domingo, 25 de outubro de 2009

Em Cena: dificuldades na escola

É um menino inteligente, mas aos olhos dos adultos, não parece.
Sabe levantar pipa, jogar bolinha de gude, andar de bicicleta, desenhar.
Mas não gosta de ficar parado, pensando.
Quando assiste TV, movimenta-se feito macaco no sofá. Quando faz tarefas de escola, não consegue se concentrar. Todos reclamam de sua agitação.
Sua principal cuidadora é a avó, com quem ele briga o tempo todo. Os pais ficam fora, trabalhando.
Na escola, ele quer brincar. Tem 7 anos. É difícil ficar na carteira, prestando atenção na aula.
A professora reclama, os amigos o querem bem. Alguns se chateiam, outros tentam ajudá-lo nas lições.
Certo dia, a professora propõe um jogo diferente, que ele, com muita imaginação, já conhece e domina. É então que todos se surpreendem com as desconhecidas habilidades do menino.

Esta pequena história foi vivenciada por alguns ( ou muitos? ) educadores, na vida real e na ficção do palco psicodramático.
Talvez ela possa nos ajudar a prestar mais atenção nas diversas capacidades que nossas crianças têm, em casa e na escola.
Infelizmente temos o hábito de cobrá-las para que sejam mais responsáveis, organizadas, concentradas em tarefas de conteúdo lógico-formal. Esquecemos da imaginação, da arte, da brincadeira, do contato físico e afetivo, do conhecimento cotidiano através das relações.
Rubem Alves nos ensina que, para ter sentido e valer a pena, a escola precisa estar integrada com a vida, com a aprendizagem que a criança adquire no dia-a-dia: professores e alunos compartilhando um espaço de criação, não apenas de repetição; pais que dediquem tempo aos filhos, não somente para exigir, mas também para ouvir, abraçar, jogar, passear, brincar...

2 comentários:

  1. Andrea: tudo realidade e posso assinar embaixo, pois vivenciei isto nas escolas que trabalhei. Parabéns pelo artigo.

    Ana Marly de Oliveira Jacobino

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  2. É uma história que nos intriga: a escola permanece nos modelos do século passado. Essa geração de crianças por medo e insegurança dos pais: não brinca com seus vizinhos e amigos, não tem oportunidades de correr, aventurar-se... Entra na escola com uma idade tenra (às vezes 4 meses, por necessidade da família), quando chega aos 6 anos está saturada desse formato e da disciplina escolar. E nós, o que fazemos? Refletimos e buscamos uma solução ou rotulamos essa criança e "arrumamos" um remédio para resolvê-la, bem depressinha? Retomo o princípio do meu pensamento: é uma situação, no mínimo, intrigante.

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