quinta-feira, 28 de maio de 2009

Reflexão: Direitos da Criança

É muito triste acompanharmos pela mídia e pela vivência do dia-a-dia o quanto nossas crianças e adolescentes estão expostos a uma sociedade que prima por valores consumistas e individualistas, produtores, por si mesmos, de toda a violência que testemunhamos e também reproduzimos em nossas relações.
O Nono Princípio da Declaração dos Direitos da Criança, que orienta nosso ECA ( Estatuto da Criança e do Adolescente ), afirma:
“A criança gozará de proteção contra quaisquer formas de negligência, crueldade e exploração. Não será jamais objeto de tráfico, sob qualquer forma.
Não será permitido à criança empregar-se antes da idade mínima conveniente; de nenhuma forma será levada a ou ser-lhe-á permitido empenhar-se em qualquer ocupação ou emprego que lhe prejudique a saúde ou a educação, ou que interfira em seu desenvolvimento físico, mental ou moral.”
Isto posto, fico a me perguntar por que o trabalho infantil das crianças mais pobres é tão combatido e o trabalho das crianças na mídia não é. Qual a diferença, por exemplo, entre a criança que trabalha na rua, vendendo balas no sinaleiro, e Maísa, a menina de 6 anos que trabalha no SBT? Será que fazer programa de televisão não é considerado trabalho?
A diversão e o sucesso que Maísa proporciona ao SBT e a muitos telespectadores não só é permitida como também estimulada, atenuando os efeitos da legislação que protege as crianças, ou que deveria protegê-las.
Podemos pensar que é difícil colocar em prática leis que cultivam valores opostos aos de uma determinada sociedade.
Vejamos: a maior parte das pessoas acha muito legal aparecer na TV, ter fama, sucesso e ganhar direito a todo custo, não importa a idade. Talvez a maior parte dos adultos não veja problema algum no fato das meninas, desde bem pequenas, serem incentivadas a dançar, rebolar, usar botinhas e maquiagem. Afinal, “fica tão bonitinha...”
Agrada aos olhos do mundo os pequenos que se inebriam com as câmeras, propiciando, desta maneira, o desenvolvimento de uma espécie de “pedofilia social”, um prazer velado ao contemplar corpos de crianças nas revistas, nos jornais, na TV, nas ruas e muitas vezes nos lares.
Corpos desde muito cedo educados tão simplesmente para isso, para serem objetos do consumo irresponsável de homens e mulheres já crescidos.

Andrea R. Martins Corrêa
Sugestão: conhecer o site
http://www.redeandibrasil.org.br/

sábado, 23 de maio de 2009

A necessidade de Brincar

DEIXE SEU FILHO BRINCAR: CRIANÇA QUE BRINCA É CRIANÇA FELIZ!

De 24 a 31 de Maio será realizada a Semana Mundial do Brincar, que busca dar visibilidade à necessidade de brincar que todas as crianças têm.
O site
http://www.aliancapelainfancia.org.br/ revela uma iniciativa interessante por parte de todos aqueles que estão preocupados com o desenvolvimento das crianças.
Com tão pouco espaço nas cidades, tantos compromissos e exigências, poucas são as crianças que brincam livremente nos dias de hoje.
Precisamos nos lembrar, no entanto, que brincar é a linguagem da criança, ou seja, é a principal forma de comunicação infantil. Por isso, quando desejamos nos relacionar bem com uma criança, podemos brincar com ela ao invés de conversar.
As crianças expressam sentimentos, pensamentos e valores ao brincar; exercitam a imaginação, se socializam e aprendem a se relacionar com o mundo de forma prazerosa.
É muito importante permitirmos que as crianças brinquem. Seria mais interessante ainda se nos dispuséssemos a brincar com elas. É simples: basta reservarmos algum tempinho na semana, encontrar uma brincadeira que agrade tanto a criança quanto a nós mesmos, e brincarmos, tão somente.


Andrea R. Martins Corrêa

terça-feira, 19 de maio de 2009

Educação para a Infância

Os primeiros anos de nossas vidas são muito importantes. Por isso, vale a pena conhecer um pouco as etapas do desenvolvimento de uma criança.
  • O Bebê
    - Desde muito pequenino, o bebê já reage a quase todos os estímulos do ambiente que o cerca. Um barulho muito forte, por exemplo, pode assustá-lo. O som e a imagem da TV não são recomendados, pois podem deixá-lo agitado. No entanto, músicas calmas e tranqüilas, assim como a voz suave da mãe ou do pai, colaboram para que ele se aquiete e se sinta seguro.
    - É importante acariciá-lo e aconchegá-lo ao colo, oferecendo-lhe o máximo possível de contato físico. Desta maneira, ele se sentirá amado. Olhá-lo nos olhos ao alimentá-lo também é uma atitude desejável, bem como conversar e brincar com ele.
    - Os bebês sofrem mais do que se pensa: têm sensações, fantasias e temores inconscientes que merecem toda nossa atenção. Não se deve nunca deixá-los chorar sozinhos, com a desculpa de que ficarão ”mimados”.

  • A Criança Pequena
    - Palavras de ordem: brincar, correr, pular. Conforme vai crescendo e conquistando autonomia com o seu corpo, a criança vai explorando cada vez mais o ambiente. É preciso permitir que ela manipule e brinque com os objetos não perigosos da casa. Normalmente ela se interessa muito mais por estes objetos do que pelos brinquedos que ganha. Ao mesmo tempo, já é hora de começar a estabelecer alguns limites, com carinho, firmeza e sem agressões.
    - Muitos pais não compreendem que a criança pequena é naturalmente “egocêntrica”. O tempo todo divide aquilo que é dela e aquilo que é do outro, as vezes querendo tudo para si. É preciso ter calma e paciência para ensiná-la a ser mais sociável e amável, sem exigências extremas.
    - Neste momento, a criança necessita de muita atenção e elogio dos familiares. Quer se conhecer melhor e precisa aprender a gostar de si mesma. Ao dominar a fala, costuma fazer perguntas incríveis, inclusive sobre sexo. Todas as perguntas podem ser respondidas.

  • Idade Escolar
    - Com 7 ou 8 anos normalmente as crianças já estão na escola há tempos. Porém, é nessa idade que elas deveriam ser alfabetizadas, e não antes. Este é o momento em que a criança conquista um amadurecimento especial, estando mais preparada para assimilar novos conhecimentos na área pedagógica.
    - A criança torna-se mais cooperativa e socializada, com uma noção de regras que antes não possuía. Interessa-se muito pelos amigos, por jogos em grupo e pela convivência que a escola proporciona. É freqüentemente curiosa, e continua a perguntar sobre sexo. Impera, no entanto, o Clube do Bolinha e o da Luluzinha.

Andrea R. Martins Corrêa

quinta-feira, 14 de maio de 2009

Artigo: A Patologização da Infância

O Conselho Regional de Psicologia (www.crpsp.org.br) vem organizando diversas palestras e discussões para o Dia Nacional de Enfrentamento ao Abuso e a Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes, e o Dia Nacional da Luta Antimanicomial, ambos comemorados em 18 de Maio.
Balada dos Direitos: Juntos em Defesa da Vida, é o título do evento, realizado em várias cidades do interior de SP.
Chama a atenção, tanto nas pesquisas apresentadas pelos profissionais quanto no atendimento diário a crianças e adolescentes, a tendência, cada vez mais crescente, de “patologizar” os problemas infanto-juvenis.
Isto significa que dificuldades de aprendizagem, problemas de comportamento, consumismo ou isolamento social vêm sendo tratados exclusivamente como doenças, impondo a prescrição de medicamentos controlados, como os psicotrópicos.
Em nome da proteção e do cuidado, constatamos, dessa maneira, um grande número de crianças, já pequenas - 3 ou 4 anos -, tomando remédios para dormir, ficar calma, estudar, ser mais atenciosa e menos agressiva.
Em relação aos adolescentes, especialmente os que tiveram algum conflito com a lei - uso de drogas, roubo, fuga do lar -, há notícias de que estão sendo internados em hospitais psiquiátricos, através de mandados judiciais, na contramão dos movimentos de luta pelos direitos humanos. Vale destacar a denominação deste processo, algo como a “judicialização” da vida.
Muitos pais e educadores poderiam questionar qual é o problema em medicalizar e patologizar a infância e a adolescência, se de fato os resultados desejados são obtidos rapidamente.
Ou seja, os pequenos ficam mais calmos e os maiores são contidos. A escola não se revê enquanto instituição de ensino e a família se mantém em “harmonia”, livre dos comportamentos transgressores dos filhos. Enfim, toda a sociedade agradece, os jovens “doentes” são excluídos e nós, adultos, não precisamos mais nos preocupar com eles.
Ironias à parte, talvez seja para isso que “camisas de força químico-sociais” estejam sendo administradas com tão pouco critério, tornando-se valores positivos e inquestionáveis.
É óbvio que há situações em que os medicamentos são necessários para proteger os indivíduos, mas numa outra perspectiva, diferente desta. Na lógica patologizante, o doente é tão somente a criança e o adolescente, nunca o adulto/educador, que costuma se omitir das responsabilidades que lhes são devidas.
Nossas crianças e adolescentes precisam da nossa disponibilidade, nossa criatividade e nosso compartilhar. É deste modo que estaremos possibilitando a eles condições saudáveis de desenvolvimento.


Andrea Raquel Martins Corrêa

domingo, 10 de maio de 2009

Reflexão: Desafios da Maternidade

Atualmente, as mulheres desempenham muitos papéis na sociedade: são profissionais, donas de casa, esposas e mães. Ser mãe, ao contrário do que se pensa freqüentemente, é um processo diário de aprendizagem, uma experiência de relacionamento com os filhos e com o mundo.

Nem sempre e nem a todo momento essa experiência é gratificante ou prazerosa. Há situações e fases em que angústias, inseguranças e frustrações podem predominar. Não há como pensar em uma mãe perfeita e feliz o tempo todo, pois isso não seria humano: nós, humanos, somos seres frágeis e vivemos em constante transformação.

Nesse sentido é que seria bastante interessante e saudável admitir que não temos “super poderes”, que muitas vezes não é possível fazer tudo ao mesmo tempo e que podemos precisar da ajuda de outras pessoas para cuidar de nossos filhos e das tarefas domésticas. 

Percebo uma crescente insatisfação no dia-a-dia das mães, relacionada a uma enorme sobrecarga de trabalho profissional e doméstico. Acredito, no entanto, na importância e na necessidade de todas nós, mães, aprendermos a nos cuidar com maior zelo, realizando atividades que apreciamos e também compartilhando muitas de nossas excessivas responsabilidades com outras pessoas - maridos e filhos, por exemplo -, sem medo de perder o controle.

Dessa maneira, quem sabe, trilharíamos um caminho no qual o papel de mãe poderia ser vivenciado mais livremente, com sabor de afeto, carinho e muitos abraços.


sábado, 9 de maio de 2009

Artigo: O Fim da Infância

A infância, bem como a adolescência, foi uma criação da modernidade, a partir de 1750, aproximadamente. Neste período, nasceu a Ciência - tal como a conhecemos hoje - e as idéias iluministas. A adolescência teve seu apogeu mais tarde, somente no século XX.
Isto significa que tanto a infância quanto a adolescência são construções históricas, podendo ser situadas no processo de desenvolvimento da sociedade. Antes da Idade Moderna, a infância não existia e a criança era reconhecida como um adulto.
Considerações específicas acerca da infância, conceitos sobre desenvolvimento infantil, estudos e medidas enfocando as crianças, são invenções recentes da humanidade. É curioso notar, porém, que estas conquistas vêm se perdendo.
Não é difícil constatar o mais absoluto desprezo pelas necessidades das crianças, por parte dos adultos e das instituições. Mais uma vez na história, elas estão sendo concebidas como adultas.
Basta olharmos os comerciais, as roupas e os sapatos fabricados para as meninas. Não são pequenas mulheres? Basta repararmos com mais atenção em todo esse movimento pedagógico que alfabetiza precocemente crianças pequenas, impedindo-as de brincar. Aliás, brincar tornou-se uma “ferramenta de aprendizagem”, em um contexto utilitarista que não acolhe a criatividade infantil. E o que dizer das crianças mais pobres? Evidentemente, para elas a infância nunca existiu.
Sinto-me um tanto incomodada quando, freqüentemente, trabalhando com pais, sou indagada a respeito do comportamento das crianças pequenas, que querem brincar e não estudar, querem pular ao invés de assistir televisão. Os pais não têm tempo para a infância e a escola também não.
Sendo assim, as fantasias e as brincadeiras próprias dessa idade têm sido interpretadas de maneira equivocada: espera-se que uma criança de 3 anos saiba repartir os brinquedos, saiba desenhar “bonito”, fique quieta e tenha raciocínio abstrato. Em muitas situações, se a criança não responde de acordo com estas expectativas, é considerada hiperativa e tratada com medicamentos.
Infelizmente, parece estar longe da realidade a compreensão de que não são as crianças que estão doentes, mas os adultos é que se tornaram insensíveis à infância, tão alucinados com suas próprias tarefas e demandas.


Texto escrito por Andrea Raquel e publicado no blog http://agendaculturalpiracicabana.blogspot.com/