sexta-feira, 18 de junho de 2010

Adolescência: As Melhores Coisas do Mundo

O filme nacional As Melhores Coisas do Mundo , dirigido por Laís Bodanzky e lançado recentemente nos cinemas (2010), retrata, como nenhum outro, o universo adolescente da classe média brasileira. Através dele podemos reconhecer nossos filhos, nossas escolas e nossas próprias contradições como adultos e educadores.

Para os adolescentes, o filme também é inspirador, na medida em que revela angústias e descobertas, sem os apelos típicos dos programas de TV ou da mídia norte- americana, infelizmente dominante no mercado nacional.

Pelos olhos de Mano, Marcelo, Pedro, Carol e outros personagens, nossos jovens podem se identificar e se perceber como parte de uma realidade comum, que envolve conflitos familiares, sexualidade e bullying, entre outros temas. Além disso, aos pais e adultos em geral, que insistem em criticar ferozmente a juventude atual, sem proceder, da mesma maneira, a uma autocrítica, o filme possibilita algumas reflexões interessantes.

Em primeiro lugar, sabemos que os adolescentes precisam se agrupar, uns com os outros, para desenvolverem o “pertencimento”, aquele sentimento de “fazer parte”, compartilhar valores, emoções e atitudes com os “iguais”. Mas esquecemos que, apesar desta necessidade, eles são, como todos nós, diferentes entre si, com pensamentos e sensibilidade individuais.

Nem todos estão de acordo, por exemplo, que seja correto perseguir um colega homossexual da escola ou uma garota considerada promíscua, por mais sutil que seja essa perseguição. O problema é que oferecemos poucas alternativas a estes adolescentes, sujeitos e senhores da tolerância e da compreensão. A moda que dita os valores, afinal, tanto entre os adultos quanto entre as crianças, é a da extrema competição, vaidade e narcisismo.

Mesmo assim, embora tenhamos dificuldades de acreditar, a geração internet pode ser muito criativa quando propõe discussões, questionamentos e soluções para determinadas situações. Basta haver espaço, um pouco de incentivo, muita paciência e, sem dúvida alguma, interesse por filmes como esse que, entre outras coisas, nos estimula a pensar: será que realmente conhecemos nossos filhos? Estamos próximos e disponíveis o suficiente? Quais os valores que estamos lhes ensinando?

http://www.warnerlab.com.br/asmelhorescoisasdomundo/site/

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Entrevista: valores familiares

O site do Insituto Alana apresenta esta semana uma entrevista muito interessante com a psicóloga Rosely Sayão. Vale a pena conferir!

"Temos criado uma geração de crianças e jovens absolutamente anônimos no sentido de valores familiares".

sexta-feira, 4 de junho de 2010

Mãos Dadas: sonho e poesia

Com tantas notícias sobre violência e guerra a nos bombardear diariamente, precisamos fazer um esforço para não abandonar nossos sonhos que, de alguma forma, por mais individualistas que sejam, fazem parte deste mundo incrivelmente louco em que todos vivemos.
A crueldade humana é um fato indiscutível, bem como incompreensível. Para que e por que o homem mata, destrói e busca incansavelmente o poder?
Nenhuma explicação, seja científica, filosófica ou religiosa, dá conta de responder inteiramente esta questão.
Por isso, vale a pena lembrarmos dos poetas, artistas que não se arrogam explicações sobre o mundo, mas apenas cultivam sonhos, doces palavras que podem encantar alguns corações.

De Carlos Drummonde de Andrade, segue o poema Mãos Dadas, absolutamente contemporâneo...

Não serei o poeta de um mundo caduco.
Também não cantarei o mundo futuro.
Estou preso à vida e olho meus companheiros.
Estão taciturnos mas nutrem grandes esperanças.
Entre eles, considero a enorme realidade.
O presente é tão grande, não nos afastemos.
Não nos afastemos muito, vamos de mãos dadas.