sábado, 30 de janeiro de 2010

Filhos: desejos e expectativas dos pais

Muito mais do que percebemos, as expectativas formam um grande vetor de força e fragilidade em nossos relacionamentos, participando ativamente de nossas emoções, ações e fantasias.


Um casal que está prestes a receber um filho, por exemplo, pode imaginá-lo loiro ou moreno, de olhos castanhos ou azuis, do sexo feminino ou masculino. Pode ainda fantasiá-lo sendo sapeca ou bem comportado, tornando-se músico ou engenheiro. As fantasias são muitas e revelam expectativas acerca da criança que ainda nem existe concretamente, mas que vai tomando forma e se corporificando no útero materno.


Quando chega ao mundo, portanto, a criança já está inscrita nos valores da sociedade e nos desejos familiares. Porém, para se tornar um indivíduo saudável com o mínimo de autonomia, é preciso que essa mesma criança se diferencie das expectativas de seus pais e cuidadores, trilhando caminhos que nem sempre são esperados.


Em geral, é muito difícil para nós, adultos, separarmos nossos filhos de nossos próprios desejos. Esperamos que eles sejam exatamente aquilo que fantasiamos, satisfazendo nossas ambições e frustrações. Esperamos que façam escolhas assertivas, com poucos erros e muitos acertos. As vezes até esperamos que eles façam as mesmas escolhas que estamos fazendo para eles... ou melhor, queremos escolher por eles, impondo nossas necessidades de forma sutil, nem sempre declarada.


"Os adultos se acham... eles sempre estão certos!” Esta é uma frase típica de crianças e adolescentes, vivendo conflitos que fazem parte do desenvolvimento da própria identidade.
Talvez fosse interessante ouvir com mais consideração esse tipo de fala, pois ela pode estar indicando nossas próprias dificuldades em aceitar nossos filhos como eles são, saudavelmente diferentes do que imaginávamos...

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Nossos projetos: expectativas e frustração

Em geral é nesta época, de início de ano, que traçamos projetos importantes para nossas vidas, a serem realizados ou abortados no decorrer dos meses e dias que vão passando.

Pensamos em estudar mais, em dormir menos, em ganhar mais dinheiro, em investir nisto ou naquilo... Comprar o tal carro, móvel ou casa, fazer aquele curso e aquela viagem, conquistar novas coisas, pessoas ou posições. Mudar enfim o que nos incomoda, tentando organizar a bagunça de nossos desejos, expectativas e ambições.

Sabemos, de antemão, que nunca é possível dar conta: o dinheiro não chega, o curso não acontece, desistimos do carro novo, a viagem fica para o outro ano, não mudamos de emprego... Só com muito humor para agüentar tantas frustrações em nosso dia-a-dia, que foge das nossas mãos, de nosso controle, feito cavalo a galope ou pássaro liberto do cativeiro! Sem contar ainda com a possibilidade de surgirem situações trágicas, que envolvem doença, morte ou desemprego.

Infelizmente talvez tenhamos que aprender a realizar o constante exercício de diminuir nossas expectativas em relação à vida, a nós mesmos e aos outros. Fomos educados e acostumados a esperar muito, sempre estamos esperando, ansiosamente... Somos grandes expectadores de nosso próprio desempenho, do desempenho de nossos filhos, do olhar de nosso chefe ou cliente, do carinho de nosso parceiro.
É dessa forma que, sem perceber, vamos nos transformando em escravos e, do mesmo modo, escravizamos.
Sofremos e fazemos sofrer. Quem sabe valha a pena rever...

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Pensando alto: nosso futuro no planeta Terra

É triste começarmos o ano de 2010 em estado de comoção nacional, motivado por desastres ambientais que poderiam ser evitados, mas não são. Pelo contrário, são recorrentes e vêm aumentando.

Embora um dos assuntos mais discutidos nos dois últimos meses de 2009 tenha sido a 15ª Conferência da ONU sobre o clima, em Copenhague, sabemos do pouquíssimo avanço contemplado nas negociações entre os líderes e chefes de Estado, interessados, pelo que consta, na proteção da espécie humana no planeta.

Polêmicas à parte, é consenso que o aquecimento global é um fenômeno tanto natural quanto humano, ou seja, está inserido em ciclos previsíveis da natureza, que já ocorreram em outros momentos da existência da Terra, e ao mesmo tempo é agravado pela ação do homem, que produz excessiva poluição e destruição.

A questão que muito tem sido levantada por grandes pensadores contemporâneos é: o planeta sobrevive, se sustenta frente às catástrofes, mas o homem talvez não.
Isto posto, significa que somos nós que precisamos da Terra, não ela de nós.
Será que estamos entendendo assim?