quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Cotidiano: vida automática?

Vivemos em tempos difíceis, alguns diriam “desumanizados”. Acordamos, trabalhamos, estudamos, vemos TV ou internet, cuidamos dos filhos, da casa, fazemos compras e dormimos. Também adoecemos, morremos jovens ou velhos, crianças ou adultos.

Porquanto a única certeza da vida seja a própria morte, evitamos freqüentemente falar sobre ela, esquecendo-nos, assim, de que o humano é provisório, não é eterno. Ou seja, somos seres mortais, temos um tempo a ser vivido, que se esgota a cada dia.

Será que vivemos realmente as nossas vidas? O que seria isso? Sentimos e percebemos o que estamos fazendo ou apenas agimos automaticamente, sem refletir ou fazer escolhas?

Uma pessoa me disse com franqueza: “nada mais me toca”. Ela estaria viva, ou seria uma espécie de “morta-viva”, cumprindo com todas as obrigações diárias, todas as expectativas alheias, sem nenhum questionamento?

Através dos minutos dos relógios que nunca param, somos insistentemente assombrados por um cotidiano cruel, que nos transforma em “fazedores de coisas” e consumidores de desejos impostos, não escolhidos. Corremos o risco de viver apenas isso, marcando o tempo e a vida de hora em hora, de coisa em coisa... as vezes nos anestesiando com bebidas e drogas para sentir algo que não conseguimos mais: sentir as pessoas ao nosso redor, sentir os sentimentos que dão sentido à vida.

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Educação informal: qual o valor da arte?

Atualmente, mais do que nunca, muito se discute sobre a educação formal das crianças e adolescentes: quais os métodos de ensino adequados, quais os conteúdos importantes, como desenvolver competências, como garantir competitividade. Nada se fala, no entanto, sobre a educação informal que a arte, inserida na prática da cultura cotidiana, pode proporcionar.


As crianças são incentivadas a freqüentar o teatro? Assistem peças infantis, vão a museus, bibliotecas e salões, por exemplo? Qual o valor que esta "educação da sensibilidade" tem na sociedade moderna brasileira? Nenhum?


Até onde percebo e acompanho, a vida das pessoas, em geral, é bastante empobrecida neste critério, sejam elas de classe alta ou menos favorecida. Com as crianças e os jovens, não poderia ser diferente: é a tv e a internet que coordenam o tempo livre. Quando muito, o cinema participa de alguns passeios, principalmente por estar nos shoppings e exibir filmes comerciais americanos.


Com certeza, as dificuldades para sair de casa e assistir um espetáculo de música instrumental não são econômicas, pois há muitas opções de qualidade por custo baixo ou mesmo sem custo algum. Talvez o problema seja cultural, isto é, não somos educados para pensar que a arte é tão importante quanto a informática, tão necessária quanto a escola, tão interessante quanto as lanchonetes. É ou não é???