sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Cinema e subjetividade

Refletir sobre a possível função terapêutica do cinema, nos dias de hoje, é algo que considero muito interessante, posto que vivemos em um mundo controlado por imagens.


A imagem produzida pelo cinema tem suas especificidades. Quando entramos nesta sala escura, sabemos que, emocionados ou não, sobreviveremos fisicamente.
A distância entre nós e o quadro no qual uma narrativa se desenvolve é determinante, bem como confortável. Estamos protegidos dos ataques, das balas, das mortes, do horror, da doença ou da fome.

O mesmo não se pode dizer quanto a nossa subjetividade. Penetramos o filme, permitindo que ele se instale em nós e nem sempre dele saímos inteiros.
É possível, então, que alguma nova intensidade comece a fazer parte de nossas vidas, nosso olhar para o mundo, nossos relacionamentos. Nessa nova intensidade sonhamos, imaginamos, tocamos o irreal e o tornamos quase real, com freqüência solitariamente, em nossa mais profunda e intocável intimidade.


Alguém poderia afirmar nunca ter vivido uma experiência como essa?


Diversos pesquisadores e psicólogos discutem a função psicoterapêutica do cinema.
Na obra A Experiência do Cinema, livro organizado por Ismael Xavier, há um texto de Hugo Mauerhofer, psicólogo alemão, investigando especialmente esta questão, ou seja, se o cinema nos proporciona uma vivência emocional significativa, estimulando a transformação pessoal.


Penso que sim, que um filme pode nos acolher, nos abrigar, nos inquietar, angustiar ou entristecer. Pode promover reflexões e ações, individuais ou coletivas. Pode ser um obra aberta, conforme definição de Umberto Eco, favorecendo múltiplas leituras, olhares e emoções.

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Amizade em poesia

Não é o dia da amizade, mas para comemorar novos encontros e conquistas, publico a tradução da maravilhosa letra da canção L'amitié ( 1965 ), que foi tema do filme As Invasões Bárbaras, digno de ser contemplado.


“Muitos de meus amigos vieram das nuvens,
com o sol e a chuva como bagagem.
Fizeram a estação da amizade sincera,
a mais bela das quatro estações da terra.
Têm a doçura das mais belas paisagens e a fidelidade dos pássaros migradores.

Em seu coração está gravada uma ternura infinita,
Mas, as vezes, uma tristeza aparece em seus olhos.
Então, vêm se aquecer comigo e você também virá.
Poderá retornar às nuvens e sorrir de novo a outros rostos,
Distribuir à sua volta um pouco da sua ternura
Quando alguém quiser esconder sua tristeza.

Como não sabemos o que a vida nos dá,
Talvez eu não seja mais ninguém.
Se me resta um amigo que realmente me compreenda,
Me esquecerei das lágrimas e penas.

Então, talvez eu vá até você aquecer
Meu coração com sua chama."


Vale a pena ouvir a música, pelo site:

http://webcache.googleusercontent.com/search?q=cache:http://letras.terra.com.br/francoise-hardy/57333/traducao.html