quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Dos vínculos nossos de cada dia, um pouco de poesia...

Nas ondas do mar, que vão e vêm ininterruptamente, residem as palavras que compõem canções de textos descontínuos, abertos a possibilidades, dispostos a olhares múltiplos.
Melodia nem sempre terna, as vezes melancólica ou rancorosa... essas canções que buscam, contudo, a beleza da dor.
Entre pais e filhos, entre homens e mulheres, entre amigos e inimigos, não poderia ser diferente: a música revela-se ora serena, ora tempestuosa, marcando compassos de ritmos por vezes irreconhecíveis.
Não é possível dar conta. O movimento das ondas jamais será interrompido, mas nós podemos contemplá-las e, se quisermos, nelas mergulhar para, quem sabe, encontrar algumas conchas preciosas.
Conchas de vida, conchas coloridas ou solitárias que então podemos guardar para nós, apenas por um tempo...
Em outro tempo, corajosamente precisamos devolvê-las ao mar.
Se no mar mergulhamos - incerto, louco, sem direção, indo e vindo com as ondas que dele fazem parte -, experimentamos o acaso, o ir e vir, as vezes cíclico, outrora incerto, duvidoso.
Na tarefa árdua, contínua e diária de construirmos nossas vidas e nelas nossos vínculos, nossos olhares, pensamentos e emoções... vamos e voltamos para dentro e fora de nós mesmos, encontrando pérolas e ostras perdidas pelo espaço e pelo tempo.
Procuramos ordená-las um pouco mais, somente até onde for possível, para compreendê-las, para apreciá-las, para compartilhá-las com outros no decorrer da caminhada.