quinta-feira, 25 de março de 2010

A Criança e a TV

O meio de comunicação de massa mais difundido em nossa sociedade, apesar do avanço da Internet, ainda é a televisão. Mesmo com todas as suas deficiências, é fato que os programas televisivos ampliam o acesso à informação. No entanto, precisamos começar a nos perguntar:

Como nossas crianças têm sido tratadas pelos produtores de televisão? Quais valores humanos, éticos e morais são difundidos e legitimados nas novelas e nos desenhos? A TV respeita o Estatuto da Criança e do Adolescente, que garante o direito à proteção frente aos meios de comunicação?

Atualmente convivemos com crianças pequenas, de 3 ou 4 anos - que deveriam estar vivendo intensamente a fase da fantasia, o desenvolvimento da criatividade -, imitando cenas eróticas de novelas e gestos agressivos de desenhos. Convivemos com crianças maiores que pedem celulares e carros de presente, invadidas por um consumo adulto totalmente inadequado.

Ou não? É bom para uma menina de 6 anos desejar "colorir com tinta" os seus cabelos, tão novinhos ainda? É bom para um menino, ao descobrir seu potencial motor, sua capacidade de chutar uma bola e pular como saci, ficar inerte na frente da televisão, mexendo quando muito os olhos?
Sabemos que nada disso é muito saudável, mas aceitamos a ditadura da TV.

Sem mesmo perceber, permitimos a Sua presença, quase como um ente querido, em todos os ambientes que freqüentamos: desde a academia de ginástica, o restaurante, o consultório, até o interior de nossas casas, nossos quartos e os dos nossos filhos.
Na maior parte das vezes, inclusive, não há mais possibilidade de nos relacionarmos uns com os outros sem a mediação da televisão. As reuniões familiares, por exemplo, em geral são acompanhadas pelos ruídos dos jornais ou das novelas.

Nossas crianças, desta maneira, estão correndo o risco de viver uma infância pobre e sem limites para os próprios caprichos e vontades imediatas, cultivando prazeres egocêntricos que não contribuem para o crescimento nem para o amadurecimento individual. Por isso e tantas outras coisas é que, enquanto educadores, precisamos protegê-las, instaurando o diálogo e a discussão sobre a TV, em casa e na escola.

sábado, 13 de março de 2010

Imagens e Estereótipos Femininos

Refletir sobre o papel da mulher na atualidade exige grande exercício de sensibilidade e honestidade.

Em geral, é muito difícil nos descolarmos dos apelos da mídia, que ora engrandece uma mulher absolutamente idealizada, ora destrói essa mesma mulher. Vale a pena checarmos os Suplementos Femininos dos grandes jornais impressos ou das revistas de moda para constatarmos algumas imagens: a figura feminina reduzida a produtos de beleza, a malhação e calorias, a cabelos sedosos, cintura fina e pele suave.

Obviamente que tal mercantilização do ser humano não se restringe à mulher, estendendo-se também aos homens, crianças e às diversas minorias. Tudo está à venda atualmente, com belas embalagens e muita sedução, algo que somente um marketing competente, por vezes nada ético, poderia criar.

Mas será que temos que nos encaixar nos rótulos e estereótipos propostos por outros? Para que?
Será que percebemos o quanto estamos envolvidos nessa rede de imagens e valores que mais nos aprisiona do que liberta?

Sinto-me bastante afrontada, bem como desestimulada, ao tentar assistir os programas de TV dirigidos ao público feminino. Tenho quase certeza de que tanto eu quanto outras mulheres não se encaixam em nenhum desses formatos “pré-moldados”, que insistentemente nos são impostos.
Por vezes fico indignada com a distância que existe entre nossa realidade, nosso dia-a-dia e a superficialidade ou banalidade desses programas. Nada que acrescente em nossa subjetividade, pelo contrário, pode até nos ferir...

segunda-feira, 8 de março de 2010

Tributo ao Dia da Mulher

Versos livres ao amor
por Ana Marly de Oliveira Jacobino

A mais bonita história de amor
ainda não foi publicada
escrevo em versos livres
a experiência de ser mulher.
Revisito o seu ventre,
dormitório da vida.

E, agora neste mundo,
mágico de criança
os livros companheiros
entretém e ensinam.
Brinco de tudo saber
sem saber que não sei.
Sua imagem amada
interage na minha vida
aplaca os meus temores
reconforta a minha alma.

Mulher de mil e uma orações
dos mil e um benzimentos.
Dos quebrantos e mal olhados.

Mulher camponesa
Mulher esposa
Mulher imigrante.
Sem teto e sem voz
arcada pela lida do campo
Plantando sementes
no solo e no ventre
repleta de amor
fiel depositária
do gérmen da vida.