e o nosso próprio fim. Interessante pra repensar o que estamos produzindo. Acho que muito do que produzimos não tem mesmo sentido e é revelado na festa, ou melhor, na hipocrisia dela, em contraponto ao desgosto de Justine.


J: Estranho em como a "evolução" da humanidade parece estar tomando um rumo acelerado ao vazio, principalmente nas últimas décadas. Tudo parece estar se banalizando. As tecnologias estão mais preocupadas em desenvolver celulares com recursos inúteis, que nos dêem a impressão de ganhar tempo com alguma coisa que nunca precisamos. Essa aceleração de tudo e do tempo nos faz fugir do ritmo da natureza, evitando as dores da reflexão sobre a existência.


A: E nos desumanizando...

J: Afora a arte, que se não nos salva, pelo menos engana muito bem!

A: Ainda aposto que nos salva, pelo menos por enquanto!  


J: João Paulo Paterniani
A: Andrea Martins Corrêa


Filme: Melancolia ( Melancholia )
Direção: Lars Von Trier
Lançamento: 2011

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

O mito do consumo

Todo ano que se encerra traz consigo a comemoração do Natal, época marcada muito mais por peregrinações consumistas do que por rituais religiosos.
No interior das lojas, o ser humano da modernidade, embora não perceba, é mais consumido do que consome. É devorado pela imposição de desejos que não são seus, mas que são necessários para alimentar o mundo capitalista. Vagando de vitrine em vitrine, o “ser objeto”, posto que não é dono de si mesmo, constrói mitos: será eternamente feliz se puder comprar aquela bolsa, quem sabe o tão sonhado perfume... Descobre-se, contudo, infeliz, mesmo possuindo o produto desejado.
Há inúmeros relatos sobre crianças que não pedem mais presentes, simplesmente porque não têm o que pedir: já ganharam tudo, correm agora o risco de achar que a vida também não tem mais nada a oferecer. Muitas vezes pedem carros e outros objetos do universo adulto.
No outro extremo, como é do conhecimento de todos, há crianças e famílias que não têm nem o que comer. Esta é a história que estamos produzindo agora, coletivamente. Seria importante começar a revê-la, desde já, no início do ano?

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Memória, Cidade e Educação das Sensibilidades

Evento importante ocorrerá na Unicamp nos dias 13, 14 e 15 de fevereiro/2012. É o VII Seminário Nacional do Centro de Memória, que visa promover uma discussão abrangente envolvendo as relações entre memória, educação e o espaço que ocupamos diariamente: nossa própria cidade.