quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

O Discurso do Rei

Embora haja muitas controvérsias acerca da veracidade do filme O Discurso do Rei, não seria exagero afirmar que se trata de uma obra de arte digna de ser admirada, comentada e assistida. Se as referências históricas correspondem ou não à realidade da época, isso não importa do ponto de vista da ficção e da humanidade do filme. A meu ver, o filme é belíssimo, levando em conta a direção, a interpretação dos atores e a trilha sonora, absolutamente inesquecível.

O foco principal do filme é o relacionamento do rei inglês George VI - que buscava a cura de sua “gagueira” - com o terapeuta da fala Logue. Um rei, categoria de “humanos louváveis”, um tanto divinizados ainda, e um “anônimo” ( como se diz hoje em dia ), que nem em medicina se formara. Uma relação de poder já estruturada pelos papéis sociais da ordem vigente que, no entanto, se inverte, transformando-se numa experiência de vida humanizadora. Algo emocionante, sensibilizando a todos e refletindo verdades pouco acessíveis...
Quais são elas? É ver para descobrir!

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Vestibular: competição e dignidade

Em novembro e dezembro, acompanhamos os adolescentes numa das tarefas mais difíceis da vida: o vestibular. Passaporte para o futuro - ou nem tanto assim, muitos dirão -, é certo que se trata de um momento estressante, por vezes carregado de sofrimento, angústia e decepção. Quanto maior a expectativa, maior a ansiedade.

Apesar das mudanças que vêm sendo feitas nos últimos anos, o vestibular continua a movimentar um mercado considerável da área de educação, predispondo os jovens a uma competição cada vez mais acirrada e terrível. O preço a pagar, por todos aqueles que realmente se dedicam às provas, é altíssimo, principalmente no ingresso às universidades públicas.

As pressões e exigências excessivas afligem a todos, contribuindo com a falta de concentração e os “brancos”, com a insônia, a irritabilidade e o isolamento. É freqüente ser tomado por um enorme sentimento de fracasso, como se algo tivesse errado, por mais qualificado que o estudante seja.

Não será a nossa sociedade competitiva demais, para além dos limites do ser humano, em sua dignidade e saúde mental? Sei que essa é uma pergunta incômoda, talvez ridícula para alguns, visto que o desenvolvimento e a tecnologia com a qual vivemos hoje só foram possíveis graças à competitividade. Porém, arrisco-me a afirmar: a competição também mata, adoece, perturba.

Nunca é demais acolher nossos jovens para dizer-lhes que a culpa não é deles, se realmente acreditamos nisso. Dizer-lhes que também nós erramos muito e que ser reprovado no vestibular faz parte da vida.
Não apenas dizer: é preciso que seja verdade.